NOVA PRODUTORA ABRE AS PORTAS

O ator Bruno Narchi e a produtora Bel Gomes mantiveram a parceria iniciada na montagem de “Rent” e resolveram juntar forças. Surgiu então uma nova produtora, voltada para montar espetáculos de baixo custo e que sejam apresentado em horários alternativos. Para tanto, convidaram os atores Leopoldo Pacheco e Thiago Machado para fazerem parte da iniciativa.

A nova produtora – ainda sem nome definido – inicia suas atividades agora em outubro com a apresentação do musical “Tick, Tick… Boom!, de Jonathan Larson – o mesmo autor de “Rent”, no Teatro FAAP.

Esta montagem terá nos palcos Bruno Narchi, Thiago Machado, a atriz Myra Ruiz e o diretor musical Jorge de Godoy.

Os próximos projetos são o musical “Flames“, de Stephen Dolginoff (“O Pacto”), com estreia prevista para o primeiro semestre do ano que vem. A peça “Sleuth“, de Anthony Shaffer, chega no final de 2019.

NATASHA, PIERRE E O GRANDE COMETA DE 1812

Inspirado em uma passagem da obra-prima “Guerra e Paz“, de Leon Tolstói, “Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812” é revolucionário e impulsionado pelo desejo de quebrar com os paradigmas do teatro musical tradicional por meio de uma trama permeada por amor, perdão e redenção, que alia o clássico a ares de modernidade.

O musical, criado pelo compositor norte-americano Dave Malloy, se tornou um grande sucesso logo em seu ano de estreia, com 12 indicações ao Tony Awards de 2017, justamente por misturar tantos estilos distintos.

Suas composições trazem uma história totalmente musicada com ritmos que misturam o “Broadway tradicional” ao pop, soul, folk e eletrônico. Seu enredo utiliza como cenário a Rússia do começo do século XIX assolada pelas guerras Napoleônicas, mas dentro de estética e linguagem contemporâneas.

Outro ponto fora do convencional é o formato em que o musical é montado, fora do teatro e dentro de um espaço localizado em uma das áreas mais charmosas de São Paulo, o 033 Rooftop, no topo do Teatro Santander. O local será todo adaptado e contará com cenografia especial para remontar um clube russo do início do século XIX, incluindo 11 luminárias Sputnik assinadas pela designer Ana Neute.

Envolvida nessa atmosfera moscovita, a plateia poderá, além de assistir à peça, desfrutar de serviço de bar e vivenciar uma saborosa experiência gastronômica comandada pelo Chef Mario Azevedo, do 033 Rooftop, com destaque para a receita do autêntico strogonoff russo.

O 033 RoofTop oferece uma excelente infraestrutura para eventos de qualquer natureza, com modernidade e flexibilidade. O local conta com lounge, terraço, salão principal, bar, varanda privada, sala de reunião VIP, camarim, cozinha industrial e salas técnicas e de apoio.

Para promover uma atmosfera extrovertida e inovadora, o elenco extravasa o ambiente do palco principal e corre para o público em passarelas que permeiam toda a plateia, composta por cadeiras, mesas e banquetas, em atuações interativas que promovem a imersão dos espectadores. A orquestra também faz parte dessa grande festa e fica disposta em um pit no centro da plateia. Alguns dos artistas também circulam pelas passarelas tocando instrumentos.

Em sua adaptação brasileira, o musical conta com direção geral de Zé Henrique de Paula e realização da Move Concerts, mediante acordo especial com a Samuel French, Inc. O trio de protagonistas será estrelado por Bruna Guerin (Natasha), André Frateschi (Pierre) e Gabriel Leone (Anatole), além de um grande elenco. “Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812” é apresentado por Ministério da CulturaBanco Santander e Zurich Santander, e tem patrocínio de Santander Getnet.

Experiência gastronômica

Envolvida nessa atmosfera moscovita, a plateia poderá, além de assistir à peça, desfrutar de serviço de bar com variados drinks e vivenciar uma saborosa experiência gastronômica comandada pelo Chef Mario Azevedo, do 033 Rooftop. Com base na culinária russa, o destaque é a receita do autêntico strogonoff local. A outra opção de prato principal é o pelmeni, outro prato originário da Rússia, que pode ser pedido com carne ou queijo (versão vegetariana).

