ALADDIN, O MUSICAL

Referência em teatro infanto-juvenil, a premiada diretora Carla Candiotto – Prêmio Governador do Estado na categoria Arte para Crianças, além de seis estatuetas APCA e cinco troféus São Paulo de Teatro Infantil/Jovem – traz sua linguagem artística diferenciada para embalar a nova produção da Chaim Produções. A marca criativa e inteligente da encenadora agora poderá ser vista em Aladdin, o Musical, que estreia em São Paulo dia 2 de novembro, sábado, no Teatro Porto Seguro. Apresentado pelo Ministério da Cidadania, com realização da Lei de Incentivo à Cultura, o espetáculo tem patrocínio da Porto Seguro, Rede Impar e Colgate.

No palco, uma carroça estilizada se transforma numa caixa mágica e funciona como teatro ambulante, mercado, quarto e gruta. Em cena, 12 atores e um pianista vestem 25 figurinos e interpretam uma trupe de teatro que viaja pelo mundo contando uma das mais incríveis narrativas de aventura. Entre os personagens, destaque para o tigre branco Namur (companheiro de Jafar, o feiticeiro maldoso e ávido por poder), o espirituoso gênio da lâmpada e o tapete que acha que é um cachorro e funciona, comicamente, com acrobacias.

Aladdin é um ladrãozinho de pequenos furtos, que, através de uma lâmpada mágica e um gênio, começa a repensar a vida e o amor. A princesa Jasmine é uma adolescente que deseja ser livre para escolher os seus próprios caminhos, diferente das mulheres de gerações anteriores que vislumbravam apenas o casamento como desejo máximo e definitivo.O ganancioso Jafar se comporta com a astúcia e movimentos corporais de um gato. O Tapete Voador faz várias acrobacias. O Tigre possui formação acrobática.

No Aladdin de Carla Candiotto, o personagem Gênio é um jovem bailarino. “O gênio gostaria de estar no mundo do show business, ele faz uma pequena homenagem a Broadway”, descreve a diretora.

Para embalar a história que se desenrola no universo da fantasia e imaginação, a diretora utiliza uma fusão de linguagens artísticas, característica marcante em sua obra. Tem teatro físico, circo, manipulação de bonecos e teatro de sombras, truques e efeitos especiais, além de vídeos com imagens de palácios, luas e estrelas. “É uma história sobre mágicas, tem um gênio que mora numa lâmpada, um tapete que fala e um tigre que pensa. Enfim, a magia existe o tempo todo.

Além de conteúdo e concepção, esta montagem de Carla Candiotto aposta na qualidade também na escolha da equipe de criativos, como tem sido ao longo de sua carreira. Com direção musical de Carlos Bauzys, design de luz de Wagner Freire, figurino de Fábio Namatame, cenário de Bruno Anselmo, coreografia de Alonso Barros, videografismo e videomapping de André Grynwask e Pri Argoud (Um Cafofo), design de som de Tocko Michelazzo e visagismo de Dicko Lorenzo, o espetáculo tem texto de Carla Candiotto e Igor Miranda e músicas de Carlos Bauzys (com letras de Igor). O elenco é formado por Andreza Meddeiros, Bruno Ospedal, Caio Mutai, Edmundo Vitor, Giu Mallen, Gustavo Della Serra, Joyce Cosmo, Léo Rommano, Marco Antonio Costa, Nábia Villela, Pedro Navarro e Thays Parente.

Carreira pautada por clássicos da literatura infantil

Aos 25 anos de carreira e, aproximadamente, 30 espetáculos, a diretora, paulista de Jundiaí, fez sua formação artística na França, Itália e Inglaterra. Estudou na Ecole Internationale Phillippe Gaullier, no Théâtre du Soleil, com Ariane Mnouchkine, e na Desmond Jones School of Mime. Há anos a diretora Carla Candiotto adapta contos da literatura infantil em suas montagens. “Trago as histórias do passado para os tempos atuais, com agilidade e piadas para toda a família, mantendo o significado delas; afinal, esses contos existem para ensinar, para dar voz a problemas que as crianças passam em seu crescimento”, diz. “Nunca deixo de contar a verdadeira história, sou sempre fiel a uma boa tradução ou uma boa autoria.

