RAINHA DOS RAIOS

O Theatro NET São Paulo, na Vila Olímpia, recebe Alice Caymmi dia 8 de julho,sexta-feira, às 21h.

A origem de Rainha dos Raios, segundo álbum de Alice Caymmi – expoente da terceira geração da família Caymmi – começa no encontro da artista com Strausz, músico carioca ligado ao universo dos beats eletrônicos. Com Strausz, Alice apresentou em junho de 2013 uma releitura de Iansã, repaginando a parceria de Caetano Veloso e Gilberto Gil lançada em 1972 na voz de Maria Bethânia.

O disco feito no Brasil por Alice com Strausz e masterizado na Alemanha abre caminhos no mercado com o selo da produtora Joia Moderna. O diretor artístico da empresa, Dj Zé Pedro, acompanha os passos da neta de Dorival Caymmi desde o lançamento do trabalho, em setembro de 2014.

Alice “surgiu” em 2012 primeiro como participação especial em show de sua tia, Nana Caymmi, e posteriormente como cantora e compositora de um disco autoral – Alice Caymmi, editado através de parceria da Kuarup com a Sony Music. A artista se movimenta com segurança em cena. Filmou clipes, lançou gravações na web e foi marcando os passos na indústria fonográfica. Enquanto criava o segundo álbum, carnavalizou o repertório do avô no centenário do show tropicalista Dorivália. A nova roupagem do trabalho foi sucesso cult da temporada verão-outono de 2014.

Com o músico Strausz, Alice apresenta em Rainha dos Raios nove regravações e mergulha na adaptação de criações alheias. Sua personalidade forte já chamou a atenção até da islandesa Björk, que manifestou publicamente em rede social o encantamento pela abordagem de sua Unravel (Björk e Guy Sigsworth) no primeiro álbum de Alice Caymmi.

Também é destaque no disco Rainha dos Raios a regravação de Homem (Caetano Veloso), em que os arranjos têm sons de êxtase, risos sarcásticos, gemidos femininos e orgasmos múltiplos. Caetano tem outras regravações no disco. Além de Iansã e Homem, Jasper também aparece sob melodia mais eletrônica. Jasper é fruto da parceria de Caetano com o guitarrista produtor Arto Lindsay e o tecladista Peter Sheerer, integrantes da banda Ambitious Lovers, com os quais o baiano se conectou em 1989 para elaboração do álbumEstrangeiro.

Há ainda regravações de MC Marcinho, Maysa, Lilian Knapp (a cantora da dupla jovem-guardista Leno & Lilian), Tono e da própria Alice, que em parceria com o hitmaker Michael Sullivan criou Meu recado. Michael também é responsável pelo single Como Vês, destaque da série Felizes Para Sempre?, exibida pela Rede Globo em 2015. A capa do disco foi criada por Filipe Catto a partir de foto de Daryan Dornelles.

 

Rainha dos Raios
Com Alice Caymmi
Theatro NET São Paulo – Shopping Vila Olímpia (Rua Olimpíadas, 360 – Vila Olímpia, São Paulo)
Duração 90 minutos
08/07
Sexta – 21h
$80/$120
Classificação 16 anos

ADEUS, PALHAÇOS MORTOS!

Três grandes artistas circenses do passado acidentalmente se reencontram, depois de muitos anos, na antessala de uma agência de empregos. Eles sabem que só um será escolhido. Nesse dia suas amizades, memórias, segredos, pequenezas e vilanias serão expostos, criando, dessa maneira, uma ode ao ofício do ator e uma profunda reflexão sobre os fundamentos filosóficos da carreira artística.

A sala de espera desse teste de casting, que nunca acontece, se revela um não-lugar, um limbo onde estas três figuras se vêem condenadas a rever suas escolhas éticas e estéticas, num exercício infinito de reflexão sobre a resiliência do artista, a urgência da Arte e a sacralidade do ofício.

Essa peça marca a consolidação da parceria artística entre a companhia Academia de Palhaços e o diretor José Roberto Jardim, que já trabalharam juntos em diversas ocasiões e configurações, mas que pela primeira vez se encaram como elenco e diretor. 

A Academia de Palhaços, fundada por atores oriundos do curso de artes cênicas da Unicamp, comemora em 2016 os nove anos de sua trajetória de pesquisa e produção teatral continuada. A companhia iniciou-se em uma investigação cênica sobre o palhaço de picadeiro brasileiro e em seus dez espetáculos produzidos até o momento transitou pelo universo do ator popular.

Cinco desses espetáculos eram realizados sobre uma Kombi-Palco num grandioso projeto de teatro itinerante. Em 2015, essa Kombi se incendiou e queimou cenários, figurinos, palco e equipamentos de som e iluminação. Diante dessa catástrofe que reduziu anos de trabalho literalmente a cinzas, a companhia viu seu próprio fim.

