CABARÉ DAS FÁBULAS

Princesas, madrastas, bruxas, sapos, irmãs invejosas, música ao vivo, circo e um cabaré. Tudo isso costurado pela presença do Lobo Mau, que faz as vezes de mestre de cerimônia. É assim que se desenrola CABARÉ DAS FÁBULAS, primeiro espetáculo adulto da Cia. do Liquidificador, que está em cartaz na Sala Cabaré do Teatro Viradalata. A direção e dramaturgia são de Fábio Spila e a música foi composta por Henrique Athayde e Daniel Assad especialmente para a montagem.

A pesquisa para a peça partiu de dois pontos. O primeiro deles foram as fábulas. Ao escutar contos de fadas, sempre os relacionamos à literatura infantil. Mas não era assim: essas história foram, inicialmente, escritas para adultos e traziam temas como adultério, incesto, mutilação, estupro e mortes horrendas. Em pouco tempo essas versões foram “suavizadas” e eternizadas nas publicações de autores como Charles Perrault, Irmãos Grimm, e muitos outros, e ganharam a “missão” de servir “de exemplo” para as crianças por meio de um entendimento moral.

O outro braço da pesquisa para a criação do CABARÉ DAS FÁBULAS foi o próprio cabaré. A Cia do Liquidificador foi buscar sua origem: os primeiros artistas a criarem cabarés, tratavam esses locais como um espaço para a experimentação e não apenas um local com alto grau de sensualidade (como vemos nos cabarés franceses) ou um espaço para discurso político (como acontece na vertente alemã).

A dramaturgia une o cabaré e o conto de fadas e traz quadros isolados. São 10 cenas – Prólogo, Apresentação do Lobo Mau, Irmãs Feias, Cinderela, Bela Adormecida, Pequena Sereia, Chapeuzinho Vermelho/A Bela Domadora de Feras, Nascimento da Bruxa, Príncipe Sapo e Música de Encerramento –, cada uma com uma linguagem diferente (teatro de sombras, circo, musical, máscaras e mímica, entre outros).

Cabaré apresentado pelo Lobo Mau

Fábio Spila explica que, para dar o tom entre uma cena e outra e amarrar toda a história, a solução encontrada foi o Lobo Mau. “É ele quem situa a plateia de que eles estão em um cabaré. Ele apresenta as próximas cenas também, atuando como um mestre de cerimônias e sendo o fio condutor da história”, explica.

A influência do cabaré vai além do experimentalismo com as linguagens e do nome do espetáculo, passando para o seu espaço. Assim como acontece nos cabarés, o público sentará em mesas e poderá, durante todo o espetáculo conversar, levantar para ir ao banheiro, mexer na bolsa ou até pedir uma bebida no bar que estará no espaço.

Para que fosse possível unir a estética de cabaré ao universo dos Contos de Fadas, atmosferas aparentemente tão antagônicas, foi estabelecida uma relação de resignificação dos símbolos. Por isso, a Cia buscou unir as características principais, dos dois universos: a comicidade, a ação, a velocidade, o brilho, o exagero nas cores e nas formas, a dimensão expandida do espaço cênico, proximidade do público e a sensualidade.

O ambiente onde a peça acontece terá uma atmosfera intimista, com o público próximo à cena. Elementos cenográficos presentes tanto no universo dos cabarés, quanto no imaginário dos contos de fadas, como candelabros, colunas, grandes cortinas, brilhos e adornos rebuscados. “Esses são itens que remetem aos castelos e salões de baile dos Contos, e também presentes no clichê cenográfico do imaginário cabareteiro por conta de sua atmosfera luxuosa”. Os figurinos (cerca de trinta e cinco) também buscam unir esse dois mundos.

24774485615_7b7d702f77_k

Cabaré das Fábulas
Com Camila Masri, Cris Socci, Fernanda Mariano, Gabi Pascal, Henrique Athayde, Letícia Calvosa e Marcus Veríssimo.
Teatro Viradalata (Rua Apinajés, 1387 – Sumaré, São Paulo)
Duração 100 minutos
11/03 até 29/04
Sexta – 21h
Recomendação 16 anos
$40
 
Dramaturgia e Direção – Fábio Spila.
Músicos – Daniel Assad (piano), Felipe Guedes (bateria) e Fernando Junior (baixo).
Direção Musical – Ricardo Barison.
Música Original – Daniel Saad e Henrique Athayde.
Direção de Movimento – Talita Florêncio e Ana Sharp.
Preparação de Circo – Veronica R. Piccini.
Cenografia – Mauro Martorelli.
Figurino – Leandro Benites.
Maquiagem – Gabi Pascal.
Preparação de Chicote, Espadas e Malabares – Renato Mescoki.
Música de Abertura ­– A História de Lily Braun, de Chico Buarque.
Música de Encerramento – Just a Gigolô, de Louis Prima (tradução e adaptação Fábio Spila).
Produção – Cris Socci e Fabio Spila.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s