A entrada especial é a salada oliver, conhecida como “salada russa”, um clássico da culinária nativa. As sobremesas são as famosas pavlovas, de chocolate ou de frutas do bosque. O menu ainda tem os zakuski, tradicionais aperitivos de queijos e frutas secas e, também, porções mistas de pierogui, popular receita ucraniana incorporada a gastronomia russa. Clientes Santander tem 15% de desconto na compra antecipada, por meio do site www.ingressorapido.com.br, ou na bilheteria do Teatro Santander, da experiência gastronômica completa (1 entrada + 1 prato principal + 1 sobremesa).

O 033 Rooftop é um dos mais novos espaços de eventos de São Paulo, localizado no topo do Teatro Santander. Com uma área de 1.000m2, o terraço conta com estrutura moderna e contemporânea, que possibilita a realização dos mais diferentes tipos de eventos.

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Natasha, Pierre e o Grande Cometa de 1812

Com André Frateschi, Bruna Guerin, Gabriel Leone, Guilherme Leal, Nani Porto, Adriana Del Claro, Miranda Kassin, Wilson Feitosa, Lola Fanucchi, Nábia Villela, Daniel Cabral, Natália Glanz, Andre Torquato, Fabiana Tolentino, Vitor Moresco, Carol Bezerra, Arthur Berges, Letícia Soares, Giovanna Moreira, Patrick Amstalden, Rafael Pucca e Thiago Perticarrari

033 Rooftop – Complexo Shopping JK Iguatemi (Av. Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi, SãoPaulo)

Duração 150 minutos

24/08 até 25/11

Sexta – 21h30, Sábado – 16h e 21h30, Domingo – 19h30

$130/$160

Classificação 12 anos

VI PRÊMIO BIBI FERREIRA

Cantando na Chuva – o Musical (13), O Auto do Reino do Sol – Suassuna (12) e Bibi – Uma Vida em Musical (10) lideram as indicações para o VI Prêmio Bibi Ferreira. Ao todo, foram indicados 14 espetáculos.

A cerimônia de entrega dos prêmios acontecerá no dia 25 de setembro, em local a ser divulgado.

Abaixo, a lista completa dos indicados ao VI Prêmio Bibi Ferreira

MELHOR MUSICAL
Bibi – Uma Vida em Musical – Negri e Tinoco Produções Artísticas
Cantando na Chuva – IMM, Raia Produções e EGG Entretenimento
A Pequena Sereia – IMM e EGG Entretenimento
Peter Pan, O Musical – Touché Entretenimento
O Auto do Reino do Sol – Suassuna – Sarau Agência e A Barca dos Corações Partidos

MELHOR MUSICAL BRASILEIRO
Bibi – Uma Vida em Musical – Negri e Tinoco Produções Artísticas
Hebe – O Musical – Bonustrack Entretenimento, Hebe Forever e Atual Produções
Suassuna – O Auto do Reino do Sol – Sarau Agência e A Barca dos Corações Partidos
O Som e a Sílaba – Maestrini Produções

MELHOR ATRIZ
Alessandra Maestrini por O Som e a Sílaba
Amanda Acosta por Bibi – Uma Vida em Musical
Bruna Guerin por Cantando na Chuva
Débora Reis por Hebe – O Musical
Malu Rodrigues por A Noviça Rebelde

MELHOR ATOR
Adrén Alves por Suassuna – O Auto do Reino do Sol
Jarbas Homem de Mello por Cantando na Chuva
Marcelo Médici por Se Meu Apartamento Falasse
Marcelo Nogueira por Agnaldo Rayol – A Alma do Brasil
Mateus Ribeiro por Peter Pan, O Musical

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Andrezza Massei por A Pequena Sereia
Cláudia Raia por Cantando na Chuva
Maria Clara Gueiros por Se Meu Apartamento Falasse
Mirna Rubin por O Som e a Sílaba
Nábia Vilela por Cantando na Chuva

