PAIXOEI OU DIÁRIOS DA FLORESTA

Com forte imersão no mundo indígena brasileiro e na obra da antropóloga Betty Mindlin, o grupo Lux in Tenebris estreia Paixoei Ou Diários Da Floresta no sábado 2 de julho, às 21h no Teatro Commune. 

A montagem conta com texto e direção de Reinaldo Santiago e é baseada na obra da antropóloga Betty Mindlin – Diários da Floresta – e sua vivência com os Suruí-Paiter, índios que habitam o Estado de Rondônia.

Na trama, uma antropóloga desbravadora se embrenha nos caminhos da floresta em busca de costumes arcaicos, de uma mitologia viva, uma mulher que deixa seus laços familiares para ir de encontro a um povo até então quase desconhecido.

A protagonista é testemunha do cerco da civilização branca se fechando em torno do território Suruí. Uma invasão cultural que profanou a visão integrada desse povo. Uma história que se passa em meio a uma época difícil da história política brasileira. Tendo como guia e caminho as teorias do teatro épico de Bertolt Brecht, todas essas camadas foram incorporadas ao texto.

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O espetáculo propõe um mergulho na cultura indígena, é uma forma de sair do senso comum. Procuramos nos inspirar na mitologia deles, tendo como guia a obra de Betty Mindlin. Ela encontrou os Suruí quando a tribo ainda não tinha contato nenhum com o homem branco, praticamente um Jardim do Éden. O país se encontrava com as ameaças da ditadura, uma fase em que  as terras indígenas eram simplesmente invadidas e ocupadas”, conta Reinado.

Além de uma extensa bibliografia e uma filmografia, o grupo teve uma vivência com os índios Guarani das aldeias Krukutu e Tenondé Porã (Parelheiros); Teko Pyau (Jaraguá); Piaçaguera e Nhamandú Mirim (Peruíbe) e Djaiko Aty (Miracatu).

Foi um processo de trabalho que nos aproximou ainda mais desse universo. A experiência proporcionada nos serviu como alicerce e inspiração para o espetáculo. Apresentamos a peça aos índios e tivemos uma excelente recepção. O texto aborda a questão dos Suruí-Paiter, contudo é como se fosse a história de qualquer outra tribo”, enfatiza o diretor.

A trilha sonora é executada ao vivo com cantos inspirados em tradições xamânicas e a trama se desenrola em uma lona com esteiras de palha, que simboliza uma grande oca para garantir um efeito intimista na encenação.

Paixoei ou Diários da Floresta
Com Marcília Rosário, Márcio Tadeu, Carolina Santiago, Vanessa Carvalho, Paula Zaneti, Natalia Coutinho, George Passos e Paulo Barros
Teatro Commune (Rua da Consolação 1218 – Centro, São Paulo)
Duração 90 minutos
02 até 31/07
Sábado – 21h; Domingo – 20h
03 a 31/08
Quarta e Quinta – 21h
$40
Classificação 12 anos
 
Dramaturgia e Direção: Reinaldo Santiago.
Coreografia, figurinos e adereços: Márcio Tadeu.
Criação da Trilha Sonora: Carolina Santiago e Grupo. 
Movimentação Corporal: Ademar Dornelles. 
Orientação de Pesquisa: Toninho Macedo.
Assistente de Produção: Kelvin Alves . 
Produção Executiva: Carolina Santiago, George Passos e Paulo Barros. 
Montagem Gráfica: Carolina Santiago.
Assessoria de Imprensa: Renato Fernandes – Corleone Assessoria de Imprensa Cultural

 

 

SALAMALEQUE

Ao revelar aspectos significativos da cultura árabe a partir da troca de correspondências entre um casal de imigrantes sírios, a peça SALAMALEQUE, da Cia Teatral Damasco configura-se um programa obrigatório em tempos de intolerância.

Salamaleque  é fruto de cinco anos de pesquisa. A peça resgata as cartas de amor trocadas entre dois imigrantes, os avós da atriz Valéria Arbex – Nicolau Antônio Arbex e Nadime Neif Name –, durante o período do noivado, na década de 1930. Eles tiveram suas vidas cruzadas após a chegada ao Brasil.

