LIMBO

Inspirado pela leitura dos livros do autor Giorgio Agamben, Alexandre França (que também dirigiu e escreveu os espetáculos Billie e Mínimo Contato) busca em seu novo espetáculo a investigação do mecanismo formador de identidades e em como ele age diariamente na vida social.
Esse é um dos motes de LIMBO, que está em cartaz no Sesc Ipiranga dentro do projeto Teatro Mínimo, que traz uma série de espetáculos intimistas, baseados essencialmente no trabalho de interpretação do ator.
 
A peça marca a fundação do Coletivo de Heterônimos, que além de Alexandre, conta com os atores Amanda Mantovani (CPT) e Bruno Ribeiro (Club Noir), que estão em cena no espetáculo de estreia do grupo.
Escrita há dois anos por Alexandre, LIMBO mostra um homem e uma mulher convivendo no que, provavelmente, seria um quarto de hospital. Em uma narrativa muito peculiar, a história desse homem, Guilherme, vai se misturando a uma série de outros episódios (impossível determinar se ligados a ele ou não), retratando a fase terminal de um paciente com câncer.
 
Levo para o texto o que eu imagino que seja o fim de uma vida. Imagens passando na cabeça, de maneira desordenada e narrativas ganhando novos significados. A ideia de limbo é justamente trabalhar com a despossessão das coisas, dos conceitos e sentimentos. Pegamos uma doença como o câncer, que normalmente causa choro e tristeza e a colocamos numa situação em que o público ri, mesmo não sabendo se deveria rir daquilo”, explica Alexandre.
 
Apesar de ter escrito o texto há cerca de dois anos, Alexandre afirma que vê certa similaridade com o momento político do país. “Parece que vivemos no limbo. As pessoas pegam conceitos e significados e aplicam de maneira diferente, dependendo da situação, criando uma terceira opção descabida. Elas não enxergam ou não querem enxergar as coisas como elas realmente são”, critica o autor e diretor.
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Novos conceitos
Alexandre, Amanda e Bruno dedicaram 2015 para a montagem de LIMBO. Alexandre explica que o desenho da dramaturgia exigiu isso dele e dos atores. “Minha ideia foi montar uma encenação ao estilo plano sequência, onde a união dos fragmentos de variadas linhas narrativas formam uma terceira. Busquei uma atuação líquida dos atores, fazendo eles enxergarem cada detalhe e imagem que o texto sugeria”, detalha.
 
França apostou num cenário limpo, assinado pelo artista Hélio Moreira Filho, onde a cor branca predomina. Um piso inteiramente branco, uma cama baixa e uma banqueta é o que basta para o Coletivo dar vida a um espaço espectral, o qual, segundo Alexandre “assistimos a um misto de paz e euforia próprio de um anúncio trágico dado em um hospital às três da madrugada”.
Limbo
Com Amanda Mantovani e Bruno Ribeiro
SESC Ipiranga (Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo)
Duração 45 minutos
24/06 até 24/07
Sexta- 21h30; Sábado – 19h30; Domingo – 18h30
$20 ($6 – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes)
Classificação 16 anos
 
Texto e direção – Alexandre França.
Iluminação – Alexandre França e Erica Mitiko.
Cenário e figurino – Hélio Moreira Filho.
Desenho de som – L.P. Daniel.
Produção – Coletivo de Heterônimo.
Fotos de divulgação – Lena Sumizono.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

PROJETO BRASIL

Resultado de dois anos de pesquisas, intenso trabalho e viagens para as cinco regiões brasileiras, a montagem traz um conjunto de performances criadas a partir da reflexão dos artistas sobre o país.

Reflexões de uma longa jornada

Entre 2013 e 2014, a companhia brasileira de teatro viajou por capitais das cinco regiões brasileiras, passando por Salvador, Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Brasília. Foram apresentados espetáculos de seu repertório e, numa outra frente, o grupo realizou seminários, palestras, leituras e vivências com o público e outros artistas. As andanças não se deram apenas em ambientes artísticos ou culturais, mas também em outros cantos das cidades visitadas.