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Chris Penna por Bibi – Uma Vida em Musical
Daniel Boaventura por Peter Pan, O Musical
Edgar Bustamante por Os Produtores
Eduardo Rios por Suassuna – O Auto do Reino do Sol
Renato Luciano por Suassuna – O Auto do Reino do Sol

MELHOR DIREÇÃO
Fred Hanson por Cantando na Chuva
José Possi Neto por Peter Pan, O Musical
Luiz Carlos Vasconcelos por Suassuna – O Auto do Reino do Sol
Miguel Falabella por O Som e a Sílaba
Tadeu Aguiar por Bibi – Uma Vida em Musical

MELHOR DIREÇÃO MUSICAL
Alfredo Del Penho, Beto Lemos e Chico César por Suassuna – O Auto do Reino do Sol
Carlos Bauzys por Cantando na Chuva
Daniel Rocha por Hebe – O Musical
Marcelo Castro por A Noviça Rebelde
Tony Lucchesi por Bibi – Uma Vida em Musical

MELHOR COREOGRAFIA
Alonso Barros por Peter Pan, O Musical
Chris Mattallo e Katia Barros por Cantando na Chuva
Fernanda Chamma por Hebe – O Musical

MELHOR ARRANJO ORIGINAL
Carlos Bauzys e Daniel Rocha por Rio Mais Brasil
Daniel Rocha por Hebe – O Musical
Tony Lucchesi por Bibi – Uma Vida em Musical

MELHOR MÚSICA ORIGINAL
Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Braulio Tavares e Chico César por Suassuna – O Auto do Reino do Sol
Ana Paula Villar e Vitor Rocha por Cargas D´Água – Um Musical de Bolso

MELHOR CENÁRIO
Benjamin La Cour por A Pequena Sereia
David Harris por A Noviça Rebelde
Josh Zangen por Cantando na Chuva
Renato Theobaldo por Peter Pan, O Musical

MELHOR FIGURINO
Fábio Namatame por A Pequena Sereia
Fábio Namatame por Cantando na Chuva
Kika Lopes e Heloisa Stocker por Suassuna – O Auto do Reino do Sol
Thanara Schonardie por Peter Pan, O Musical

MELHOR DESENHO DE LUZ
Benjamin La Cour por A Pequena Sereia
Cory Pattak por Cantando na Chuva
Renato Machado por Suassuna – O Auto do Reino do Sol
Rogerio Wiltgen por Bibi – Uma Vida em Musical

MELHOR DESENHO DE SOM
Gabriel D’Angelo por Bibi – Uma Vida em Musical
Marcelo Claret por A Noviça Rebelde
Tocko Mickelazzo por Cantando na Chuva

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Artur Xexéo e Luanna Guimarães por Bibi – Uma Vida em Musical
Bráulio Tavares por Suassuna – O Auto do Reino do Sol
Miguel Falabella por O Som e a Sílaba

MELHOR VERSÃO
Bianca Tadini e Luciano Andrey por Peter Pan, O Musical
Mariana Elisabetsky e Victor Muhletahler por A Pequena Sereia
Mariana Elisabetsky e Victor Muhletahler por Cantando na Chuva

MELHOR VISAGISMO
Anderson Bueno por Hebe – O Musical
Feliciano San Roman por A Pequena Sereia
Sergio Abajur por Peter Pan, O Musical

REVELAÇÃO
João Vitor Silva por Ayrton Senna – O Musical
Rebecca Jamir por Suassuna – O Auto do Reino do Sol
Vitor Rocha pelo roteiro e música de Cargas D’Água – Um Musical de Bolso

_TEATRAL

Uma nova forma de vivenciar o teatro – e a cultura – na capital paulistana.

Nesta quinta, 02 de agosto, foi apresentado a imprensa, o _Teatral (lê-se Espaço Teatral). Um projeto inovador e multidisciplinar, apoiado pela Prevent Senior, que tem como objetivo transformar a maneira como o público vive o teatro

IMG_20180802_115515_333A idealizadora – e diretora geral – do projeto é a atriz e produtora, Claudia Raia. Ela pensou num espaço onde as artes acontecem simultaneamente, agregando suas características às outras, permitindo que o público tenha uma visão global sobre determinado assunto que estará “em cartaz”.