O espetáculo tem agilidade, tiradas rápidas e é repleto de momentos engraçados, (como a personalidade de sua criadora), a começar pelas cenas do gênio, que sempre realiza os desejos de uma forma divertida. Nas palavras da diretora, “é uma historia antiga com uma visão moderna, por exemplo, da mulher que não quer ser apenas uma princesa e, sim, cuidar de seu povo”. “O texto é um pretexto para falar de amor, do amor próprio, da liberdade, que é muito mais importante do que depender de um príncipe. A história é eterna porque faz sentido. A adaptação e o conceito artístico são diferentes da linguagem de um musical da Disney”, detalha ela. “Um pequeno grande espetáculo, recheado de mágica e mistérios”, define a diretora, que geralmente parte de um roteiro de ações para improvisar com os atores e sorver deles suas influências. “Assim, a história vem carregada de modernidade e vida“, completa.

Trilha sonora composta

O elenco interpreta ao vivo as 13 canções compostas originalmente por Carlos Bauzys, responsável também por arranjos e orquestrações. Carlos já trabalhara com a diretora em Pinóquio (Teatro Imprensa) e Bichos do Mundo (Pia Fraus). O pianista Rodolfo Schwenger toca ao vivo e dispara efeitos e playbacks, gravados por Bauzys em estúdio com orquestra de 12 instrumentistas (2 violinos, viola, violoncelo, flauta, clarinete, sax alto, soprano, tenor e clarone, trompete, flugel, trombone, percussão árabe (vários instrumentos como carron e carrilhão), bateria, baixo acústico e elétrico e piano).

Figurino – inspiração oriental

Com referências contemporâneas e mais antigas, o figurino de Fábio Namatame tem cortes modernos. A estrutura é formada por uma base de cores neutras – em bege, cinza e azul acinzentado – e sobreposições coloridas em tons de verde, bordô e dourado. O Tigre tem uma roupa bem contemporânea, diferente de todas as montagens, um desenho quase futurista. “Conforme as personagens contam a história, fazem uma sobreposição de peças”, conta, ressaltando a inspiração oriental do figurino, em um mix de Japão, China e Arábia. “É um luxo criativo. Temos brocado, muita aplicação na própria roupa, pintura, textura, não tem paetê, nem predaria”, finaliza Namatame. O criativo fugiu de estereótipos ou referências da Broadway e seguiu as indicações da direção, que o deixou livre para criar e viajar pela fábula. “O tapete (quase um edredom, flexível) foi um grande desafio”, revela, ressaltando que Carla pediu bonecas balinesas para a cena das marionetes, em teatro de sombras.

Coreografia – sintonia

A criação das coreografias resulta de um conjunto de fatores, como explica Alonso Barros. “Primeiro eu me inspiro no texto e na música do espetáculo, que tem que me estimular a contar uma história.” O criativo gosta de trabalhar em sintonia com a dramaturgia, faz questão de contar uma história. “Jamais coreografo pensando apenas em fazer números de passos e, quando escolho o elenco, sei exatamente como vou aproveitar determinado ator ou atriz, tirando o melhor possível de suas qualidades.

Alonso prefere trabalhar alinhado com o diretor musical, principalmente quando as canções são originalmente compostas. Para a coreografia, “é importante que o coreógado e o diretor musical tenham afinidade”, diz Alonso, que repete com Carlos Bauzys a dobradinha de Peter Pan, o Musical.

