LIMBO

Inspirado pela leitura dos livros do autor Giorgio Agamben, Alexandre França (que também dirigiu e escreveu os espetáculos Billie e Mínimo Contato) busca em seu novo espetáculo a investigação do mecanismo formador de identidades e em como ele age diariamente na vida social.
Esse é um dos motes de LIMBO, que está em cartaz no Sesc Ipiranga dentro do projeto Teatro Mínimo, que traz uma série de espetáculos intimistas, baseados essencialmente no trabalho de interpretação do ator.
 
A peça marca a fundação do Coletivo de Heterônimos, que além de Alexandre, conta com os atores Amanda Mantovani (CPT) e Bruno Ribeiro (Club Noir), que estão em cena no espetáculo de estreia do grupo.
Escrita há dois anos por Alexandre, LIMBO mostra um homem e uma mulher convivendo no que, provavelmente, seria um quarto de hospital. Em uma narrativa muito peculiar, a história desse homem, Guilherme, vai se misturando a uma série de outros episódios (impossível determinar se ligados a ele ou não), retratando a fase terminal de um paciente com câncer.
 
Levo para o texto o que eu imagino que seja o fim de uma vida. Imagens passando na cabeça, de maneira desordenada e narrativas ganhando novos significados. A ideia de limbo é justamente trabalhar com a despossessão das coisas, dos conceitos e sentimentos. Pegamos uma doença como o câncer, que normalmente causa choro e tristeza e a colocamos numa situação em que o público ri, mesmo não sabendo se deveria rir daquilo”, explica Alexandre.
 
Apesar de ter escrito o texto há cerca de dois anos, Alexandre afirma que vê certa similaridade com o momento político do país. “Parece que vivemos no limbo. As pessoas pegam conceitos e significados e aplicam de maneira diferente, dependendo da situação, criando uma terceira opção descabida. Elas não enxergam ou não querem enxergar as coisas como elas realmente são”, critica o autor e diretor.
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Novos conceitos
Alexandre, Amanda e Bruno dedicaram 2015 para a montagem de LIMBO. Alexandre explica que o desenho da dramaturgia exigiu isso dele e dos atores. “Minha ideia foi montar uma encenação ao estilo plano sequência, onde a união dos fragmentos de variadas linhas narrativas formam uma terceira. Busquei uma atuação líquida dos atores, fazendo eles enxergarem cada detalhe e imagem que o texto sugeria”, detalha.
 
França apostou num cenário limpo, assinado pelo artista Hélio Moreira Filho, onde a cor branca predomina. Um piso inteiramente branco, uma cama baixa e uma banqueta é o que basta para o Coletivo dar vida a um espaço espectral, o qual, segundo Alexandre “assistimos a um misto de paz e euforia próprio de um anúncio trágico dado em um hospital às três da madrugada”.
Limbo
Com Amanda Mantovani e Bruno Ribeiro
SESC Ipiranga (Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo)
Duração 45 minutos
24/06 até 24/07
Sexta- 21h30; Sábado – 19h30; Domingo – 18h30
$20 ($6 – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes)
Classificação 16 anos
 
Texto e direção – Alexandre França.
Iluminação – Alexandre França e Erica Mitiko.
Cenário e figurino – Hélio Moreira Filho.
Desenho de som – L.P. Daniel.
Produção – Coletivo de Heterônimo.
Fotos de divulgação – Lena Sumizono.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

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