SALOMÉ

Dando voz e poder às mulheres e unindo a plasticidade do corpo, o espetáculo solo Salomé está em cartaz na Casa da Luz, centro de São Paulo. A montagem conta com atuação de Glamour Garcia e direção do português Alexandre Magno. A dupla procurou trazer um novo desdobramento da história clássica de Salomé, apontada como a responsável pela execução de João Batista no Novo Testamento.

Por meio do ocultismo e da força do empoderamento feminino, a trama mostra a protagonista realizando um feitiço com o objetivo de ressuscitar João Batista e trazer um novo embate, um acerto de contas que reflete sobre o lugar da mulher no mundo. O solo questiona a marginalidade que a personagem histórica ocupou em mais de dois mil anos.

IMG_9980  Dudu QuintanilhaDurante a criação, a atriz e o diretor tiveram um mosaico de influências: a peça de teatro homônima de Oscar Wilde (1893); o conto Herodias de Gustave Flaubert; a ópera Salomé de Richard Strauss (1905). O espelhamento direto veio também da dançarina americana Gertrude Hoffman (1885–1966). Uma mulher que enfrentou a repressão por suas coreografias ousadas para o início do século XX. No cinema, a inspiração é pela persona de Norma Desmond, personagem de Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950), que pretendia se reafirmar nas telas após o ofuscamento de sua era de ouro. Seu plano era voltar com um novo longa, e claro, seria uma adaptação de Salomé.

A personagem é um arquétipo, possui uma força cultural e uma representatividade do feminino. Sabe o seu lugar. O solo é como se fosse a história de muitas mulheres, é uma forma de dar voz à todas elas, ir além da beleza, maternidade. Vejo em Salomé muitos preconceitos deterministas que a desumanizaram, tornando-a um monstro que deve ser combatido. Porém, enxergo ela como uma criatividade pulsante de viver e uma expressão dos anseios feministas e delirantes. É uma forma de transmitir ao mundo minha inconformação real com a falta de magia e a sensibilidade de toda nossa existência”.

O diretor ressaltou a metalinguagem existente na concepção deste trabalho. “A montagem foi levantada sem editais ou quaisquer patrocínios, a criação foi calcada somente na vontade fazer. Um diálogo com a própria Salomé que não se encaixa no meio patriarcal com sua rebeldia. É um trabalho onde pensamos em um software assimétrico, por tal, dinâmico e aperfeiçoável. Uma direção que se dá em work in progress, uma criação com buracos de tempo e espaço, que quando trabalhados no processo, encontram-se perguntas, e aí, a prática de respondê-las, por meio da intuição sensível”.

Nos palcos, Glamour Garcia caminha por uma linguagem entre a dança e o teatro em uma performance com ênfase no ato poético. A cenografia traz um aspecto de teia de aranha. Uma simbologia ambígua de aprisionamento e libertação se misturam em cena. Todos os adereços cênicos enfatizam o aspecto intimista e ritualístico de toda a mise-en-scène.

Alexandre Magno destacou os pilares que envolvem a Salomé do espetáculo: “Velha com espírito adolescente repousada no chão, queria estar em outro lugar, viver novas experiências, deitada para sempre, mais uma história, página por página, quanto tempo passou desde que era menina? Uma personagem comum, em contínua empatia pela trama, tomada pelo desejo irresistível, pela necessidade da monstruosidade da figura, da energia, da pele. A emersão da porção mágica, para perfumar de pensamentos a cabeça de João Batista, De Deus, do Homem”.

 

Salomé
Com Glamour Garcia.
Casa da Luz (Rua Mauá, 512 – Centro, São Paulo)
Duração 40 minutos
08/04 até 22/05
Quinta, Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
Recomendação 14 anos
Entrada gratuita
 
Direção: Alexandre Magno. 
Cenografia: Rebecca Salloker. 
Figurino: Gustavo Silvestre. 
Beleza: Carlos Rosa. 
Foto: Dudu Quintanilha. 
Produção: Mariana Castilho
Assessoria de Imprensa: Corleone Assessoria de Imprensa

MARIA QUE VIROU JONAS OU A FORÇA DA IMAGINAÇÃO

Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação, décima criação da Cia. Livre, volta ao cartaz para mais oito apresentações gratuitas, no mês de abril na SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt.

