GABRIELA, UM MUSICAL (MATÉRIA)

Gabriela, um dos personagens mais icônicos da nossa literatura (e também da nossa televisão), saiu das páginas do livro de Jorge Amado e chegou aos palcos do Teatro Musical Brasileiro. A partir de 9 de junho, “Gabriela, um musical” estará em cartaz, de quinta a domingo, no Teatro Cetip, com direção de João Falcão e produção da Caradiboi Arte e Esportes.

O espetáculo é baseado no livro “Gabriela, Cravo e Canela”, um dos mais célebres romances de Jorge Amado, lançado em 1958.

Vinda do agreste, Gabriela chega a Ilhéus em 1925, em busca de trabalho. É levada do ‘mercado dos escravos’, lugar onde acampam os retirantes, pelo árabe Nacib. O dono do bar Vesúvio não atenta de imediato para a beleza da moça, escondida sob os trapos e a poeira do caminho. Não tarda, porém, a descobrir que ela tem a cor da canela e o cheiro do cravo. Em breve, todos os homens da cidade vão se render aos encantos de Gabriela.

Ela assume a cozinha do bar, e o Vesúvio ferve por conta do tempero e da presença inebriante de Gabriela. Apaixonado, o ciumento Nacib decide que o melhor é se casar. Gabriela passa a ter obrigações que não combinam com seu espírito livre e rústico. No entanto, não se deixa subjugar. Nacib a flagra na cama com Tonico Bastos e manda anular o casamento. Mas Gabriela ainda voltará a ser sua cozinheira e a frequentar sua cama.

Gabriela, cravo e canela narra o caso de amor entre o árabe Nacib e a sertaneja Gabriela e compõe uma crônica do período áureo do cacau na região de Ilhéus. Além do quadro de costumes, o livro descreve alterações profundas na vida social da Bahia dos anos 1920: a abertura do porto aos grandes navios leva à ascensão do exportador carioca Mundinho Falcão e ao declínio dos coronéis, como Ramiro Bastos. É Gabriela quem personifica as transformações de uma sociedade patriarcal, arcaica e autoritária, convulsionada pelos sopros de renovação cultural, política e econômica.(site Jorge Amado)

“Gabriela, um Musical”

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Almali Zraik (Caradiboi Arte e Esportes), Daniela Blois, Maurício Tizumba, João Falcão (diretor), Tó Brandileone (diretor musical) e Kevin Wallace (produtor)

O projeto de transformar o livro em um musical, começou quando o produtor irlandês, Kevin Wallace, conheceu o trabalho do diretor João Falcão, quando viu o espetáculo “Clandestinos“. Kevin ficou encantado com o que assistiu e resolveu que gostaria de produzir algo com João Falcão.

Não sabia que ele trazia este teatro físico, o uso do texto e esta ‘fisicalidade’ do trabalho do ator em conjunto. É uma linguagem teatral única, não vista em qualquer outro lugar do mundo“, disse Kevin.

Ao ser questionado sobre qual obra gostaria de levar aos palcos, João foi assertivo – “Gabriela“. Neste meio tempo, Almali Zraik, sócia da Caradiboi Arte e Esportes, também foi sondada para produzir a peça e trabalhar com João Falcão. A parceria estava formada. Mas isto foi em 2010. Tiveram que aguardar até 2016 para conseguirem transformar o projeto em realidade.

O processo de criação

Tirando Daniela Blois, que viverá Gabriela, todo o elenco selecionado não soube qual papel faria no início dos ensaios. Isto porque João Falcão gosta de ser inspirado pelo ator enquanto vai construindo a montagem.

Todos tiveram oportunidade de viver e experimentar os personagens. Com isso, João ia vendo como eles reagiam, o que agregavam ao personagem. Como o diretor também foi o roteirista da peça, ele “mudava o rumo do personagem, o tamanho da participação dele, de acordo com o que vejo, com o que me inspira“.

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Para narrador do espetáculo, João escolheu o personagem Tuísca, já na sua velhice (vivido por Maurício Tizumba). São apresentadas as lembranças deste menino vendedor de doces de Ilhéus e que apresentou Gabriela para o Nacib; da sua amizade com Gabriela, com quem brincava de corrupio e de soltar pipa; e que quando cresceu, foi para o circo, por isso de suas roupas coloridas.

