PROJETO BRASIL

Resultado de dois anos de pesquisas, intenso trabalho e viagens para as cinco regiões brasileiras, a montagem traz um conjunto de performances criadas a partir da reflexão dos artistas sobre o país.

Reflexões de uma longa jornada

Entre 2013 e 2014, a companhia brasileira de teatro viajou por capitais das cinco regiões brasileiras, passando por Salvador, Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Brasília. Foram apresentados espetáculos de seu repertório e, numa outra frente, o grupo realizou seminários, palestras, leituras e vivências com o público e outros artistas. As andanças não se deram apenas em ambientes artísticos ou culturais, mas também em outros cantos das cidades visitadas.

Dessas viagens, trocas de informações com pessoas diversas e, também, das reflexões artísticas que o percurso gerou, foi montado um mosaico criativo. O resultado está entrelaçado na sequência de cenas de PROJETO BRASIL. Elas são independentes e em formatos diversos, que privilegiam ora a fala, ora a música, o corpo, a luz – como define Marcio Abreu, “discursos”.

Falar, sem falar

Mas não são discursos unívocos, nem iguais na forma, diz o diretor. O espetáculo traz um conjunto bem heterogêneo que inclui palavra, performance, música, teatro. É mais sensorial do que narrativo; convoca, implica, provoca. Os integrantes da companhia se deixaram afetar pelos encontros com outros criadores brasileiros e com o público teatral, pela vivência espontânea, pelos muitos materiais, pensamentos e ações produzidos nesse trajeto. O primeiro fruto disso tudo é o que vem ao palco. Não se trata, reitera Abreu, de um retrato documental, mas sim da reverberação artística da experiência.

Assumindo os riscos de criar uma peça a partir do olhar para o país num momento como o de hoje, a companhia brasileira de teatro se dedicou à tarefa com o rigor técnico, o apreço pela pesquisa e a inquietação que lhe são peculiares. As rotas percorridas, as situações vividas, histórias e bibliografias lidas, o caminho foi aos poucos sendo construído.

Desde o começo não queríamos falar explicitamente sobre o país, conta o diretor Marcio Abreu. Com o decorrer do trabalho, isto se concretizou: falar sem falar expressamente, tratar de outras coisas para tratar do Brasil. Esta outra dimensão de trabalho é um reflexo também da impossibilidade de falar sobre o país, num momento onde as coisas ainda estão acontecendo, numa velocidade muito grande. A impossibilidade de dar conta de tudo por meio da palavra também refletiu no formato do espetáculo, com uma aproximação no rumo de outras formas de expressão como a performance.

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A Montagem

O preto sobre o preto está em cena, e num sobrepalco redondo se instala uma floresta de microfones – alguns são utilizados, outros não -, como se estivessem prontos para um pronunciamento. E a fala acontece, de fato, mas não da forma mais convencional.

É neste cenário que são realizadas as cenas independentes que compõem o PROJETO BRASIL. Há momentos de texto propriamente dito, inspirados em discursos reais, como a ex-Ministra da Justiça da França Christiane Taubira ou o ex-presidente do uruguai Jose Mujica, bem como criações da própria companhia, além de cenas que buscam outras possibilidades de expressão.

São tratados temas como política, igualdade, consumo exacerbado, economia de mercado, ética, o caráter descartável de tudo na nossa sociedade, a ânsia por compreender e se comunicar.  Outras questões abordam o trabalho do grupo, como o papel do ator, do teatro e da arte. Os figurinos, também em preto, remetem a um “fim de festa”, como define Marcio.

Projeto Brasil
Com Giovana Soar, Nadja Naira e Rodrigo Bolzan e Músico: Felipe Storino
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculo I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 80 minutos
16/06 até 17/07
Quinta, Sexta e Sábado – 21h30; Domingo – 18h30
$25 ($7,50 – trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes)
Classificação 16 anos
 
Direção: Marcio Abreu
Dramaturgia: Giovana Soar, Marcio Abreu, Nadja Naira, Rodrigo Bolzan
Trilha e efeitos sonoros: Felipe Storino
Assistência de Direção: Nadja Naira
Direção de Movimento: Marcia Rubin
Orientação de texto e consultoria vocal: Babaya
Iluminação: Nadja Naira e Beto Bruel
Cenografia: Fernando Marés
Figurino: Ticiana Passos
Direção de Produção: Giovana Soar
Produção Executiva: Isadora Flores
Administrativo e Financeiro: Cássia Damasceno
Produção e operação técnica: Henrique Linhares
Produção local: Jose Maria, Lili Almeida e Géssica Arjona
Projeto Gráfico: 45JJ
Fotos: Marcelo Almeida, Maringas Maciel e Nana Moraes
Assessoria de Imprensa: Morente Forte
Operador de luz: Henrique Linhares e Elisa Ribeiro
Técnico de som: Chico Santarosa e Miro Dottori
Contrarregragem: Fernando Marés, Liza Machado e Elisa Ribeiro
Cenotécnica: Anderson Quinsler
Artistas Colaboradores: Ranieri Gonzalez, Edson Rocha, Renata Sorrah, Cássia Damasceno
Oficinas de aprimoramento: Eleonora Fabião, Erelisa Vieira
Seminários: Eleonora Fabião, Mario Hélio Gomes de Lima, André Egg, Sandra Stroparo, Itaércio Rocha, Aly Muritiba
Entrevistas e Encontros: Dona Eva Sopher, Hélio Eichbauer, Maestro Letieres Leite, Sr. Dimitri Ganzelevitch, Fabiano de Freitas e Teatro de Extremos, Favela Força, Bruno Meirinho, Ilê Ayê

 

 

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