Dessas viagens, trocas de informações com pessoas diversas e, também, das reflexões artísticas que o percurso gerou, foi montado um mosaico criativo. O resultado está entrelaçado na sequência de cenas de PROJETO BRASIL. Elas são independentes e em formatos diversos, que privilegiam ora a fala, ora a música, o corpo, a luz – como define Marcio Abreu, “discursos”.

Falar, sem falar

Mas não são discursos unívocos, nem iguais na forma, diz o diretor. O espetáculo traz um conjunto bem heterogêneo que inclui palavra, performance, música, teatro. É mais sensorial do que narrativo; convoca, implica, provoca. Os integrantes da companhia se deixaram afetar pelos encontros com outros criadores brasileiros e com o público teatral, pela vivência espontânea, pelos muitos materiais, pensamentos e ações produzidos nesse trajeto. O primeiro fruto disso tudo é o que vem ao palco. Não se trata, reitera Abreu, de um retrato documental, mas sim da reverberação artística da experiência.

Assumindo os riscos de criar uma peça a partir do olhar para o país num momento como o de hoje, a companhia brasileira de teatro se dedicou à tarefa com o rigor técnico, o apreço pela pesquisa e a inquietação que lhe são peculiares. As rotas percorridas, as situações vividas, histórias e bibliografias lidas, o caminho foi aos poucos sendo construído.

Desde o começo não queríamos falar explicitamente sobre o país, conta o diretor Marcio Abreu. Com o decorrer do trabalho, isto se concretizou: falar sem falar expressamente, tratar de outras coisas para tratar do Brasil. Esta outra dimensão de trabalho é um reflexo também da impossibilidade de falar sobre o país, num momento onde as coisas ainda estão acontecendo, numa velocidade muito grande. A impossibilidade de dar conta de tudo por meio da palavra também refletiu no formato do espetáculo, com uma aproximação no rumo de outras formas de expressão como a performance.

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A Montagem

O preto sobre o preto está em cena, e num sobrepalco redondo se instala uma floresta de microfones – alguns são utilizados, outros não -, como se estivessem prontos para um pronunciamento. E a fala acontece, de fato, mas não da forma mais convencional.

É neste cenário que são realizadas as cenas independentes que compõem o PROJETO BRASIL. Há momentos de texto propriamente dito, inspirados em discursos reais, como a ex-Ministra da Justiça da França Christiane Taubira ou o ex-presidente do uruguai Jose Mujica, bem como criações da própria companhia, além de cenas que buscam outras possibilidades de expressão.

São tratados temas como política, igualdade, consumo exacerbado, economia de mercado, ética, o caráter descartável de tudo na nossa sociedade, a ânsia por compreender e se comunicar.  Outras questões abordam o trabalho do grupo, como o papel do ator, do teatro e da arte. Os figurinos, também em preto, remetem a um “fim de festa”, como define Marcio.

Projeto Brasil
Com Giovana Soar, Nadja Naira e Rodrigo Bolzan e Músico: Felipe Storino
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculo I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 80 minutos
16/06 até 17/07
Quinta, Sexta e Sábado – 21h30; Domingo – 18h30
$25 ($7,50 – trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes)
Classificação 16 anos
 
