GILBERTO GIL – AQUELE ABRAÇO, O MUSICAL (OPINIÃO)

Somos todos Gilberto Gil!”

Com esta frase dita no começo do espetáculo “Gilberto Gil – Aquele Abraço, o Musical“, os atores explicam que na peça todos têm o seu lado Gil, mas que apesar disso, nenhum representará-lo especificamente.

A peça não é um musical biográfico como os que foram feitos sobre Tim Maia, Cazuza, Elis Regina, Rita Lee, entre outros. É uma homenagem.

Isto foi um pedido que o próprio homenageado fez ao autor, e diretor, do espetáculo, Gustavo Gasparani. Com isso, Gustavo escreveu um roteiro – bem tênue – que passa pela trajetória musical de mais de 50 anos de Gil.

Então o que esperar ao sentar na plateia do Teatro Procópio Ferreira, onde o musical é apresentado de quinta a domingo?

Uma explosão de cores e sabores, temperos, romances e odores vindos diretamente da Bahia.

Estava meio receoso em ver mais um espetáculo que não há uma história propriamente dita, mas uma sucessão de quadros que servem para apresentar as canções de uma maneira dramatizada.

Mas que doce ilusão. O musical vai num “crescendo” constante. Logo no início da peça, você já foi conquistado – seja pelos atores e/ou pelas canções de Gilberto Gil. Então é só aproveitar os seus mais de 100 minutos de duração, pois passarão rapidamente e, quando você perceber, é hora das cortinas fecharem.

Não precisa ser fã de Gil para aproveitar a peça, mas ajuda bastante. Muito provavelmente você já escutou pelo menos uma música do compositor. Então se você gosta de suas canções, você irá passar o musical inteiro “cantando-as” junto com os atores. E são cerca de 100 músicas escolhidas (algumas cantadas inteiras, outras em medleys e outras tantas declamadas).

As canções foram colocadas em “onze blocos“, que conduzem o fio da dramaturgia. Elas falam sobre a origem musical de Gil, o sincretismo religioso, o Tropicalismo, a negritude, o amor, a tecnologia, o futuro, entre outros.

E são executadas por um time de oito artistas de peso.  Alan Rocha, Cristiano Gualda, Daniel Carneiro, Gabriel Manita, Jonas Hammar, Luiz Nicolau, Pedro Lima e Rodrigo Lima cantam, tocam todos os instrumentos da peça (que compõem parte de cenário da peça, e são vários), e interpretam as canções.

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O grupo já esteve junto no outro musical de Gustavo Gasparani – o “Samba Futebol Clube“, que mostrava a relação do Futebol com as músicas e as artes em geral. (E que infelizmente, ainda não foi apresentado em São Paulo, hein Gustavo!).

A cada um, o diretor solicitou como tarefa, durante os ensaios, que escrevesse sobre sua relação particular com o homenageado. Os textos ficaram tão bons, que foram utilizados também no espetáculo.

Os atores se revezam no palco nos seus “momento Gil“. Interpretam músicas sozinhos, em duplas, em grupo. Declamam os seus textos pessoais. O de Cristiano Gualda, ele interpreta com o apoio de sua esposa, que tem sua projeção feita numa tela.

Curiosamente, é a única vez que se tem uma presença feminina no palco.

1-20160314_112526_2.JPGA cenografia de Helio Eichbauer – que também é o responsável pelos shows de Gil – complementa o espetáculo. São projeções em vídeo em dois telões entrecruzados e numa tela/cortina. As imagens remetem a brasilidade.

E como dito anteriormente, as canções vão desfilando no palco. Momentos de sincretismo religioso, românticos, tropicais, de revolta, entre outros. Canções que falam da Bahia, do Rio de Janeiro, de São Paulo (afinal, “somos punk da periferia, somos da Freguesia do Ó…”),…

Pode-se dizer que Gil é um artista baiano que abraça o Brasil todo.

É, na verdade, todos “somos” Gilberto Gil!

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Gilberto Gil – Aquele Abraço, o Musical
Com Alan Rocha, Cristiano Gualda, Daniel Carneiro, Gabriel Manita, Jonas Hammar, Luiz Nicolau, Pedro Lima, Rodrigo Lima
Teatro Procópio Ferreira (Rua Augusta, 2823 – Jardins, São Paulo)
Duração 105 minutos
18/03 até 29/05
Quinta e Sexta – 21h; Sábado – 18h e 21h30; Domingo – 18h
Recomendação 12 anos
$50 / $120
Autoria e Direção Geral: Gustavo Gasparani
Direção Musical e Arranjos: Nando Duarte
Direção de Movimento e Coreografia: Renato Vieira
Produção Geral: Sandro Chaim
Cenografia: Helio Eichbauer
Figurino: Marcelo Olinto
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Videografismo: Thiago Stauffer / Studio Prime
Preparação e Arranjos Vocais: Maurício Detoni
Assistente de Direção: Pedro Rothe
Cenógrafa Assistente e Produtora de Cenografia: Marieta Spada
Assistente de Coreografia: Marluce Medeiros
Figurinista assistente e Produtor de Figurino: Almir França
Visagismo: Marcio Mello
Assistente de Iluminação: Darihel de Souza
Cenotécnico: André Salles
Direção de Produção: Giba Ka
Gerente de Produção: Paula Rollo
Produção Executiva: Felipe Argollo
Assistente de Produção: Débora Rocha
Produtores Associados: Sandro Chaim e Rose Dalney
Realização: Miniatura 9, Chaim Produções, Governo de São Paulo, Ministério da Cultura e Governo Federal Pátria Educadora
Assessoria de Imprensa: Ju Mattoni Comunicação

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