“TADZIO”

“Tadzio” está de volta para sua segunda temporada. A partir de 3 de setembro, a peça será apresentada no espaço da Cia da Revista.
Do elenco original, permaneceu o ator André Grecco. Para lhe fazer companhia, entraram Rita Giovanna e Lucas Lentini. O diretor Dan Rosseto já prometeu surpresas nesta nova montagem.
Aproveite e leia a nossa opinião que fizemos referente a primeira temporada – http://goo.gl/fQlpMF
E não perca tempo, vá (re)ver “Tadzio”.
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“Tadzio”
Com André Grecco, Rita Giovanna e Lucas Lentini
Espaço Cia. da Revista (Alameda Nothmann, 1135, Santa Cecília – São Paulo)
Duração 70 min
03/09 até 30/10
Quinta e Sexta – 21h30
$40

“Orgia ou de como os corpos podem substituir as ideias”

Ir ao teatro é uma experiência gratificante. Melhor ainda quando a peça consegue lhe modificar. Neste ano, por causa do site, tive a felicidade de vivenciar algumas surpreendentes experiências. E ontem, o mesmo aconteceu com “Orgia ou de como os corpos podem substituir as ideias”.
O espetáculo é uma criação do Teatro Kunyn, com direção de Luiz Fernando Marques. O grupo é um “coletivo que foi criado para refletir no teatro a questão de gênero e falar das questões do desejo fora da norma a partir das suas próprias vivências”.
Para o novo trabalho, foi escolhido fazer a adaptação do livro “Orgia – Os Diários de Tulio Carella”.