Resultado de um ano de pesquisa da Cia. Livre (projeto contemplado pela 24ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo e pela 2ª Edição do Prêmio Zé Renato), Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação teve sua temporada de estreia no SESC Belenzinho, de 19 de Fevereiro a 15 de Março, seguida de ocupação no Teatro da Universidade de São Paulo – TUSP, de 26 de Março a 19 de Abril de 2015 (com temporada do espetáculo e realização dos “Encontros Transvestidos”, ciclo de debates sobre temas do espetáculo) e mais seis apresentações em dezembro de 2015, na Oficina Cultural Oswald de Andrade.

Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação é a recriação teatral do caso de Germain Garnier, jovem habitante da cidade de Vitry, na França do século XVI, que até os 15 anos viveu como Marie, mudou sua identidade e passou a ser aceito socialmente como homem, em decorrência da saída do membro masculino de seu ventre, após o esforço de abrir as pernas ao saltar uma vala.

O caso Marie-Germain, como ficou conhecido, foi primeiramente relatado nas obras do filósofo francês Michel de Montaigne, Ensaio XXI – A Força da Imaginação (Essais, 1595) e em Des Monstres et dês Maerveilles, publicado pelo cirurgião Ambroise Paré, em 1537.

Além dos escritos de Montaigne, mote para a criação de Maria que Virou Jonas ou A Força da Imaginação e do livroInventando o Sexo do historiador e sexólogo Thomas Laqueur (1945), a Cia. Livre utilizou como suporte reflexões de pensadores contemporâneos como Beatriz Preciado e Judith Butler, sobre o movimento queer (A teoria queer, grosso modo, critica as classificações sociais da psicologia, da filosofia, da antropologia e da sociologia tradicionais, baseadas habitualmente na utilização de um único padrão de segmentação — seja a classe social, o sexo, a raça ou qualquer outro — e defende que as identidades sociais se elaboram de forma mais complexa e flutuante), críticas aos papeis sociais e hierarquias de gênero, transitoriedades, pluralização de corpos e identidades. Foram estudados também textos de dramaturgia que tratam de travestismos e de personagens que trocam de sexo; enquanto conversas com dramaturgos contemporâneos trouxeram propostas de enredos e roteiros, além da investigação de campo sobre a experiência de transgêneros, travestis, intersexos e hermafroditas, assim como sobre a luta da militância das causas LGBTQ e de direitos humanos.

O processo de criação do espetáculo deu origem ao texto “A Força da Imaginação”, escrito por Cassio Pires, especialmente para a Cia.Livre. O espetáculo conta ainda com inserções de autoria dos atores, dialogando com a peça de Cássio

Num jogo de metateatro, os atores Lúcia Romano e Edgar Castro vivem, respectivamente, Neo Maria e Jonas Couto, personagens-atores transexuais que estão montando a peça A Força da Imaginação. Através das histórias de Ele e Ela (personagens da peça de Cássio), vividos por Neo Maria e Jonas, são trazidos a tona os conflitos com o discurso hegemônico sobre identidade e diferença; o que conduz à discussão sobre os limites entre representação, fantasia, teatralidade, aparência e verdade. Revelando a construção social dos papéis de gênero, Neo Maria e Jonas Couto se revezam na interpretação de Ele e Ela, a cada sessão, de acordo com a escolha do público.

A peça de Cássio Pires apresenta um jogo de transformação muito claro, mesmo abordando o problema complexo das identidades. Ao lado dela e dialogando com a narrativa, criamos cenas de camarim que levantam questões contemporâneas sobre a experiência de homens e mulheres em torno do gênero e sexo”, explica Edgar Castro.

Para os integrantes da Cia. Livre, “o emprego de um texto filosófico como disparador da montagem oferece para o teatro outras textualidades, diversas do modelo tradicional dramático, tais como a narrativa épica e a voz lírica. Cássio Pires, em parceria com a Cia. Livre, torna esta versão da história de Marie-Germain polifônica, posicionando a disputa de pontos de vista como gênese da discussão e ressaltando ora o cômico, ora o trágico, sempre combinando o prosaico e o poético, o ridículo e o grandioso”.

