SAGRADA FAMÍLIA

A instituição familiar é protagonista de Sagrada Família. O espetáculo escrito e dirigido por Gabriela Mellão, sintetiza de forma poética as relações sanguíneas do homem contemporâneo. A obra problematiza a questão usando a força da natureza como metáfora articuladora.

No palco, um clã é devastado por intempéries. Uma torrente de chuva lava a aridez reinante das relações existentes entre um homem, sua mulher e sua filha, interpretados por Eucir de Souza (Prêmio de melhor ator no Festival de Brasília de 2007), Ester Laccava (três vezes indicado ao Prêmio Shell) e Michelle Boesche (indicada ao Prêmio Shell em 2014). A chuva seca. A força do hábito se impõe novamente, reestabelecendo a aspereza familiar.

É necessária a violência do vento para mudar a ordem convencionada. Uma ventania irrompe dando conta, enfim, de reconfigurar a família. “Os pais, representação da herança familiar, se vão, arrastados pela forte corrente de ar. A filha, evocação dos novos tempos, permanece, podendo enfim andar com as próprias pernas”, afirma Gabriela Mellão. Na solidão da cena, capaz de assumir sua individualidade integralmente e com ela desbravar seu próprio caminho, a jovem cresce, amadurece.  “A maturidade da Filha é representada por um voo simbólico, que parece tocar o sagrado. Ajoelhada durante todo o espetáculo, a personagem por fim se levanta, se desenvolve, se eleva”, complementa a autora e diretora.

A encenação se propõe a fazer um retrato poético de um campo de concentração familiar. Evoca um mundo pós apocalíptico ao cobrir o palco por escombros e servir-se de um fio de arame farpado como ornamento cênico. Como uma grade que impõe a estagnação, o fio surge diante da família. Transforma o palco num território de confinamento e tortura, sugerindo um universo de destruição indefinido que é também atemporal.

Sagrada Família investiga as relações familiares através de formas dramatúrgicas próprias do teatro da contemporaneidade. O texto é poético e fragmentado, aberto a interpretações e leituras pessoais de cada espectador. Os personagens travam diálogos ao mesmo tempo internos e externos. São múltiplos e solitários, revezando-se entre primeira e terceira pessoa, ação e narração.

Texto e imagem se complementam em cena, convidando a plateia a uma viagem que ultrapassa o domínio da razão, é também sensorial. Justapostos, desafiam o público a elaborar diferentes camadas de leituras para cada ação. A partitura física dos atores, elaborada com apoio do coreógrafo Reinaldo Soares, não sublinha o texto, mas complementa-o, muitas vezes contradizendo-o.

Cenas de diferentes intensidades são justapostas. Imprimem ritmos diversos ao espetáculo, ao mesmo tempo em que traduzem o universo externo e interno dos personagens.

Sagrada Família
Com Ester Laccava, Eucir de Souza e Michelle Boesche
Teatro SP Escola (Praça Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
Duração 60 minutos
19/02 até 28/03
Sábado e Segunda – 21h; Domingo – 19h
Recomendação 14 anos
$10
 
Texto e direção: Gabriela Mellão
Trilha sonora: Raul Teixeira
Desenho de luz: Robson Bessa e Vinícius Passos
Criação de Figurino: Thais Nemirovsky
Cenário: Gabriela Mellão
Coreografia: Reinaldo Soares
Fotos: Julieta Bacchin
Cenotécnico: Mateus Fiorentino
Produção: Berenice Haddad
Assessoria de Imprensa: Morente Forte Comunicação

 

COM AMOR, BRIGITTE

A atriz francesa Brigitte Bardot veio ao Brasil nos anos 60 e sua visita à Búzios ficou internacionalmente conhecida. O que pouca gente sabe é que antes de chegar ao balneário, a atriz teve de ficar quatro dias reclusa em um apartamento no Rio de Janeiro, para fugir do intenso assédio da imprensa e dos fãs, que a aguardavam já na pista do aeroporto do Galeão. Nos anos 60, Brigitte Bardot era considerada um ícone da beleza, da sensualidade e da moda. Ditava, junto com outros artistas, o comportamento daquela época. No entanto, ela não conseguiu carregar o peso dessa alcunha e se retirou do show business, muito em função da obsessiva ação da mídia que devassava sua vida pessoal.