A cenografia é abstrata, ao invés de retratar fielmente onde acontece a história. “O que eu gosto no teatro é a representação. Você tem que imaginar o seu entorno. A gente nunca vai ficar parecido com a realidade como o cinema e a televisão. O teatro para mim é exatamente ser distante da realidade e mesmo assim te tocar, porque você fantasia e te provoca, como a literatura“.

No palco, há muitas armações de metal e também esteiras rolantes, uma característica do teatro de João Falcão em parceria com Simone Mina. Os cenários se completam com a linda e eficaz iluminação desenhada por Cesar de Ramires.

Quanto as canções que compõem a parte musical do espetáculo, João Falcão e Tó Brandileone, que é o diretor musical, resolveram escolher músicas já existentes, que “algumas parecem ter sido compostas para o musical, tamanho o grau de integração com o que acontece em cena’, revela o diretor.

Tó Brandileone disse que trabalha sempre com a dramaticidade da canção. Para o espetáculo “a minha visão dramatúrgica dos arranjos fica elevada a ‘teatralésima’ potência. Tudo que está sendo cantado é fala de personagem, faz parte do texto. O meu trabalho é fazer com que o arranjo sirva a canção e não o contrário“.

Com isso, há um verdadeiro caldeirão de ritmos brasileiros. Encontramos canções clássicas de Dorival Caymmi (“Vatapá”), Milton Nascimento (“Cais”) e Martinho da Vila (“Disritmia”), com pérolas pop de Arnaldo Antunes (“Volte Para o Seu Lar”) e Marisa Monte (“Vilarejo”).

A importância do romance

O livro é um sucesso de público e crítica. No ano seguinte ao seu lançamento, ganhou os prêmios: Machado de Assis (Instituto Nacional do Livro – RJ) e Jabuti (Câmara Brasileira do Livro – SP), entre outros. Jorge Amado foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 1961, graças também ao livro.

Gabriela, Cravo e Canela” foi traduzido para mais de trinta idiomas, sendo o livro de Jorge Amado, com o maior número de traduções. Foi adaptado para novela (TV Tupi, em 1961; e TV Globo, em 1975 e 2012), cinema, teatro, espetáculo de dança, quadrinhos e agora teatro musical.

Gabriela, um Musical
Com Almério, Bruce de Araujo, Bruno Quixotte, Daniela Blois, Danilo Dal Farra, Eliane Carmo, Frederico Demarca, Guilherme Borges, Ingrid Gaigher, Isadora Melo, Juliana Linhares, Leo Bahia, Luciano Andrey, Luísa Vianna, Mauricio Tizumba, Marcel Octavio, Natasha Jascalevich, Rafael Lorga, Tamirys O’hanna, Thomás Aquino e Vinicius Teixeira.
Teatro Cetip (Rua dos Coropés, 88 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 160 minutos
09/06 até 07/08
Quinta e Sexta – 21h; Sábado – 17h e 21h; Domingo – 16h e 20h
Recomendação livre
$50 / $190
Adaptação e Direção: João Falcão
Direção Musical: Tó Brandileone
Músicos: Antonio Loureiro, Danilo Penteado, Edson Santanna, Maria Beraldo Bastos e Rafa Barreto
Produção Geral: Almali Zraik
Colaboração na Adaptação de texto: Adriana Falcão
Arranjos Vocais: Tó Brandileone e Guilherme Borges
Diretora de Arte e Figurinos: Simone Mina
Cenografia: Simone Mina e João Falcão
Coreografia e Preparação Corporal: Lu Brites
Visagismo: Simone Momo e Roger Ferrari
Design de Som: Tocko Michelazzo
Design de Luz: Cesar de Ramires
Diretor Técnico: Rinaldo Marx
Coordenadora de Produção: Martha Lozano
Diretor Assistente: Clayton Marques
Diretora Residente: Sabrina Mirabelli
Preparação Vocal: Rafael Barreiros
Assistente de Diretor Musical: Guilherme Borges
Assessoria de Imprensa: Factoria Comunicação

 

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