A ÚLTIMA DANÇA

Simone Adolphine Weil (1909 – 1943) foi uma escritora e filósofa francesa, que se tornou operária para escrever sobre o cotidiano dentro das fábricas. Natalia Gonsales leva ao teatro os escritos desta francesa, que narram sua vida na fábrica e resistência às guerras e à força. A encenação foi toda construída a partir de seus relatos e cartas. A Última Dança está em cartaz no Viga Espaço Cênico.

O dramaturgo, diretor, coordenador do Núcleo de Dramaturgia do SESI, César Baptista é o responsável pela dramaturgia e adaptação do diário de Simone para o teatro.  Em cena a atriz e algumas máquinas de linha de produção – que fazem parte do cenário assinado pelo cenógrafo, ator e diretor Flávio Tolezani.

A trilha é composta por ruídos das correias e barulhos de macetadas. Outras manifestações sonoras do ambiente fabril são transformadas em músicas compostas pelo premiado compositor Daniel Maia. A luz desenhada por Igor Sane é responsável pela atmosfera dura e fria de uma fábrica e pela mudança de temperatura ambiente que os operários eram/são submetidos (“o frio vivido pelos operários era capaz de paralisar os movimentos, enquanto que o calor era opressivo” – Simone Weil).

Como é possível essa mulher com mãos pequenas demais para o corpo ter se transformado em operária? Através dessa vivência, Simone deixou uma espécie de diário relatando o seu dia a dia numa fábrica: a fome, o calor do forno, as labaredas, o barulho terrível da caldeiraria, os acidentes, as doenças, as ordens, o medo, o ritmo crescente do trabalho, o esgotamento, o envelhecimento, a infelicidade, o emburramento. Segundo Simone, a ordem imposta pela força exige que seja preciso calar e obedecer fazendo com que o pensamento se dobre sobre si. As greves, os pensamentos retraídos, o cansaço, a tragédia grega no cotidiano do povo, o esmagamento da minoria, as relações de força na história que geram a opressão até os dias de hoje são temas que ela pensou, escreveu de maneira audaz e que são abordados nessa encenação”, comenta Natalia Gonsales.

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A ÚLTIMA DANÇA por Por Natália Gonsales

Dedico este espetáculo ao meu irmão Marco Antonio Gonsales. Um homem de coragem, capaz de seguir caminhos diferentes da grande massa, capaz de “GRITAR” e de aguentar o barulho provocado, capaz de catar os cacos de vidro que estouram para colar novamente.

E na arte? Quando optamos por ela, não estamos seguindo um caminho diferente? Acredito que a resposta deveria ser sim, porém nem sempre é. O homem, o artista deveria ter o sentimento da apropriação: “Nada mais forte para o homem que a necessidade de se apropriar pelo pensamento. Uma cozinheira diz: minha cozinha.” Palavras de Simone Weil. E um ator? Não deveria se apropriar do espaço, ou seja, do teatro? Porém, muitas vezes somos vistos apenas como uma unidade de força de trabalho, sem voz e que esta ali apenas para executar: “Cale-se. Você é apenas uma atriz.”

Porém, nessa minha pequena trajetória artística, me senti muitas vezes calada, onde o pensamento morre, o corpo se curva ao poder, ao dinheiro e principalmente ao sistema. Acredito que somos educados a esperar, receber ordens, calar, executar. Aguentar tudo em silêncio. Mas se escolhemos viver não podemos ter medo do grito. Nesse caso, o que diferencia um artista de um operário que não sabe o que produz, logo não tem o sentimento de ter produzido algo? E os outros? Que não necessariamente são artistas ou operários/trabalhadores, mas que se curvam aos valores impostos pela sociedade capazes de levar ao aprisionamento e a cegueira.

E assim, o calar me conduziu ao grito. Um grito parecido com o grito do meu irmão. E desse encontro, fui presenteada por ele com os relatos da Filósofa Simone Weil. Relatos dela nas fábricas, quando essa mulher abdicou de uma vida farta para viver entre os operários. E através da experiência ela vivenciou uma realidade dura e aceitou as marcas da escravidão.

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A Última Dança
Com Natalia Gonsales
Viga Espaço Cênico – Sala Viga (Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 60 minutos
13/06 até15/08
Segunda – 21h
$30
Recomendação 12 anos
 
Concepção e Atuação: Natalia Gonsales.
Encenação: Natalia Gonsales, César Baptista, Fernanda Bueno e Janaína Suaudeau.
Provocadores: César Baptista e Janaína Suaudeau.
Criação Dramatúrgica: César Baptista.
Direção de Movimento e Coreografia: Fernanda Bueno.
Composição Sonora: Daniel Maia.
Iluminação: Igor Sane.
Cenário: Flávio Tolezani.
Figurino: Natália Gonsales.
Designer Gráfico: Murilo Thaveira.
Fotografia: Flávio Tolezani.
Produção Executiva: Anna Zêpa.
Direção de Produção: Natalia Gonsales
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

 

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