BARULHO D’ÁGUA

Comemorando 15 anos de trajetória, a Companhia Nova de Teatro dá continuidade às pesquisas sobre processos migratórios, seus reflexos e consequências e estreia BARULHO D’ÁGUA no dia 1º de julho, sexta-feira, às 21 horas, no Teatro João Caetano.

A versão brasileira nasceu do encontro dos artistas Carina Casuscelli (tradução e direção) e Lenerson Polonini (provocação e iluminação), fundadores da Companhia Nova de Teatro, com o dramaturgo italiano Marco Martinelli.

As apresentações acontecem em três teatros da capital paulista: Teatro João Caetano (1º a 24 de julho), Teatro Cacilda Becker (29 de julho a 7 de agosto) e Teatro Alfredo Mesquita (de 12 a 21 de agosto), sempre com ingressos gratuitos.

Em 2009, o renomado dramaturgo italiano, Marco Martinelli (que fará um encontro online com o público paulista, em data à definir durante a temporada), movido por uma das piores tragédias humanas sofridas em seu país, decide transformar em dramaturgia a perda de centenas de vidas no Mar Mediterrâneo. BARULHO D’ÁGUA narra a travessia de imigrantes, em sua maioria refugiados de zonas de conflitos, atravessando o mar mediterrâneo em embarcações precárias rumo aos países europeus.

O contato com o autor italiano se deu em 2014 na cidade de Nova Iorque, onde a Companhia Nova de Teatro pesquisava o espetáculo 2xForeman: peças Bad Boy Nietzsche e Prostitutas Fora de Moda, de Richard Foreman, e Marco Martinelli apresentava a versão italiana de BARULHO D’ÁGUA no Teatro La MaMa. “Nas conversas sobre as pesquisas dos grupos, enxergamos a possibilidade de um intercâmbio, e, com isso, firmamos um acordo de cooperação para investigar dramaturgicamente o tema imigração, com base em experiências desenvolvidas nos dois países.”, explica Lenerson Polonini, diretor artístico do grupo.

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Depoimentos de refugiados

A dramaturgia do espetáculo tem como eixo central o depoimento de cinco refugiados, que foram colhidos pelo próprio Marco Martinelli na Ilha de Lampedusa, na região da Sicília (Itália). O texto original é um monólogo, onde um general conta a história desses refugiados, mas, na versão brasileira, a diretora Carina Casuscelli resolveu dar vida aos refugiados, cabendo ao ator Alexandre Rodrigues a interpretação de alguns dos personagens.

O general (papel de Vicente Latorre) representa os serviços das capitais europeias que praticam a “política de acolhimento”. “Esse personagem diabólico é, por vezes, grotesco, desequilibrado, psicótico, sádico, cínico, fatalista, mas, também, um simpático porteiro de certa ilha dos mortos, com a missão de ‘reunir e contar as almas de imigrantes’”, conta a diretora.

A atriz Rosa Freitas entoa as canções do espetáculo, acompanhada, ao vivo, pelo percussionista e bailarino colombiano Omar Jimenez, que também dançará durante as apresentações. O elemento virtual “água” será utilizado como um espelho do “eu”. As vozes ressonantes e a figura do general permearão toda a encenação, que será potencializada pelo trabalho videográfico e documental, com telas de projeção transparente, no intuito de criar sobreposições para narrar fatos no passado e presente.

Números

BARULHO D’ ÁGUA narra a história do drama de milhares de refugiados, que, em sua maioria, morrem atravessando o mar Mediterrâneo. Carina explica que tanto os sobreviventes, como os mortos, são identificados por números, e os que não conseguem se salvar viram apenas um registro, sem a possibilidade da família resgatar o corpo. “Os números estão presentes durante toda a montagem, ora projetados, ora nos corpos dos personagens. O nosso espetáculo também é uma forte crítica àqueles que entendem a imigração como uma mercadoria”.

Para Lenerson Polonini, o tema abordado em BARULHO D’ ÁGUA tem ocupado espaço crescente em todas as mídias, por meio de reportagens, fotos e imagens e tem chocado a população global. “Infelizmente, o sentimento de indignação parece estar dando lugar ao conformismo, à apatia e à insensibilidade que tem dominado o nosso cotidiano diante de milhares de mortes que parecem não nos afetar. Mas o teatro, por sua natureza, é um lugar onde a tragédia pode ser representada, revivida, podendo aproximar a plateia daquilo que por vezes parece pertencer somente à ficção”, acredita ele.

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Barulho D’Água
Com Alexandre Rodrigues, Vicente Latorre e Rosa Freitas. Instrumentista e Bailarino – Omar Jimenez.
Duração 50 minutos
Entrada gratuita (ingressos distribuídos uma hora antes de cada apresentação)
Classificação livre
 
01 até 24/07
Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
29/07 até 07/08
Teatro Cacilda Becker (Rua Tito 295 – Lapa, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
12 a 21/08
Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
Dramaturgia – Marco Martinelli.
Direção – Carina Casuscelli.
Provocação e Iluminação – Lenerson Polonini.
Figurinos – Carina Casuscelli.
Vídeos e Documentação Audiovisual – Alexandre Ferraz.
Direção Musical – Wilson Sukorski.
Concepção Espacial e Produção – Carina Casuscelli e Lenerson Polonini.
Realização – Companhia Nova de Teatro.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

 

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