OJU ORUM

Tendo como elemento disparador o mito da negra Anastácia (cujo nome verdadeiro seria Oju Orum), o espetáculo apresenta a história de quatro mulheres (Anastácia, Alice, Alzira e Anita), em quatro períodos históricos distintos. Em comum, elas tem o fato de serem mulheres que, em algum momento de suas trajetórias, experienciaram algum tipo de violência, seja ela simbólica ou não. Caladas em suas falas e corpos, essas jovens procuram construir uma voz que lhes permita questionar e ressignificar suas vidas. O espetáculo estreou no mês de outubro de 2015 na Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho, no Ipiranga, fez apresentações esporádicas e agora retorna ao cartaz em temporada no Centro Cultural São Paulo.

A montagem tem como base de sua pesquisa elementos da cultura africana e afro-brasileira, tais como a Capoeira Angola, o Samba, o Funk e as Narrativas Orais, além das muitas versões da história da negra Anastacia trazida ao Brasil como escrava. Paralela à esta pesquisa, o Coletivo Quizumba realizou uma série de Núcleos de Investigação no distrito do Jabaquara, recolhendo histórias de mulheres de diferentes idades e regiões do Brasil.

Um dos grandes desafios de Johana Albuquerque, diretora convidada para dirigir este projeto do grupo,  foi transformar a extensa e profunda pesquisa de campo realizada pelo Coletivo Quizumba em imagens poderosas e construir uma linguagem que pudesse cativar o público jovem. OJU ORUM vem tratar de inúmeros temas e episódios que perpassam a vida cotidiana da adolescência de meninas e meninos (questões de gênero, sexualidade, relação familiar e amor). “O meu trabalho consistiu em selecionar todo um universo de informações que o grupo trouxe de suas pesquisas e sintetizar o que de melhor havia nas histórias, transformando esse material em algo poético e belo”, explica Johana.

A diretora conta como a pesquisa do Coletivo Quizumba foi levada para a cena. “Os aspectos da cultura africana e afro-brasileira encontraram na dança, nas músicas e canto um lugar de extraordinária expressividade. Esses elementos fazem parte do repertório e talento do Coletivo Quizumba desde a sua fundação em 2008.

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Quatro vozes que tentam ser ouvidas      

A inspiração para as histórias e construção da dramaturgia vieram das pesquisas que o grupo realizou em parceria com diversas Ongs do bairro do Jabaquara. A história da negra Anastácia (cujo nome verdadeiro seria Oju Orum) possui muitas versões sobre sua origem: há relatos de que ela teria sido uma princesa africana trazida à força para o Brasil. Outras fontes dão conta de que ela teria nascido aqui mesmo, em terras tupiniquins, mas teria uma ascendência real. Qualquer que tenha sido o local exato do seu nascimento, todas as versões concordam em afirmar que, apesar do contexto histórico de escravidão em que estava inserida, Anastácia/Oju Orum se levantou como uma voz que não se conformava com o destino que lhe haviam traçado. Em alguns lugares do país, ela é cultuada como santa popular até os dias de hoje.

Há ainda as histórias de outras três mulheres: Alice, uma adolescente que acabou de virar “mocinha”, vive com o pai no sertão nordestino do início do século passado. Ela busca a todo custo encaixar-se nos  paradigmas do que é ser uma mulher em seu tempo. Na década de 70 temos Alzira, uma mineira, com ideias e anseios na contra-mão do esperado, desejos que não cabiam na cidadezinha onde nascera. Grávida, ela se muda para o Rio de Janeiro sozinha e tentará contar ela mesma a sua história. O enredo se completa com Anita, uma jovem contemporânea, moradora da periferia de São Paulo. Conectada como qualquer adolescente hoje em dia, Anita está ainda descobrindo sua sexualidade e tem o sonho de construir uma casa para a família. Sua história dá uma reviravolta quando uma self íntima vaza nas redes sociais.

O espetáculo não pretende trazer uma versão da mulher como vítima, e sim como ser histórico, trazendo à tona histórias de mulheres comuns, suas vivências, experiências e lutas. “Buscamos narrativas que vão para além da história hegemônica que impõe, em geral, a perspectiva masculina, heteronormativa, adulta, branca e urbana”, – fala o dramaturgo Tadeu Renato.

Oju Orum
Com Camila Andrade, Jefferson Matias, Kenan Bernardes/Jorge Peloso, Thais Dias, Doralice Odilia e Valéria Rocha.
Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo)
Duração 95 minutos
05/04 até 31/05
Terça e Quarta – 20h
Recomendação 14 anos
$15
 
Encenação – Johana Albuquerque.
Dramaturgia – Tadeu Renato.
Assistente de Direção – Sofia Botelho.
Direção e Concepção Musical– Jonathan Silva.
Músicos – Bel Borges e Melvin Douglas/Bruno Lourenço.
Orientador de Pesquisa – Salloma Salomão.
Cenografia– Julio Dojcsar (Casadalapa).
Figurinos – Éder Lopes.
Adereços – Brincante Claydson Catarina.
Iluminação – Wagner Antonio.
Preparadora Musical– Bel Borges.
Preparação corporal e treinamento em Capoeira Angola – Pedro Peu.
Direção de Movimento – Verônica Santos.
Documentarista– Alicia Peres.
Designer Gráfico – Murilo Thaveira (Casadalapa).
Produção Executiva – Ana Flávia Rodrigues e Patrícia Torres.
Realização – Coletivo Quizumba.
Assessoria de Imprensa – Ofício das Letras

 

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