IT ON IT

Um dos espetáculos mais festejado por público e crítica do teatro brasileiro volta a São Paulo para curta temporada. In On It, montagem do texto do canadense Daniel MacIvor, (autor de A Primeira Vista e Cine_Monstro, também encenados por Diaz), recebeu o Prêmio SHELL de Melhor Diretor e Melhor Ator (para Fernando Eiras) e APTR de Melhor Espetáculo, Melhor Diretor e Melhor Ator (para Fernando Eiras e Emílio de Mello).

Uma sensação de mistério permeia In On It, peça teatral escrita para dois atores em uma narrativa em espiral. Um homem escreve uma peça sobre alguém que sofre um acidente, dois amantes vêem seu amor terminar, e dois homens contam esta história. Dez personagens ganham vida na pele de Emilio e Fernando. A estrutura metalingüística encaminha a trama para um final surpreendente.

É um exercício, um jogo de dois, uma trama de cenas. Quando vi a peça em Nova Iorque, anos atrás, me pareceu imediatamente interessante: alguma coisa incompleta, mas que seduzia pela maestria no jogo dos níveis de interpretação e pela metalinguagem. Dois atores, atuações complexas e um universo poético muito sensível. Anos mais tarde, fui com Ensaio.Hamlet para o Under The Radar Festival, festival de artes onde o Daniel MacIvor se apresentou no ano seguinte. A partir daí comecei a costurar a possibilidade de montar a peça no Brasil.” conta o diretor Enrique Diaz.

Três camadas são apresentadas e fundidas durante o espetáculo: a peça (escrita por um dos personagens); o espetáculo, e o passado.  A peça é a historia de Ray, que acontece com um estilo mais teatral, do que os outros dois planos. O espetáculo é o que acontece “aqui e agora” – o presente – consiste principalmente na discussão entre os dois personagens (“Este aqui” e “Aquele ali”) acerca da peça e seu desenvolvimento e a relação entre eles. O passado fala de como a relação entre os dois personagens principais se iniciou e se desenvolveu.

Há um acidente de carro envolvendo um Mercedes azul. O carro parece ter sido jogado para a outra pista, sem motivo aparente. “Esse aqui”, com a ajuda de “Aquele ali” representa as cenas de uma peça que ele escreveu sobre Ray, que supostamente dirigia o Mercedes azul. Ray fora informado pelo médico que sofria de uma doença grave. “Esse aqui” e “Aquele ali”, os dois personagens centrais, comentam as cenas, que envolvem ainda a mulher, o filho e o pai de Ray, e vão descobrindo implicações de suas vidas pessoais na obra escrita por “Esse aqui”.

A historia é a base do que acontece em cena, mas não necessariamente tem que ser entendida de forma exata pelo público. O autor diz isso no texto de apresentação. O público é convidado a compor a historia que quiser ou puder”, esclarece Diaz.

A concepção de cenário é desnudar o teatro, deixando-o com as paredes descobertas usando apenas duas cadeiras. A ambientação é indicada por uma iluminação diferente para cada “realidade”. Os únicos objetos de cena são: duas cadeiras, um casaco esportivo cinza, um lenço e um molho de chaves.

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It on It
Com Fernando Eiras e Emílio de Mello
Teatro Jaraguá – Novotel Jaraguá (Rua Martins Fontes, 71. Bela Vista, São Paulo)
Duração 90 minutos
06/04 até 30/06
Quarta e Quinta – 21h
Recomendação 16 anos
$60

 

 

ESPERANDO GODOT

Dramaturgo e escritor irlandês, Samuel Beckett é considerado um dos principais escritores da história em todo o mundo. Como legado, deixou textos teatrais, novelas, poesias, romances e até mesmo dramatizações para o rádio.

Suas obras eram marcadas pela crítica bem humorada à sociedade e principalmente à modernidade, o que fez dele um dos criadores do Teatro do Absurdo. Em 1952 publicou a peça teatral que se tornaria sua obra prima: Esperando Godot.

