TRAIR E COÇAR É SÓ COMEÇAR

A comédia “Trair e Coçar é Só Começar” comemorou neste dia 26 de março o marco de estar 30 anos em cartaz nos palcos brasileiros.

cartaz_3.jpgEscrita pelo ator e dramaturgo, Marcos Caruso, em 1979, a peça só foi estrear em 1986, no Teatro Princesa Isabel, no Rio de Janeiro, onde ficou em cartaz por dois anos.

Caruso estava literalmente quebrado, quando resolveu escrever uma comédia, que seria um sucesso, de uma maneira matemática, ou seja, com piadas a cada 30 segundos.

“Me inspirei nos mestres do vaudeville. É um gênero imbatível, que tem essa matemática para fazer o público se divertir”, explica.

Só que ninguém acreditou. Ele escreveu e encenou “Sua Excelência, o Candidato“, que foi um sucesso e ficou em cartaz por dois anos. Quando terminou a temporada, o diretor Atílio Riccó perguntou se não tinha um outro texto, foi quando Caruso se lembrou de “Trair e Coçar é só Começar“.

Depois disso, a peça entrou para a história do teatro nacional.

O enredo

Toda a trama se fundamenta em supostas infidelidades. Ao ver a patroa Inês assediada pelo síndico do prédio onde mora, a atrapalhada empregada Olímpia supõe que ela esteja traindo o marido Eduardo, apesar de eles estarem preparando a festa de 16 anos de casados. Depois, ela ouve uma piada de Eduardo sobre “as namoradas” dele e conclui que o patrão também trai.

Na cabeça de Olímpia, Lígia, a melhor amiga de Inês, também está sob suspeita, assim como o marido dela, Cristiano. As conclusões apressadas da empregada começam a gerar uma série de confusões, a ponto de, em dado momento, todos os personagens se envolverem numa balbúrdia aparentemente sem saída.

Convicta do princípio de que informação vale ouro, a esperta Olímpia começa a subornar seus patrões e os amigos deles. E a sucessão interminável de mal-entendidos se completa com a chegada de um vendedor de joias e de um padre.

Histórias de 30 anos

“Trair e Coçar…” figura nas edições do livro Guiness (de recordes) de 1994 a 1997 como sendo a peça com a mais longa temporada ininterrupta em cartaz nos palcos do país. Já acumulou mais de seis milhões de espectadores em mais de nove mil apresentações.

Em São Paulo, a peça está em cartaz desde 1989, de onde sai somente para as turnês  por outros 21 estados brasileiros, inclusive o Teatro Colony, em Miami (EUA). Curiosamente, os únicos estados que ainda não receberam a montagem da comédia foram Acre, Amapá e Rondônia. Depois de São Paulo, Campinas é a cidade onde a peça mais se apresentou.

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Marilu Bueno

A personagem Olímpia foi interpretada por mais de 13 atrizes diferentes. A primeira foi a atriz Marilu Bueno. Depois vieram Suely Franco, Vic Militello, Iara Jamra, entre outras. Uma das mais conhecidas, Denise Fraga, quase não aceitou o papel.

Denise, a princípio vinda de teatro de grupo, mais sério e profundo, não queria fazer parte de uma comédia estilo ‘vaudeville’. Quando foi convidada pelo diretor, Atílio Riccó, quase disse não, mas resolveu aceitar. Ela substituiu Suely Franco e ficou em cartaz por 1550 apresentações, ou quatro anos.

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Denise Fraga

Com o personagem ela aprendeu o arte de fazer comédia e declara que não imagina sua carreira sem ter participado do espetáculo.

“Eu já tinha feito uma novela, era razoavelmente conhecida. Mas depois de ‘Trair e Coçar’ tudo mudou. O convite para fazer a TV Pirata, por exemplo, só veio por causa da peça”, diz. Foi uma grande escola de atuação. “Foi lá que aprendi o timing da comédia. Cheguei ao ponto de ficar analisando as risadas do público. Quando eu não gostava de uma cena, as pessoas falavam para mim: ‘mas todo mundo riu, Denise’. E eu respondia: ‘mas eles podiam ter rido mais’.”