Direção: Marcio Abreu
Dramaturgia: Giovana Soar, Marcio Abreu, Nadja Naira, Rodrigo Bolzan
Trilha e efeitos sonoros: Felipe Storino
Assistência de Direção: Nadja Naira
Direção de Movimento: Marcia Rubin
Orientação de texto e consultoria vocal: Babaya
Iluminação: Nadja Naira e Beto Bruel
Cenografia: Fernando Marés
Figurino: Ticiana Passos
Direção de Produção: Giovana Soar
Produção Executiva: Isadora Flores
Administrativo e Financeiro: Cássia Damasceno
Produção e operação técnica: Henrique Linhares
Produção local: Jose Maria, Lili Almeida e Géssica Arjona
Projeto Gráfico: 45JJ
Fotos: Marcelo Almeida, Maringas Maciel e Nana Moraes
Assessoria de Imprensa: Morente Forte
Operador de luz: Henrique Linhares e Elisa Ribeiro
Técnico de som: Chico Santarosa e Miro Dottori
Contrarregragem: Fernando Marés, Liza Machado e Elisa Ribeiro
Cenotécnica: Anderson Quinsler
Artistas Colaboradores: Ranieri Gonzalez, Edson Rocha, Renata Sorrah, Cássia Damasceno
Oficinas de aprimoramento: Eleonora Fabião, Erelisa Vieira
Seminários: Eleonora Fabião, Mario Hélio Gomes de Lima, André Egg, Sandra Stroparo, Itaércio Rocha, Aly Muritiba
Entrevistas e Encontros: Dona Eva Sopher, Hélio Eichbauer, Maestro Letieres Leite, Sr. Dimitri Ganzelevitch, Fabiano de Freitas e Teatro de Extremos, Favela Força, Bruno Meirinho, Ilê Ayê

 

 

BACK TO AMY: TRIBUTO À AMY WINEHOUSE

Assistir ao tributo representado por Bruna Góes é uma experiência única, sua performance e semelhança são tão impressionantes que até mesmo atrairam a atenção de algumas personalidades internacionais, onde se destacam Zalon Thompson, o backing vocal original de Amy e o Blues Man Lindsey Alexander, que seguem Bruna nas redes sociais sempre elogiando seu trabalho.

Amy Winehouse marcou a história da música com seu poderoso e profundo contralto vocal e sua mistura eclética de gêneros musicais, incluindo soul, jazz, R&B e ritmos caribenhos.

Considerada a precursora da Nova Invasão Britânica, Amy é referida pelos especialistas como a responsável por desencadear a revolução a que se assistiu na música soul dos anos 2000. A cantora apareceu por dois anos consecutivos na “Lista dos Mais Populares” da NME, foi eleita a “heroína suprema” dos britânicos pela Sky News em 2008, e no mesmo ano, foi incluída na lista “Personalidades Mais Influentes da Música”, do periódico The Evening Standard.

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Em 2009, ocupou a primeira posição entre as cantoras internacionais que mais venderam em território brasileiro no ano anterior, de acordo com a revista Veja, com mais de 500 000 álbuns comercializados, tornando-se um dos recordistas de vendas no país.

Apesar de sua curta discografia, Amy vendeu mais de 27 milhões de álbuns e singles em todo o mundo. O visual característico da artista, composto por um alto penteado em forma de colmeia e forte delineado negro nos olhos, transformou-a em um ícone fashion reconhecido por influentes marcas de moda.

Para além dos números e estatísticas, toda essa potência de Amy Winehouse permanece viva e latente por todo o mundo através de suas músicas que conquistaram os públicos mais diversos, e os fãs e apreciadores desse trabalho são sedentos de performances ao vivo com a qualidade e a emoção dessa artista tão autêntica.”Back to Amy” vem numa tentativa de levar ao público uma experiência única, não imitando a performance da original, mas celebrando tudo que foi e representa Amy, uma das maiores artistas do século 21.

Back to Amy – Tributo à Amy Winehouse
Com Bruna Góes e banda
Teatro Bradesco
Duração 90 minutos
03/07
Domingo – 20h
$40/$140
Classificação livre

CENAS DE UMA EXECUÇÃO

Cenas de uma Execução é um texto que merece o palco. Baseado em fatos reais, conta a terrível batalha de Lepanto e da vida da grande pintora Artemísia Gentileschi, cuja história realmente merece ser encenada. Nas palavras do polêmico autor inglês Howard Barker, ela se torna Galactia, a pintora que desafia seu tempo e provoca o poder a repensar sua autoridade.