Dois de seus integrantes desistiram do teatro e os três que restaram, Laíza Dantas, Paula Hemsi e Rodrigo Pocidônio, tiveram que lidar com o inevitável fim/recomeço de uma mudança de ciclo. Perante essa necessidade de se reinventar, convidaram o diretor José Roberto Jardim justamente no intuito de reler sua trajetória artística a partir de outras lentes, pois Jardim trabalha numa perspectiva estética bastante distante da pesquisa da companhia, tendo seu olhar voltado ao teatro contemporâneo, suas performatividades, porosidades e rizomas.

José Roberto Jardim respondeu ao chamado da companhia trazendo o texto “Um Trabalhinho Para Velhos Palhaços” de Matei Vişniec, que trata justamente de três artistas circenses diante do fim de suas existências, de suas carreiras e da Arte. Uma metáfora perfeita para catalisar artisticamente o momento de fim/recomeço da Academia de Palhaços e seus três atores.

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Essa empreitada entre cia. e diretor, apoiada pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, reúne também uma premiada equipe de criadores: Tiago de Mello, o diretor musical, é um dos expoentes mais profícuos da música experimental eletroacústica do Brasil; o cenário e as vídeo-projeções ficaram a cargo do Coletivo BijaRi, um grupo de arquitetos, artistas plásticos e vídeo-makers especializados em instalações emapping; o figurino foi desenhado e criado pelo estilista Lino Villaventura e o visagismo é assinado por Leopoldo Pacheco.

Essa frutífera equipe e suas contribuições alçaram o projeto a novos patamares.

O texto original de Matei Vişniec conta a história de três palhaços velhos num tom de comédia do absurdo, ao melhor estilo de seu conterrâneo Eugène Ionesco. Já a adaptação, assinada pelo diretor José Roberto Jardim, essencializa o texto, universalizando muitas de suas questões, deixando suas contradições mais aparentes e o transformando num ácido mergulho existencial sobre o fazer artístico. A encenação potencializa ainda mais a adaptação ao reduzir elementos, apostando no minimalismo e na essencialidade, traços esses marcantes da assinatura de Jardim como diretor.

Cada cena é um recorte num espaço-tempo descontínuo e fragmentado, são fotogramas vagando nas memórias individuais e coletivas daquela trupe circense, são vozes do passado ecoando em busca de algum sentido” diz o diretor José Roberto Jardim. O espectador ao ser impactado pela violência dos deslocamentos espaço-temporais é convidado a um passeio pelas questões que movem estes velhos artistas desde seu passado de glória até seu inevitável futuro. “Propusemos uma experiência sensorial que transita entre o abismo da morte e a devoção de uma vida voltada à arte e que, portanto, mira a imortalidade”, conclui Paula Hemsi, uma das atrizes da Academia de Palhaços.

Adeus, Palhaços Mortos!
Com Laíza Dantas, Paula Hemsi e Rodrigo Pocidônio
Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo)
Duração 70 minutos
15/07 até 07/08
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 20h
Entrada gratuita
Classificação: 12 anos
Texto Original: Matei Vişniec.
Direção e Adaptação: José Roberto Jardim.
Direção Musical: Tiago de Mello.
Cenografia e Vídeo-Instalação: BijaRi.
Figurino: Lino Villaventura.
Visagismo: Leopoldo Pacheco.
Iluminação: Paula Hemsi e José Roberto Jardim.
Direção de produção: Carol Vidotti.
Fotografia: Lígia Jardim e Victor Iemini.
Suporte Institucional: Cooperativa Paulista de Teatro.
Patrocínio: Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.
Realização: Academia de Palhaços
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

 

 

SÓ… ENTRE NÓS

 

O triângulo amoroso descrito por Franz Keppler em SÓ…ENTRE NÓS retorna aos palcos paulistanos em 2 de julho, sábado, às 21 horas, para temporada no Centro Compartilhado de Criação (CCC).

Dirigido por Joca Andreazza, o espetáculo tem no elenco os atores Marcia Nemer-Jentzsch, Tiago Martelli e Vitor Placca e conta a história de um relacionamento a três vivido entre um professor de música, sua mulher e seu aluno.