Cenário – caixinha de surpresas

O elemento mais destacado do cenário é a carroça, estrutura feita de ferro e forrada com chapas de madeira, de 3 metros por 1.50. Trata-se de uma caixa mágica, quase um personagem, que se desloca e se transforma ao longo do espetáculo, e por onde Aladdin tem que entrar para pegar a lâmpada do gênio e encontrar seu tapete mágico para escapar. Criada com o intuito de revelar “coisas”, é chamada de caixinha de surpresas pelo cenógrafo Bruno Anselmo. As cenas acontecem em torno, em cima de seu palco e na frente da carroça, que também serve de passagem para os atores. Parada, ela gira no eixo e cada um de seus lados abriga mini cenários. “O fundo da carroça é o quarto da Jasimie, a frente é o palácio e assim, a cada movimento novas possibilidades de espaço são reveladas, como a gruta e os baús”, explica Glauco Bernardi, complementando que o teatro de sombras é projetado no seu interior.

Além da temporada em São Paulo, curta turnê nacional:

Dias 5, 6, 12 e 13/10 – Rio de Janeiro, RJ – Teatro Clara Nunes
Dias 19 e 20/10 – Brasília, DF – Teatro do Hotel Royal Tulip
Dias 26 e 27/10 – Campinas, SP – Teatro Iguatemi
Dias 15 e 16/12 – Manaus, AM – Teatro Manauara

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Aladdin, o Musical

Com Andreza Meddeiros, Bruno Ospedal, Caio Mutai, Edmundo Vitor, Giu Mallen, Gustavo Della Serra, Joyce Cosmo, Léo Rommano, Marco Antonio Costa, Nábia Villela, Pedro Navarro e Thays Parente

Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)

Duração 75 minutos

02/11 até 08/12

Sábado e Domingo – 15h

$50/$90

Classificação Livre

O ANTI-MUSICAL – O MUSICAL

Após sucesso no Rio, o espetáculo “O Anti-Musical – o Musical”, produzido pelo CEFTEM (Centro de Estudos e Formação em Teatro Musical), estreia temporada em São Paulo no Teatro do Núcleo Experimental em temporada de 08 a 30 de outubro, terças e quartas, às 21h.

O espetáculo tem direção de Fabiana Tolentino, dramaturgia e canções originais de Tauã Delmiro, direção musical de Miguel Briamonte e coreografia de Mariana Barros.

A dramaturgia do espetáculo busca comunicar o universo da obra de Luigi Pirandello e do romance O Mágico de Oz, de L. Frank Baum. Através de uma obra meta-teatral explora, com humor, elementos recorrentes na dramaturgia e na música dos grandes espetáculos musicais. Também questiona o sistema infraestrutural que as produções do gênero adquiriram no país e expõe as contradições de ser artista nesse país que assiste ao sucateamento das suas políticas públicas e culturais.

Sinopse: Após a transposição de duas obras de Luigi Pirandello para os palcos fracassarem, um grupo de teatro recebe de uma empresa a proposta de montar o musical “O mágico de Oz”. Essa é uma tarefa árdua para a companhia, já que os integrantes odeiam teatro musical. Considerando sua aversão a estética inerente ao gênero, decidem subverter a proposta do patrocinador e dar uma nova dimensão poética a obra, criando assim um anti-musical.

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O Anti-musical, O Musical

Com Anita Janasi, Camila Johann, Cristiana Paiva, Emanoel Fernandes, Fabiana Fields, Gabriela Carvalho, Gabriela Tarifa, Giovana Abreu, Isabela Yunes, Laura Pompeo, Luiz Mota, Natan Tricarico, Rita Nascimento, Vitoria Eliza

Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda 637 – Barra Funda, São Paulo)

Duração 105 minutos

08 a 30/10

Terça e Quarta – 21h

$60

Classificação 12 anos

DRAGS QUEEN EM CENA

Em outubro, drag queens tomam os palcos de São Paulo em dois espetáculos: Café com Trauma, da Cia Canastra, e As Bunytas da Rádio.

