O TESTAMENTO DE MARIA

O Teatro Aliança Francesa recebe a primeira montagem brasileira de “O Testamento de Maria”, de Colm Tóibín a partir de 12 de maio, quinta-feira, às 20h30. Com direção e adaptação de Ron Daniels e interpretação da atriz Denise Weinberg, a peça segue em cartaz até 12 de junho, sempre de quinta a domingo (Quinta, sexta e sábado, às 20h30 e 20h30 e Domingo, às 19h).

O espetáculo estreou no Sesc Pinheiros em 7 de janeiro e permaneceu em cartaz até 13 de fevereiro deste ano, viajou para o Rio de Janeiro, São José dos Campos, Catanduva e Jundiaí  e retorna ao cartaz em São Paulo, na Aliança Francesa.

Em O Testamento de Maria, o escritor e jornalista irlandês Colm Tóibín dá voz a Maria, uma mulher pobre e perseguida que busca desvendar os mistérios que cercam a crucificação de seu filho. Ela encara não só a imensa crueldade dos romanos e dos anciãos judaicos, a estranha e inexplicável exaltação dos discípulos a seu filho, como também suas próprias angústias e hesitações.

Enquanto a trajetória e o sofrimento de Maria são narrados em primeira pessoa com uma voz que alterna ternura, raiva e ironia, ela faz questão de falar somente a verdade. Assim, a obra transcende o entendimento de Maria como ícone católico, ao revelá-la como uma figura humana complexa, de enorme estatura moral, mas sujeita às fraquezas terrenas.

Maria é uma mulher perseguida, pobre, quase uma prisioneira. Seu filho, ao se tornar uma espécie de líder revolucionário, sacrifica a sua vida por uma causa que Maria não entende e cuja morte lhe é insuportável, de tão horrível e absurda”, declara o diretor Ron Daniels.

Segundo Daniels, o texto original do Testamento de Maria estabelece a ação em um tempo-espaço acrônico, como se a personagem Virgem Maria pertencesse a todos os tempos e a todos os lugares.

O diretor recorre também a uma declaração de Colm Tóibín para contextualizar sua direção. Segundo o escritor, eu quis dar a Maria sua própria voz, sem reduzir sua estatura. Queria criar uma mulher que viveu no mundo: o seu sofrimento teria que ser verdadeiro, sua memória teria que ser exata e urgente. E ela teria que ter grandeza e, ao mesmo tempo, ser vulnerável. Eu me pus a imaginar como, em uma época turbulenta revolucionária, teria sido a vida de uma mulher que sofrera tanto e que fora tão frágil, antes de se tornar um mito.

O diretor parte, portanto, da profundidade e complexidade dessa personagem, apoiadas pela atuação de Denise Weinberg, para a construção do espetáculo.

Montado pela primeira vez em 2011, no Festival de Teatro de Dublin, na Irlanda, O Testamento de Maria contou com a atriz Marie Mullen na encenação original. Do script, o livro homônimo foi lançado em 2012, e, no ano seguinte, a montagem estreou na Broadway, com Fiona Shaw interpretando Maria. Ainda em 2013, o texto concorreu à premiação literária britânica Man Booker Prize e sua versão em audiobook foi lançada, narrada pela atriz Meryl Streep.

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PALAVRA DE COLM TÓIBÍN

A peça O Testamento de Maria tem três origens. A primeira, na minha infância católica na Irlanda (…). A segunda origem é visual. Uma das grandes pinturas em Veneza, que se encontra na Basílica de Santa Maria Gloriosa dei Frari, é a da Assunção de Maria, de Ticiano, um quadro cheio de riqueza e de glória. Contudo, não longe dali, na Scuola Grande di San Rocco, há um outro quadro, A Crucificação, de Tintoretto, que mostra o terrível acontecimento em toda a sua confusão. (…).

A terceira origem é literária. No teatro grego, a voz, especialmente a voz feminina, é usada para dar força àqueles que não têm força – Antígona, Electra.

Quando comecei a imaginar Maria como um ser humano, (…) estava alerta à linguagem das orações à medida que escrevia suas falas (…) e ao fato de vermos Maria como ícone, como mãe, mas nunca como uma mulher que sabe se colocar e que precisa ser ouvida. (…)

As palavras de Maria, na minha peça, nascem do silêncio. Eu queria criar a ilusão de que eram palavras que nunca foram ditas e que jamais serão ditas de novo. 

O Testamento de Maria
Com Denise Weinberg
Teatro Aliança Francesa (Rua General Jardim, 182 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 80 minutos
12/05 até 12/06
Quinta, Sexta e Sábado – 20h30; Domingo – 19h
Recomendação 16 anos
$50
 
Texto: Colm Tóibín
Concepção, Adaptação e Direção: Ron Daniels
Tradução: Marcos Daud e Ron Daniels
Curadoria artística: Ruy Cortez
Cenografia: Ulisses Cohn
Figurino: Anne Cerruti
Música original e execução ao vivo: Gregory Slivar
Iluminação: Fábio Retti
Diretor assistente: Pedro Granato
Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro (Ofício das Letras)
 Fotografia: João Caldas
Relações Institucionais: Guilherme Marques e Rafael Steinhauser
Operação de luz: Claudio Cabral
Assistente de produção: Nélio Teodoro
Direção de produção: Érica Teodoro
Produção: CIT Ecum, Denise Weinberg e Érica Teodoro
Realização: CIT Ecum e Pentâmetro

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