NOSSA CLASSE

A companhia teatral do Núcleo Experimental está com um projeto no Catarse para remontarem o drama musical ” Nossa Classe ” agora em 2016!
A peça foi montada em 2013, quando ficou em cartaz por três meses, e foi indicada ao Prêmio APCA – Melhor Direção para Zé Henrique de Paula.
A equipe criativa é a mesma de ” Urinal O Musical ” – direção: Zé Henrique de Paula, direção musical: Fernanda Maia, luz cinematográfica: Fran Barros, produção: Cláudia Miranda.
A história é sobre uma classe composta por 5 judeus e 5 cristãos. O público acompanha esses 10 colegas ao longo de 16 anos e como suas relações vão sendo transformadas por motivos alheios às suas vontades, como a identidade nacional vai sendo destruída aos poucos ao longo de sucessivas invasões e as perigosas consequências de ódios irracionais que acabam por desencadear nesses indivíduos o pior que existe no ser humano, levando os que eram antes amigos e colegas a se tornarem inimigos de forma trágica.
“Nossa Classe” é algo ensurdecedor e belo para quem vê. O destino de seus dez personagens, no início pontuado com momentos de alegria e inocência infantis, desconstrói-se aos poucos, imprimindo ao público a realidade cruel do esperado “grande futuro”.
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A peça emociona pelo tema, e também pela presença marcante do canto como elemento estrutural. O autor pontua as cenas com poemas de Marcin Wicha, escritor polonês de livros infantis. Estes textos são cantados pelos atores. Para esta montagem, a diretora musical Fernanda Maia compôs uma trilha original. Transformou em música as métricas dissonantes de Wicha. Seguindo as tradições de músicas eslava e judaica, Fernanda usou instrumentações típicas das Klezmer bands – violino, clarineta e acordeão – fazendo com que os atores cantem as doze canções ao vivo.
Inspirado no livro Vizinhos, de Jan T. Gross, obra lançada em 2001, Slobodzianek retrata em sua peça um acontecimento real: o massacre ocorrido na cidade polonesa de Jedwabne. Em 10 de julho de 1941, poucas semanas depois que o exército de Hitler inicia seu avanço em direção ao leste da Polônia, toda a população de origem judaica da cidade foi dizimada. A controvérsia persiste até hoje: quem resistiu ao massacre?
A peça chamou a atenção do diretor Zé Henrique de Paula, que já tratou desse assunto em As Troianas – Vozes da Guerra, por ser um libelo contra a intolerância e a violência. “Em época de Marcos Felicianos, dentistas queimados vivos e estupros em lotações, acredito que o teatro tem o dever de refletir sobre os descaminhos que a nossa sociedade pode trilhar no futuro próximo. O medo e o terror são capazes de desencadear o que há de pior no ser humano”, reflete o diretor.
Hoje, dois anos depois da primeira temporada, somam-se cotidianamente ao nosso imaginário coletivo, inúmeros outros exemplos de intolerância, desamor e barbáries perpetrados entre cidadãos do Brasil e do mundo em nome de Deus ou em nome de qualquer outra coisa. O ódio tem raízes e assombra em efeito dominó. Debruçar-se sobre esses nós com o desejo de iluminá-los para sermos coletivamente capazes de desatá-los é a grande ambição de “Nossa Classe”
A previsão para o ensaio é agora nestes dois primeiros meses do ano, com estreia para 4 de março e ficarem em cartaz até o dia 1 de maio.

Se você ficou interessado – e puder contribuir – acessa o link – https://www.catarse.me/nossaclasse2016

 

 

 

 

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