AS ONDAS OU UMA AUTÓPSIA

Estudioso da obra de Virginia Woolf (1882-1941), o ator Gabriel Miziara concebeu “As Ondas ou Uma Autópsia”, trabalho em que comemora também a sua volta ao monólogo, depois de 15 anos, quando atuou, aos 23 anos, em “Loucura” (2001). A pesquisa, nascida de sua paixão pela escritora inglesa, iniciou-se em 2002. Como resultado deste conhecimento profundo, Miziara estreou neste ano o primeiro da trilogia de espetáculos que construiu para difundir o legado – literário e humano – presente nos romances, diários, contos, críticas literárias e artigos de uma das maiores autoras da língua inglesa. As Ondas ou Uma Autópsia volta para temporada popular no Viga Espaço Cênico.

A primeira peça de seu projeto voltado à vida e obra de Virginia Woolf, “As Ondas ou Uma Autópsia”, é baseada em “As Ondas“, romance conhecido por ser um dos mais radicais da escritora na técnica denominada “fluxo de consciência“. Assim como James Joyce, Gustave Flaubert, Marcel Proust, Samuel Beckett, entre outros, a autora em uma maneira impressionista de relatar as experiências vividas pelas personagens, carrega de subjetividade os seus discursos. “Ao mergulhar no interior de suas personagens, ao revelar cada detalhe, cada impressão, Virginia, abre um vasto território de jogo para a interpretação dramática. O mergulho vertical feito pela escritora é o mergulho que o intérprete tem de fazer para buscar em si as palavras escritas por ela“, aponta Miziara.

Completarão o projeto, criado pelo artista e pesquisador, os espetáculos “Momentos de Vida”, baseado no livro homônimo e autobiográfico, e “Virginia”, criação inédita, com previsão de estreias para 2017 e 2018 respectivamente.

AS ONDAS 3 - DNG

© Joao Caldas Fº

Sinopse baseada no livro “As Ondas”

Este romance-poema escrito em 1931 descreve através do nascer do sol até seu poente, as diversas fases das vidas de seis amigos: Jinny, Rhoda, Susan, Louis, Bernard e Neville. Os personagens manifestam seus pensamentos, anseios e vontades através de solilóquios, quase nunca existe um diálogo direto, tudo passa por dentro deles, ganha camadas, adquire relevos antes de ganhar o mundo; e cada um destes mundos é vasto, amplo, infinito. Além dos seis personagens existe um sétimo, mudo, apenas um espectro que acompanha os outros: Percival, o herói silencioso que morre no auge da sua vida. Percival é quem leva esta obra até o cerne angustiado da vida da escritora.

Encenação

Com projeções e recursos visuais tão intensos quanto o universo das palavras de Virginia Woolf e inspirados na poética de Olafur Eliasson, o cenário conspira para dilatar relações de espaço/tempo, real/imaginário e levar o espectador a uma reflexão sobre a Morte. Na sua vida, Virginia deparou-se várias vezes com a morte e cada uma delas foi decisiva para a profundidade de sua escrita e de sua visão de mundo. A morte de sua mãe, por exemplo, foi responsável pela sua primeira crise grave de depressão e sua primeira tentativa de suicídio.

As Ondas” é uma homenagem a seu irmão, Thoby Stephen que morreu de febre tifoide com apenas 26 anos, uma das perdas mais significativas na vida de Virginia. A “autópsia” do espetáculoaparece aí. Segundo Miziara, na encenação o corpo de estudo é o romance e cada incisão, o olhar de cada personagem sobre a morte, seja ela metafórica ou real.”A peça é um corpo aberto, uma anatomia poética mapeada, que busca a expressão mais fiel da dimensão íntima destas personagens em suas experiências com a morte“, completa.

Espetáculo “coletivamente” solo

Segundo Miziara, “As Ondas ou Uma Autópsia” é um espetáculo solo, pois emergiu, enquanto forma, em um monólogo, mas coletivo, porque foi criado pela fricção de vários pontos de vista, contando com a presença constante nos ensaios de alguns artistas colaboradores ou “provocadores”:o ator e diretor André Guerreiro Lopes, a atriz e pesquisadora Carolina Fabri, o dramaturgo Cássio Pires, o ator e diretor Elias Andreato, o multiartista, estilista e figurinista Fause Haten, a atriz e diretora Malú Bazan, a atriz e pesquisadora Patrícia Leonardelli e a bailarina, pesquisadora e escritora Sônia Machado de Azevedo.

As Ondas ou uma Autópsia
Com Gabrel Miziara
Viga Espaço Cênico – Sala Viga (Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 60 minutos
03/06 até 07/08
Sexta – 21h30; Sábado – 21h; Domingo – 19h
$20
Classificação 16 anos
 
Concepção e Interpretação: Gabriel Miziara
Dramaturgia: Gabriel Miziara
Supervisão de Dramaturgia: Cássio Pires
Supervisão de Direção: Carol Fabri; Malú Bazan
Provocadores: André Guerreiro; Carol Fabri; Elias Andreato; Malú Bazan; Patrícia Leonardelli; Sônia Machado de Azevedo
Cenografia: Gabriel Miziara
Figurino: Fause Haten
Iluminação: Aline Santini
Trilha Sonora: Rafael Zenorini e Gustavo Vellutini
Direção Vocal Interpretativa: Lucia Gayotto
Vídeo: Beto de Faria
Direção de Produção: André Canto
Produção: Canto Produções
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
 

 

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