Numa história de tirar o fôlego, Galactia é interpretada por Clarisse Abujamra, que também assina a direção e produção da peça. Atriz premiada aqui e no exterior por suas emocionantes interpretações, Clarisse conta que “produzir Cenas de uma Execução nos dias de hoje é a certeza de ser um texto que merece o palco e um desafio dos mais excitantes. O autor inglês Howard Barker, baseado em fatos reais, monta um verdadeiro folhetim onde a arte e o poder se encontram e discutem abertamente  a pertinência, a ousadia destas forças, alinhavadas com elegante humor e uma historia de amor  que envolve e emociona”.

Veneza do século XVI se torna o cenário para uma tensão atemporal entre a ambição pessoal e a responsabilidade moral. Entre as demandas do patrono e a autonomia da artista. Nada mais atual, nada mais fascinante. Em cena o humor, a ironia, a sensualidade, a história de amor entre dois pintores, o embate de gerações e o amor à arte.

Em vinte cenas comoventes, Cenas de uma Execução narra a história de Galactia, famosa pintora da época que foi convidada pelo Doge de Veneza a pintar a vitória da Liga Cristã sobre os turcos no ano de 1571. A mais sangrenta batalha da história pelos mares. A escolha é controversa, pois a artista em questão é uma mulher e sua pintura não celebra Veneza, mas ofende e enfurece as autoridades venezianas, do Estado, da Igreja em particular, devido à sua representação sangrenta e realista.

Galactia desafiou seu tempo em todos os sentidos. Uma artista ciente de sua força como pintora, como mulher e sua responsabilidade perante o mundo de pintar a verdadeira Batalha de Lepanto.

Pintar é um ato arrogante! É desafiar Deus retocando paisagens. É se vangloriar e se você não gosta disso é melhor parar de pintar.” Galactia

Além de Clarisse estão em cena outros nove atores. André Abujamra assina a trilha sonora, um verdadeiro concerto inspirado na música de 1571. A luz de Wagner Pinto desafia nosso olhar. “Ninguém deixará o teatro sem ter sido lindamente, provocado a pensar o poder e suas armadilhas”, afirma Clarisse Abujamra.

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Cenas de Uma Execução
Com Clarisse Abujamra, Fernando Rocha, Oswaldo Mendes, Mauricio Moraes, Malu Bierrenbach, Lara Córdulla, Roberto Ascar, Fabio Acorsi, Amazyles de Almeida, Priscila Castello Branco e Leopoldo Pacheco (em locução)
Espaço Cia da Revista (Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecília, São Paulo)
Duração 90 minutos
05/07 até 28/09
Terça e Quarta – 21h
$50
Classificação 14 anos
 
De – Howard Barker
Direção – Clarisse Abujamra
Figurino – Leda Senise
Assistente de figurino – Marcos Veniciu
Trilha Sonora composta por – André Abujamra
Assistente de Direção – Vivien Buckup
Projeto de Luz de – Wagner Pinto
Curadoria Artística e Desenhos de Galactia por – Kika Goldstein e Federico Guerreros
Programação Visual de – Ivan Abujamra e Antonio Fagundes Neto
Assistente de Produção – Priscilla Castelo Branco e Marina Gebara
Assessoria de Imprensa – Morente Forte
Produção Executiva – Yara Leite e Adriana Amorim
Produção – Clarisse Abujamra Produções Artísticas

O ALVO

O diretor e dramaturgo Pedro Garrafa escreveu a peça O Alvo Parte 1 – Ser ou não ser o centro das atenções a partir da necessidade que sentiu ao dialogar com seus alunos adolescentes sobre bullying.

O espetáculo (que marcou a estreia da Cia do Bigode) entrou em cartaz em 2015 e foi sucesso de público e crítica, ganhando os prêmios “Melhor Texto Original” e “Melhor Espetáculo Jovem” no Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem 2015 (antigo Prêmio FEMSA). Também foi indicado ao Prêmio Arte e Qualidade 2015 na categoria “Melhor Espetáculo Jovem” e também aos Melhores de 2015, pelo Guia da Folha.

