GABRIELA, UM MUSICAL

Gabriela é um raríssimo caso de personagem literário que entrou para o imaginário coletivo nacional. Saída das páginas do clássico romance escrito por Jorge Amado em 1958, ela ganhou as telas – em um filme e três novelas –, se transformou em ícone de brasilidade e alcançou imenso sucesso popular por diversas gerações. Pela primeira vez, a história de Gabriela será vista em uma versão para teatro musical, criada pelo diretor João Falcão.

A partir de 9 de junho, um elenco de 21 atores subirá ao palco do Teatro Cetip para reviver o caso de amor entre Gabriela e Nacib, cujo pano de fundo é a série de transformações culturais, políticas e econômicas que a Bahia dos anos 1920 sofria. Escolhida entre mais de 700 candidatas, a cantora paraense Daniela Blois terá o desafio de interpretar o papel-título, eternizado por Sonia Braga no cinema. ‘Gabriela, Um Musical’ conta com a direção musical de Tó Brandileone e realização da Caradiboi, da produtora Almali Zraik.

João Falcão se debruçou sobre ‘Gabriela, Cravo e Canela’ há oito anos, quando começou a maturar a ideia de transformar o romance em musical. Com o elenco do musical escolhido, João deu início a um período de ensaios marcado pela experimentação e também pela colaboração dos atores no processo criativo. Somente Daniela Blois sabia que a sua personagem seria Gabriela, mas todo o elenco foi descobrindo – junto com o diretor – as suas funções durante a preparação. ‘Gosto de observar o que o ator tem a oferecer para cada personagem. O ator acaba escolhendo o personagem’, conta o diretor, que teve o desafio de lidar com uma história extremamente conhecida de todo o público.

Ao contrário das versões para TV e o cinema, a versão teatral se distancia de uma abordagem mais naturalista. Desta vez, uma cenografia abstrata faz uso de muitas armações de metal e também de esteiras rolantes, elementos que já se tornaram marcas do teatro de João Falcão. Ao abrir mão de um cenário realista, o diretor procura sublinhar a teatralidade das cenas e também deixar aparecer o texto, adaptado por ele nos últimos cinco meses e lapidado no período de ensaios.

Em cena, a banda composta por cinco músicos aparece durante todo o tempo. Responsável pela direção musical, o músico Tó Brandileone, (um jovem músico paulistano integrante do projeto ‘5 a seco que já se apresentou com importantes nomes da música brasileira) traduz para os arranjos toda a mistura cultural abordada no romance de Jorge Amado.

Desta maneira, as quase trinta canções se inseriram de forma orgânica à dramaturgia. ‘Algumas parecem ter sido compostas para o musical, tamanho o grau de integração com o que acontece em cena’, revela o diretor, que procurou fazer do repertório um verdadeiro caldeirão de ritmos brasileiros. Assim, ficam lado a lado canções clássicas de Dorival Caymmi (‘Vatapá’), Milton Nascimento (‘Cais’) e Martinho da Vila (‘Disritmia’), com pérolas pop de Arnaldo Antunes (‘Volte Para o Seu Lar’) e Marisa Monte (‘Vilarejo’).

Gabriela chega a Ilhéus em 1925, fugida de uma terrível seca no agreste. O sírio Nacib, dono do bar Vesúvio, a encontra no “mercado dos escravos” e a leva para trabalhar em seu estabelecimento. De início, ele não repara na beleza da moça, escondida sob os trapos e a poeira do caminho, mas logo ele se rende aos seus encantos, assim como boa parte dos vizinhos.

Por conta da comida de Gabriela, o Vesúvio passa a receber cada vez mais clientes, todos seduzidos pelo tempero e pela presença inebriante da cozinheira. Após se casar com Nacib, Gabriela tem conflitos com as obrigações conjugais que vão de encontro ao seu espírito livre.

Temperada com muita sensualidade, a narrativa romântica de Jorge Amado mostra um rico panorama dos costumes da época e das transformações pelas quais a Bahia da década de 20 passava. Com a abertura do porto aos grandes navios, são inevitáveis o declínio dos coronéis, como Ramiro Bastos, e a ascensão de um novo perfil de empresário, personificado por Mundinho Falcão. Gabriela personifica ainda todas as rupturas trazidas por esta nova configuração de sociedade.

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Gabriela, um Musical
Com Almério, Bruce de Araujo, Bruno Quixotte, Daniela Blois, Danilo Dal Farra, Eliane Carmo, Frederico Demarca, Guilherme Borges, Ingrid Gaigher, Isadora Melo, Juliana Linhares, Leo Bahia, Luciano Andrey, Luísa Vianna, Mauricio Tizumba, Marcel Octavio, Natasha Jascalevich, Rafael Lorga, Tamirys O’hanna, Thomás Aquino e Vinicius Teixeira.
Teatro Cetip (Rua dos Coropés, 88 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 160 minutos
09/06 até 07/08
Quinta e Sexta – 21h; Sábado – 17h e 21h; Domingo – 16h e 20h
Recomendação livre
$50 / $190
Adaptação e Direção: João Falcão
Direção Musical: Tó Brandileone
Músicos: Antonio Loureiro, Danilo Penteado, Edson Santanna, Maria Beraldo Bastos e Rafa Barreto
Produção Geral: Almali Zraik
Colaboração na Adaptação de texto: Adriana Falcão
Arranjos Vocais: Tó Brandileone e Guilherme Borges
Diretora de Arte e Figurinos: Simone Mina
Cenografia: Simone Mina e João Falcão
Coreografia e Preparação Corporal: Lu Brites
Visagismo: Simone Momo e Roger Ferrari
Design de Som: Tocko Michelazzo
Design de Luz: Cesar de Ramires
Diretor Técnico: Rinaldo Marx
Coordenadora de Produção: Martha Lozano
Diretor Assistente: Clayton Marques
Diretora Residente: Sabrina Mirabelli
Preparação Vocal: Rafael Barreiros
Assistente de Diretor Musical: Guilherme Borges
Assessoria de Imprensa: Factoria Comunicação

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