TEOREMA 21

O Grupo XIX de Teatro estreou a sua nova peça Teorema 21 no dia 22 de janeiro de 2016, sexta-feira, às 18h, na Vila Maria Zélia. Com direção de Luiz Fernando Marques, a dramaturgia é de Alexandre Dal Farra (Prêmio Shell de Melhor autor em 2012 pela peça Mateus, 10 e indicado ao Prêmio APCA em 2014) livremente inspirada na obra Teorema, do italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975). Cineasta, escritor e poeta, Pasolini é considerado um artista visionário e fazia duras críticas ao consumismo. Em 2015, uma série de homenagens foram feitas pelos 40 anos de sua morte. A temporada foi prorrogada de 13 de março até 01 de maio.
Grupo XIX_TEOREMA 21_Foto Jonatas Marques-21b
Uma família retorna ao seu antigo lar. Ao buscar encontrar novas possibilidades de existência nesse ambiente antigo, recriam as suas relações e experimentam novas formas de contato. O núcleo familiar é constituído por um patriarca, a mãe, o filho e a filha. Vive na casa, ainda, a criada Emília. Tudo parece estável. Mais do que isso, estagnado. A chegada de um estrangeiro ameaça transformar a estrutura dessa família.
A trama se passa na casa onde a família morou há alguns anos e agora volta sem nenhum motivo aparente. A montagem é encenada ao entardecer na antiga escola de meninas, hoje desativada, localizada dentro da Vila Maria Zélia, um lugar quase sem teto, com as paredes em ruinas, em meio aos escombros. Ao entrar no espaço e ocupar as cadeiras giratórias dispostas aleatoriamente, o público é inserido no interior da sala de estar e pode girar as cadeiras para escolher o melhor ângulo para cada cena.
Ao ler o livro de Pasolini, Alexandre Dal Farra se deparou com a questão: Qual seria um possível teorema para os tempos atuais? “Não se trata de pensar sobre as alterações das relações familiares, mas sim, nas mudanças na dinâmica do próprio capital, e na sua relação com a ideologia. O capitalismo ainda precisa de ideologia? Talvez essa seja a questão central da peça, ao meu ver”, explica Dal Farra.
Para Luiz Fernando Marques a peça é a tentativa de falar sobre um mal estar geral que estamos vivendo. “A obra de Pasolini é muito importante, muito presente na peça, é a alegoria da burguesia. Só que no inicio dos anos 60 essa burguesia estava assentada numa classe e de certa forma representada pela estrutura familiar. Em Teorema 21 é como se essa classe burguesa, ou essa ideologia tivesse se esparramado para todas as classes. E esse sistema, essa engrenagem gira em qualquer lugar, seja dentro da família, dentro de um partido politico ou até mesmo dentro de um grupo de teatro. O estrangeiro chega para romper com esse sistema, mas a engrenagem se mostra forte o suficiente para se impor perante ele.”
Para o diretor a peça poderia se passar em qualquer cidade do mundo. “A burguesia é igual em todos os lugares. Temos a sensação de que esse capital mesmo desgastado, em crise não consegue ser desmontado. Ele não se destrói, ele permanece.”
Teorema 21, parte ainda de outras referências como os filmes Dente Canino (Giorgos Lanthimos, 2009), Funny Games (Michael Haneke, 1997) e o Saló (1975), do próprio Pasolini. Saló foi o último e um dos seus mais polêmicos filmes. Numa entrevista publicada seis dias após seu assassinato, Pasolini disse ao jornalista: “Pretendo que você olhe em torno e se dê conta da tragédia. Qual é a tragédia? A tragédia é que não existem mais seres humanos, existem estranhas máquinas que se batem umas contra as outras.”
Grupo XIX_TEOREMA 21_Foto Jonatas Marques-03b
Teorema 21
Com Grupo XIX de Teatro – Bruna Betito, Emilene Gutierrez, Janaina Leite, Juliana Sanches, Paulo Celestino, Rodolfo Amorim e Ronaldo Serruya.
Vila Maria Zélia (Rua Mário Costa, 13 – Belém, São Paulo)
Duração 75 minutos
De 13 de março a 1º de maio –
Sábados e domingos, às 17h.
Importante: Dias 12 de março,  23 e 24 de abril não tem sessão.
Sessões extras: Dia 25 de março (Páscoa), dia 21 de abril (Feriado Tiradentes) e dia 29 de abril.
Recomendação 18 anos
$40
Estacionamento gratuito.
Dramaturgia Alexandre Dal Farra.
Direção Luiz Fernando Marques.
Dramaturgismo Janaina Leite.
Produção Executiva Vanessa Candela.
Cenografia Luiz Fernando Marques e Rodolfo Amorim.
Figurinos Juliana Sanches.
Contra-regra Luciano Morgado.
Assistência de Produção Marilia Novaes.
Assistência de Figurino e adereços Gabriela Costa.
Provocadores do processo Eleonora Fabião, Marcelo Caetano, Miwa Yanagizawa, Luis Fuganti e Bruno Jorge.
Preparação Corporal (parkour) Diogo Granato.
Assessoria de Imprensa Adriana Balsanelli.
Produtor de Conteúdo Midias Sociais Jonatas Marques.

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