Café com Trauma, primeira encenação da Cia Canastra, é uma comédia dramática que reúne em cena as drag queens Alexia Twister, Athena Leto, Dinamyte Pangalática, Mercedez Vulcão e Thelores. Sua proposta é discutir os estereótipos de feminino e masculino enquanto trata de temas como os traumas causados pelos estigmas sociais, além de apresentar elementos da arte drag fundidos com elementos do teatro clássico.

Sob direção e dramaturgia coletiva, as artistas apresentam  temas de cunho pessoal. Algumas das questões abordadas são a dificuldade de adequação de Dinamyte Pangalática pelo fato de sua interprete ser uma mulher cisgênero; o processo de aceitação de Thelores quanto à sua sexualidade e relacionamentos no meio LGBTQ+, entre outros.

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As Bunytas do Rádio é um espetáculo que fala sobre as nuances do amor. Partindo da temática poética da Era de Ouro da Rádio, três drag queens – Jhenny (Renato Lima), Mercedez Vulcão (Pedro Machitte) e Thelores (Beto Souza) – constroem histórias românticas através das músicas de grandes divas brasileiras, como Dolores Duran, Dalva de Oliveira, Irmãs Galvão, Ângela Maria, Inesita Barroso, entre outras. A construção das cenas acontece inspirada por dramaturgia de radionovelas que culminam em um grande programa de auditório ao vivo, com a participação do público na evolução das cenas. Sendo assim, a cada dia o espetáculo ganha nuances diferentes.

Nesta peça, o universo drag queen impulsiona uma linguagem melodramática, exagerada e visceral que o grupo se apropria de forma saudosista para resgatar um período de grande importância histórica na cena artística brasileira. Na criação da obra, os três atores/drags pesquisaram os pilares da Era de Ouro da Rádio e relacionaram as temáticas às suas vivências pessoais que se conectam com o período, trazendo dessa forma a figura drag como interlocutora central dessas potências femininas. O espetáculo utiliza recursos cênicos como dublagem, canto, músicas tocadas ao vivo, coreografias e improvisação com o público.

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Café com Trauma

Com Alexia Twister, Athena Leto, Dinamyte Pangalática, Mercedez Vulcão e Thelores

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)

Duração 70 minutos

04 a 25/10

Sexta – 23h59

$40

Classificação 14 anos

As Bunytas da Rádio

Com Jhenny, Mercedez Vulcão e Thelores

Cabaret da Cecilia (R. Fortunato, 35 – Santa Cecilia, São Paulo)

Duração 50 minutos

09 a 30/10

Quarta – 21h30

Pague quanto puder

Classificação Livre

CARGAS D’ÁGUA – UM MUSICAL DE BOLSO

Depois de duas temporadas de sucesso em São Paulo, diversas críticas, indicações e prêmios, além de montagens em Nova Iorque e Londres, o espetáculo autoral brasileiro, de Vitor Rocha, retorna aos palcos de São Paulo, a partir do dia 08 de outubro, no Teatro Viradalata e dessa vez com novidade no elenco.

Cargas D’Água – Um Musical de Bolso” conta uma história que começa bem no meio do Brasil, só que um pouquinho para cá: no sertão mineiro. Onde um menino perde a sua venerada mãe e acaba por esquecer o seu próprio nome, pois seu padrasto, agora o único membro da família, só o chama por “moleque”. Mas tudo muda quando ele faz um amigo, nada comum, um peixe, e começa a ver toda a sua história com outros olhos. Agora ele tem uma missão: levar seu amigo para ver o mar. Uma missão que seria muito fácil se ele não tivesse inventado de contornar o país inteiro por dentro antes de sair no litoral. Em sua jornada, o moleque acaba encontrando distintos personagens que o ajudam ou atrapalham, e de alguma forma, o obrigam a enfrentar os maiores medos dos homens. Entre os personagens estão Charles e Pepita, dois artistas peculiares que ajudam o moleque a dar sentido para sua jornada e consequentemente, para sua vida e para a deles.

