DESMONTE

O solo Desmonte foi criado como resposta a uma experiência pessoal angustiante, quando o parceiro de Juliana Moraes (e co-diretor da peça, Gustavo Sol), enfrentou uma doença grave. O espetáculo fez três apresentações no SESC Belenzinho em abril de 2015. E, agora, estreia em temporada na Galeria Olido e na Oswald de Andrade a partir de 31 de março

A partir da doença grave de seu parceiro, a bailarina Juliana Moraes passou a levar para os ensaios um livro que havia comprado muitos anos antes, O Diário de Nijinsky, depoimento do artista escrito em 1919, nas semanas que precederam sua internação em hospital psiquiátrico (de onde nunca mais sairia). Inicialmente escrito em prosa articulada, aos poucos as palavras do diário se desmontam em onomatopéias, repetições silábicas e fluxos de pensamento sem nexo aparente.

Juliana passou a se gravar lendo esses poemas, além de escrever textos próprios e adquirir o hábito de registrar pessoas falando na televisão, na rua, em cafeterias etc. Os sons derivados das falas gravadas se tornaram o estímulo para a criação de uma movimentação acelerada e fragmentada – muitos gestos a habitar o mesmo corpo que, aos poucos, vai entrando em curto-circuito.

Nos primeiros 16 minutos de DESMONTE, a artista usa fones de ouvido para escutar os sons e vozes por ela gravados. A plateia escuta somente o barulho da movimentação. Juliana faz do limite a estrutura de seu estado corporal, desafiando-se à vista do público, às vezes sendo mais capaz de controlar os impulsos, às vezes completamente passiva às vozes e sons que ela escuta através dos fones.

A relação de ambivalência entre controle e descontrole se expande também para campainhas operadas pela cabine, que comandam a respiração da intérprete, e movimentos tradicionais do balé clássico – técnica na qual Nijinsky se tornou exímio – e que Juliana tenta, desde os oito anos de idade, trazer para seu corpo.

Desmonte lida com muitas camadas de signos, emoções e sensações: a dor do outro para não se perder na própria, a fala que se transmuta em gestos, o balé e sua relação disciplinar pela repetição, estados de presença poética entre o controle e a entrega, o limite não como representação mas como estrutura cênica.

Desmonte
Com Juliana Moraes
Duração 40 minutos
Recomendação 14 anos
Galeria Olido (Avenida São João, 473 – República, São Paulo)
31/03 até 04/04
Quinta, Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
Entrada gratuita (retirar ingressos com uma hora de antecedência.)
Centro Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
06 até 09/04
Quarta, Quinta, Sexta e Sábado – 20h30
Entrada gratuita (retirar ingressos com uma hora de antecedência.)
Direção: Juliana Moraes e Gustavo Sol
Concepção, coreografia e interpretação: Juliana Moraes
Preparação de intérprete: Gustavo Sol
Desenho de luz: Cristiano Pedott
Adaptação de desenho de luz: Fernando Pereira
Montagem e operação de luz e som: Armando Junior
Treinamento em balé clássico: Zélia Monteiro
Produção: César Ramos e Gustavo Sanna / Complementar Produções
Canção: None but the lonely heart (Op.6 No.6), de Pyotr Tchaikovsky. Interpretação de Christianne Stotijn e Julius Drake.
Fotos para divulgação: Cris Lyra
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

 

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