Entre as referências do diretor Joca Andrezza para a direção, estão as telas de Edward Hopper com suas melancólicas figuras imersas na solidão humana, e nas quais o espectador assume a figura de um voyer, olhando por um telescópio  através de uma janela.
A encenação procura respeitar acima de tudo autor, atores e público: o primeiro por não querer ser maior que a poesia dura e urbana do tema dos encontros e desencontros (que não obedecem a cronologia dos fatos) e sinalizam a solidão como legado das relações humanas nos grandes centros; o segundo por mostrar os atores como protagonistas da cena teatral (esquecidos pelo teatro pós-dramático, no qual apenas o encenador aparece aos olhos dos espectadores); e o terceiro pela constatação de que tudo que ultrapassa a duração da atenção que o ser humano presta à obra de arte não constitui um poema”, afirma Andreazza.
A peça nasceu após Franz Keppler ter uma noite de inverno na casa de amigos. Regadas a vinho, as longas conversas sobre a vida tinham como fundo a Suíte Número 1, de Bach. “Na volta para casa na madrugada fria, a melancolia do clima, o medo das perdas, a lembrança dos amores que terminaram, o vazio das ausências preenchido pelas memórias. Fui dormir embalado por todas essas sensações”, explica Keppler. “Na manhã seguinte, senti uma vontade enorme de escrever sobre tudo isso. As palavras foram surgindo no computador e, aos poucos, SÓ…ENTRE NÓS foi se transformando em uma peça”, completa.
Só Entre Nós teatro
Geometria
Quando Joca foi convidado para assumir a direção, a peça já tinha sido apresentada numa edição do Satiryanas em versão bem mais curta. “Peguei aqueles 17 minutos iniciais e tive que trabalhar ideias para que eles se transformassem em uma peça de fato. O texto do Franz e a ideia já estavam lá, pincelei a encenação com o congelamento dos atores, desenhados em progressões de novos jogos de aproximação e distâncias. A cena é estruturada em linhas de uma geometria imaginária que amplia as ausências e os silêncios ora de um, ora de outro personagem, provocando encontros que rompem a temporalidade linear previsível do tempo, para determinar na atemporalidade a sustentação de uma poética que se confirma no sentir, não mais pela ação”, explica.
A trilha sonora é composta unicamente da Suíte n°1 para Violoncelo, de Bach, intrinsicamente ligada à ação da peça e às lembranças dos personagens e permeia também a movimentação dos atores em cena.
Composta por Bach entre 1717 e 1723, essa é uma das peças mais intensas emocionalmente do repertório barroco, aproveitando-se ao máximo da profundidade emocional do violoncelo através de uma enorme variedade de técnicas.
Em seis movimentos, a obra age como uma conversação musical – passagens agudas são ecoadas por reflexões tocadas em tom grave e acordes densos acompanhados por delicados floreios ornamentais. Seu movimento mais famoso, o prelúdio, é um grande exemplo da genialidade de Bach. Não há acompanhamento, mas a harmonia se constrói nota a nota como uma jornada musical na qual notas são insinuadas mais do que tocadas.
Só… Entre Nós
Com Marcia Nemer-Jentzsch, Vitor Placca e Tiago Martelli.
CCC – Centro Compartilhado de Criação (Rua James Holland, 57 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 45 minutos
02 até 24/07
Sábado – 21h; Domingo – 20h
$20
Classificação 12 anos
 
Texto – Franz Keppler.
Direção – Joca Andreazza.
Iluminação – André Lemes.
Preparação Corporal – Ricardo Galli.
Fotos divulgação – Michel Igielka.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

EL JUSTICEIRO

Em algum lugar perdido na América do Sul, existe um povo oprimido por um líder político de mãos muito pesadas.
 
Este povo espera por um milagre que resolva todos os seus problemas e deposita todas as suas esperanças num possível Justiceiro, que nunca sonhou em liderar nada nem ninguém, mas que se vê compelido a fazer isso pela vontade dos seus iguais e pelo seu ego tão acariciado por esta possibilidade.
 
Então este Justiceiro liberta o povo de sua dor e engano. Ocorre que o povo sempre tão esquecido e enganado não sabe lidar bem com essa nova situação, se colocando em profunda angústia e caos social, até que decide exigir que o Justiceiro preste contas disso.
 
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El Justiceiro
Com Cristiano Belarmino, David Anderson, Demerson Campos, Denise Verreschi, Érica Correia, Lilian Prado, Mariana Mello, Murilo Rocha, Thaís Galter, Selma Paiva
SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
06 a 21/07
Quarta e Quinta – 21h
$20
 
Direção: Cadu Witter
Assistência de Direção: Luiz Rodrigues Jr.
Dramaturgia: Daniel Roda, Gustavo Macedo e Cadu Witter
Músicas e Arranjos: Gustavo Macedo
Direção Vocal: Charles Yuri
Coreografia: Elizabeth Pelegrini
Produção Executiva: Mariana Mello e Cadu Witter
Iluminação: Marcela Katzin e Fábio Govith
Som: Gabriela Piñero
Figurino: Peter Dias, Nina Gagliardi e Beatriz Quito
Cenário: Cadu Witter, Luiz Rodrigues Jr, Nina Gagliardi, Beatriz Quito e Marcela Katzin