O espetáculo que foi sucesso em 2018, obtendo diversas críticas positivas, indicações aos mais importantes prêmios brasileiros de teatro, sendo premiado em diversas categorias, atravessou fronteiras e levou a obra do jovem autor brasileiro para ampliar horizontes. Em 2019 o musical ganhou uma montagem na cidade de Nova Iorque, ficando em cartaz entre agosto e setembro, no Tada Theatre. Produzido e estrelado por Edu Medaets, “Out of Water” contou com um elenco formado pelos atores brasileiros Helora Danna, Maite Zakia, Pedro Coeppeti e Ronny Dutra, que residem nos Estados Unidos. O texto e as músicas foram totalmente traduzidos para o inglês, por Isabela Bustamanti e a direção ficou por conta de Renata Soares.

A emocionante jornada de Moleque e seu amigo peixe não parou por aí e já tem data marcada para uma nova estreia internacional, a partir de 14 de outubro, “Out Of Water” estará em cartaz também em Londres, no Candem Peoples Theatre, com produção de Carolina Leite e Patrícia Santi e direção de Victoria Ariante. O elenco desta vez não será formado apenas com brasileiros e contará com Sam Ford, Carolina Leite e Adam Filipe.

Atendendo diversos pedidos em redes sociais, “Cargas D’água – Um Musical de Bolso” terá nova temporada brasileira. Desta vez, por conta de agendas, o elenco ganha um novo integrante, o ator Vitor Moresco, que irá alternar com Vitor Rocha o papel de Charles. No elenco estarão Ana Paula Villar como Pepitta, Gustavo Mazzei como Moleque e Victória Ariante como cover de Pepita, além de diretora residente do espetáculo.

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Cargas D’água – Um Musical de Bolso

Com Ana Paula Villar, Gustavo Mazzei, Victória Ariante, Vitor Moresco e Vitor Rocha

Teatro Viradalata (Rua Apinajés, 1387 – Sumaré, São Paulo)

Duração 90 minutos

08/10 até 05/11

Terça – 21h

$60

Classificação Livre

A CIDADE DE DENTRO

No dia 5 de outubro, sábado, às 16h, estreia o espetáculo infantil A Cidade de Dentro no Teatro Alfredo Mesquita, em Santana. A peça integra a Mostra Sonhos em Tempos de Guerra da República Ativa de Teatro, contemplada pela 32ª Edição do Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. A temporada vai até 27 de OutubroGrátis!

A Cidade de Dentro é um espetáculo teatral que aborda os conflitos de uma grande metrópole e os reflexos dos problemas originados entre as necessidades dos indivíduos e a má gestão do poder público. Em cena estão Leandro Ivo, Rodrigo Palmieri, Thiago Ubaldo e Vivi Gonçalves. A encenação é da República Ativa e a direção e provocação cênica é de Eliana Monteiro.

Mostra Sonhos em Tempos de Guerra contempla seis espetáculos teatrais, com linguagens distintas e com a participação de diversos outros artistas. O Inimigo foi apresentado no Teatro Décio de Almeida Prado em junho; A Sombra do Vale foi apresentado no Teatro João Caetano, em julho; Invocadxs cumpriu temporada entre agosto e setembro no Teatro Alfredo Mesquita. A Cidade de Dentro é o quarto dentre esses seis espetáculos que serão apresentados gratuitamente em teatros públicos municipais. O projeto promoverá ainda debates públicos sobre o Teatro e a Criança na Embaixada Cultural – sede da República Ativa -, que fica na Vila Dom Pedro II – Zona Norte da cidade.

Sinopse:

Perfeitolândia é uma cidade diferente que faz jus ao seu nome. Tudo nela funciona perfeitamente bem: árvores que contam histórias, estátuas vivas, ruas que se movem… Tudo milimetricamente planejado pelo Sr. Perfeito – o Prefeito. Mas o que é uma cidade senão as pessoas que nela vivem? Será que todos os seus cidadãos conseguem desfrutar de tudo aquilo que a cidade tem a oferecer?