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Cozinha como cenário

A ambientação da peça reproduz a cozinha de um galpão abandonado na rua Florêncio de Abreu, na região da rua 25 de Março, em São Paulo. Nesse cenário, a atriz prepara os pratos durante a encenação. Entre pastas de grão-de-bico, água aromatizada e pão com zátar, Elizete recebe o público na cozinha da sua infância. Por meio da memória da personagem, o espectador é convidado a sentar-se à mesa e compartilhar das muitas histórias de vida trazidas junto com aromas, cores e temperos das especiarias da culinária árabe.

Meu bisavô dizia que todo retirante árabe, se for obrigado a deixar a sua pátria, deve levar na sua mala livros, pão com azeite e zátar (tempero característico da culinária árabe) e todas as lembranças que couberem na sua memória.” As palavras de Valéria, proferidas por seu bisavô em 1910, foram inseridas no texto como parte da memória familiar desde a sua estreia.

O texto parte da memória da atriz, que ganhou, juntamente com sua irmã Claudia, de presente de sua mãe as cartas trocadas por seus avós. O casamento entre eles, que não se conheciam pessoalmente, foi arranjado pelas famílias, o chamado “acordo de bigodes”. A atriz Valéria Arbex não queria que as 68 cartas trocadas entre Nadine e Nicolau amarelassem na gaveta. Assim, depois da morte da avó, ela começou a pesquisa que a levaria a conhecer, ainda, imigrantes sírios, libaneses e palestinos. “Salamaleque é uma colcha de retalhos de histórias que ouvi, da memória de minha família, da pesquisa gastronômica e histórica que fiz”, conta. “É uma reverência aos imigrantes, é um caminho de volta à minha origem, um reencontro.

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Noite de celebração

A diretora Denise Weinberg ressalta que o espetáculo revela histórias do Oriente a partir da memória da família Arbex. “O resultado da encenação é singular e sensorial: a plateia assiste a tudo enquanto sente aromas e sabores da culinária síria.” No final, o público ganha um doce árabe (raha), como uma lembrança referente à memória da personagem.

O diretor e autor Kiko Marques conta que Valéria pretendia tornar o palco um lugar de comunhão e oferenda. Ficou decidido, então, que a peça seria um encontro. “Encontro com os fantasmas do passado dessa descendente de imigrantes sírios. Meu com Denise na direção e com Alejandra Sampaio na criação do texto. Um encontro (de cheiros e gostos) com o público nesse momento de celebração”, fala Kiko, que amarrou a dramaturgia baseada em histórias reais com ficção.

Ao colocar uma lente de aumento na imigração no Brasil, o solo revela a memória de uma época pelo prisma árabe. De forma ritualística e poética, ilumina aspectos relevantes desta cultura e procura desmistificar a imagem ocidental criada sobre ela. “A encenação propõe ao público uma experiência de acolhimento e tolerância”, diz a dramaturga Alejandra Sampaio. O nome da peça vem da expressão árabe “as-salaamu aleikum” (“que a paz esteja contigo”); pronuncia-se “assalaamu aleik”, saudação verbal feita enquanto curva-se o tronco e toca-se a testa com a mão direita.

Valéria acredita que, ao falar sobre o povo árabe e apontar para a guerra na Síria e suas consequências, como o alto fluxo de refugiados, estará  também, provocando uma reflexão sobre a intolerância mundial em todas as instâncias. “A intolerância é assunto atual, está presente na política, religião, comportamento etc. Exemplo de sua ocorrência pode ser comprovado pelas manifestações nas redes sociais.

