Dois Grupos Teatrais e um pouco de História

Neste domingo, 19 de julho, aconteceu a terceira edição do projeto “Domingueira XIX’. O evento é organizado pelo Grupo XIX de Teatro e acontece na Vila Maria Zélia, local de sua residência artística.
Durante o dia, aconteceu uma exposição de objetos com a temática do faz de conta; a peça “Eu Tenho Uma História”, do grupo convidado, Sobrevento; a apresentação da peça “Hysteria”, do acervo do grupo XIX de Teatro, e para encerrar o dia, o show da cantora Crikka Amorim. Todas as atrações são sempre gratuitas.

Veja na postagem algumas fotos sobre o evento e no nosso facebook e no site, todas as fotos do evento.

Leia abaixo sobre o grupo XIX de Teatro, o grupo Sobrevento e a Vila Maria Zélia

Grupo XIX de Teatro
Formado principalmente por ex-alunos da Escola de Arte Dramática (EAD) da ECA/USP, com o intuito de realizar pesquisa acadêmicas. A temática recorrente dos seus espetáculos é a realidade social e política de uma comunidade.
As características principais do trabalho do grupo são:
a) Processo de trabalho colaborativo, sem hierarquia e que tenha a participação do público. Há uma participação de todos os envolvidos na criação do trabalho – atores, dramaturgo, diretor, e por fim, o público quando assiste suas peças e participa, interagindo com os atores;
b) Recusa do palco italiano convencional. As montagens utilizam da cidade como palco, com isso podem viajar para outros lugares, sem ter que ficar compromissado com um palco específico. As montagens do grupo costumam acontecer em edifícios antigos – preferencialmente abandonados, onde a arquitetura e a luz natural façam o papel de cenário e iluminação;
c) Pesquisa sobre a história brasileira, principalmente sobre o seu cotidiano. As pesquisas feitas pelo grupo para a criação de um novo texto vão além da história oficial. O grupo procura conversar com as pessoas, ouvir seus depoimentos, ler diários, entre outros.
As duas primeiras peças foram Hysteria (2001) e Higiene (2005).
A partir de 2004, o grupo transforma o antigo boticário (farmácia) da Vila Maria Zélia, a primeira vila operária do país, em local de sua residência artística. Com o passar dos anos, o grupo ocupou também outros prédios antigos como o armazém e as escolas, além das praças e ruas da vila. Mas mais do que tudo, convive de uma forma harmoniosa com os moradores do local.
Para maiores informações, o site do grupo é http://www.grupoxix.com.br/

Grupo Sobrevento
O grupo foi formado no final de 1986. Tem como temática a pesquisa – teórica e prática – sobre a animação de bonecos, formas e objetos. No espetáculo, eles usam esta técnica para contar suas histórias, onde muitas vezes, os objetos utilizados tem outros significados além dos seus originais. É considerado, internacionalmente, um dos maiores expoentes brasileiros do “Teatro de Animação”. Além dos espetáculos de diferentes temáticas, formas e técnicas de animação, realizam também cursos, oficinas e palestras pelo país e no exterior.
Para maiores informações, o site do grupo éhttp://www.sobrevento.com.br/