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 A Cidade de Dentro

Com Leandro Ivo, Rodrigo Palmieri, Thiago Ubaldo e Vivi Gonçalves

Teatro Alfredo Mesquita (Av Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)

Duração 45 minutos

05 a 27/10

Sábado e Domingo – 16h

Entrada gratuita

Classificação Livre

DIANA

Primeira peça produzida pelo Ágora Teatro em 1999 e que na época teve a direção de Roberto Lage, DIANA volta ao palco do local com texto e atuação de Celso Frateschi e direção de Rudifran Pompeu. Montagem abre as comemorações de 20 anos do Ágora Teatro e reestreia dia 12 de outubro, sábado, às 21h.

DIANA já foi encenada duas outras vezes, primeiro com Cassio Scapin e depois com Angelo Brandini. Essa nova versão tem o texto original bastante transformado, e mergulha ainda mais na personagem e na história buscando aperfeiçoar a dramaturgia e potencializar o espetáculo. A nova montagem procura criar signos que instiguem o espectador a se emocionar, a se divertir e a construir uma reflexão sobre o ser humano e suas relações com os outros e com o planeta.

A história acontece na cidade de São Paulo no final dos anos sessenta e conta a saga de um professor de línguas de um colégio da periferia descrente e cansado das palavras das pessoas e que prefere conversar com as coisas. Traído pela mulher, só dá crédito ao que dizem os inanimados. Sai de casa e se apaixona pela escultura Saindo do Banho, de Victor Brecheret, instalada no Largo do Arouche, a quem batiza de Diana. Confundido com um militante de esquerda, o professor é sequestrado por agentes da polícia paramilitar da ditadura. DIANA se concentra nesse curto momento em que ele se encontra nesse cativeiro, um não lugar onde busca entender o seu desentendimento. Em oito cenas curtas o personagem revive suas crenças e suas paixões, seus sonhos e seus delírios.

Primeiro de uma intensa comemoração de duas décadas de criação do Ágora Teatro,  um espaço que há muito vem marcando uma posição de referência na cena paulistana e também tem sido palco de encontros e debates acerca da condição humana, do destino e da vida, DIANA tem cenário e figurino de Sylvia Moreira, iluminação de Wagner Freire, direção de movimento de Vivien Buckup e trilha sonora original de Demian Pinto.

Formular boas perguntas

Para Celso Frateschi, a arte e a estética só arriscam respostas para formular perguntas melhores. “DIANA nos traz perguntas que nos remete à nossa vida e ao nosso mundo.  Na ditadura, 453 foram identificados como mortos e desaparecidos. Atualmente no Rio de Janeiro são mortos cinco pobres por dia pelas forças policiais. O nosso cenário criado por Sylvia Moreira, presta uma homenagem a todos eles. O espetáculo nos remete ao homem contemporâneo e procura revelar nosso personagem de múltiplos ângulos. É o humano que nos interessa em primeiro lugar e exatamente por isso, não tem a pretensão de respostas, mas de formular boas perguntas. Essa é uma característica do Ágora Teatro: aprofundar o material artístico ao extremo para que se possa atingir dimensões desconhecidas”, explica o ator.

Já o diretor Rudifran Pompeu conta que a ideia de produzir o trabalho que marcou a abertura do Ágora quer demarcar a simbologia do nascimento de alternativas capazes de propor a reflexão. “Como diretor dessa ‘primeira’ aventura comemorativa saudável, mas de fundo denso e cortante em que balizam-se as desmedidas de uma personagem que desiste das pessoas e decide se relacionar com as coisas, é para mim um imenso caminho de possibilidades; de se permitir jogar com a cena e proporcionar no campo do debate a real disputa de um certo tipo de pensamento opressor que nesse instante toma a América Latina. Em tempos de rupturas democráticas e a possível legitimação de um estado que se ampara e se alimenta no discurso de ódio, DIANA é como um reflexo que margeia a condição humana em toda a sua complexidade e a capacidade de refletir sobre a vida”.