 

Salamaleque
Com Valéria Arbex
Teatro Eva Herz – Livraria Cultura Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 65 minutos
16/07 até 27/08
Sábado – 18h
$50
Classificação 12 anos
 
Idealização do projeto: Valéria Arbex. 
Realização e Coordenação Artística: Cia.Teatral Damasco. 
Direção: Denise Weinberg e Kiko Marques. 
Dramaturgia: Alejandra Sampaio e Kiko Marques. 
Cenografia e figurinos: Chris Aizner. 
Trilha sonora original: Sami Bordokan. 
Iluminação: Guilherme Bonfanti. 
Fotos: Lenise Pinheiro. 
Consultoria gastronômica: Graziela Scorvo Tavares. 
Cenotécnico: Mateus Fiorentino. 
Produção:Rosana Maris.. 
Assessoria de imprensa: Fernanda Teixeira / Arteplural. 
Projeto gráfico e ilustrações: Aida Cassiano. 
Glossário árabe / português: Mamede Jarouche. 
Operação de som e luz: Ricardo Barbosa. 
Supervisão Luz: Adriana Dham.

O MÁGICO DE OZ

A clássica história Dorothy que levada por um ciclone que  atinge sua casa para na terra de Oz, caindo em cima da Bruxa Má do Leste. Dorothy é vista como uma heroína pela Bruxa Boa do Norte,  mas o que ela quer mesmo é voltar para casa. Para isso, precisará da ajuda do Poderoso Mágico de Oz que mora na Cidade das Esmeraldas.

No caminho, ela será ameaçada pela Bruxa Malvada do Oeste, mais contara com a companhia de três novos amigos,  um Espantalho  que quer ter um cérebro, um Homem de Lata que anseia por um coração e um Leão covarde que precisa de coragem. Será que o Mágico de Oz conseguirá ajudar todos eles?

Espetáculo conta com belíssimos figurinos e uma cenografia bem elaborada, e utilizando de elementos cênicos modernos que já é uma marca da Cia Dos Tantos, ajudam compor a magia dessa história.

FOTO DIVULGAÇÃO

O Mágico de Oz
Com Thiago Tavares, Arnaldo Ramalho, Ricardo Aires, Valéria Marcon,  Jéssica Landin, Jackson Gleizer, Gabriella Bavuso
Teatro da Livraria da VIla – Shopping JK Iguatemi (
Duração 60 minutos
02/07 até 28/08
Sábado e Domingo – 15h
$30
Classificação livre

 

UMA NOITE COM MARCELO MANSFIELD

Marcelo Mansfield foi pioneiro no gênero Stand up no país, lançando o Clube da Comédia há mais de 10 anos. São dele os solos “Nocaute” e “Como entrar mudo e sair calado”, além de ter integrado o elenco do show de humor “Terça Insana”. “Uma Noite Com Marcelo Mansfield” é seu mais novo espetáculo.

Ele acrescenta aos textos sobre a vida e o cotidiano, cenas criadas durante toda a sua carreira. Entre elas, famosos personagens  como o “Seu Merda”, e cenas mudas, como “Mambo”.

 “Uma Noite Com Marcelo Mansfield” fica em cartaz durante os sábados de julho, com espetáculos aos sábados, às 21h, no Teatro Jardim Sul.

Uma Noite com Marcelo Mansfield
Com Marcelo Mansfield
Teatro Jardim Sul – Shopping Jardim Sul (Av. Giovani Gronchi, 5819 – Vila Andrade, São Paulo
Duração 60 minutos
02 a 30/07
Sábado – 21h
$50
Classificação 14 anos

TOMADA

O Theatro NET São Paulo, na Vila Olímpia, recebe Filipe Catto, no dia 15 de julho, sexta-feira, às 21h, para apresentação do show Tomada.

Segundo álbum de Filipe Catto, Tomada foi contemplado pelo edital Natura Musical 2014 e lançado pela Agência de Música. O cantor gaúcho de 27 anos partiu para o sucessor de Fôlego (Universal, 2011), ciente da expectativa criada em torno de si. Os hits Saga, Adoração eFlor da Idade introduziram no cenário da música popular brasileira uma voz singular.

