BEIJO NO ASFALTO

eI042687.jpgMesclando a relação entre a dramaturgia e o jornalismo no Brasil, o Grupo de Segunda, da Cia das Artes, retorna aos palcos com o clássico de Nelson Rodrigues – O Beijo no Asfalto.

O espetáculo aborda a forma sensacionalista com que fatos cotidianos são retratados pela mídia. A trama mostra um homem casado que beija a boca de outro homem que acaba de ser atropelado e está à beira da morte. Estampado como manchete de jornal, o ‘beijo no asfalto’ torna-se o assunto mais comentado na cidade. Sexualidade, intrigas, ética na imprensa e crise familiar são os temas principais que englobam o enredo.

Para o diretor Jair Aguiar, um dos trunfos da peça é a dramaturgia de Nelson Rodrigues. “É um estilo bem marcado, frio, não pode trabalhar com a emoção, mas com o sentimento. Cada vírgula e cada palavra tem sua importância. É preciso ter uma atenção e um estudo bem trabalhado”.

Apesar de ser um texto escrito em 1960, o espetáculo dialoga com a atualidade, pois discute a relação do poder, da imprensa e do núcleo familiar. Todas essas camadas estão presentes no dia a dia da contemporaneidade. A montagem traz um choque e uma reflexão na imersão de valores.

A cenografia incorporou aspectos e disposição no palco como se fosse um tribunal. O figurino e a iluminação trabalham com a predominância de tons das cores preto e branco, criando um clima de cinema noir. “O palco virou uma espécie de porão, incorporando o submundo e a marginalidade. Possui um clima gelado que combina bem com a atmosfera de São Paulo em virtude do isolamento do povo e da mídia. Nelson Rodrigues soube como poucos colocar o preto no branco da vida em nossa cara”, enfatiza Jair Aguiar.

O Grupo de Segunda é o primeiro coletivo formado na Cia das Artes, que realiza uma parceria com o projeto Oficina de Atores que objetiva a formação, por meio da pesquisa de linguagem do gesto mínimo, a montagem de textos da dramaturgia brasileira e internacional. “A criação do grupo é resultado do contato e da produção contínua nos últimos anos. Um suporte que privilegia a discussão de todos os fatores que envolvem o fazer teatral”, fala Jair Aguiar.

O Beijo no Asfalto 
Com Antonio Netto, Diego Rodda, Felipe Ramos, Fernanda Gonçalves, Leão Lobo, Niveo Diegues, Edivaldo Gomes, Marcio Vasconcelos,Natália Martins e Samira Aguiar
Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)
Duração 90 minutos
03/03 até 21/04
Quinta – 21h
Recomendação 12 anos
$40
 
Autor: Nelson Rodrigues
Direção Geral: Jair Aguiar
Direção Artística: Antonio Netto
Cenografia: Marcio Tadeu
Figurino: Marcio Tadeu
Iluminação: Will Damas
Assistência Geral: Keese Contino
Operação de luz: Agnaldo Nicoleti
Operação de som: Weverton Caria
Produção: Grupo de Segunda
Realização: Cia das Artes
Assessoria de Imprensa: Renato Fernandes
Fotos: Rodrigo Dionísio.

 

UMA FAMÍLIA MUITO DOIDA

 

A família traz da fazenda uma moça sem cultura e ingênua para trabalhar como empregada. Esta acaba se tornando pivô de situações embaraçosas e muito engraçadas. Na trama há suspense, traição, encontros e desencontros, chantagem e confusões, o que torna o espetáculo dinâmico, trazendo uma surpresa a cada cena, tudo isso sem nenhum apelo à vulgaridade ou uso de palavrões. Uma comédia hilariante. A esposa curte festas, roupas caras e jogos de bingo. O filho do casal é um jovem universitário que sonha surfar no Havaí e o marido é um empresário cafajeste e falido.

Uma Família Muito Doida
Com Theo Moraes, Samara Pereira, Patrick Cajaiba e Claudio Toledo
Teatro Ruth Escobar (Rua dos Ingleses,209 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 70 minutos
20/02 até 25/06
Sábado – 19h30
Recomendação 12 anos
$60
Técnico de som e luz: Rinaldo Ferrari e Bruno Venconi
Cenografia: Carolina Pereira
Figurino: Wilson Santos
Texto: Wilson Coca
Direção: Sebastião Apollônio
Produção: Dom Produções Artísticas
Assessoria de Imprensa: Marcelo Cabral

MEMÓRIAS (NÃO) INVENTADAS

download (1)O espetáculo Memórias (Não) Inventadas é resultado da investigação dos atores Fernanda Viacava, Lara Hassum e Mateus Monteiro e da direção de André Garolli sobre a obra de Tennessee Williams, e está em cartaz no Viga Espaço Cênico.

Tendo como fio condutor a peça curta Lembranças de Bertha, o texto foi expandido ao assimilar fragmentos de contos e de outras peças do autor, que ora aprofundam a vida das personagens e ora revelam o ponto de vista dos atores narradores sobre a peça.

Mostrar a realidade não é a função do teatro na perspectiva artaudiana, pois a realidade cotidiana e direta não se expõe nos palcos. Tennessee Williams apresenta um teatro consoante com esta teoria, pois a exposição de suas personagens e ambiente não constitui uma mimese da realidade, mas, uma problematização da mesma por meio da observação e trabalho de elaboração do autor. A pesquisa dramatúrgica realizada pelo grupo se apoia na memória como mote para retratar as contradições e angústias dos personagens, propondo uma resposta artística singular à obra de um dos mais importantes dramaturgos do século XX.