Sobre o Ágora Teatro

Fundado em 1999 em São Paulo, o Ágora, com sede própria no bairro do Bixiga, coordenado por Sylvia Moreira e Celso Frateschi, caracteriza-se não apenas pela produção e apresentação de montagens, mas também por organizar ciclos de debates, seminários, pesquisas, leituras e promover a publicação de obras que documentam esses encontros. Tendo como meta, nas palavras de seus idealizadores, o “teatro da menor grandeza”, o centro investe na encenação que privilegia o texto e o ator.

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Diana

Com Celso Frateschi

Ágora Teatro (Rua Rui Barbosa, 664 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 60 minutos

12/10 até 16/12

Sábado – 21h, Domingo – 20h, Segunda – 21h

$20

Classificação 14 anos

JARDIM DE INVERNO

Com direção de Marco Antônio Pâmio (vencedor de três Prêmios APCA) e adaptação dramatúrgica de Fabrício Pietro o espetáculo estreia no dia 11 de outubro, sexta-feira, às 21h30, no Teatro Raul Cortez. A direção de produção é de Danielle Cabral (DCARTE). Aline Jones, Erica Montanheiro, Iuri Saraiva, Luciano Schwab, Martha Meola, Ricardo Ripa, Julia Azzam e Lucas Amorim completam o elenco.

A peça se passa em uma época pré-feminista e levanta questões como a liberdade, os padrões de vida impostos pela sociedade e a sensação de sufocamento na vida familiar. A obra foi adaptada para o cinema (em português com o título Foi Apenas Um Sonho), protagonizada por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet.

A trama retrata a vida cotidiana de April Wheeler (Andréia Horta, protagonista da cinebiografia de Elis Regina) e seu marido Frank (Fabrício Pietro), um casal de classe média aparentemente feliz, que mora com seus dois filhos em um idílico subúrbio de uma pequena cidade nos Estados Unidos, na década de 1950. A história revela momentos intensos da vida cotidiana deste casal que ao cumprir as convenções sociais impostas sufocam seus mais profundos anseios, envenenando sonhos e aspirações.  O espetáculo nos apresenta a progressiva frustração que acomete os dois, conforme assistem a suas vidas passar como um acúmulo de instantes sem sentido.

A obra, mesmo tendo sido escrita no início da década de 60 e contando a história de uma família americana suburbana dos anos 50, carrega em seu cerne uma atemporalidade de proporções gigantescas, pois ela fundamentalmente nos fala de como nossos projetos de realização pessoal podem ser sufocados em nome da estabilidade social e financeira. Esse assunto não diz respeito a uma época específica, e sim à problemática humana mais profunda, independente de tempo ou lugar”, diz o diretor Marco Antônio Pâmio.

Nessa época pré-feminista, April é uma dona de casa que tem o sonho de ser atriz frustrado.  Ela elabora um plano romântico para se mudar com a família para Paris, onde será possível reavivar seu relacionamento com o marido, cumprindo seu profundo desejo de liberdade e dando a ele a chance de se “encontrar”.

Sobre sua personagem, Andréia Horta comenta: “Sinto a alegria de ter vivido até agora muitos personagens, com alguns tenho semelhanças com outros não. Sempre tentamos encontrar pontos de contato, mas nem sempre acontece, o que é bom também, porque, a partir do desconhecido, começa a criação. Para April, tenho me conectado com tantas histórias de mulheres que viveram oprimidas, sufocadas pela idealização da família e do papel que acreditaram que nós mulheres deveríamos ocupar como se tivéssemos que representar o papel que nos foi dado sem que pudéssemos escolher outro destino”.

Já Frank tem um emprego relativamente bem remunerado, mas muito tedioso, e espera conseguir em breve uma promoção. Inicialmente, ele fica entusiasmado com a ideia da esposa, mas, aos poucos, passa a sabotá-la, alarmado com a possibilidade de mudança, pois acredita que precisa encontrar a felicidade em sua vida concreta.