Vila Maria Zélia
Foi construída a partir de 1912, e inaugurada em 1917, pelo médico e industrial Jorge Street. A finalidade era abrigar os 2500 funcionários que trabalhavam na filial da tecelagem Cia. Nacional de Tecidos da Juta. A sede ficava no bairro de Santana.
O terreno escolhido foi no bairro do Belenzinho, onde já haviam outras indústrias. Ia da atual avenida Celso Garcia até as margens do Rio Tietê (que depois teve o seu trajeto retificado)
Houve uma preocupação desde o início com a qualidade de vida que os trabalhadores levariam. As casas – e a vila – foram projetadas pelo arquiteto francês Paul Pedraurrieux. Dentro de cada casa, haveria um banheiro privativo e um tanque para que as mulheres pudessem lavar suas roupas sem ter que ir até o rio (informação do sr. Dedé, neto de um dos moradores originais da Vila). Os preços seriam acessíveis.
O arquiteto inspirou-se em vilas europeias do início do século XX para a criação da Vila. Na entrada, colocou a rua comercial e que daria a vida a sociedade local – uma capela, uma botica, dois armazéns, duas escolas (separadas para meninos e para meninas), um coreto, uma praça, salão de festas, ambulatórios e consultórios médicos. As calçadas da Vila receberam o traçado do jogo de amarelinha, para que as crianças pudessem brincar. O único local que não se encontra esta característica, é no entorno da igreja, para que as crianças não atrapalhassem as missas com suas algazarras.
O Cardeal Arcebispo do estado, Dom Duarte Leopoldo e Silva foi responsável pela missa de inauguração.
A fábrica que ficava ao lado, tinha no seu interior, no início das atividades, cerca de 2.000 teares e 84 mil fusos, além de cerca de 3.000 motores elétricos. Trabalhavam cerca de 2.500 funcionários, que somados aos da matriz de Santana, dava um total de 6.000 funcionários.
A Vila recebeu o nome de Maria Zélia. Era para ter recebido outro nome, referente às atividades da fábrica. Mas os operários em peso solicitaram que fosse dado o nome em homenagem a filha do casal – Jorge e Zélia Street. Maria Zélia morreu muito jovem, aos 16 anos. Mas durante sua vida, dedicou-se a ajudar as mulheres dos empregados do pai, ensinando-as a ler. A menina faleceu de varíola. Está enterrada no Cemitério da Consolação. Logo após a morte dela,
Quando a família Street acumulou dívidas e não conseguindo mais honrar os pagamentos, decidiu-se vender a vila e a fábrica em 1924. Foi comprada pela família Scarpa, que mudou o nome do local para Vila Scarpa. O nome – a contragosto dos moradores – permaneceu até 1929, quando a família, também por causa de dívidas, repassou a propriedade para o Grupo Guinle. Foi quando voltou o nome original.
Mas nada foi tão drástico quanto na virada dos anos 30, que por causa de dívidas com o Governo Federal, a vila e a fábrica foram confiscadas como pagamento pelo IAPI (atual INSS). Em 1931, a fábrica é fechada e fica assim por 8 anos, até que foi comprada e reaberta como a Goodyear.
Durantes estes anos, os moradores ficaram sem pagar aluguel, já que seriam transferidos para outro terreno. Quando a fábrica passa para as mãos da Goodyear, os moradores pagam aluguel para o IAPI de 1939 até 1968, quando puderam então comprar suas residências pelo antigo sistema do BNH (Banco Nacional de Habitação.
Só os prédios funcionais que permanecem de propriedade do INSS. Por isso, não há uma restauração dos prédios. A capela é administrada pela Paróquia de São José do Belém, com funcionamento normal (já houve reforma do interior, faltando apenas a do exterior da capela).
Na vila já foram gravados filmes e novelas, incluindo o clássico “O País dos Tenentes”. Em 1992, a Vila Maria Zélia foi tombada pelo IPHAN por causa do seu raro traçado urbano. E em 2004, o grupo XIX de Teatro começa a utilizar da Vila como local de sua residência artística.

Curiosidade: O dono do jornal “Folha de São Paulo”, do UOL, do jornal “Agora São Paulo”, do Instituto Datafolha, da editora Publifolha, do selo “Três Estrelas” e da gráfica Plural, Octavio Frias de Oliveira, morou na sua primeira infância, com os pais e oito irmãos na Vila Maria Zélia. Seu pai tornou-se administrador da vila até quando a Companhia Nacional do Tecido de Juta foi vendida para os Scarpa, quando perdeu seu emprego e mudou-se para a rua Bela Cintra.

Para maiores informações, há vários sites e vídeos no canal youtube. Ou o que recomendamos, é ir durante um final de semana, em que esteja acontecendo atividades do grupo XIX de Teatro, e realize sua visita. Quando não há atividades do grupo, até que é permitido visitação. Mas lembre-se, você está entrando em lugar particular e poderá ser abordado, a qualquer momento, por algum morador.

Vila Maria Zélia (R. dos Prazeres, 362 – Belenzinho, São Paulo)

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(Todas as fotos são de autoria de Rodrigo Araújo Alcobia – se reproduzir, citar a fonte)

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