Tomada é precedido pelo EP independente Saga (2009) e pelo CD e DVD ao vivo Entre Cabelos, Olhos e Furacões (Universal, 2013). O trabalho foi produzido pelo carioca Kassin. Filipe recorreu a artistas como PJ Harvey, Cássia Eller, Radiohead e Jeff Buckley para se inspirar e escrever novas canções. Essas referências são perceptíveis mais na intenção de não evitar assuntos espinhosos, de não fugir da emoção, que no desenho das músicas.

A banda base é formada por Pedro Sá na guitarra, Domenico Lancellotti na bateria, Danilo Andrade nos teclados e o próprio produtor Kassin no baixo. Os músicos se reuniram no Studio Marini, no Rio de Janeiro, com 16 músicas candidatas a um lugar no álbum e foram registrando as que funcionavam mais. Assim chegaram nas 11 faixas da seleção de Tomada.

Entre as escolhidas, destacam-se composições do próprio Catto, como o primeiro single do álbum, Dias e Noites, parcerias com dois nomes consolidados da MPB (Pedro Luís é coautor de Adorador; Moska, da irresistível Depois de Amanhã), presentes inesperados (Marina Lima ofertou a poderosa Partiu, que vinha abrindo as recentes apresentações da carioca) e releituras de Amor Mais que Discreto, de Caetano Veloso; Do Fundo do Coração, de Júlio Barroso e Taciana Barros e Canção e Silêncio, do cantor e pianista pernambucano Zé Manoel. Tomada conta ainda com Auriflama, cuja letra é do escritor José Eduardo Agualusa em parceria com Thalma de Freitas. A cantora e atriz também ofereceu a Filipe Catto sua composição com Tiganá Santana e o guitarrista Gui Held, Íris e Arco. Fernando Temporão e César Lacerda assinam outro momento intenso do disco: Um Milhão de Novas Palavras.

O novo CD do cantor gaúcho de 27 anos conta com as participações do guitarrista Luis Carlini; das cantoras Marina Lima ao violão em Partiu e Ava Rocha em Do Fundo do Coração; do violonista Manoel Cordeiro e seu filho, o cantor Felipe Cordeiro. A direção de arte de Tomada é mais uma vez assinada por Filipe (quem também fez o projeto gráfico deRainha dos Raios, de Alice Caymmi e de Euforia, de Pélico) e na capa, a foto é de Gal Oppido.

Tomada
Com Filipe Catto
Theatro NET São Paulo – Shopping Vila Olímpia (Rua Olimpíadas, 360 – Vila Olímpia, São Paulo)
Duração 90 minutos
15/07
Sexta – 21h
$100
Classificação 12 anos

 

SOBRE O VOO

O homem voa?
Alberto era um menino persistente, que acreditava que o homem poderia voar, em um tempo que só se andava a cavalo, de trem ou navio.
Curioso, observava os pássaros, empinava pipa, desmontava motores e até consertava a máquina de costura de sua mãe.
Cresceu, estudou, projetou, construiu e grandes engenhocas inventou.
Será que o homem voou?
O espetáculo “Sobre O Voo” é um espetáculo de Teatro de Sombras infantil da Cia. Pavio de Abajour.

Fala sobre o desejo de voar, voar em todos sentidos, desde o sentido literal até o mais poético. Ele se inspira na vida de Alberto Santos-Dumont para tratar do tema criação, e mostra como se dá esse processo, seus acertos e seus tropeços. Não apresenta somente o sucesso final, sua criação reconhecida, e sim o quanto trabalho houve para se alcançar seu desejo, quantos cálculos, quais materiais, quais dificuldades, quais caminhos.

Três divertidas mecânicas de um hangar contam a poética e humorística história através de teatro de sombras, teatro de bonecos articulados.

Apresentam a infância de Alberto, um menino curioso e muito atento aos objetos à sua volta. E seu crescimento e encontro com o mundo das “engenhocas”, engrenagens. Quando faz uma travessia, incentivado por seu pai, Alberto mergulha no mundo dos estudos e só o anúncio de um passeio de balão consegue o distrair. Então Alberto faz seu primeiro voo e a partir de então começa a criar seus balões, dirigíveis, e naves mais pesadas que o ar. No final do espetáculo sombras de aviões ocupam todo o espaço teatral a partir da cena que Alberto abre a patente de sua invenção e publica os desenhos de seu aeroplano Demoiselle em uma revista.

