ESPAÇOS INVISÍVEIS

Para abrigar os funcionários da sua tecelagem numa miniatura de cidade europeia, como se fosse um bairro à parte do Belenzinho, o industrial Jorge Street (diretor trabalhista no governo Vargas, em 1931) trouxe da França um arquiteto. Paul Pedraurrieux projetou a primeira vila operária do Brasil, pertinho da filial da Cia Nacional de Tecidos de Juta.

Inaugurada com capela, duas escolas, armazéns, ambulatórios médicos e praça, em 1917, e tombada em 1992, a Vila Maria Zélia não pode bem ser chamada de patrimônio histórico.  Boa parte das duas centenas de casas está desfigurada e construções preciosas em ruínas. Uma delas, a Escola de Meninas (propriedade do INSS) recebe a Cia. Damas em Trânsito e os Bucaneiros. O espetáculo de dança e música Espaços Invisíveis cumpre temporada gratuita aos sábados e domingos, às 14h, até 27 de março, com direção de Alex Ratton Sanchez. Compõem o corpo de bailarinos-criadores Carolina Callegaro, Clara Gouvêa, Ciro Godoy, Laila Padovan e Larissa Salgado, que tocam em cena acordeom, bateria, violino e percussão. A trilha é orquestrada ao vivo pelo pianista Gregory Slivar. Fause Haten bolou os figurinos.

Larissa Salgado. Foto de Clarissa Lambert.jpg

Integrando a mostra de repertório comemorativa dos dez anos do grupo paulistano, criado no Bexiga em janeiro de 2006, a performance é inspirada na cidade de São Paulo, em sua relação com os habitantes, ritmo e lugares. As possibilidades de viver e pensar o espaço habitado que os artistas propõem trocar com o público – não a metrópole real, mas a imaginária e sentida, remetem às cidades invisíveis, de Italo Calvino. O público ficará livre para percorrer o espaço. “Todo mundo estará no meio da cena. Queremos provocar a sensação de descoberta como a de quem chega a uma cidade nova com olhar curioso”, afirma o diretor Alex Ratton Sanchez.

Os figurinos de Fause Haten foram desenvolvidos com roupas já confeccionadas. “Uma saia é feita com uma camisa ou por várias saias, por exemplo; e camisetas viram tecido para outra peça. Inspirado pelas interferências artísticas dos bailarinos na cidade, peguei roupas de outras pessoas que andaram pelas ruas para grudar no corpo deles, em visuais híbridos, de feminino e masculino, de criança, punk, esportivo e glamouroso”, explica o estilista.

Sobre a performance

Espaços Invisíveis estreou no subsolo do Paço das Artes em agosto de 2013, sem divisórias entre plateia e palco. Diferentemente desta nova temporada na Vila Maria Zélia, o público podia escolher se acomodar em uma prancha móvel (com rodas e cadeiras fixadas, ser pedestre, usar a própria bicicleta ou pegar uma emprestada com a produção do espetáculo. A ideia era possibilitar ver a performance de formas variadas, fazendo um paralelo com as opções de locomoção urbana.

A encenação dá continuidade à mostra comemorativa de dez anos de atividades da trupe. Sua primeira obra, Ponto de Fuga, foi revisitada de forma intimista: na casa do pintor e escultor italiano Gaetano Miani (1920 – 2009), em dezembro último.
Damas em Trânsito e os Bucaneiros. Foto Clarissa Lambert

Espaços Invisíveis – Cia Damas em Trânsito e os Bucaneiros
Com Carolina Callegaro, Ciro Godoy, Clara Gouvêa, Laila Padovan, Larissa Salgado e Gregory Slivar. Direção musical: Gregory Slivar.
Vila Maria Zélia (Ponto de encontro: Armazém XIX (sede do grupo XIX), Rua Mário Costa, 13 – Belém, São Paulo)
Duração 60 minutos
05até 27/03
Sábado e Domingo – 14h
Recomendação livre
Entrada gratuiia
Reservas: espacosinvisiveis@yahoo.com.br (É necessário chegar 15 minutos antes da apresentação. Capacidade: 40 pessoas.)
Ficha técnica
Concepção: Cia Damas em Trânsito e os Bucaneiros.
Direção: Alex Ratton Sanchez.
Preparação corporal: Cristiano Karnas, Letícia Sekito e Silvia Leblon.
Grafite: Luciano Lucko.
Figurino: Fause Haten.
Cenário: Cia.
Damas em Trânsito e os Bucaneiros.
Participação especial: Maria Olinda.
Produção: Mariana Pessoa e Paula Sassi.

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