GARRINCHA (OPINIÃO)

A peça “Garrincha” é uma peça para inglês ver. Inglês, americano,…, e até mesmo brasileiro ver, mas não é um trabalho biográfico. O espetáculo foi concebido e dirigido pelo americano Robert Wilson. É a visão de um estrangeiro sobre um ídolo de futebol brasileiro, que teve uma vida cheia de altos e baixos.

Os últimos trabalhos de Wilson que vimos – “The Old Woman” (2014) e agora, “Garrincha” – são bastante visuais e com poucos, ou quase nenhum diálogo. O diretor concentra as ações através das imagens (cor, iluminação, cenário) e das músicas e sons incidentais.

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Como é uma história brasileira, os narradores desta “ópera das ruas” são duas araras (uma colorida e a outra azul). Elas contam a vida de Garrincha desde o tempo que morava em Pau Grande, sua descoberta nos campos de futebol, a ida para o Rio de Janeiro, o Botafogo, a seleção brasileira, os amores, Elza Soares, a lesão no joelho, até chegar num epílogo que traz novamente o prólogo da peça.

Wilson trabalha com os atores numa movimentação e gestual milimetricamente cronometrado, pois todas as ações dos atores casam perfeitamente com o trabalho das músicas interpretadas ao vivo por seis músicos – que também participam da peça.

O espetáculo abusa das cores, visto que retrata uma história passada em um país tropical. E ao mesmo tempo também da ausência delas – o preto e branco – dependendo da iluminação que é utilizada no decorrer da narração.

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Outra característica dos trabalhos do diretor é o minimalismo gestual e a dança para a movimentação na cena. Nada melhor para retratar um jogador que tinha uma perna com 6 centímetros a menos que a outra, e que bailava pelos gramados dos campos de futebol.

Tudo isso faz com que ao assistir a peça, pareça que você esteja vendo um desenho animado no palco do Teatro Paulo Autran.

Recomendamos que você fique com o programa da peça aberto na descrição das cenas. Ajuda muito entender – como já falamos, há quase nada de diálogos – a compreensão do que irá acontecer no palco.

É um espetáculo que merece ser visto, principalmente para que você possa conhecer (ou rever) o trabalho e a criatividade do diretor Robert Wilson.

Garrincha
Com Bete Coelho, Carol Bezerra, Claudia Noemi, Claudinei Brandão, Cleber D’Nuncio, Dandara Mariana, Daniel Infantini, Fernanda Faran, Jhe Oliveira, Lígia Cortez, Lucas Wickhaus, Luiz Damasceno, Naruna Costa, Nathália Mancinelli, Roberta Estrela D’Alva, Robson Catalunha.
Teatro Paulo Autran – SESC Pinheiros ( rua Paes Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)
23/04 até 29/05
Quinta, Sexta e Sábado – 21h; Domingo e Feriado – 18h
Recomendação 16 anos
$18 / $60
 
Direção, cenário e conceito de luz – Robert Wilson
Idealização – Danilo Santos de Miranda
Texto e dramaturgia – Darryl Pinckney
Direção Musical – Hal Willner
Músicos – Alexandre Ribeiro, Fabrício Rosil, João Poleto, Roberta Valente, Samba Sam, Zé Barbeiro
Codireção – Charles Chemin
Figurino – Carlos Soto
Cenógrafa associada – Annick Lavallée-Benny
Desenho de Luz – John Torres
Visagismo – Manuela Halligan
Supervisão de Luz – Marcello Lumaca

 

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