Com direção de Fábio Ock (criador da Companhia de Teatro Rock, onde dirigiu a premiada montagem A Borboleta sem asas e Na Cama com Tarantino), a peça traz no elenco a jovem Bruna Thedy, que vem se destacando no teatro nos últimos anos em peças como Preto no Branco e Universos, dirigidas por Zé Henrique de Paula; A Casa de Bernarda Alba, com direção de Elias Andreato; e Equus, dirigida por Alexandre Reinecke. O ator André Correa, com dezenas de espetáculos importantes no currículo e que recentemente esteve na elogiada montagem de Ricardo III, dirigida por Marcelo Lazaratto, vive o personagem do camareiro.

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No texto de Franz Keppler, encomendado por Bruna e Fabio, o episódio foi transportado para o apartamento de um camareiro de hotel para onde ela foge depois de uma conturbada passagem pelo Copacabana Palace. O encontro inusitado entre dois mundos completamente diferentes – e ao mesmo tempo tão iguais – é o mote da narrativa. O personagem masculino da peça também tem como função questionar Brigitte sobre o endeusamento de artistas e celebridades, criando assim um panorama para que pensemos: “Por que você é mais do que eu?” Como valorar uma pessoa e considerá-la mais importante do que outras?

Apesar de tratar de uma personagem que é real e está viva, o espetáculo não trabalha com a obrigação de reproduzir Brigitte Bardot e sim com o objetivo de explorar a sua simbologia e o que ela representou. A ideia é trabalhar um olhar subjetivo desse ícone, sem regras e compromissos.

Utilizando a figura de Brigitte Bardot como ícone da moda e sexualidade, a peça discute os limites entre os direitos à intimidade e à vida privada e a liberdade de expressão e informação no mundo atual, questão há muito tempo discutida e que se mostra cada vez mais atual, vide o polêmico caso das biografias não autorizadas. Aparentemente essas questões parecem estar mais ligadas a pessoas notórias e celebridades, mas atualmente, com o advento da internet, pessoas comuns passaram a sofrer os efeitos colaterais da exposição virtual, tendo suas vidas devassadas, tais como as figuras célebres da mídia. “Considero as câmeras de segurança uma das ferramentas mais representativas quando falamos em invasão de privacidade. Seja na mão de um papparazzi ou nas fachadas de prédios, as lentes que invadem nossas imagens e capturam o que fazemos no cotidiano, são instrumentos que desenham esse quadro que chamamos de século XXI. Diante dessa visão bem particular que queremos dividir com o público, vou instalar várias câmeras de segurança no cenário que, em momentos distintos, vão espionar os atores e outras vezes contracenar com eles”, explica o diretor.

O espetáculo será concebido através da intersecção de três linguagens: teatro, vídeo e performance. Apesar de o texto ter sido escrito de uma forma realista, a encenação não caminha por aí. O espetáculo está num lugar não real para que se possa ter extrema liberdade criativa. Ock afirma que “será uma Brigitte brasileira, espiada por câmeras de segurança como num reality show, conduzida por canções francesas remixadas e apoiadas por projeções intrigantes que fazem referência ao cinema. Queremos chegar num caleidoscópio estético para contar essa história”. O diálogo entre cenografia, vídeo e iluminação é estreito e contínuo. A projeção, peça fundamental da encenação, será feita no cenário para alcançar uma simbiose perfeita.

Brigitte Bardot sofreu muito com a invasão de privacidade. Por isso, representa um símbolo fortíssimo para discutir o assunto. Até quando suportamos e queremos devassar a vida privada de alguém? O espetáculo pretende levantar uma série de questões. Perguntar. Não responder.