Para construir sua personagem, Fabrício Pietro inspira-se nos modelos de família tradicional ao seu redor. “Fui criado em uma sociedade na qual a figura masculina tem obrigação de ser forte, provedora, maliciosa, chefe da casa, e bem-sucedida. Ainda que eu tenha consciência destas questões e lute contra elas, sei que estão plantadas no meu DNA social”, acrescenta.

O casal não sabe se abre mão de seus verdadeiros desejos ou enfrenta o peso do conformismo. Eles descarregam suas frustrações um no outro e raramente compreendem o ponto de vista do parceiro, refletindo a desilusão do sonho americano, o “american way of life”. Mas, diante dos olhares de seus vizinhos, eles representam os pilares de tudo o que há de bom; são pessoas charmosas, contagiantes, exemplares e especiais, o que afirma a maneira como se vêem.

Essa dicotomia entre a realidade (para o casal) e a ficção (para os vizinhos) faz com que a história seja um inquietante retrato da busca desesperada por uma única chance na vida de se fazer o que se quer para que tudo valha a pena. “A própria dramaturgia nos conduz a isso, uma vez que enxergamos o casal na sua intimidade e no convívio com os outros personagens que os cercam no mundo exterior. Nosso elemento inspirador é o próprio teatro, na medida em que essa vida levada pelos dois é, de certa maneira, representada para os outros. Todos representam papéis sociais, mas o que eles vivem entre quatro paredes se distancia bastante do que deixam transparecer para o mundo. E, tanto quanto no teatro, esses papéis precisam ser extremamente bem representados”, explica Pâmio.

Tal como uma tragédia grega, a obra gira ao redor das falhas morais de suas personagens centrais ao discutir temas como a liberdade, o quanto as pessoas são capazes de se autossabotar para caber nas expectativas sociais, a distância entre a felicidade idealizada e a vida concreta, a busca por uma vida autêntica, os modelos irreais de felicidade impostos pela sociedade, como o homem lida com o sucesso da mulher, seu desejo de autoafirmação e o medo diante de certezas questionadas.

Questões femininas

Publicado em 1961, o primeiro romance de Yates foi finalista do National Book Award em 1962, vendeu milhares de cópias, foi amplamente traduzido e publicado em outros países e, em 2005, foi eleito pela revista TIME como um dos 100 maiores livros da literatura em inglês. A obra ficou ainda mais conhecida graças à adaptação cinematográfica dirigida por Sam Mendes em 2008, com o título Foi Apenas um Sonho, estrelada por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet.

Quando assisti ao filme em 2009, senti o mesmo vazio desesperador e vontade de resgatar uma certa ‘sensação de vida’ que April, a protagonista, sentiu. Eu vinha de uma fase na qual conforto e estabilidade eram meus objetivos de vida. Com o passar dos anos, meus desejos mais genuínos foram minados pelo comodismo e algo importante se perdeu: minha coragem e autenticidade. O filme me fez enxergar isto. Adquiri a obra original, um romance, e me debrucei sobre ele inúmeras vezes. Então decidi escrever a versão teatral. Minha adaptação foca na reflexão sobre o sufocamento dos desejos, a massificação dos valores, o desperdício dos potenciais individuais em virtude de um único modelo de família próspera e feliz estabelecido por interesses econômicos. Mas em si, a história carrega questões femininas urgentes, expostas muito claramente pela protagonista e que lamentavelmente 60 anos depois (o romance foi escrito em 1961) seguem devastando as mulheres”, revela Pietro sobre a idealização e adaptação da peça.

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Jardim de Inverno

Com Andréia Horta, Fabrício Pietro, Erica Montanheiro, Iuri Saraiva, Martha Meola, Ricardo Ripa, Luciano Schwab, Aline Jones, Julia Azzam e Lucas Amorim.

Teatro Raul Cortez (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista, São Paulo.)

Duração 100 minutos

11/10 até 17/11

Sexta – 21h30, Sábado – 21h, Domingo – 20h

$50

Classificação 14 anos