Pelo elenco de nove personagens, já passaram quase 100 atores, entre eles, Denise Fraga, Suely Franco, Adriano Reis, Rômulo Arantes, José Augusto Branco, Ana Rosa, Alexandre Reinecke, Imara Reis, Roberto Arduin, Roberto Pirillo, Bruna Gasgon, Clarisse Abujamra, Mário Cardoso e Annamaria Dias.

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César Pezzuoli

O ator que encenou por mais tempo a comédia foi César Pezzuoli, que estreou em 1988, somente dois anos após a estreia, e ficou em cartaz por 23 anos.

Para a comemoração dos 25 anos em cartaz, Marcos Caruso lançou o livro com o texto da peça.

Segundo Caruso, “foi só quando recebi o convite da editora que percebi o aniversário. Ser bem sucedido em teatro  significa ficar em cartaz sete, oito meses, até um ano. Tanto que, quando completamos dois anos, recebemos uma placa no teatro Princesa Isabel”, conta. “A partir do sexto ou sétimo ano, eu me acostumei. Agora sou obrigado a aceitar que a peça não vai sair de cartaz nunca.”

O espetáculo virou filme em 2006, com a atriz Adriana Esteves vivendo a empregada Olímpia. E em 2014, o canal fechado Multishow, levou a comédia para a televisão. O seriado já teve duas temporadas, com a atriz Cacau Protássio dando a vida à protagonista.

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Marcos Caruso está feliz da vida com o sucesso de seu ‘filho’. Tem certeza que a função de divertir da peça é amplamente cumprida. Vez ou outra, ele vai ao teatro assistir sua cria. Senta na última fileira e gosta de acompanhar a reação do público, ou como ele diz, as ‘ondas de risos’.

Atualmente, a comédia está em cartaz no Teatro Bibi Ferreira.

 

Vida longa a Olímpia e suas atrapalhadas!

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Anastácia Custódio, Carlos Mariano, Tania Casttello, Mário Pretini, Carla Pagani, Miguel Bretas, Siomara Schröeder, Ricardo Ciciliano e Ivan de Almeida

Curiosidades Paulistanas

  • Do elenco atual, os atores com menos tempo de casa são Miguel Bretas e Ricardo Ciciliano, com 2 anos; e o ator Mário Pretini é quem está por mais tempo, com 17 anos em cartaz.
  • “Trair e Coçar…” foi encenada em 21 teatros e sete clubes diferentes.
  • A peça estreou no Teatro Maria Della Costa em 24 de agosto de 1989 e ficou em cartaz até 23 de fevereiro de 1992.
  • O teatro Záccaro (no Bixiga, atualmente fechado) foi onde a peça ficou por mais tempo – entre 02/04/1992 e 03/09/1995.
  • O mesmo teatro, com seus 1 200 lugares, foi o maior teatro em que a peça já se apresentou.
  • Já o menor teatro em que a peça esteve em cartaz foi o União Cultural (285 poltronas).
  • Nos anos de 2000 e 2001, o diretor Attílio Riccó chegou a arrendar o Teatro Gazeta para apresentar a peça.
  • Em 2007, a peça ficou em cartaz na cidade em dois teatros diferentes. Às terças e quartas no teatro Folha (Shopping Pátio Higienópolis) e, de sexta a domingo, no Teatro Jardim São Paulo.
  • A peça “Trair e Coçar” inaugurou o Teatro Fernando Torres, o Teatro Eva Wilma, o Teatro Jardim São Paulo, o Teatro Anhembi-Morumbi, o Teatro Municipal de Ubatuba-SP (Centro do Professorado Paulista) e o Teatro do Liceu (Campinas-SP).
Trair e Coçar é só Começar
Com Anastácia Custódio, Carlos Mariano, Mario Pretini, Tânia Casttello, Carla Pagani, Miguel Bretas, Ricardo Ciciliano, Siomara Schröder e Ivan de Almeida.
Teatro Bibi Ferreira (Av. Brigadeiro Luiz Antônio 931- Bela Vista, São Paulo)
Duração 120 minutos
até 26/06
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 20h
Recomendação 12 anos
$60 / $70
(fontes: campinas.com.br; BR produtora, Almanaque Saraiva, Marcelo Duarte e ig Cultura)

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