 

A experiência teatral começa no momento da compra do ingresso, passando pela chegada ao teatro, até sua volta a casa.

O _Teatral está localizado no Instituto Tomie Othake, nos dois espaços teatrais: o _Principal (antiga sala GEO/Cetip), com capacidade para 625 lugares; e o _Plural, uma sala de 324 m , preparada a receber todo tipo de performance.

Para nortear o projeto, e construir uma programação de qualidade e diferenciada, foram definidos sete pilares – Gastronomia, Dança, Audiovisual, Música, Cultura Contemporânea, Teatro e Esporte.

Cada pilar será gerido por dois curadores – profissionais da área e de renome internacional. São eles Carlos Bertolazzi e Mariella Lazaretti (Gastronomia), Ana Botafogo e Rodrigo Pederneiras (Dança), Rubens Ewald Filho e Ingrid Guimarães (Audiovisual), Adriana Calcanhotto e Rogério Flausino (Música), Thalita Rebouças e Fernanda Souza (Cultura Contemporânea), Beth Goulart e José Possi Neto (Teatro) e Fernanda Gentil e Felipe Andreoli (Esporte).

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Para nossa programação, buscamos um assunto que misture teatro com dança, com música, com superação na área do esporte. A gastronomia como arte. Assim é a procura de projetos novos, que sejam diferentes nessa concepção e apresentados de uma maneira nova para o público“, explica Claudia Raia.

_Teatral busca produzir uma programação democrática, que valorize não só a cultura brasileira, mas toda e qualquer cultura. O objetivo do local é permitir que outras tradições possam ser vistas e assimiladas num grande processo de troca, diálogo e envolvimento.

Para abertura das atividades, no _Principal será apresentada a nova temporada de “Chaplin, o Musical“, a partir de 09 de agosto. Está sendo estudado a colocação de uma tela de cinema onde antes (ou após) da sessão do espetáculo, serão apresentados filmes de Carlitos.  Às quintas feiras, haverá possibilidade da plateia ficar após o término do musical, para conversar com os atores/produtores. E também de montar no _Plural, sessões de debates com diretores de filmes.

Este é só o começo. Novas ideias multidisciplinares virão. O público brasileiro irá vivenciar o Teatro de uma nova maneira. Aguarde.

 

ADMIRÁVEL NINO NOVO

Ator e diretor de teatro, Cassio Scapin coleciona mais de 60 diferentes personagens em seu currículo, entre teatro, TV e cinema, dos mais variados tipos, como Ary Barroso, Jânio Quadros, Santos Dummont, Miriam Muniz na peça Eu não dava praquilo, Olavo Bilac, Brás Cubas na peça Memórias Póstumas, Urbano Madureira no Sítio do Pica Pau Amarelo, até um traficante chinês além dos vários personagens da peça O Mistérios de Irma Vap, entre tantos outros. Já recebeu 4 indicações ao Prêmio Shell, ganhando 1, e 4 indicações ao Prêmio APCA, ganhando 2. Além de ganhar também os prêmios Mambembe de teatro infantil, Arte Qualidade Brasil, Governador do Estado e 4 APETESP.

Para comemorar seus 36 anos de carreira, Cassio trouxe de volta aos palcos uma de suas mais importantes criações, depois de 20 anos sem interpretá-lo. O mais conhecido e querido personagem, do já legendário Castelo Rá Tim Bum, está de volta numa sensacional aventura inédita, com texto e direção de Mauricio Guilherme e produção de Rodrigo Velloni.

Numa arrojada iniciativa e acompanhado apenas do invisível Espírito da Aventura (na voz de Ney Matogrosso), o aprendiz de feiticeiro deixa o Castelo para cair na estrada e assim descobrir o sentido e a sensação do que é uma verdadeira aventura.

Como escolher para onde ir? Como se guiar? Que roupas levar? Com que meio de transporte? São tantas as perguntas para responder. E as possibilidades também. Sendo então nosso protagonista um jovem mágico, estas possibilidades se multiplicam em inúmeras outras.

