A LENDA DOS JOVENS DETENTOS (MATÉRIA)

Bruno Galdino, 23, e Letícia Tavares, 25, se conheceram na Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo (EAC) na cidade de Santos (SP). Era a peça de formatura de Bruno, e ela foi convidada para fazer uma participação. Surgiu uma amizade e resolveram estudar juntos o texto clássico de Plínio Marcos, “Navalha na Carne“.

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Letícia disse que a escolha pela peça foi porque, “a violência está muito banalizada. A gente liga uma tv e está sempre vendo uma cena de um menor sendo preso. E as pessoas, muito calorosas, dizendo que tem que matar, que tem que morrer mesmo. A gente queria falar deste universo em um próximo trabalho”.

Decidiram então procurar o filho de Plínio, Leo Lama, para poderem encenar “Navalha na Carne”. Mas Leo achou melhor com que eles encenassem um novo trabalho seu, do mesmo estilo do texto do pai, mas com personagens mais jovens que combinavam mais com o perfil dos atores. Foi quando entregou “A Lenda dos Jovens Detentos“. Para dirigi-los, eles entraram em contato com Diego Andrade, que foi professor deles na EAC e também foi preparador de elenco dos filmes “O Menino da Porteira” e “Querô“.

A peça conta a história de dois jovens de realidades sociais bastante distintas. Xíli (Bruno Galdino), um interno da FEBEM, que foge do cárcere e se esconde na casa de Daniela (Letícia Tavares), uma garota de classe média, suburbana, que acaba refém do jovem fugitivo. O espetáculo se desenvolve a partir do argumento de que as extremidades sociais guardam mais semelhanças do que demonstram.

Uma das qualidades da peça, além do texto incisivo e atual de Leo Lama, é a atuação dos atores. Em um palco vazio, somente com uma pedaço de grade e quatro palets de madeira, desenrola-se 50 minutos de angústia, medo, diálogos, descoberta e questionamento de dois jovens que estão “presos” em um quarto.

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Para chegar a este resultado foi feita uma preparação corporal, conduzida pelo diretor Diego Andrade, através de vários laboratórios. Para construírem seus personagens, “estudamos filmes sobre o tema; vimos o documentário “Ônibus 174″, de José Padilha; além da observação da vida real, através dos menores de rua e pessoas abandonadas que vivem pelas cidades”, disse Bruno, que também aproveitou da sua experiência corporal como bailarino.

Outra característica da peça é que os atores falam as rubricas (que são usadas nos roteiros de teatro para indicar sentimentos, gestos ou movimentos dos atores) enquanto estão atuando. Ou seja, a quarta parede do teatro (divisória imaginária que fica na frente do palco, por onde a plateia assiste o que está sendo apresentado no palco) é quebrada a todo instante – há momentos em que são os dois personagens interagindo; e outros, em que são os atores “dialogando” com a plateia. Para tanto, a luz da plateia nunca é apagada.

A Lenda dos Jovens Detentos” já foi apresentada na cidade de Santos. A estreia foi em uma escola para os alunos. Isso deixou os atores e o diretor apreensivos, pois não era um público que frequenta as salas de teatro; e além do que havia a proximidade do texto e personagens com os próprios alunos. Mas bastou a apresentação começar, para perceberem que o texto e a atuação conseguiu chegar até a plateia.

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Depois foram feitas outras apresentações, em outros colégios, no jardim da Pinacoteca de Santos, na própriaEAC, sempre com o mesmo resultado. Afinal, segundo Diego, “o objetivo é contar a história de Xili e Daniela, sem dar uma resposta, sem querer dizer é isso que pode solucionar. Queremos é contar uma história que apresenta um problema. Está mostrado este problema? Agora a gente pode discutir sobre!”

A peça está cartaz no Espaço Parlapatões, todas terças feiras, às 21 horas, até o dia 23 de fevereiro. Com certeza, você sairá tocado pela montagem, com muito assunto para refletir no caminho de volta para casa.

A Lenda dos Jovens Detentos
Com Bruno Galdino e Letícia Tavares
Direção Diego Andrade
Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)
Duração 50 minutos
19/01 até 23/02
Terça – 21h
Recomendação 15 anos
$30

Vídeo

SALAMALEQUE

Conversamos com a atriz, Valéria Arbex, sobre a peça ” Salamaleque “. O espetáculo está na sua terceira temporada, agora no Instituto Cultural Capobianco – Teatro da Memória​. Conversamos sobre o porquê do texto, sobre a importância da comida na vida dos migrantes, sobre cartas de amor e muito mais.
Mais que uma peça, uma poesia de vida.
Link para a matéria escrita – http://goo.gl/6yGdwn

Salamaleque
Com Valéria Arbex
Instituto Cultural Capobianco (Rua Álvaro de Carvalho, 97 – Centro, São Paulo)
Duração 60 minutos
23/01 até 12/03 (exceto Carnaval – 06 e 07/02)
Sábado – 16h e 20h; Domingo – 16h
Recomendação: 12 anos
Entrada gratuita. Distribuição de ingressos uma hora antes da apresentação.
(O espetáculo recebe donativos – material escolar, fraldas, alimentos – trigo para kibe, lentilha, grão de bico, farinha de trigo – , etc, para instituições que recebem refugiados)

Idealização do projeto: Valéria Arbex.
Realização e Coordenação Artística: Cia.Teatral Damasco.
Direção: Denise Weinberg e Kiko Marques.
Dramaturgia: Alejandra Sampaio e Kiko Marques.
Cenografia e figurinos: Chris Aizner.
Trilha sonora original (e música incidental no vídeo): Sami Bordokan.
Iluminação: Guilherme Bonfanti.
Consultoria gastronômica: Graziela Scorvo Tavares.
Cenotécnico: Mateus Fiorentino.
Produção: Carol Vidotti, Rosana Maris e Melissa Rudalov.
Assessoria de imprensa: Fernanda Teixeira / Arteplural Comunicação​
Projeto gráfico e ilustrações: Aida Cassiano.
Glossário árabe / português: Mamede Jarouche.
Operação de som e luz: Fernanda Guedella, Adriana Dham e Ricardo Barbosa (stand-in).