“A TEMPESTADE” – OPINIÃO

Começo a opinião sobre “A Tempestade” – peça de Shakespeare, com direção do mineiro Gabriel Villela – pela conclusão. É uma das mais bonitas peças vista neste ano. O que você vê, continua contigo pelos dias a seguir.
O texto é considerado como a última peça escrita por Shakespeare. Conta que em uma ilha, vive Próspero, antigo Duque de Milão, com sua filha Miranda, e seres mágicos: o espírito assexuado Ariel e o monstro Caliban. Próspero foi banido de sua terra por ordens do seu irmão, Antonio, que queria o título para si.
Só que em uma viagem de navio, onde está presente toda a corte de Nápoles incluindo o atual Duque de Milão, Próspero usa de mágica, para atrair o navio para sua ilha, com o objetivo de se reconciliar com a sua família e restituir sua filha no poder de Milão.
Há muitas referências à mitologia e simbolismos na peça do bardo inglês; e Gabriel utiliza das suas próprias mitologias para “abrasileirar” o texto.
Para começo, a ilha de Próspero é materializada em Minas Gerais. Uma ilha às avessas. Ao invés de cercada pelo mar, é cercada por terra. Minas é um estado interno do país. Pode-se dizer, que a ilha está dentro de nós.
Mas o poder das águas também tem sua força no estado. É o Rio São Francisco. Um rio mítico, uma fonte de vida e riqueza para 5 estados e 521 municípios. Do ‘Velho Chico’, que vem a lama para ‘pintar’ os atores e elementos do cenário. É uma forma de transmitir a psique dos mineiros para os atores.
Só que o barro também remete a origem de tudo. Afinal, “fomos criados do barro e para ele voltaremos” ao término de nossa passagem por este planeta. Remete a mitologia da criação. E porque não dizer que é um ciclo que se renova, afinal já que é a última peça de Shakespeare – se bem que ele sempre será encenado – seus personagens voltam para o barro criacional.
Deste mesmo barro, que formou as primeiras máscaras do teatro grego, são feitos os vasos utilizados na peça. Eles tem a função de amplificar ou modificar as vozes dos atores durante a peça. Outra simbologia religiosa. O ator ao soprar as palavras dentro dele, faz-se a criação do espetáculo.
As palavras – do texto – foram adaptadas para uma linguagem mais coloquial. Compreende-se mais facilmente o que o escritor quis dizer, mas sem perder sua força original.
E para ajudar a contar esta história, Gabriel utiliza músicas do cancioneiro popular brasileiro, executadas e interpretadas pelos atores em coros – como acontece nas ‘tragédias gregas’. Foram escolhidas canções que tinham como tema o universo das águas doces e salgadas do Oceano Atlântico. Ouve-se Milton Nascimento, Dorival Caymmi, fado, entre outros.
A montagem acontece no TUCARENA. Ou seja, uma outra simbologia. O formato do teatro de arena é um círculo. Onde todos – plateia e público – conseguem se ver. Não há começo, nem fim – há um eterno recomeço.
No final das contas, parece que Gabriel Villela – como uma deidade – dormiu e sonhou. Sonhou com sua infância, com o que já viu e viveu até o momento. E no meio deste sonho, lembrou do texto de um outro sonhador, que viveu antes dele em um outro país. E o que é o espectador vê, durante os 120 minutos, é o seu sonho.
Abre-se um parênteses antes do término da opinião. O trabalho do diretor só acontece por causa do trabalho muito bem feito pelos seus atores e sua equipe de produção – cenografia, figurino, direção musical, preparação da voz, diretor de movimentos, adereços, camareiros, iluminação e maquiagem. É o resultado de um sonho em conjunto.
“A Tempestade”, de Gabriel Villela é uma peça que merece ser vista, revista e sonhada.
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(crédito fotos – João Caldas)

“A Tempestade”
Com Celso Frateschi. Helio Cicero, Chico Carvalho, Leticia Medella, Dagoberto Feliz, Romis Ferreira, Marco Furlan, Rogerio Romera, Felipe Brum, Rodrigo Audi e Leonardo Ventura.
Teatro Tucarena (Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes, São Paulo)
Duração 90 min
21/08 até 22/11
Sexta – 21h30; Sábado – 21h; Domingo – 19h
$50 / $70

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