No pequeno quarto de um bordel decadente, Bertha enfrenta um dia decisivo: por conta de sua saúde debilitada ela não pode mais atender seus clientes e se vê obrigada a desocupar o lugar. Entre memórias e alucinações, vem à tona sua tentativa fracassada de se apegar a falsas esperanças num caminho que parece sem volta.

Memórias (Não) Inventadas
Com Fernanda Viacava, Lara Hassum e Mateus Monteiro
Viga Espaço Cênico (Rua Capote Valente, 1323 – Sumaré, São Paulo)
Duração 60 minutos
29/02 até 10/05
Segunda e Terça – 21h
Recomendação 14 anos
$30
Texto: Fernanda Viacava, Lara Hassum e Mateus Monteiro, inspirado na obra de Tennessee Williams.
Direção: André Garolli
Produção: Fabio Camara
Preparação corporal: Vann Porath
Cenário: Kléber Montanheiro
Iluminação: Rodrigo Oliveira
Assessoria de Imprensa: Fabio Camara

 

DAMA DA NOITE

Inaugurado no final de 2015, o CCC – CENTRO COMPARTILHADO DE CRIAÇÃO, espaço dirigido pelo produtor Ricardo Grasson e o ator Caco Ciocler, dá início a programação de 2016.

Na montagem, o ator Luiz Fernando Almeida encarna a personagem e as angústias de um ser humano que não se sente inserido no mundo que vê e vive. Com direção de André Leahun, DAMA DA NOITE mostra ao público o conto do escritor Caio Fernando Abreu. No monólogo, o autor gaúcho não dá trégua e coloca o personagem numa mesa de bar em que despeja toda sua angústia, rancor e desprezo por uma sociedade que o discrimina e o exclui.

A montagem foi criada para ser apresentada para plateias pequenas,  o que potencializa o tom coloquial e ao mesmo tempo incisivo do texto de Caio Fernando Abreu. O ator Luiz Fernando Almeida fica praticamente encurralado num canto, onde há apenas uma mesa e uma cadeira. Antes, porém, o ator, com figurino exuberante e vasta peruca, vai buscar os espectadores no saguão. Já em cena, ele joga a peruca de lado e começa a jorrar o desabado daquela personagem.

Diálogo com o público

dama adilEm um cenário que é uma residência, mas que pode ser também um clube ou o que a imaginação do público desejar, a personagem não se limita à atuação e instiga um diálogo com seu público em clima intimista.

Em DAMA DA NOITE, uma “bicha velha” – como Dama da Noite se auto-intitula – conversa com um “boy”, alguém que ela poderá pagar uma bebida e ter sexo fácil, mas nunca amor. A montagem transforma os espectadores no outro, no jovem que a personagem aponta o dedo. Como não há aparente amor, não há delicadeza nem sutileza por parte de Dama da Noite para com seu interlocutor – o que acaba sendo uma experiência profunda e perturbadora no melhor dos sentidos para a plateia.

 

Dama da Noite
Com Luiz Fernando Almeida
Centro Compartilhado de Criação (Rua James Holland, 57 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 55 minutos
01/03 até 06/04
Terça e Quarta – 21h
Recomendação 16 anos
$30
 
Texto – Caio Fernando Abreu.
Direção – André Leahun.
Figurino – Luiz Careca.
Cenografia – Daniel Bevervanso.
Multimídia e Vídeo Mappin – VJ Spetto.
Iluminação – André Leahun.
Trilha Sonora – DJ Luiz Pareto.
Visagismo– Fernando Pompeu.
Maquiador – Kleber Kleiss.
Direção de Arte – Betinho Neto.
Direção de Produção – Luiz Fernando Almeida.
Produção – Superbacana Produções e A Confraria Produções.
Assessoria – Nossa Senhora da Pauta

 

 

NANY PEOPLE 3 EM 1

unnamed.jpgO stand-up da atriz Nany People é a mais nova confirmação entre as atrações de humor do Teatro J. Safra. Com uma programação intensa de espetáculos de comédia, buscando sempre inovar e trazer ao público o melhor do gênero, a casa recebe a artista de 7 de abril a 26 de maio, com seu novo sucesso solo “Nany People 3 em 1”.

 A peça é uma coletânea com os melhores trechos dos últimos três stand-ups de Nany, ‘Então… Deu no que deu’, ‘TsuNany’ e ‘Minhas verdades – Muito mais que um stand up’, cada qual com um estilo diferente. No primeiro, uma sátira dos encontros e desencontros afetivos, seguida por ‘Tsunany’, em que incorpora uma colunista social e vai discorrendo sobre os principais vícios da sociedade moderna, como cirurgia plástica e demasiada utilização dos meios tecnológicos. Já para seu ato final, em ‘Minhas verdades – Muito mais que um stand up’, recorre a memórias autobiográficas sobre sua carreira e vida, o momento mais intimista do show.

Com apresentações às quintas-feiras no Teatro J. Safra, a humorista promete bom humor e diversão durante sua temporada com o espetáculo.

Nany People 3 em 1
Com Nany People
Teatro J. Safra (Rua Josef Kryss, 318 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 75 minutos
07/04 a 26/05
Quinta – 21h
Recomendação 14 anos
$40 / $60
 
Ficha Técnica
Texto e Direção:  Nany People
Direção Musical:  Ricardo Severo
Som e Iluminação:  Ronny Vieira
Produção Executiva:  Waldir Terence e Guilherme Pizzo
Assessoria:  William Fiebig
Realização:  Nany People Produções e Now Produtora