Lúcia Romano destaca que “a Cia. Livre parte do entendimento de que não existe alinhamento entre gênero, identidade, opção sexual e comportamento sexual. Esse alinhamento não deveria ser tomado como natural.” Cibele Forjaz completa: “Eu posso ser uma mulher que escolhe ser ou viver como homem e que namora uma mulher. Ou um homem. E essa é uma mudança social e cultural que precisa ser tratada pelo teatro, onde a questão da representação é central”.

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Maria que Virou Jonas ou A Força da Imaginação
Com Edgar Castro e Lúcia Romano
SP Escola de Teatro (Praça Roosevelt, 210 – Centro, São Paulo)
Duração 105 minutos
05 a 27/04
Terça e Quarta – 21h
Recomendação 16 anos
Entrada gratuita (Retirada de ingressos com meia-hora de antecedência no local.)
 
Dramaturgia: Cássio Pires
Direção: Cibele Forjaz
Direção de Movimento: Lu Favoreto
Cenografia: Márcio Medina
Figurinos: Fabio Namatame
Luz: Rafael Souza Lopes
Direção Musical: Lincoln Antonio
Sonoplastia: Pepê Mata Machado
Treinamento Vocal para Canto: Andrea Drigo.
Produção: Cia. Livre e Centro de Empreendimentos Artísticos Barca
Assessoria de Imprensa: Ofício das Letras

 

OJU ORUM

Tendo como elemento disparador o mito da negra Anastácia (cujo nome verdadeiro seria Oju Orum), o espetáculo apresenta a história de quatro mulheres (Anastácia, Alice, Alzira e Anita), em quatro períodos históricos distintos. Em comum, elas tem o fato de serem mulheres que, em algum momento de suas trajetórias, experienciaram algum tipo de violência, seja ela simbólica ou não. Caladas em suas falas e corpos, essas jovens procuram construir uma voz que lhes permita questionar e ressignificar suas vidas. O espetáculo estreou no mês de outubro de 2015 na Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho, no Ipiranga, fez apresentações esporádicas e agora retorna ao cartaz em temporada no Centro Cultural São Paulo.

A montagem tem como base de sua pesquisa elementos da cultura africana e afro-brasileira, tais como a Capoeira Angola, o Samba, o Funk e as Narrativas Orais, além das muitas versões da história da negra Anastacia trazida ao Brasil como escrava. Paralela à esta pesquisa, o Coletivo Quizumba realizou uma série de Núcleos de Investigação no distrito do Jabaquara, recolhendo histórias de mulheres de diferentes idades e regiões do Brasil.

Um dos grandes desafios de Johana Albuquerque, diretora convidada para dirigir este projeto do grupo,  foi transformar a extensa e profunda pesquisa de campo realizada pelo Coletivo Quizumba em imagens poderosas e construir uma linguagem que pudesse cativar o público jovem. OJU ORUM vem tratar de inúmeros temas e episódios que perpassam a vida cotidiana da adolescência de meninas e meninos (questões de gênero, sexualidade, relação familiar e amor). “O meu trabalho consistiu em selecionar todo um universo de informações que o grupo trouxe de suas pesquisas e sintetizar o que de melhor havia nas histórias, transformando esse material em algo poético e belo”, explica Johana.

A diretora conta como a pesquisa do Coletivo Quizumba foi levada para a cena. “Os aspectos da cultura africana e afro-brasileira encontraram na dança, nas músicas e canto um lugar de extraordinária expressividade. Esses elementos fazem parte do repertório e talento do Coletivo Quizumba desde a sua fundação em 2008.

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Quatro vozes que tentam ser ouvidas      

A inspiração para as histórias e construção da dramaturgia vieram das pesquisas que o grupo realizou em parceria com diversas Ongs do bairro do Jabaquara. A história da negra Anastácia (cujo nome verdadeiro seria Oju Orum) possui muitas versões sobre sua origem: há relatos de que ela teria sido uma princesa africana trazida à força para o Brasil. Outras fontes dão conta de que ela teria nascido aqui mesmo, em terras tupiniquins, mas teria uma ascendência real. Qualquer que tenha sido o local exato do seu nascimento, todas as versões concordam em afirmar que, apesar do contexto histórico de escravidão em que estava inserida, Anastácia/Oju Orum se levantou como uma voz que não se conformava com o destino que lhe haviam traçado. Em alguns lugares do país, ela é cultuada como santa popular até os dias de hoje.