As mecânicas utilizam diversas técnicas do teatro de sombras para mostrar os estudos, raciocínios de Alberto. Usam luzes incandescentes, lanternas, retroprojetor e projetor de vídeo. A sombra é feita tanto atrás da tela como na frente da tela, desvendando a técnica, apresentando para o público a possibilidade de também criar.

Por que o teatro de sombras?

As sombras são misteriosas, guardam segredos. E o Teatro de Sombras cria a possibilidade de brincar com a sombra, de manipular, de transformar, e poder revelar seus segredos, suas artimanhas.

O Teatro de Sombras é uma técnica do teatro de animação muito antiga, onde uma fonte de luz, um objeto e um suporte são capazes de criar imagens lúdicas e encantadoras, cheias de alma.

A fonte de luz é uma lâmpada, lanterna ou vela; o objeto pode ser uma gaiola, um recorte em papelão ou um papel celofane; e o suporte é uma tela de tecido, um lençol no varal, um papel, uma parede. É uma técnica simples, que pode ser múltipla e executada por todos.

A Cia. Pavio de Abajour pesquisa a técnica de teatro de sombras por causa das suas narrativas imagéticas, da sua beleza e seu poder de síntese. É uma linguagem mágica.

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Sobre o Voo
Com Amanda Vieira, Evelyn Cristina e Silvana Marcondes
Espaço Sobrevento (Rua Coronel Albino Bairão, 42 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 50 minutos
02 e 03/06
Sábado e Domingo – 11h e 15h
Entrada gratuita
Classificação livre
 
Idealização, Pesquisa, Concepção e Dramaturgia – Cia. Pavio de Abajour
Direção – Kika Antunes e Silvana Marcondes
Textos – Paulo Rogério Lopes
Direção Musical – Evelyn Cristina
Composição e Mixagem – Evelyn Cristina e Mad Zoo
Voz do pai – Rodrigo Mercadante
Assistência de confecção de bonecos – Alexandra Deitos, Claudia Diniz, Cristina Decot e Samara Oliveira
Cenografia – Julio Dojcsar
Figurino – Silvana Marcondes
Costureira – Atelier Judite de Lima
Fotografia – Ligia Jardim
Preparação Corporal/ Técnica Alexander– Dani Barsoumian
Operação de Luz e Contra-regragem – Alexandra Deitos
Operação de Som – Willian Simplício
Produção – Cia. Pavio de Abajour e Kika Antunes

 

BARULHO D’ÁGUA

Comemorando 15 anos de trajetória, a Companhia Nova de Teatro dá continuidade às pesquisas sobre processos migratórios, seus reflexos e consequências e estreia BARULHO D’ÁGUA no dia 1º de julho, sexta-feira, às 21 horas, no Teatro João Caetano.

A versão brasileira nasceu do encontro dos artistas Carina Casuscelli (tradução e direção) e Lenerson Polonini (provocação e iluminação), fundadores da Companhia Nova de Teatro, com o dramaturgo italiano Marco Martinelli.

As apresentações acontecem em três teatros da capital paulista: Teatro João Caetano (1º a 24 de julho), Teatro Cacilda Becker (29 de julho a 7 de agosto) e Teatro Alfredo Mesquita (de 12 a 21 de agosto), sempre com ingressos gratuitos.

Em 2009, o renomado dramaturgo italiano, Marco Martinelli (que fará um encontro online com o público paulista, em data à definir durante a temporada), movido por uma das piores tragédias humanas sofridas em seu país, decide transformar em dramaturgia a perda de centenas de vidas no Mar Mediterrâneo. BARULHO D’ÁGUA narra a travessia de imigrantes, em sua maioria refugiados de zonas de conflitos, atravessando o mar mediterrâneo em embarcações precárias rumo aos países europeus.

