TEOREMA 21 (OPINIÃO)

Voltamos a Vila Maria Zélia para assistir a mais uma obra do Grupo XIX de Teatro. Depois de Hygiene, era a hora de ver a estreia do novo trabalho – Teorema 21

Pelo que lemos pelo release e pelas críticas nas mídias, a peça é baseada no filme Teorema (1968), do cineasta Pier Paolo Pasolini. Não vimos o filme (a única obra que conhecemos é Saló ou 120 dias de Sodoma – que fala sobre uma temática recorrente: erotismo e política). Mas como já conhecíamos o trabalho do grupo e também do seu diretor e do autor da peça, fomos com a mente aberta.

(Abrimos um parênteses – depois da peça, na hora de escrevermos a Opinião, fomos pesquisar sobre o filme. Sim, ao conhecer a obra de Pasolini teria-se uma outra compreensão da peça; mas caso não dê para ler e/ou ver o filme, não há problema, pois a montagem do grupo é mais do que suficiente e satisfatória. Você ficará pensando bastante sobre o que viu no caminho de volta para casa e por durante a noite).

A apresentação começa com um filme, apresentado no armazém da Vila. Vemos cenas do original de Pasolini, enquanto um dos atores (que não aparece) vai narrando o que está acontecendo.

Neste momento, cenas externas ao Armazém, fundem-se e misturam-se com as do filme. É nos avisado que devemos seguir um personagem que vai caminhando por uma rua. Nesta hora saímos e vamos em direção a antiga escola para meninas da Vila Maria Zélia, transformada agora – na peça – em uma antiga residência.

Ao entrarmos pelo lar abandonado, aos pedaços (assim como perceberemos que também está a família da qual veremos a história), encontramos numa “sala” cadeiras giratórias espalhadas. Cada um vai ocupando sua cadeira, até que começa a peça.

Uma família burguesa – pais e um casal de filhos – retorna, junto com sua empregada, para a antiga casa onde moraram. A casa não está mais como era. Está tudo mudado. Eles estão mudados. Os filhos cresceram. Mas de onde eles vêm? Por que estão de volta? O que aconteceu com eles?

Enquanto a peça desenrola,  você vai girando sua cadeira para acompanhar a movimentação dos atores pelo espaço da antiga escola para meninas da vila. Então seu ponto de vista muda. O seu foco muda. Sua percepção muda. Você já fica pronto para virar a cadeira ao menor estímulo. É uma peça que apesar de não ser participativa, o público faz parte da história. Afinal estamos no palco, trocamos olhares – de perto – com os atores com mais força e mais repetição.

Até que chega um telegrama falando que alguém vai voltar. Mas quem? De onde? E do nada, o estrangeiro, o estranho surge na vida daquela família. Ele veio para provar um teorema (segundo o dicionário Aurélio, Teorema é “proposição que, para ser admitida ou se tornar evidente, necessita de demonstração.”) de que as famílias burguesas acabaram de verdade. Daí para frente, não se pode falar mais para evitar que as surpresas sejam reveladas.

Vale muito a pena assistir a peça – tanto pelo texto e atuação, quanto pelo cenário da escola onde é apresentada a montagem. Como já dito anteriormente, esta proximidade com os personagens, a força e a atualidade do texto, fazem com que você saia pensando se o que você viu também não faz parte da sua realidade. (e dá para se ter várias análises sobre o que foi visto).

Não deixe de ler as outras várias matérias que fizemos sobre o Grupo XIX de Teatro e também sobre a Vila Maria Zélia.

Teorema 21
Com Grupo XIX de Teatro – Bruna Betito, Emilene Gutierrez, Janaina Leite, Juliana Sanches, Paulo Celestino, Rodolfo Amorim e Ronaldo Serruya.
Vila Maria Zélia (Rua Mário Costa, 13 – Belém, São Paulo)
Duração 75 minutos
22/01 até 05/03
Sexta, Sábado e Domingo – 18h
Recomendação 18 anos
Entrada gratuita (Informações e reservas, de terça a sexta-feira das 14 às 18h – (11) 2081-4647)
Estacionamento gratuito.
 
Dramaturgia Alexandre Dal Farra.
Direção Luiz Fernando Marques.
Dramaturgismo Janaina Leite.
Produção Executiva Vanessa Candela.
Cenografia Luiz Fernando Marques e Rodolfo Amorim.
Figurinos Juliana Sanches.
Contra-regra Luciano Morgado.
Assistência de Produção Marilia Novaes.
Assistência de Figurino e adereços Gabriela Costa.
Provocadores do processo Eleonora Fabião, Marcelo Caetano, Miwa Yanagizawa, Luis Fuganti e Bruno Jorge.
Preparação Corporal (parkour) Diogo Granato.
Assessoria de Imprensa Adriana Balsanelli.
Produtor de Conteúdo Midias Sociais Jonatas Marques.
 
Site do grupo – www.grupoxix.com.br

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