“DOMINGUEIRA XIX” – UMA VOLTA AO PASSADO

Neste domingo, 19 de julho, aconteceu a terceira edição do projeto “Domingueira XIX’. O evento é organizado pelo Grupo XIX de Teatro e acontece na Vila Maria Zélia, local de sua residência artística.
Durante o dia, aconteceu uma exposição de objetos com a temática do faz de conta; a peça “Eu Tenho Uma História”, do grupo convidado, Sobrevento; a apresentação da peça “Hysteria”, do acervo do grupo XIX de Teatro, e para encerrar o dia, o show da cantora Crikka Amorim.
Foi a nossa primeira visita à Vila Maria Zélia e o contato com o grupo XIX de Teatro. Já era algo que tínhamos vontade há tempo de realizar, mas sempre apareciam as “velhas desculpas”, principalmente a distância. Mas que ledo engano, antes tivéssemos ido já há alguns anos.
O dia estava lindo, um domingo ensolarado – mesmo sendo inverno – o que convidava a sair de casa. Seguindo pelos caminhos que nos levavam até o local, nada nos alertava a surpresa ao se deparar com a entrada da vila (e a distância foi vencida em pouco mais de quinze minutos de carro, saindo do bairro dos Jardins).
Estávamos contra o sol e ao chegar na última curva do trajeto, os raios solares incidiam entre as árvores, parecendo transformar aquele lugar em algo especial (desculpe a licença poética, mas depois de você conhecer a Vila Maria Zélia também terá essa opinião). Você atravessa a cancela (pode-se estacionar dentro, quando vai participar de algum evento do grupo), e parece que a relação tempo/espaço ficou para trás. Apesar de ter moradores vivendo nas suas casas, é como se voltasse no tempo, para o início do século XX.
A rua de entrada é onde ficam os prédios públicos – armazém, botica, casa do prefeito da vila, a igreja. Então, o seu primeiro contato é com esta parte histórica. Apesar de não estar preservada completamente (pelos órgãos públicos), só de você vê-los, traz uma sensação de uma cidade antiga. E lá dentro, você ouve o canto dos pássaros (sim, como a vila é habitada, tem-se os ruídos da sociedade), parece que a cidade grande ficou para além da cancela.
Vimos algumas tendas sendo armadas em uma de suas praças. Enquanto não começavam as atividades, fomos andar pelo seu interior. Tomar contato e desbravá-la. Pode-se entrar na antiga farmácia (local de show e uma comedoria – preços justos); o antigo armazém (onde mais tarde aconteceria a peça “Hysteria”); a antiga casa do prefeito da vila; os prédios abandonados das duas escolas que a Vila teve (uma para meninos e outra para meninas); o galpão; a igreja de 1917 (chegue até as 11 horas que dá para ver o seu interior); e as casas dos moradores.
Ao andar pela hora do almoço, há uma profusão de aromas e ruídos. Familiares que chegam para almoçar, crianças correndo pelas ruas (sim, é seguro, você tem que tomar cuidado, porque parece que ficamos bestificados e deixamos de perceber que os moradores precisam passar com seus automóveis ou motocicletas).
Mas o melhor de andar pelas suas ruas é poder conversar com os moradores, que já acostumados há mais de 10 anos com o grupo, interagem nas atividades e conversam com os visitantes. As conversas são mais uma das atrações da Domingueira.
As atrações da Domingueira XIX são todas gratuitas.
A primeira peça apresentada foi a “Eu Tenho Uma História”, do grupo Sobrevento. Eles também tem sua residência artística no bairro. Em quatro tendas armadas, grupos de 10 pessoas entravam, e por cerca de 10 minutos, assistiam uma história de alguém que teve uma relação com o bairro do Brás de outrora – Luís Gama, ex-escravo, que se tornou advogado e um dos principais abolicionistas da nossa história; Francisco Alves, o cantor mais conhecido do país das décadas de 20 a 50, que fez seu último show no Largo do Glicério, um dia antes de sua morte; Ricardo Mendes Gonçalves, que era o poeta das flores; e sobre uma família de imigrantes que os avós faziam objetos de vidro; a filha, vendia frutas; e a neta, voltou a trabalhar jateando os vidros.
Após a peça, foi encenada a primeira peça do grupo XIX de Teatro – Hysteria. Antes de entrar no antigo armazém da Vila, separam-se os homens e as mulheres. Os homens são direcionados para uma arquibancada, de onde assistirão ao espetáculo. As mulheres, sentam junto das atrizes, em bancos no centro do prédio. A história se passa no final do século XIX, nas dependências de um hospício feminino, onde cinco-personagens internadas como histéricas (mais a plateia feminina), revelam seus desvios e contradições. É interessante procurar ler sobre o que era, e como era tratada, as pacientes “histéricas” deste período, para se ter uma compreensão mais aprofundada sobre o texto (e principalmente, ver os horrores aos quais elas eram submetidas em instituições de saúde da época).
No final da tarde, o show da cantora Crikka Amorim, integrante do grupo “Samba de Rainha”, mostrou músicas de seus dois álbuns – “No Ponto” (2004) e “Pirataria – Rita Lee por Crikka Amorim” (2008). O show aconteceu dentro da antiga botica, mas pelo visual externo, pelo dia bonito que estava, o público aproveitou e ficou pela rua e praças da Vila, ouvindo as composições.
Até que chegou a hora de ir embora, e voltar para a realidade. Passamos pela cancela da entrada e voltamos aos afazeres normais de um final de domingo.
Agora é aguardar as atrações da 4ª edição da “Domingueira XIX”. Nos vemos lá!

Leia também a postagem sobre o grupo XIX de Teatro, o grupo
Sobrevento e a Vila Maria Zélia. Confira o álbum inteiro aqui no Facebook ou no nosso site.

Vila Maria Zélia (R. dos Prazeres, 362 – Belenzinho, São Paulo)

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