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Com Amor, Brigitte
Com Bruna Thedy e André Corrêa
Teatro do MASP – Pequeno Auditório (Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 80 minutos
26/02 até 26/06
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
Recomendação 16 anos
$50 / $60
Estreia dia 26 de fevereiro de 2016
Texto: Franz Keppler
Direção: Fábio Ock
Cenário: André Cortez
Figurino: Zé Henrique de Paula
Make Up Designer: Beto França
Iluminação: Fran Barros
Assistente de Direção e Projeto Gráfico: Laerte Késsimos
Trilha sonora: Fábio Ock
Preparação Corporal: Einat Falbel
Fotos: Jefferson Pancieri
Vídeo Mapping e Criação dos Vídeos: Laerte Késsimos e Fabio Ock
Produção Executiva: Katia Placiano
Coordenação de Projetos: Egberto Simões
Produtores Associados: Selma Morente, Célia Forte, Bruna Thedy e Fabio Ock
Realização: Morente Forte
Patrocínio: Nextel e Wheaton

 

MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA

Um louco cuja doença é interpretar pessoas reais é detido por falsa identidade.  Na delegacia, se passa por um falso juiz na investigação do misterioso caso do anarquista. A polícia afirma que ele teria se jogado pela janela do quarto andar.  A imprensa e a população acreditam que foi jogado. O que teria acontecido realmente? O louco vai enganando um a um, assume várias identidades e, brincando com o que é ou não é real, desmonta o poder e acaba descobrindo a verdade de todos nós.

Dario Fo partiu de um caso verídico, o “suicídio” de um anarquista em Milão em dezembro de 1969. Sua engenhosidade, sua capacidade de escrever diálogos cortantes, de criar tipos diversos dentro de uma mesma peça, representados por um mesmo ator, aliado a um profundo senso cômico, dão dimensão universal ao texto. É sua peça mais conhecida, montada no mundo inteiro. Recentemente em Londres, foi encenada com referências ao caso Jean Charles.

É impressionante como Morte Acidental ainda é atual, 45 anos depois de escrita. É como se ele estivesse falando dos dias hoje, principalmente no Brasil. Em chave de farsa Dario Fo, nos brinda com um texto brilhante. O que fizemos foi tirar as referências que só faziam sentido para os italianos e a realidade em que viviam nos anos setenta. A fábula, a história na nossa montagem esta intacta. O próprio Fo a cada remontagem da peça fazia modificações.” diz Hugo Coelho diretor da peça.

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O personagem do Louco (Dan Stulbach), vê representar um juiz como ponto alto de sua “carreira”, pois já se passou por médico cirurgião, psiquiatra, bispo e engenheiro naval, entre outros. Na delegacia, preso pelo Comissário (Marcelo Castro) encontra os responsáveis pela investigação, o Delegado (Henrique Stroeter) e o Secretário de Segurança (Riba Carlovich). Depois a imprensa aparece, através da Jornalista (Maira Chasseraux). Todos, menos o Louco, inspirados em personagens reais.

Henrique e Dan escolheram este texto para sua parceria cênica, motivados pela “diversão total e pela inteligência do Dario” como diz Dan e “pelo prazer de representar um clássico cômico popular e atual” como diz Henrique (que diz ter sido a montagem de Antônio Fagundes em 1985 a responsável pela sua escolha em ser ator. Dan não viu a montagem) ”é uma alegria total interpretar este personagem. um desafio diferente de tudo que já fiz”, diz Dan.

Baseado em fatos reais, a comédia mais famosa de Dario Fo, Prêmio Nobel de Literatura de 1997, diverte e esclarece, aprofunda e critica a vida e a nossa sociedade.

Morte Acidental de um Anarquista
Com Dan Stulbach, Henrique Stroeter, Riba Carlovich,
Maíra Chasseraux, Marcelo Castro e Rodrigo Bella Dona
Teatro Tuca (Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes, São Paulo)
Duração 80 minutos
13/01 até 26/02
Sexta e Sábado – 21h30; Domingo – 18h
Recomendação 12 anos
$60/$80
Texto: Dario Fo
Tradução: Roberta Barni
Dramaturgia e Direção: Hugo Coelho
Música ao vivo: Rodrigo Geribello
Cenário: Marco Lima
Figurino: Fause Haten
Iluminação: Hugo Coelho
Assessoria de Imprensa Daniela Bustos e Beth Gallo – Morente Forte
Assistente: Thais Peres
Projeto Gráfico: Vicka Suarez
Foto de Estúdio: Heloísa Bortz
Fotos de Cena: João Caldas Fº
Estagiário de Direção: Rafael De Bona
Administração: Magali Morente Lopes
Produção Executiva: Katia Placiano
Coordenação de Projetos: Egberto Simões
Realização: Quadrilha da Arte
Produtores Associados: Selma Morente, Célia Forte e Dan Stulbach

ZIZI POSSI – ‘NA SALA COM ZIZI’

 

Com mais de 30 anos de carreira, Zizi Possi remonta sua trajetória de sucesso em show com roteiro e direção de seu irmão, o premiado diretor José Possi Neto. Em formato talk-show contextualiza as composições que moldaram sua formação musical. O show é para a gravação do DVD.

