CIDADE VODU

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Sinopse

Trajetórias de haitianos até o Brasil. Cenas da ocupação militar no Haiti, comandada pelo Brasil. Irrupções da cordialidade brasileira diante da presença haitiana. Insurgências versus “gestão da vida”. Narrativas da Revolução: “esclarecimento” europeu versus Revolução Negra. Escravidão moderna como pressuposto da liberdade europeia. Articulando teatro, cinema e música, o Teatro de Narradores se pergunta em cena: e se o racismo for o sistema? O Teatro de Narradores apresentou o processo de criação de Cidade Vodu  pela primeira vez ao público em outubro passado, na série Terça Tem Teatro do Itaú Cultural, e faz a estreia integral da peça na MITsp 2016.

Histórico

Com o fim da temporada de A Lata de Lixo da História, de Roberto Schwarz, em 1997, alguns remanescentes da peça, alunos da Faculdade de Filosofia da USP, decidem dar corpo à ideia de um grupo. De lá para cá, são muitas as configurações desse coletivo até a conformação de um núcleo artístico efetivo, que se mantém  desde a fundação José Fernando de Azevedo e Teth Maiello, aos quais se uniram Renan Tenca Trindade e Leandro Simões.

O Teatro de Narradores trabalha sobre uma cena de matriz épica, na tentativa de elaboração poética de aspectos de nossa experiência social, tomando como base para o levantamento e a produção dos materiais, o modo como nos inscrevemos na vida da cidade. Trata-se de produzir experiências que permitam potencializar encontros, ao mesmo tempo em que se busca uma investigação sobre temas e formas. É do cruzamento entre teoria e prática, ou mesmo do trânsito entre um momento e outro, que o grupo deseja dar campo ao seu fazer.

Já recebeu indicações ao Prêmio Shell e foi premiado pela Cooperativa Paulista de Teatro, na categoria “espetáculo realizado em espaço não convencional”, pelos espetáculos Cidade Desmanche (2011) e Cidade Fim Cidade Coro Cidade Reverso (2012).

Vila Itororó Canteiro Aberto
arq_50889A Vila Itororó começou a ser construída no início do século XX. Há décadas, ela coloca em disputa concepções divergentes de cidade, cultura e público. Tombada por seu valor como patrimônio, a Vila foi decretada de utilidade pública e desapropriada, a maior parte da população que ali morava foi realojada em habitações sociais da região central. O projeto Vila Itororó Canteiro Aberto funciona no meio das obras de restauro e pretende ser um lugar de redefinição e experimentação coletiva do futuro daquele espaço.
9c4e329f5622629c612fcab3359c1b1dCom sua arquitetura sem arquiteto, seu estilo eclético e suas diversas ondas de moradores, a Vila Itororó conta múltiplas histórias e traz à tona narrativas, muitas vezes esmagadas, de uma São Paulo popular e misturada – social e culturalmente. Um dos principais desafios do projeto é conseguir contar essa história sem as representar, ou seja, sem as transformar em algo distante e engessado, mas as articulando com as urgências contemporâneas pelas quais a cidade passa.
Acolher a peça Cidade Vodu é uma maneira de criar fricções entre as múltiplas histórias da Vila Itororó e os movimentos migratórios contemporâneos. Esses movimentos estão mudando as feições da cidade. Porém, imigrantes e refugiados são silenciados e suas lutas diárias tornadas invisíveis. Dando voz aos próprios refugiados haitianos, Cidade Vodu traz essas questões para as luzes do palco, ao invés de representar a vida dessa população recém-chegada. Lembramos, assim, das tantas camadas, muitas vezes violentas e apagadas, que constituem a base da formação de São Paulo de Piratininga” (Fábio Zuker).
Cidade Vodu
Com Renan Tenca Trindade, Teth Maiello. Atores convidados: Joel Aurilien, Junior Odnel Barthelemy, Patrick Dieudonne, Roselaure Jeanty
Vila do Itororó (Rua Pedroso, 238 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 150 minutos
24/03 até 15/05
Quinta, Sexta, Sábado e Domingo – 19h30
Recomendação 16 anos
Entrada gratuita (Ingressos são distribuídos uma hora antes de cada sessão. Em caso de chuva meia-hora antes da peça, a apresentação será suspensa)
 
Criação: Teatro de Narradores
Dramaturgia e encenação: José Fernando de Azevedo
Direção musical: Helio Flanders
Músicos em cena: Helio Flanders, Dumoulin Louis Edvard, Joel Aurilien, Wilken Pierre Louis
Arquitetura e espaço cênicos: Arianne Vitale, Cris Cortílio
Figurino: Kabila Aruanda
Desenho de luz: Rafael Souza
Desenho sonoro: Leandro Simões
Vídeo: Danilo Gambini, Patrick Dieudonne
Coordenação de produção: Melissa Campagnoli
Preparação vocal: Mônica Montenegro
Preparação corporal: Tarina Quelho
Colaboração teórica: Alex Calheiros, Artur Kon, Christian Dunker, Omar Ribeiro Thomaz, Paulo Arantes, Silvio Rosa Filho
Residência artística: Cristian Duarte
Assistente de direção: Melissa Campagnoli
Direção de cena: Victor Gally
Assistente de figurino: Mário Deganelli
Assistente de desenho de luz: Denis Kageyama, Rebeca Konopkinas
Operação de luz: Denis Kageyama, Rebeca Konopkinas
Assistente de vídeo: Frederico Peixoto de Azevedo
Assistente e operador de som: Cauê Andreassa
Assistente de cenografia: Thiago Bortolozzo
Montagem de cenografia: Tiago Salis
Contrarregra: Pedro Pedruzzi
Assistentes de produção: Bruna Lima, Hiago Marques
Secretaria e administração: Mônica Azevedo
Colaboração durante o processo: Lucienne Guedes Fahrer
Acompanhamento: Anaïs Surya, Pedro Pedruzzi
Realização: Teatro de Narradores

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