Há ainda as histórias de outras três mulheres: Alice, uma adolescente que acabou de virar “mocinha”, vive com o pai no sertão nordestino do início do século passado. Ela busca a todo custo encaixar-se nos  paradigmas do que é ser uma mulher em seu tempo. Na década de 70 temos Alzira, uma mineira, com ideias e anseios na contra-mão do esperado, desejos que não cabiam na cidadezinha onde nascera. Grávida, ela se muda para o Rio de Janeiro sozinha e tentará contar ela mesma a sua história. O enredo se completa com Anita, uma jovem contemporânea, moradora da periferia de São Paulo. Conectada como qualquer adolescente hoje em dia, Anita está ainda descobrindo sua sexualidade e tem o sonho de construir uma casa para a família. Sua história dá uma reviravolta quando uma self íntima vaza nas redes sociais.

O espetáculo não pretende trazer uma versão da mulher como vítima, e sim como ser histórico, trazendo à tona histórias de mulheres comuns, suas vivências, experiências e lutas. “Buscamos narrativas que vão para além da história hegemônica que impõe, em geral, a perspectiva masculina, heteronormativa, adulta, branca e urbana”, – fala o dramaturgo Tadeu Renato.

Oju Orum
Com Camila Andrade, Jefferson Matias, Kenan Bernardes/Jorge Peloso, Thais Dias, Doralice Odilia e Valéria Rocha.
Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo)
Duração 95 minutos
05/04 até 31/05
Terça e Quarta – 20h
Recomendação 14 anos
$15
 
Encenação – Johana Albuquerque.
Dramaturgia – Tadeu Renato.
Assistente de Direção – Sofia Botelho.
Direção e Concepção Musical– Jonathan Silva.
Músicos – Bel Borges e Melvin Douglas/Bruno Lourenço.
Orientador de Pesquisa – Salloma Salomão.
Cenografia– Julio Dojcsar (Casadalapa).
Figurinos – Éder Lopes.
Adereços – Brincante Claydson Catarina.
Iluminação – Wagner Antonio.
Preparadora Musical– Bel Borges.
Preparação corporal e treinamento em Capoeira Angola – Pedro Peu.
Direção de Movimento – Verônica Santos.
Documentarista– Alicia Peres.
Designer Gráfico – Murilo Thaveira (Casadalapa).
Produção Executiva – Ana Flávia Rodrigues e Patrícia Torres.
Realização – Coletivo Quizumba.
Assessoria de Imprensa – Ofício das Letras

 

A MACIEIRA

Após lenz, um outro (2014), peça criada a partir da novela Lenz, de Georg Büchner, o coletivo 28 Patas Furiosas estreiou seu novo espetáculo A MACIEIRA no Centro Cultural São Paulo. Com uma pesquisa calcada no imaginário da obra de Herta Müller, escritora romena vencedora do Prêmio Nobel em 2009, a montagem conta com encenação de Wagner Antônio – diretor do grupo – e texto de Tadeu Renato.

O coletivo originado em 2011 cria a partir da experimentação da linguagem teatral, baseada principalmente na presença do ator e a sua relação com o espaço cênico. Desde sua formação, o 28 Patas Furiosas trabalha regularmente no Espaço 28, sede do grupo localizada na zona sul de São Paulo. O grupo busca em obras literárias matrizes para a investigação de novos universos, voltados para a criação de uma dramaturgia autoral. Para o segundo espetáculo do grupo, foi o capítulo A Macieira presente no livro O Homem é um Grande Faisão no Mundo, de Herta Müller, que inspirou e deu nome à peça.

Neste capítulo é narrada a situação que deu origem ao argumento da peça: em um vilarejo, uma macieira que come os seus frutos é incendiada pelas autoridades locais. O mito inventado pelo 28 Patas Furiosas se desenvolve a partir daí: o fogo consumiu a árvore por 30 anos e desde que se apagou, toda a vila começou a se mover rumo ao oceano. Diante do deslocamento, os habitantes se encontram na urgência por uma ação: partir ou ficar. Nasce daí a pergunta chave do projeto: como criar novas possibilidades de existência em uma terra instável?