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Orgia – o livro
Tulio Carella foi um dos escritores argentinos mais importantes nas décadas de 40 e 50. Além de escrever sobre a cultura portenha, também era um dramaturgo.
Por causa das suas atividades nas artes cênicas, foi convidado nos anos 50 para lecionar sobre Teatro na Universidade Federal de Pernambuco.
Tulio morou no Recife por quase dois anos, onde ele se permitiu expressar sua sexualidade no circuito homossexual da cidade. Registrou todos os seus encontros em diários, onde também escreveu suas observações sobre a vida intelectual local.
A partir destes diários, que se originou o livro.
Orgia – a peça
A montagem poderia muito bem ser feita em um teatro, fechado, com os atores interpretando no palco. Mas como o grupo trabalha com experimentos teatrais, resolveram sair do teatro e apresentar a peça no Parque Trianon, também por causa da sua simbologia com o tema abordado.
São somente 21 lugares. Portanto, para você conseguir participar, deve ligar para um número de celular divulgado na página do grupo no facebook, todas as quartas feiras, a partir das 10 horas. Só que a peça, graças a divulgação boca a boca, está lotando. Então você pode se considerar um sortudo se conseguir um dos lugares.
Mas, caso não consiga, nos dias de apresentação, a partir das 14 horas, começa ser feita uma lista de espera. No dia de ontem, duas pessoas, que não tinham ingressos reservados, conseguiram assistir.
No dia reservado, você deve ir até a entrada lateral do Parque Trianon (Rua Peixoto Gomide, 949 – Cerqueira César, São Paulo). Ao chegar, você se identifica e deixa um documento. Com isso, você recebe um aparelho de MP3 e fones de ouvidos, que serão utilizados no segundo ato. E já fica por lá observando os seus companheiros de peça.
Um pouco antes do horário de início (15 horas), pequenos grupos são levados para uma casa no interior do parque. Sentamos na sala de estar. Vê se que a casa está decorada, como se pessoas (atores) morassem lá. Somos recebidos por atores do grupo e ficamos conversando, tendo a oportunidade de nos conhecermos.
E assim vai, até chegarem todos os vinte e um participantes do dia. Os atores resolvem então fazer um brinde com vinho. Continuamos conversando até que somos separados em três grupos – um vai para o quarto, outro para a sala de jantar/cozinha e o restante continua na sala de estar. Já começou o primeiro ato.
Ficamos sabendo que estamos na casa, na Argentina, de Tulio Carella (papel que será interpretado pelos três atores que nos receberam). Tulio nos convidou para esta festa de despedida, pois irá se mudar para o Brasil, onde ministrará aulas de teatro.
Acontecem as despedidas e ele parte para sua viagem.
É quando tem início o segundo ato do espetáculo. Vamos acompanhando a ida de Tulio da Argentina para o Brasil; e sua vida – com seus encontros amorosos – no Recife dos anos 60. Fazemos esta parte toda com os fones, e ouvindo os diálogos e sons pelos nossos fones de ouvidos. Seguimos Tulio por dentro do Parque, e neste caminhar, vamos encontrando outros personagens.
O terceiro, e último ato, acontece quando ele vai preso, suspeito por fazer contrabando de armas vindas da Cuba revolucionária, e a tortura que sofreu para que pudesse confessar o crime, que nunca aconteceu.
Orgia – a experiência
A possibilidade de assistir a peça – como já dizemos, fora do espaço teatro – no Parque Trianon, traz uma força maior para a montagem.
A primeira parte demorou um pouco a engrenar, pois ainda não sabemos o que está acontecendo, o que virá a seguir, quando iremos penetrar no interior do parque. Mas é algo rápido. Logo já estamos vivenciando as confidências que são feitas por Tulio.
Ao sair da casa é quando realmente começou, para mim, a experiência total de “Orgia ou de como os corpos podem substituir as ideias”. Você está com fones, ouvindo os diálogos, e começa a seguir os atores. Mas, parece que a relação tempo x espaço da peça está completamente diferente da vida real. Senti que estava fazendo a viagem, deixando para trás meu lar e meu país e chegando num lugar desconhecido.
Interessante dizer, que além de observar o personagem, fiquei também vendo as pessoas que circulavam pela avenida Paulista e tentando imaginar o que passava em suas cabeças.
Este exercício é libertador. Você observa e está sendo observado. Afinal, se eles nos parecem estranhos, também devemos parecer estranhos para eles. Pois estamos com fones, seguindo uns aos outros, numa velocidade diferente do normal da avenida, olhando para todos os lados. (Sugestão: faça este exercício mais vezes, permita por uma música mais tranquila no seu celular, ouça nos fones – experiência só sua – e caminhe observando todo o seu redor e as pessoas que passam por você. Verá que os seus sentidos ficam mais abertos).
Quando você entra no parque e percebe que Tulio fica observando algumas pessoas (personagens), ai que a os sentidos se expandem ao máximo. Quem será que é ator? Quem está simplesmente frequentando o parque? E não é que as vezes o que você está ouvindo, combina com a situação que está vendo (e aquelas pessoas não são atores!). Até que você começa reconhecer rostos e perceber quem está na peça.
Tem uma cena no parque infantil, localizado na segunda parte do parque (depois de passar a passarela sobre a alameda Santos), onde somos observadores à distância. Os atores se afastam da gente. Eles estão atuando, no meio de pais e filhos que brincam na areia. O que será que passa na cabeça deles, vendo pessoas sentadas, observando o que acontece? É algo instigante. Vai além de simplesmente ouvir os diálogos e ver as cenas. Sua mente começa a funcionar e imaginar.
Até que chega a última parte, a tortura que ele sofreu durante o período da ditadura militar brasileira. É algo que incomoda e muito. É angustiante.
E assim termina a montagem após três horas e meia de duração (que não se sente nem um pouco). Sua adrenalina está a mil por tudo que você vivenciou.
A única observação que pode ser feita (na verdade, uma sugestão) é a possibilidade de ter uma conversa final entre todos (artistas e públicos) sobre a experiência vivida, sobre como foi a montagem. Acho que seria uma forma de extravasar tudo o que foi experimentado no espetáculo.
A temporada de “Orgia ou de como os corpos podem substituir as ideias” termina no outro domingo (30/08). Só há mais quatro apresentações. Lembrando que nesta quarta feira, é a última chance de fazer reservas. Mas há a possibilidade de conseguir um lugar indo no dia e colocando o nome na lista de espera.
Independente do caráter sexual da peça, “Orgia…” é um espetáculo que apresenta uma história de uma outra maneira. E essas experiências, realizadas por grupos teatrais, é o que fazem o Teatro se permanecer vivo e atual. Parabéns a todos do grupo Teatro Kunyn pela montagem – por sua inovação e qualidade.
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“Orgia ou de como os corpos podem substituir as ideias”
Com Teatro Kunyn (Túlio Carellla – Luiz Gustavo Jahjah, Paulo Arcuri e Ronaldo Serruya; e Affonso Lobo, Eduardo Fonseca, Fernando Delabio, Filipe Ramos, Gabriel Castro, Ítalo Martins, Kako Arancibia, Marcelo Zorzeto, Thiago Felix e Thiago Moreira)
Parque Trianon (ponto de encontro – Rua Peixoto Gomide, 949)
Duração aproximadamente 200 minutos
10/07 até 30/08
Sexta, Sábado, Domingo – 15h
Entrada Gratuita (reservar quarta feira – a partir das 10h – (011) 94151-3055) Há lista de espera a partir das 14h, no dia da apresentação.

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