Seja numa noite estrelada, num deserto escaldante, no alto do Monte Everest, no espaço sideral e até no fundo do mar, entre muitos outros lugares, explorar o desconhecido é o lema dessa viagem. Através de um novo olhar, Nino vai descobrindo o que é diferente no mundo e o que também pode vir a ser. Uma lição básica para todos que embarcam numa nova jornada, como a dele.

A montagem mostra um jeito completamente novo de reencontrar um velho amigo através de projeções arrojadas, truques cênicos, trilha especialmente composta e a presença do talento único de Cássio Scapin, o Nino original da série da TV Cultura que foi ao ar a partir de 1994, com inúmeras reprises até o dia de hoje, sendo considerado um dos melhores produtos audiovisuais da história da televisão brasileira.

Nino, o eterno menino de 300 anos, convida a todos para este reencontro nos palcos do Teatro das Artes. Crianças, jovens e (claro!) adultos também.

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Admirável Nino Novo

Com Cassio Scapin e Ney Matogrosso (off)

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)

Duração 60 minutos

18/08 até 14/10

Sábado e Domingo – 12h

 

$30

Classificação Livre

**Atenção: Sessões extras nos feriados dos dias 07 de Setembro e 12 de Outubro, às 12h**

A VISITA DA VELHA SENHORA

Encenar a Visita depois de A Alma Boa e Galileu é quase como finalizar uma trilogia” – diz Denise Fraga.  “A trilogia de nosso eterno dilema entre a ética e o ganha pão.”

Em A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, espetáculo visto por mais de 220.000 pessoas, entre os anos de 2008 e 2010, a personagem principal perguntava: Como posso ser boa se eu tenho que pagar o aluguel? Como posso ser bom e sobreviver no mundo competitivo em que vivemos?

Em Galileu Galilei, também de Brecht, espetáculo que esteve um ano e oito meses em cartaz e foi visto por mais de 140.000 pessoas, o tema é revisitado: Como posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder econômico e político vigente? Como manter meus ideais comprando meu vinho bom?

Agora chega A Visita da Velha Senhora, nova parceria e patrocínio do Banco Bradesco, com 13 atores em cena, em que Friedrich Dürrenmatt expõe a fragilidade de nossos valores morais e de nossa noção de justiça quando a palavra é dinheiro. A protagonista da peça é quase a encarnação mítica do poder material, a milionária Claire Zachanassian, vivida por Denise Fraga, que com seu bilhão põe em xeque a cidade de Güllen.

O enredo é aparentemente simples. Os cidadãos de Güllen, uma cidade arruinada, esperam ansiosos a chegada da milionária que prometeu salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire Zachanassian impõe a condição: doará um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e que a abandonou grávida por um casamento de interesse. Ouve-se um clamor de indignação e todos rejeitam a absurda proposta.  Claire, então, decide esperar, hospedando-se com seu séquito no hotel da cidade.

A partir dessa premissa, o suiço Friedrich Dürrenmatt nos premia com uma obra-prima da dramaturgia, construindo uma rede de cenas que se entrelaçam, cheias de humor e ironia, um desfile de personagens humanos e reconhecíveis que pouco a pouco, vão escancarando a nossa fragilidade diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro. Quem mata Krank?  Cairá Güllen na tentação de satisfazer o desejo de vingança da milionária?  Ou fará justiça?  O que é fazer justiça?  Até que ponto a linha ética se molda ao poder dinheiro?

Dürrenmatt caracteriza A Visita da Velha Senhora como uma comédia trágica e com seu humor cáustico nos pergunta: Até onde nos vendemos para poder comprar? Como o poder e o dinheiro vão descaracterizando os nossos ideais?   Por outro lado, quanto nos custa a não submissão?  O texto se desenrola abrindo ainda outros ramos de reflexão.  Dürrenmatt era completamente obcecado pela questão da justiça e as sutilezas de suas fronteiras. O que é justo? O que significa justiça em nossos tempos? Até que ponto o valor moral da justiça se adequa ao poder?  Reconhecível no Brasil nos dias de hoje? A Visita da Velha Senhora expõe questões que sempre estiveram em pauta na história da humanidade, mas que caem como uma luva em nossos tão tristes tempos.