Espaço Cênico e Dramaturgia

crédito_Helena Wolfenson (7)A encenação de Wagner Antônio está apoiada na ação do ator no espaço. Ele explica que luz e cenário se confundem e podem ser vistas como uma escultura a ser manipulada pelos atores e atrizes. “No palco temos sete pessoas em ação contínua com uma diversidade de elementos materiais. A ideia é ver o espaço em deslocamento constante a partir do jogo teatral. Tudo está exposto do início ao fim, inclusive a operação de som e luz que é feita por um dos atores em cena.”

O espaço cênico, que a principio também pode ser visto como uma instalação, se transforma radicalmente ao longo das cenas, o que vai ao encontro do principal eixo temático do projeto: o deslocamento. “Como iluminador, sempre busco nos meus trabalhos uma dramaturgia visual que se desenvolva no espaço. Isso nos aproxima muito das artes plásticas como suporte de pesquisa”, explica.

Ele também diz que cenário, luz, som e texto foram construídos a partir das demandas criativas dos atores e das atrizes no espaço. “Atacamos a dramaturgia por várias vias e aos poucos a peça foi sendo construída. O fato de termos uma sede permite com que nossas pesquisas aconteçam de forma continuada e em constante processo e em dialogo direto com todos os elementos que constituem uma cena. Está tudo ali para ser experimentado do início ao fim”, diz.

Wagner explica ainda que A MACIEIRA é uma continuidade da investigação iniciada no espetáculo anterior, lenz, um outro, que retratava a trajetória de um poeta esquizofrênico. “No primeiro trabalho, a instabilidade estava centrada na idéia de sujeito. Em A MACIEIRA, falamos sobre o deslocamento de toda uma comunidade em direção ao oceano. É o desequilíbrio da natureza que faz com que as pessoas se transformem e olhem para os acontecimentos históricos com mais inventividade, para perceber que algo está morrendo e que é preciso criar novas possibilidades de vida”, afirma Wagner.

O grupo afirma que os espectadores não devem ir ao teatro esperando ver uma peça com um texto de Herta Müller. A MACIEIRA é o resultado do encontro entre o universo da autora e o universo do 28 Patas Furiosas.

 

A Macieira
Com Isabel Wolfenson, Marcus Garcia, Murilo Thaveira, Sofia Botelho e Valéria Rocha. Atores Convidados – Fernando Melo e William Simplício.
Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo)
Duração 90 minutos
15/04 até 22/05
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 20h
Recomendação 14 anos
$20
 
* Dia 22 de abril, sexta-feira, ingressos promocionais a R$ 3,00, vendidos somente na bilheteria do Centro Cultural São Paulo.
** Dia 7 de maio, sábado, excepcionalmente, não haverá espetáculo.
*** Dia 14 de maio, sábado, apresentação com tradução em libras.
**** Dia 15 de maio, domingo, haverá conversa com o artista plástico Guto Lacaz após o espetáculo, parte da ação Diálogos Instáveis, proposta pelo grupo.
 
Encenação, Iluminação e Cenografia – Wagner Antônio.
Texto – Tadeu Renato.
Dramaturgia – Tadeu Renato e 28 Patas Furiosas.
Composição Sonora – Júlia Teles.
Figurino – 28 Patas Furiosas.
Arte Gráfica – Murilo Thaveira.
Assistência de Direção – Laura Salerno.
Assistência de Iluminação e Cenografia – Marcus Garcia.
Produção – Isabel Wolfenson e Sofia Botelho.
Produção Administrativa – Isabel Wolfenson.
Direção de Produção – Laura Salerno.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta.

TERRA EM TRANSE

Considerado o mais importante e polêmico filme de Glauber RochaTerra em Transe (1967) segue para a terceira temporada paulistana, no Teatro Maria Della Costa, dando continuidade a temporada de três emanas na Funarte. 

A versão criada livremente pela Cia Bará estabelece conexão com a atualidade em uma linha condutora que pretende explorar a complexidade política, filosófica e artística do autor, priorizando imagens e musicalidades; marcas profundas e decisivas da obra de Glauber Rocha que contribuíram para a consolidação do Cinema Novo no Brasil.

