GALILEU GALILEI

Na Itália do século XVII, Galileu consegue construir um telescópio melhor que os existentes e explorar os céus como nunca antes haviam conseguido. Com os satélites de Júpiter, ele finalmente comprovaria a doutrina de Copérnico de que o Sol é o centro do Universo e de que a Terra se move e gira em torno dele. Galileu passa a defender e a propagar esta ideia, apesar de saber que ela era contrária ao dogma da Igreja. Entretanto, este homem apaixonado, o cientista genial movido por uma nova verdade, vê os senhores do poder estabelecido se negarem à obviedade dos fatos.
A ideia da Terra não ser o centro do Universo ameaçava convenientes estruturas de poder. Estávamos em 1609, em pleno movimento da Contra Reforma. Galileu tinha muito prestígio e amizades dentro do próprio clero e acreditou que, com este escudo, poderia seguir em frente para instalar seu novo esquema de mundo. Ledo engano. Foi perseguido pela Santa Inquisição, processado duas vezes, e, ameaçado de tortura, foi obrigado a negar, abjurar, suas ideias publicamente. Somente em 1992, mais de três séculos após a sua morte, a Igreja reviu o processo da Inquisição e decidiu pela sua absolvição.
Mas não é só da biografia de Galileu que Brecht quer falar.
“Privilegiando a vida à história, o homem ao herói, seu Galileu Galilei nos faz acreditar que a história do mundo foi construída por homens que tinham suas fraquezas e suas dúvidas misturadas a seus atos de coragem e clareza. Homens que acordam, lavam o rosto, tomam seu café com leite e, mobilizados por suas ideias e projetos, muitas vezes, se enredam em terríveis jogos de poder”, completa Denise Fraga.
Brecht coloca em xeque o herói, seu significado social, a discutível necessidade de sua existência numa sociedade que compromete sua liberdade em seus inevitáveis jogos de poder. Com isso, chama toda a plateia para compartilhar de sua questão.
O espetáculo da diretora Cibele Forjaz desvenda o fazer teatral diante do público, com atores que manipulam o cenário e fazem a contrarregragem, totalmente disponíveis artisticamente para contar a história que Brecht reinventou, trazendo à cena uma profusão de formas, conceitos, parodias grotescas, cenas pungentes, emoção e muito riso, um estranhamento carnavalizado com a intenção de, talvez, criar um espetáculo genuinamente épico brasileiro.
5 DIII
Galileu Galilei
Com Denise Fraga, Ary França, Rodrigo Pandolfo, Lúcia Romano, Théo Werneck, Maristela Chelala, Vanderlei Bernardino, Jackie Obrigon, Luís Mármora e Silvio Restiffe
Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo)
Duração 140 minutos
27 a 29/05
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
Recomendação 12 anos
Entrada gratuita (retirar ingresso com uma hora de antecedência)

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