MARIA QUE VIROU JONAS OU A FORÇA DA IMAGINAÇÃO

Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação, décima criação da Cia. Livre, volta ao cartaz para mais oito apresentações gratuitas, no mês de abril na SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt.

Resultado de um ano de pesquisa da Cia. Livre (projeto contemplado pela 24ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo e pela 2ª Edição do Prêmio Zé Renato), Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação teve sua temporada de estreia no SESC Belenzinho, de 19 de Fevereiro a 15 de Março, seguida de ocupação no Teatro da Universidade de São Paulo – TUSP, de 26 de Março a 19 de Abril de 2015 (com temporada do espetáculo e realização dos “Encontros Transvestidos”, ciclo de debates sobre temas do espetáculo) e mais seis apresentações em dezembro de 2015, na Oficina Cultural Oswald de Andrade.

Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação é a recriação teatral do caso de Germain Garnier, jovem habitante da cidade de Vitry, na França do século XVI, que até os 15 anos viveu como Marie, mudou sua identidade e passou a ser aceito socialmente como homem, em decorrência da saída do membro masculino de seu ventre, após o esforço de abrir as pernas ao saltar uma vala.

O caso Marie-Germain, como ficou conhecido, foi primeiramente relatado nas obras do filósofo francês Michel de Montaigne, Ensaio XXI – A Força da Imaginação (Essais, 1595) e em Des Monstres et dês Maerveilles, publicado pelo cirurgião Ambroise Paré, em 1537.

Além dos escritos de Montaigne, mote para a criação de Maria que Virou Jonas ou A Força da Imaginação e do livroInventando o Sexo do historiador e sexólogo Thomas Laqueur (1945), a Cia. Livre utilizou como suporte reflexões de pensadores contemporâneos como Beatriz Preciado e Judith Butler, sobre o movimento queer (A teoria queer, grosso modo, critica as classificações sociais da psicologia, da filosofia, da antropologia e da sociologia tradicionais, baseadas habitualmente na utilização de um único padrão de segmentação — seja a classe social, o sexo, a raça ou qualquer outro — e defende que as identidades sociais se elaboram de forma mais complexa e flutuante), críticas aos papeis sociais e hierarquias de gênero, transitoriedades, pluralização de corpos e identidades. Foram estudados também textos de dramaturgia que tratam de travestismos e de personagens que trocam de sexo; enquanto conversas com dramaturgos contemporâneos trouxeram propostas de enredos e roteiros, além da investigação de campo sobre a experiência de transgêneros, travestis, intersexos e hermafroditas, assim como sobre a luta da militância das causas LGBTQ e de direitos humanos.

O processo de criação do espetáculo deu origem ao texto “A Força da Imaginação”, escrito por Cassio Pires, especialmente para a Cia.Livre. O espetáculo conta ainda com inserções de autoria dos atores, dialogando com a peça de Cássio

Num jogo de metateatro, os atores Lúcia Romano e Edgar Castro vivem, respectivamente, Neo Maria e Jonas Couto, personagens-atores transexuais que estão montando a peça A Força da Imaginação. Através das histórias de Ele e Ela (personagens da peça de Cássio), vividos por Neo Maria e Jonas, são trazidos a tona os conflitos com o discurso hegemônico sobre identidade e diferença; o que conduz à discussão sobre os limites entre representação, fantasia, teatralidade, aparência e verdade. Revelando a construção social dos papéis de gênero, Neo Maria e Jonas Couto se revezam na interpretação de Ele e Ela, a cada sessão, de acordo com a escolha do público.

A peça de Cássio Pires apresenta um jogo de transformação muito claro, mesmo abordando o problema complexo das identidades. Ao lado dela e dialogando com a narrativa, criamos cenas de camarim que levantam questões contemporâneas sobre a experiência de homens e mulheres em torno do gênero e sexo”, explica Edgar Castro.

Para os integrantes da Cia. Livre, “o emprego de um texto filosófico como disparador da montagem oferece para o teatro outras textualidades, diversas do modelo tradicional dramático, tais como a narrativa épica e a voz lírica. Cássio Pires, em parceria com a Cia. Livre, torna esta versão da história de Marie-Germain polifônica, posicionando a disputa de pontos de vista como gênese da discussão e ressaltando ora o cômico, ora o trágico, sempre combinando o prosaico e o poético, o ridículo e o grandioso”.

Lúcia Romano destaca que “a Cia. Livre parte do entendimento de que não existe alinhamento entre gênero, identidade, opção sexual e comportamento sexual. Esse alinhamento não deveria ser tomado como natural.” Cibele Forjaz completa: “Eu posso ser uma mulher que escolhe ser ou viver como homem e que namora uma mulher. Ou um homem. E essa é uma mudança social e cultural que precisa ser tratada pelo teatro, onde a questão da representação é central”.

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Maria que Virou Jonas ou A Força da Imaginação
Com Edgar Castro e Lúcia Romano
SP Escola de Teatro (Praça Roosevelt, 210 – Centro, São Paulo)
Duração 105 minutos
05 a 27/04
Terça e Quarta – 21h
Recomendação 16 anos
Entrada gratuita (Retirada de ingressos com meia-hora de antecedência no local.)
 
Dramaturgia: Cássio Pires
Direção: Cibele Forjaz
Direção de Movimento: Lu Favoreto
Cenografia: Márcio Medina
Figurinos: Fabio Namatame
Luz: Rafael Souza Lopes
Direção Musical: Lincoln Antonio
Sonoplastia: Pepê Mata Machado
Treinamento Vocal para Canto: Andrea Drigo.
Produção: Cia. Livre e Centro de Empreendimentos Artísticos Barca
Assessoria de Imprensa: Ofício das Letras

 

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