O contato com o autor italiano se deu em 2014 na cidade de Nova Iorque, onde a Companhia Nova de Teatro pesquisava o espetáculo 2xForeman: peças Bad Boy Nietzsche e Prostitutas Fora de Moda, de Richard Foreman, e Marco Martinelli apresentava a versão italiana de BARULHO D’ÁGUA no Teatro La MaMa. “Nas conversas sobre as pesquisas dos grupos, enxergamos a possibilidade de um intercâmbio, e, com isso, firmamos um acordo de cooperação para investigar dramaturgicamente o tema imigração, com base em experiências desenvolvidas nos dois países.”, explica Lenerson Polonini, diretor artístico do grupo.

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Depoimentos de refugiados

A dramaturgia do espetáculo tem como eixo central o depoimento de cinco refugiados, que foram colhidos pelo próprio Marco Martinelli na Ilha de Lampedusa, na região da Sicília (Itália). O texto original é um monólogo, onde um general conta a história desses refugiados, mas, na versão brasileira, a diretora Carina Casuscelli resolveu dar vida aos refugiados, cabendo ao ator Alexandre Rodrigues a interpretação de alguns dos personagens.

O general (papel de Vicente Latorre) representa os serviços das capitais europeias que praticam a “política de acolhimento”. “Esse personagem diabólico é, por vezes, grotesco, desequilibrado, psicótico, sádico, cínico, fatalista, mas, também, um simpático porteiro de certa ilha dos mortos, com a missão de ‘reunir e contar as almas de imigrantes’”, conta a diretora.

A atriz Rosa Freitas entoa as canções do espetáculo, acompanhada, ao vivo, pelo percussionista e bailarino colombiano Omar Jimenez, que também dançará durante as apresentações. O elemento virtual “água” será utilizado como um espelho do “eu”. As vozes ressonantes e a figura do general permearão toda a encenação, que será potencializada pelo trabalho videográfico e documental, com telas de projeção transparente, no intuito de criar sobreposições para narrar fatos no passado e presente.

Números

BARULHO D’ ÁGUA narra a história do drama de milhares de refugiados, que, em sua maioria, morrem atravessando o mar Mediterrâneo. Carina explica que tanto os sobreviventes, como os mortos, são identificados por números, e os que não conseguem se salvar viram apenas um registro, sem a possibilidade da família resgatar o corpo. “Os números estão presentes durante toda a montagem, ora projetados, ora nos corpos dos personagens. O nosso espetáculo também é uma forte crítica àqueles que entendem a imigração como uma mercadoria”.

Para Lenerson Polonini, o tema abordado em BARULHO D’ ÁGUA tem ocupado espaço crescente em todas as mídias, por meio de reportagens, fotos e imagens e tem chocado a população global. “Infelizmente, o sentimento de indignação parece estar dando lugar ao conformismo, à apatia e à insensibilidade que tem dominado o nosso cotidiano diante de milhares de mortes que parecem não nos afetar. Mas o teatro, por sua natureza, é um lugar onde a tragédia pode ser representada, revivida, podendo aproximar a plateia daquilo que por vezes parece pertencer somente à ficção”, acredita ele.

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Barulho D’Água
Com Alexandre Rodrigues, Vicente Latorre e Rosa Freitas. Instrumentista e Bailarino – Omar Jimenez.
Duração 50 minutos
Entrada gratuita (ingressos distribuídos uma hora antes de cada apresentação)
Classificação livre
 
01 até 24/07
Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
29/07 até 07/08
Teatro Cacilda Becker (Rua Tito 295 – Lapa, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
12 a 21/08
Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
Dramaturgia – Marco Martinelli.
Direção – Carina Casuscelli.
Provocação e Iluminação – Lenerson Polonini.
Figurinos – Carina Casuscelli.
Vídeos e Documentação Audiovisual – Alexandre Ferraz.
Direção Musical – Wilson Sukorski.
Concepção Espacial e Produção – Carina Casuscelli e Lenerson Polonini.
Realização – Companhia Nova de Teatro.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta