RÉQUIEM PARA UM AMIGO DA MULTIDÃO

Projeto idealizado e protagonizado pelo ator Nei Gomes, Réquiem Para Um Amigo da Multidão estreou no Teatro Municipal Flávio Império, Zona Leste da cidade. Com direção de Renata Zhaneta, o espetáculo presta homenagem ao multiartista Flávio Império (1935-1985), que revolucionou a cenografia brasileira, celebrando sua contribuição para o teatro brasileiro. Flávio Império, se estivesse vivo, estaria com 80 anos de vida e 60 de carreira.

Contemplado com o Prêmio Zé Renato da Cidade de São Paulo, o espetáculo circulará pelos teatros distritais da cidade durante os meses de maio e junho, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultural. As próximas apresentações serão: Teatro Alfredo Mesquita, dias 3, 4 e 5 de junho; Teatro Leopoldo Fróes, dias 10, 11 e 12 de junho; Teatro Cacilda Becker, dias 17, 18 e 19 de junho e retorna ao Teatro Flávio Império, dias 24, 25 e 26 de junho. O projeto está habilitado pelo edital PROART Educação, sendo um estímulo para debate sobre arte e história.

Pela contribuição do artista para as áreas além do teatro, no dia 26 de junho, último dia do espetáculo, será realizado um debate, após a sessão, com os arquitetos Lívia Loureiro, Pedro Arantes e Yuri Quevedo, profissionais influenciados pela obra de Flávio Império.

Com dramaturgia do próprio Nei Gomes, o texto tem como base a obra e o trabalho do artista no teatro, na arquitetura e nas artes plásticas. “A peça é uma vivência, onde a relação espectador-ator é muito próxima, um happening de muitas linguagens. O objetivo é trazer à tona suas inquietações e contribuições para as artes”, define o autor.

Realçando a importância de Flávio Império para a arte brasileira, a peça retrata o artista nos momentos finais de sua vida, em um balanço consigo próprio e em reflexões sobre vida e morte. Em 1985, Flávio foi internado com encefalite decorrente da AIDS. A dramaturgia parte do processo de delírios, comuns nesse quadro clínico, para rememorar sua trajetória.

O fio condutor são as suas memórias e experiências vividas. Então me veio a ideia de um devaneio ficcional, decorrente das infecções que teve quando internado. A memória não é perfeita, tem lacunas, criamos coisas, tudo isso aliado à situação do delírio me fez construir um narrador que passasse por diversos planos, podendo ser lírico, dramático ou narrativo. Assim o texto pode ter saltos não lógicos”, explica Nei.

Durante o processo de pesquisa, Nei Gomes entrevistou personalidades que conviveram com o cenógrafo, como Maria Thereza Vargas, José Celso Martinez Corrêa, Drauzio Varela, Suzana Yamauchi, Loira Cerroti, Iacov Hillel, Edmar de Almeida e Vera Império Hamburger. Personagens e textos dos espetáculos que Flávio montou também serviram de referências para os desdobramentos do espetáculo.

Essas pessoas me ajudaram, a partir de cada ponto de vista, a construir um retrato. Os relatos ou mesmo a imagem que cada um guarda da figura do Flávio, somado à minha pesquisa, me fizeram chegar num ser humano intenso e complexo. O espetáculo é um lugar de encontro e celebração sobre a figura do Flávio e seus pensamentos. A obra é ficcional, mas as referencias são todas reais.

Espetáculo Réquiem_Foto Jonatas Marques-10.jpg

Instalação cênica

A montagem traça um panorama da vida artística de Flávio, desde seu envolvimento com a Comunidade do Cristo Operário, em 1956, até os últimos trabalhos, em 1985. “Não dá para ignorar o momento histórico em que ele viveu. O Flávio era múltiplo. Foi um cidadão atuante, viveu na época da ditadura militar, morreu de AIDS, numa época em que pouco se sabia sobre a doença. Tudo isso não é central no espetáculo, mas certamente o afetou artisticamente”, fala Nei.

Uma cama hospitalar é o elemento central do cenário. Dois biombos servem como telas para projeção de luz e imagens que simulam os delírios. Os figurinos têm uma base branca e alguns elementos coloridos que, assim como os objetos cênicos, rementem ao aspecto limpo e asséptico de um hospital.

A encenação também se utiliza de diferentes formas de expressão como a videoprojeção, a iluminação e a trilha sonora executada ao vivo por três músicos. Alguns atores fazem participação especial em vídeo interpretando personagens contemporâneos ao Flávio como Cacilda Becker, Lina Bo Bardi, Myriam Muniz, Walmor Chagas, entre outros.A plateia será acomodada em cima do palco. Uma instalação com telas representa as várias áreas de atuação do multiartista e durante o espetáculo o público pode pintar e interagir com elas.

O Flávio fez de tudo no teatro, além de romper com a estrutura de colaboração com a área em que atuava. Ele não trabalhava por encomenda, fazia um processo de acompanhamento de todo projeto e propunha muito, inclusive ajudando a determinar questões estéticas centrais da obra que montava”, comenta Nei.

Flávio Império

Cenógrafo, figurinista, diretor, arquiteto, professor e artista plástico. Suas experiências na pintura evidenciam o aprendizado da linguagem modernista. Reconhecido por seu trabalho artístico, Flávio trouxe ao fazer teatral, entre os anos de 1960 e 1980, uma nova forma de inserção das áreas artísticas de criação que, até então, eram consideradas secundárias em montagens de espetáculos de teatro.

Sua participação no processo de criação e seus estudos sobre os espetáculos o colocaram dentro das salas de ensaios com outros artistas criadores. Muitas peças tiveram sua concepção estética determinada pela cenografia, de tão poderosa, coerente e participativa que era sua presença.

Flávio Império morreu às vésperas de completar 50 anos, no Hospital do Servidor Público Estadual, vitimado por uma infecção bacteriana nas meninges causada pela Aids, em 1985.

Espetáculo Réquiem_Foto Jonatas Marques-6

 

Réquiem Para Um Amigo Da Multidão
Com Nei Gomes
Duração 70 minutos
Recomendação 10 anos
Entrada gratuita (retirar ingresso com uma hora de antecedência)
 
03 a 05/06
Teatro Alfredo Mesquita (Av. Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
10 a 12/06
Teatro Leopoldo Fróes (Rua Antonio Bandeira, 114. Santo Amaro, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
17 a 19/0
Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295 – Lapa, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
24 a 26/06
Teatro Flávio Império (R. Prof. Alves Pedroso, 600 – Cangaíba, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
 
Idealização, Dramaturgia e atuação: Nei Gomes.
Direção: Renata Zhaneta.
Assistentes de direção: Andressa Ferrarezi e Osvaldo Hortêncio.
Assistentes de produção: Maria Carolina Dressler e Adriano Rosa.
Participação especial em vídeo: Andressa Ferrarezi, Daniela Giampietro, Karen Menati, Osvaldo Hortêncio, Maria Carolina Dressler, Osvaldo Pinheiro e Renata Zhaneta.
Identidade Visual, Registro e Produção Multimídia: Jonatas Marques.
Provocadores musicais: Piero Damiani e Rani Guerra.
Cenografia: Luis Carlos Rossi.
Figurino: Mariana Moll.
Iluminação: Erike Busoni.
Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.
Grupo parceiro com sede para ações: Periferia Invisível.
 
 
 
 
 
 
Galeria

BODAS DE SANGUE

A Cia London está em cartaz com a peça “Bodas de Sangue”, do escritor espanhol Federico Garcia Lorca.

Em BODAS DE SANGUE, no dia das bodas aparece Leonardo, ex-namorado da noiva, que decide seduzi-la e relembra-la do passado. Em meio à cerimônia do casamento, a noiva e Leonardo fogem, e desencadeiam uma série de perseguições pelo deserto espanhol.

García Lorca também explora a possibilidade do irreal. Lua e Morte ganham vida e, mais que isso, participam do desenrolar da trama, auxiliando a luta ritualística entre o Noivo e Leonardo. Bodas de Sangue pertencente à trilogia formada por Yerma e A Casa de Bernarda Alba. Foi escrita em 1932 e estreou em Madrid e Buenos Aires em 1933.

Bodas de Sangue
Com Hellen Kazan, Willian Mello, Rafael Mallagutti, Diego Krausz, Adelita Del Sent, Bruno Akimoto, Bárbara Trabasso, Bruna Izar, Isis Cunha, Cintia Cunha, Nina Vettá, Dan Sinclair, Celo Carvalho, Caio Baldin, Bruno Loschiavo, Ivan Radecki, Denis Yoshio, Juliana Lima, Jessica Menezes, Maira Natássia, Elisa Malta.
Teatro Viradalata (Rua Apinajés, 1387 – Perdizes, São Paulo)
Duração 80 minutos
07/05 até 26/06
Sábado – 21h30; Domingo – 19h
$60

Segue o registro fotográfico do espetáculo.

CARTOGRAFIA DO AFETO – MANIFESTO LEONILSON

Propondo uma sensibilização do olhar e uma interação com a cidade e com as pessoas ao redor, o espetáculo performativo Cartografia do Afeto – Manifesto Leonilson estreou sexta-feira, 3 de junho às 15h. Com direção de Roberto Rezende, integrante do Cambar Coletivo, e com os atores Ricardo Henrique e Sidney Santiago, o projeto foi contemplado pela 3ª edição do Prêmio Zé Renato de fomento ao teatro.  A temporada vai até 16 de julho com sessões quintas às 17h, sextas às 15h e sábados às 15h.

A ação se inicia em dois lugares distintos com o público dividido nas casas dos próprios atores, a primeira fica no bairro do Bixiga, próximo à Praça Roosevelt, e a segunda fica pelo bairro da Bela Vista, perto do Masp). As reservas serão feitas pelo telefone (11) 97237-8831, quando os participantes descobrirão o local exato de encontro.

CdA-ManifestoLeonilson_Foto-AliceJardim-5599

Após uma recepção com a “plateia”, cada ator/performer acompanhará os seus convidados em uma deriva pela metrópole paulista. Ambos os núcleos têm autonomia e proporciona experiências diferentes dentro da linguagem performativa do espetáculo.

Tentaremos encorajar a plateia no deslocamento de perspectivas, nas tomadas de decisões e posicionamentos em composições que se constroem nas sincronias e nos acasos daquele dia. É um jogo com o público que se torna manifesto do aqui e agora, no que se torna genuinamente afeto. Cada ator é como se fosse um jogador com cartas nas mangas, prontas para serem acionadas juntamente com seus convidados”, conta o diretor.

Um dos eixos para a concepção do projeto vem diretamente da arte de José Leonilson (1957 – 1993), que apresenta em sua trajetória uma obra predominantemente autobiográfica. Era como se cada peça construída fosse uma carta para um diário íntimo. Foi pintor, desenhista, escultor, em suas criações utilizou como suporte palavras, botões, penduricalhos, costuras e bordados, sendo estes últimos uma das suas marcas singulares. Minuciosamente trazia em seu bordar uma organicidade que vibra humanidade e a precariedade no pontilhar o fio era propositadamente uma escolha expressiva. Tinha alma nômade e de cigano, como ele próprio falava. Era um andarilho por natureza, figura recorrente em algumas de suas criações. A partir deste recorte do trabalho do artista, o andarilho foi utilizado como conceito, unindo com o procedimento da deriva e da cartografia como forma, resultando na composição do espetáculo.