Acredito no poder de transformação pela arte. Na formação do indivíduo pela arte. O teatro como espelho do mundo, nos fazendo rir para nos reconhecer, dando voz a nossa angústia, dando palavras àquilo que pensamos e não sabemos dizer. O humor e a poesia nos ajudando a elaborar o pensamento para agir, para transformar, para viver criativamente, para por a mão da massa da nossa história”, afirma Denise Fraga. “Depois de dois anos e meio de A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, e um ano e meio de Galileu Galilei, do mesmo gênio alemão, sou mais uma vez surpreendida pela potente atualidade de um clássico. Não foi por acaso que cheguei a Dürrenmatt. Foi discípulo, bebeu em Brecht. Lá está o mesmo fino humor, a mesma ironia e teatralidade. Dürrenmatt também se faz valer do entretenimento para arrebatar o público para a reflexão”.

É natural finalizar tal “trilogia” com a obra máxima de Dürrenmatt. Como Brecht, Dürrenmatt é mestre em dissecar as relações de poder e os conflitos morais em suas obras, em questionar o papel do herói e a sua necessidade para uma sociedade justa, em fazer uso do humor para gerar reflexão. Nas três peças: Alma Boa, Galileu Galilei e A Visita da Velha Senhora, tudo isso está explícito. A diferença é que Brecht prefere desconstruir as ilusões de que nos alimentamos e propor uma possível transformação, enquanto Dürrenmatt as mantém vivas e ri delas por serem apenas isso: ilusões, enganos pelos quais lutamos e sempre lutaremos.

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A Visita da Velha Senhora

Com Denise Fraga, Tuca Andrada, Fábio Herford, Romis Ferreira, Eduardo Estrela, Maristela Chelala, Renato Caldas, Beto Matos, David Taiyu, Luiz Ramalho, Fernando Neves, Fábio Nassar e Rafael Faustino

Teatro Sergio Cardoso – Sala Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)

Duração 120 minutos

03/08 até 30/09

Sexta – 21h, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 18h

$40/$80

Classificação 14 anos

*Todas as sessões de agosto às 17h terão disponíveis: áudio descrição e intérprete em libras*

O LOUCO E A CAMISA

Texto do argentino Nélson Valente, O Louco e a Camisa está em sua nona temporada na cidade de Buenos Aires, além de já ter ganhado os palcos de outros países como Chile, Espanha, França, Portugal e Estados Unidos.  Sucesso de público e crítica, a peça faz sua segunda temporada em São Paulo com direção de Elias Andreato.

O texto entrelaça temas como a loucura, a convivência familiar, a revelação da verdade e a violência doméstica, ao retratar um pai violento e severo. O público se depara com uma família distorcida e marcada pela convivência hipócrita entre eles, que se esforçam para esconder a existência de um “louco” (o filho) e suas ideias aparentemente malucas.

No decorrer do espetáculo, percebe-se que o “louco” é, na verdade, o mais são entre os integrantes da família, pois é fiel e íntegro aos seus valores. O único com percepção real e verdadeira. Desta forma, a comédia se dá em contraponto ao drama vivido com esses conflitos familiares, pois os personagens naturalmente se metem em situações cômicas para solucionar seus problemas.

É importante estar em constante discussão sobre as diferenças e estimular a tolerância e o respeito ao próximo. Neste espetáculo retratamos distúrbios de personalidades e relacionamentos, e isso serve para pôr uma lupa em nós mesmos e fazermos uma autoanálise do quanto somos permissivos e complacentes com certas situações”, comenta Priscilla Squeff, idealizadora do projeto no Brasil, ao lado dos sócios Leandro Luna e Danny Olliveira. Os produtores assistiram ao espetáculo em Buenos Aires e, cada vez mais, acreditam na importância deste intercâmbio cultural.

 

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O Louco e a Camisa

Com Rosi Campos, Rainer Cadete, Ricardo Dantas, Priscilla Squeff e Dudu Pelizzari

Teatro Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Cerqueira César, São Paulo)

Duração 70 minutos

10/08 até 16/09

Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h

$80/$100

Classificação 12 anos

*Não haverá sessões no dia 17 de Agosto*

*Sessão com tradução de libras e audiodescrição dia 19 de agosto*