Terra em Transe acompanhou mudanças, avanços e retrocessos políticos econômicos e sociais ao longo da história, sempre dialogando a necessidade das conjunturas do país às necessidades de rupturas e ao significado do ‘poder’, alimentado pelas vozes de suas respectivas multidões. Nessa peça vamos viver as inconstantes formas de poder político em torno de uma terra chamada El Dourado — sufocada pelo obscurantismo e pelo conservadorismo, buscando a possibilidade de fôlego através de um governo popular em tempos de ares não muito promissores”, diz Diego Gonzalez, diretor e responsável pela dramaturgia da peça.

Para transpor o filme para o teatro, corporificando-o e ritualizando-o, imergimos num trabalho de pesquisa que durou um ano, no qual procuramos evidenciar a importância de ‘Terra em Transe’ ao contribuir para a formação ideológica de toda uma geração nas décadas de 1960 e 1970. Uma compreensão mais ampla e clara dos conflitos que permeiam a história do Brasil e da América Latina”, completa Gonzales. 

A peça estreou na Sede Luz do Faroeste e permaneceu em cartaz entre agosto e setembro, de 2015.

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Sinopse                 

Em um país fictício dos trópicos, o poeta Paulo Martins, artista revolucionário com ideais anarquistas, luta por melhorias para o seu povo. O poeta vive a tragédia da decisão quando se percebe imerso na disputa de poderes entre o político populista Felipe Vieira e o seu antigo amigo, o senador fascista Don Porfírio Diaz, que com o apoio de empresas estrangeiras pretende aplicar um golpe de estado e submeter à nação a uma ditadura moralista.

O poeta precisa decidir entre manter a fidelidade àquele que foi seu amigo ou conspirar para derrubá-lo. Dividido entre seus deveres e compromissos e o amor que sente por Sara, professora idealista e ativista, ele deverá fazer escolhas que podem decidir o futuro de El Dourado frente às forças que disputam pelo poder.

Terra em Transe
Com Alcides Peixe, Aluado Ramoony, Irun Gandolfo, Flavio KaGe,
Wagner Tibério, Ruan Azevedo e Sophia Aloha
Teatro Maria Della Costa (Rua Paim, 72 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 100 minutos
01/04 até 04/06
Sexta – 21h; Sábado – 19h
Recomendação 16 anos
$10
 
Texto: Glauber Rocha
Direção e Dramaturgia: Diego Gonzalez
Cenário e Figurino: Cia. BARÁ
Iluminação: Ana Lúcia Ventura
Sonoplastia: Diego Gonzalez
Criação Sonora: Júlio Battesti
Fotografia e Filmagem:Zé Naklem
Vídeos: Camila Gomes
Assessoria de Imprensa: Ofício das Letras

 

4EVER – A ÚLTIMA NOITE

A peça “4Ever – A Última Noite”, com direção de Alan Moraes e texto de Luccas Papp, conta a última noite de quatro jovens formandos na república onde moram. Após os planos de cada um ir por água a baixo, Matheus, Fernando, Daniel e Diego acabam se despedindo da vida universitária discutindo os acontecimentos recentes de cada um e fazendo um balanço dos anos em que viveram juntos. 

De forma bem humorada e atual, o espetáculo propõe uma reflexão aos jovens sobre como pequenos atos impensados podem ter grandes consequências, como é possível adquirir valores e referências mesmo com pessoas de personalidades tão diferentes, além de mostrar que as relações com amigos, namoradas (os) e família podem nos marcar e nos mudar para sempre. 

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O projeto oferece aos jovens de 12 a 25 anos uma peça totalmente pensada neles, com temas e elementos pertinentes ao seu universo, e com texto inteligente. E para se comunicar com esse púbico, foram escalados atores que também são celebridades do mundo digital: Eric Surita, que interpretou Beto na novela Chiquititas do SBT, e apresentou a TV Globinho entre 2011 e 2012; Leo Picon, dono da grife Just Approve, que faz sua estreia nos palco, mas já é um fenômeno das redes sociais com mais de 900mil seguidores no Instagram; Luccas Papp, que apesar da pouca idade assina esse e vários outros textos além de ter atuado em diversas produções, sendo as mais recentes “Os Guarda-Chuvas” e “O Falcão Vingador”; Marcelo Arnal, que aos 13 anos desistiu do futebol profissional para se dedicar a arte. Recentemente fez participação em 18 capítulos na novela “Totalmente Demais” da Rede Globo além de ter estrelado mais de 150 filmes publicitários.