Além de seus grandes sucessos, a cantora resgata músicas que a inspiraram e fizeram parte da sua trajetória como Dio, Come Ti Amo (Domenico Modugno, 1966), Tudo Passará, grande sucesso do cantor e compositor mineiro Nelson Ned (1947-2014), Noite Cheia de Estrelas (Cândido das Neves, 1954) e Datemi un Martello, de Rita Pavone.

Zizi Possi em ‘Na Sala com Zizi’ (gravação de DVD)
Com Zizi Possi
Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 100 minutos
26/04
Terça – 21h
Recomendação 12 anos
$80 / $120

ARNALDO ANTUNES – A CASA É SUA

Arnaldo Antunes apresenta um show mais intimista, acompanhado por dois músicos. O poeta, cantor e compositor explora com liberdade uma nova sonoridade a cada canção, propondo combinações de violões, guitarras, teclados e sanfona.

O repertório passeia por músicas de toda sua carreira, como Não Vou Me Adaptar, O Pulso, Alegria, Essa Mulher e Muito Muito Pouco, além de canções escritas em parceria com Paulo Miklos (Fim do Dia), Marisa Monte e Carlinhos Brown (Consumado), Liminha (Invejoso), Alice Ruiz (Socorro), entre outras.

Site: www.arnaldoantunes.com.br 

Arnaldo Antunes em ‘A Casa é Sua’
Com Arnaldo Antunes
Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 90 minutos
19/04
Terça – 21h
Recomendação 12 anos
$90 / $120

ALEXANDRE NERO – BRICABRAQUE

 

Após o término das gravações da novela “A Regra do Jogo”, Alexandre Nero volta aos palcos trazendo seu show “Bricabraque

Nero mostra sua vertente musical em show inédito com repertório autoral. Em tom leve e intimista, o ator, cantor e compositor curitibano constrói uma grande brincadeira com o público, permeada por músicas bem-humoradas.

Nero divide o palco com mais dois músicos e apresenta canções como Vendo à vista, Uma Boa Pessoa e Lave, Leve, Love.

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Alexandre Nero em Bricabraque
Com Alexandre Nero
Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 90 minutos
12/04
Terça – 21h
Recomendação 12 anos
$80 / $150
(crédito foto – Priscila Prade)

 

CARLA CASARIM – “FESTIVAL DOS FESTIVAIS”

 

Um dos novos nomes da MPB, Carla Casarim resgata clássicos dos grandes festivais que mudaram para sempre a música brasileira e interpreta um repertório que formou gerações como Arrastão (Edu Lobo/Vinicius de Moraes), Ponteio (Edu Lobo/Capinam), Casa no Campo (Zé Rodrix/Tavito), Disparada (Geraldo Vandré/Théo de Barros), Roda-viva (Chico Buarque), Alegria, Alegria (Caetano Veloso), Domingo no Parque (Gilberto Gil), entre outras.

Compositor que se destacou nos festivais dos anos 1960, Eduardo Gudin é o convidado especial de Carla e dividem o palco na canção Verde(Eduardo Gudin/J.C. Costa Netto), que lançou a cantora Leila Pinheiro, no Festival promovido pela TV Globo, em 1985.

Festival da TV Excelsior, Festival da Música Popular Brasileira e Bienal do Samba (da TV Record) e Festival Internacional da Canção – FIC (da TV Globo), são destacados em forma de espetáculo, relembrando os anos de 1965 a 1972, com música, poesia, um cenário que remete aquela época e trechos de grandes momentos dos festivais da música popular brasileira. Um show para voltar ao tempo dos grandes festivais de música da TV.

Site: www.carlacasarim.com

Carla Casarim em Festival dos Festivais
Com Carla Casarim e banda
Participação especial: Eduardo Gudin
Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 90 minutos
05/04
Terça – 21h
Recomendação 10 anos
$30 / $50
(crédito foto – Marco Costa)