Ele nos inspira e nos afeta, e a partir de nossas próprias histórias e experiências, nos estruturando formalmente pelos procedimentos da deriva e da cartografia, saímos a rua em tentativa de busca de escuta, de fala, de peso ou leveza. Do que se manifeste no irrisório, no precário e no escondido. O ato de caminhar é uma tentativa-manifesto de acionar, por uma cartografia afetiva, uma reflexão sobre formas de relacionamento com a cidade, com o outro e em si. É sobre comunicar”, fala Roberto Rezende.

CdA-ManifestoLeonilson_Foto-AliceJardim-5654

A deriva é um procedimento experimental de deslocamento que estuda os efeitos psicogeográficos do ambiente urbano nas condições psíquicas e emocionais das pessoas. Relacionada à arquitetura e urbanismo, essa técnica surge na década de 50, pelo movimento situacionista, como uma reação ao processo de espetacularização das cidades; uma tentativa de reapropriação do espaço público como uma zona de pertencimento dos cidadãos.

Um trecho dos diários sonoros de Leonilson no documentário A paixão segundo JL – de Carlos Nader – evidencia essa característica. “…um andarilho assim, acho que sou assim também… eu não sei o que que é que tô procurando… às vezes eu acho uns carinhas que eu fico apaixonado, aí eu acho que eles são o lugar que eu tô procurando. Mas eles são como uma paisagem linda no meu caminho…os carinhas são como as paisagens bonitas que eu vejo. Eu não sei o que tô pensando, eu não sei o que eu tô procurando, mas às vezes eu vejo uns meninos lindos na rua e eu vou seguindo ele…

Cartografia do Afeto – Manifesto Leonilson é uma parceria entre os universos artísticos dos atores Ricardo Henrique e Sidney Santiago, e do Cambar Coletivo, que assina a pesquisa de linguagem e de procedimentos (cartografia, deriva e programa performativo) deste processo criativo.

Para o seu maior conforto e bem-estar durante esta experiência, sugere-se:

  1. Usar roupas leves e sapatos confortáveis.
  2. Preparar-se com acessórios de acordo com as condições climáticas do dia, como guarda-chuva, capa de chuva, óculos escuros, protetor solar, cachecol.
  3. Levar uma quantia mínima de 20 reais para necessidades pessoais que surjam durante o trajeto.
  4. Importante trazer consigo o seu celular com bateria carregada e respectivos fones de ouvidos.

Para informações das lotações, acompanhe o Facebook do espetáculo e do Cambar Coletivo
CdA-ManifestoLeonilson_Foto-AliceJardim-5819
Cartografia Do Afeto – Manifesto Leonilson
Com Ricardo Henrique e Sidney Santiago
03/06 até 16/07
Quinta – 17h; Sexta e Sábado – 15h
Duração do evento: 3 horas, sendo 2 horas em deslocamento a pé pela cidade.
 
Reservas de convites*:
 
Telefone (11) 972378831
Terça-feira: das 10 às 11 horas (caso ainda não tenha se completado o grupo de 20 pessoas) Quarta-feira: das 14 às 15 horas. (A partir do dia 31 de maio até o dia 13 de julho)
 
A ação se inicia em dois lugares uma no bairro do Bixiga, próximo à Praça Roosevelt, e a outra fica pelo bairro da Bela Vista, perto do Masp).
 
*Obs: O local de encontro será informado por telefone no ato da reserva. É necessário que se chegue ao local com a antecedência mínima de 30 minutos.
 
Direção/Encenação: Roberto Rezende. 
Atores e concepção do projeto: Ricardo Henrique e Sidney Santiago. 
Assistência de encenação: James Turpin. 
Direção de arte: Mayara Mascarenhas. 
Direção sonora: Luiz Gayotto. 
Produção: Paulo Salvetti.
Assistente de Produção: Renan Salvetti. 
Assistentes de operação: Guto Tataren. 
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. 
Registro fotográfico e audiovisual: Alice Jardim. 
Provocação: Flávio Rabelo e James Turpin. 
Designer Gráfico: Rodrigo Kenan. 
Pesquisa de linguagem e procedimentos: Cambar Coletivo. 
Palestrantes: Flávio Rabelo e Ricardo Resende.