Nessa encenação, o diretor Léo Stefanini mergulha no universo do absurdo utilizando modernos recursos multimídia combinados com as mais antigas técnicas do jogo cômico. Léo busca no consagrado e fantástico texto de Beckett a singeleza dos personagens, resultando num espetáculo lúdico. “O que esperar em um momento em que as ilusões parecem escassas, em que as utopias fenecem. Há uma luz no fim do túnel. Esperamos por Godot. E quando ele chegar estaremos salvos“, afirma o diretor.

Tradutor da montagem, o Doutor em Letras e Professor de literatura na USP, crítico literário e pesquisador da obra de Beckett, Fábio de Souza Andrade afirma que “desconcertante e plural, a obra de Samuel Beckett foi decisiva para a reinvenção da arte moderna”.

É impossível falar de Esperando Godot e não citar uma das maiores atrizes brasileiras de todos os tempos: Cacilda Becker. Considerada um mito, de valor inestimável à memória do teatro brasileiro, a atriz tem em sua trajetória montagens históricas.

Cacilda BeckerPortanto, em sua homenagem o figurino que a atriz usou na histórica montagem de Flávio Rangel estará em exposição no saguão do Teatro. Esperando Godot foi montado com Cacilda no papel de Estragon, ao lado de seu marido Walmor Chagas e de seu filho Luís Carlos Martins.  Em 6 de maio de 1969, durante uma apresentação da peça, sofreu um derrame cerebral em conseqüência do rompimento de um aneurisma e foi encaminhada ao hospital ainda com o figurino do personagem que representava. Faleceu aos 48 anos, depois de 38 dias em coma no Hospital São Luís, em São Paulo.

O primeiro diretor de Cacilda Becker foi Pascoal Carlos Magno que, coincidentemente, empresta seu nome à sala que acolherá nossa montagem.

Esperando Godot
Com Ary França, Fábio Espósito, Fernando Paz e Eugênio La Salvia, Gregório Musatti
Teatro Sergio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 90 minutos
05 até 28/04
Terça, Quarta e Quinta – 19h30
Recomendação 12 anos
$50
 
TEXTO: Samuel Beckett
TRADUÇÃO: Fábio de Souza Andrade
DIREÇÃO: Léo Stefanini
ASSISTÊNCIA DE DIREÇÃO: Giovani Tozi
DIREÇÃO MUSICAL E TRILHA ORIGINALMENTE COMPOSTA: Rafael Faustino
MÚSICA AO VIVO: Rafael Faustino, Fernando Paz e Eugênio La Salvia
CENOGRAFIA: Ricardo Masseran
FIGURINO: Letícia Barbieri
DESENHO DE LUZ: Pedro Garrafa
ILUSIONISMO: Cláudio Grassi
ARTE GRÁFICA: Giovani Tozi
FOTOGRAFIA: Paulo Emílio Lisboa
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Morente Forte Comunicações
ADMINISTRAÇÃO: Adriana Grzyb
PRODUÇÃO: Giovani Tozi, Adriana Grzyb e Léo Stefanini
REALIZAÇÃO: Cora Produções

O SEMEADOR

Na busca por um tema verossímil, que levasse o público a uma reflexão do atual momento em que vive a humanidade no que diz respeito à educação, valores sociais, choque de gerações, abandono e dissolução familiar, Gabriel Chalita apresenta a peça O Semeador, que traz as visões de dois professores de gerações diferentes sobre como encarar a vida e suas dificuldades.

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Preparado para mais uma solitária noite de Natal, o professor aposentado Rodolfo, enquanto mantém a esperança de que seu filho apareça para a Ceia, recebe a visita inesperada de Paulo, seu ex aluno, vizinho e também professor, que se dispõe a fazer companhia ao velho mestre.

Paulo instaura um debate sobre relacionamentos e sobre a condição humana e consegue levar Rodolfo ao reencontro de seus verdadeiros sentimentos e opiniões que estavam escondidos, há anos, debaixo de uma casca endurecida pelas amarguras.

Eles estabelecem um diálogo permeado pelas angústias, desejos e inquietações do ser humano. A conversa intensa e profunda entre os dois revelará segredos que ambos escondiam.

Chalita afirma ser grato por ter abraçado o ofício de professor. “Esta peça nasceu do desejo de partilhar o que aprendi com os meus professores e com o meu professar nas salas de aula em que tenho a oportunidade de estar. Uma homenagem aos professores. Uma homenagem à prosa dos que se permitem prosear, ao enlaçar das mãos, ao caminhar juntos”, conclui o autor.

Com esta peça, o diretor Hudson Glauber tem a intenção de resgatar valores do ser-humano, que se perderam ou estão se perdendo ao longo do tempo por conta do mundo em que vivemos. “A peça aborda a solidão e como ela pode ser superada, trazendo um sopro de esperança jornada adentro.

O Semeador
Com Flavio Galvão e Antonio Motta
MuBE Nova Cultural (Avenida Europa, 218 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 70 minutos
18/03 até 05/06
Sexta e Sábado – 21h30; Domingo – 18h 
Recomendação 12 anos
$20 
 
Autor Gabriel Chalita
Diretor Hudson Glauber
Co Diretor Josemir Kowalick
Cenógrafo Chico Spinosa e Kimiko Kashiwaya
Figurinista Ligia Breternitz
Iluminador Rodrigo Alves (Salsicha)
Trilha Sonora Fábio Sá
Diretor de Produção Daniel Torrieri Baldi
Produtor Executivo Gabriel de Souza
Preparadora Corporal Leo Sgarb
Assistente de Produção Marcelo Santiago
Administrador Maristela Bueno
Assessoria de Imprensa Morente Forte
Designer Gráfico e Fotógrafo Francisco Junior
Realização Seta Produções
Co-Produção Desembuxa Entretenimento

 

CADERNOS DE TEATRO – O TABLADO

mariaclaramachadoA escola carioca de teatro “O Tablado” comemora seus 65 anos de atividade. Fundada em 1951, pela escritora e dramaturga Maria Clara Machado, com um grupo de amigos de seu pai, Aníbal Machado. O Tablado é referência na formação de atores, diretores, figurinistas, cenógrafos e iluminadores.

A primeira peça produzida foi “O Moço  Bom e Obediente“, com tradução da escritora Cecília Meirelles. Outra peça muito famosa da escola é a montagem de “Pluft, o Fantasminha“.

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Já passaram pelos bancos e palcos da escola mais de 5 mil alunos, entre eles,  Marieta Severo, Rubens Corrêa, Cláudio Corrêa e Castro, Miguel Falabella, Malu Mader, Louise Cardoso, Sura Berditchevski, Jacqueline Laurence, Drica Moraes, entre tantos outros.

 

Cadernos_Teatro_Tablado_4_variosCinco anos após a sua abertura, foi lançada a revista “Cadernos de Teatro“, tendo como diretora responsável Maria Clara Machado, redatores Julia Pena da Rocha, Rubens Correa, Sonia Cavalcanti, Vera Pedrosa. Eddy Rezende na tesouraria e Anna Letycia, responsável pela composição gráfica. As publicações contavam com o apoio do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura, ligado à UNESCO.

O objetivo dos Cadernos de Teatro sempre foi disponibilizar informações relativas às artes cênicas para todo o Brasil, fornecendo material teórico para pequenos grupos amadores e atores iniciantes, principalmente aqueles que estavam longe das capitais.

Ao longo de todos esses anos de publicação, com mais de 150 números, os Cadernos de Teatro contaram com a contribuição de muita gente importante: de patrocinadores a editores e contribuidores. Virginia Valli, Bernardo Jablonski, Lionel Fischer e Ricardo Kosovski merecem destaque por terem assumido este importante projeto cultural por um longo período.

E você pode acessar o conteúdo – em pdf – desde o primeiro número através do link – “Cadernos de Teatro“. Uma forma de se atualizar nas artes cênicas.

VOCÊ VIU…

que a peça “Histeria“, de direção e versão de Jô Soares, estreia dia 30 de abril no Teatro Tuca?

O texto original é do dramaturgo britânico Terry Johnson, que mostra o encontro do psicanalista Sigmund Freud com o pintor Salvador Dali, ocorrido em  1938, em Londres. Nos papeis brasileiros, temos Antonio Petrin vivendo o pai da piscanálise, e Cassio Scapin, o pintor espanhol. Completam o elenco os atores Milton Levy e Erica Montanheiro.

E Jô espera estrear no segundo semestre, o texto de ShakespeareTrólio e Créssida“, uma peça que se passa durante a Guerra de Troia.