Para alegrar ainda mais os fãs e seguidores das personalidades digitais, a cada semana a peça terá uma convidada que irá interpretar um personagem surpresa. Os nomes serão revelados sempre às segundas-feiras que antecedem as apresentações.

Com temporada de apenas 1 mês, “4ever – A Última Noite” fica em cartaz até 1º de maio, aos sábados e domingos a tarde.

4Ever – A Última Noite
Com Eric Surita, Leo Picon, Luccas Papp e Marcelo Arnal
Teatro Santo Agostinho (Rua Apeninos, 118 – Liberdade, São Paulo)
Duração 60 minutos
02/04 até 01/05
Sábado – 17h30; Domingo – 18h
Recomendação 12 anos
$60
 
Direção: Alan Moraes
Texto: Luccas Papp
Assessoria de Imprensa: Márcia Stival

PORNOÁUDIO

A trama é uma comédia do absurdo ao mostrar um embate entre as escolhas cotidianas e os impulsos amorais do corpo e dos desejos por meio de dois núcleos: o primeiro envolve uma ex-atendente de telesexo, um homem e um homem-cachorro. O segundo traz um casal à espera de um filho com uma vida bem tradicional, que valoriza o crescimento profissional, a construção de um lar com crianças, a compra da casa própria.

Em cena, o que queremos e o que podemos está implícito nas ações de cada personagem. Todos dizem uma coisa e fazem outra, é como se o desejo e a vontade estivessem sempre camuflados sob um verniz social, mas sempre a ponto de explodir. Existe uma libido velada, latente e pulsante por baixo do que aparentam ser. O encontro entre os dois lados é o que interessa como ação, pois eles personificassem um enfrentamento entre o socialmente aceito e aquilo que transgride”, conta Teresa Borges.

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A comédia é inserida em todos os aspectos gritantes e exagerados da montagem. Até o próprio trabalho dos atores transitam entre o realismo e o grotesco. A concepção de direção procurou reunir uma multiplicidade de criações entre todos os profissionais envolvidos no processo da peça. Os elementos cenográficos e figurino ganham um tratamento do absurdo para dialogar com o teor do texto. Mesmo com essa característica, não se trata de fantasia, é a interpretação do mundo.

Segundo a diretora, a inspiração para a dramaturgia veio por meio de experiências do cotidiano. “Me inspirei em uma época da minha vida em que eu transitava em dois mundos opostos, onde eu via esta contradição existente nos lugares que frequentava. De um lado, à luz do dia, o mundo do trabalho, da escola, das pessoas indo e vindo atarefadas e cercando-se das razões práticas para gerir suas vidas. De outro, à noite, frequentando locais mais boêmios, no mundo daqueles que estão em busca de algo que vá além desta “normatização” do viver, uma realidade com ânsia pela loucura, pela insensatez”.

Cia do Escombro leva esse nome porque pretende no seu percurso lidar com propostas artísticas que tenham o desmantelamento e o desmanche como foco de interesse. O escombro que fica após o ápice de tudo, dos valores, dos relacionamentos, das tradições, aquele momento em que o edifício moral desabou e sobra tempo antes da faxina e da reconstrução para refletir sobre a condição humana.

Pornoáudio
Com Almir Rosa, Hevelin Gonçalves, Camilo Schaden, Priscilla Carbone, Rui Xavier
Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)
Duração 90 minutos
11/03 até 29/04
Sexta – 21h
Recomendação 16 anos
$40
 
Dramaturgia e direção: Teresa Borges
Assistente de direção: Daniel Aureliano
Direção de Arte, Cenário e Luz: André Monteiro Pato
Figurino: Éder Lopez
Trilha Sonora:  Eduardo Padovan
Assessoria de Imprensa: Corleone Assessoria de Imprensa Cultural