Agora, a Cia do Bigode lança a continuação desta história. Depois empurrar da escada a menina mais zoada do colégio, as cinco meninas populares são transformadas no novo alvo da escola. O Alvo Parte 2 – Hateclub está no Teatro Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi. Os dois espetáculos ficam em cartaz simultaneamente, sendo possível adquirir o pacote para comprar as duas peças e assisti-las na sequência.

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Como o termo está em voga, tende-se a generalizar o bullying, tornando o uso do mesmo banal e vazio”, discorre Pedro.  Para não cair no senso comum, a Cia do Bigode busca fugir da lição de moral e abrir as questões para todas as interpretações possíveis. “Temos personagens com atitudes e opiniões diferentes acerca do bullying. Colocando diversos pontos de vista nós não fechamos o diálogo, mas sim abrimos para discussão e reflexão.

Com a pulverização das redes sociais, o discurso de ódio tornou-se mais corriqueiro. “Quando não estamos na frente da pessoa, nos sentimos livres para falar não só o que pensamos, mas também aquilo que está guardando na nossa mente, como mágoa, angústia e rancor. É preciso olhar com bastante atenção para isso. Somos responsáveis por filtrar o que pode fazer mal para os outros”, finaliza Pedro Garrafa, que aborda o perigo das redes sociais nos dois espetáculos.

Sinopse

O Alvo Parte 1 – Ser ou não ser o centro das atenções

Cinco amigas populares do colégio estão na sala de espera da diretoria. A amizade dessas garotas está ameaçada por causa de um estranho encontro delas com a ‘menina mais zoada do colégio’, que tomou proporções graves, quando a menina rolou as escadas e acabou em um hospital, bastante machucada.

O Alvo Parte 2 – Hateclub

Depois da ‘menina mais zoada do colégio’ rolar as escadas e se machucar por conta de uma provocação, as cinco meninas mais populares se transformam no novo alvo do colégio.

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O Alvo Parte 1 – Ser ou não ser o centro das atenções
Com Andressa Andreato, Julia Freire, Kuka Annunciato, Luiza Porto, Natalia Viviani.
Duração 70 minutos
04/06 até 31/07
Sábado – 17h30
$50
Classificação Livre
 
O Alvo Parte 2 – Hateclub
Com Andressa Andreato, Julia Freire, Kuka Annunciato, Luiza Porto, Natalia Viviani e Pauline Mingroni
Duração 70 minutos
04/06 até 31/07
Sábado – 19 horas
$ 50
Classificação Livre
 
Teatro Livraria da Vila – Shopping JK Iguatemi (Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041 – Itaim Bibi, São Paulo)
 
Texto e direção: Pedro Garrafa.
Figurino: Flávia Garrafa.
Assistente de Direção: Maira Sarmento.
Produção: Elemento Cultural.
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

 

AS ONDAS OU UMA AUTÓPSIA

Estudioso da obra de Virginia Woolf (1882-1941), o ator Gabriel Miziara concebeu “As Ondas ou Uma Autópsia”, trabalho em que comemora também a sua volta ao monólogo, depois de 15 anos, quando atuou, aos 23 anos, em “Loucura” (2001). A pesquisa, nascida de sua paixão pela escritora inglesa, iniciou-se em 2002. Como resultado deste conhecimento profundo, Miziara estreou neste ano o primeiro da trilogia de espetáculos que construiu para difundir o legado – literário e humano – presente nos romances, diários, contos, críticas literárias e artigos de uma das maiores autoras da língua inglesa. As Ondas ou Uma Autópsia volta para temporada popular no Viga Espaço Cênico.

A primeira peça de seu projeto voltado à vida e obra de Virginia Woolf, “As Ondas ou Uma Autópsia”, é baseada em “As Ondas“, romance conhecido por ser um dos mais radicais da escritora na técnica denominada “fluxo de consciência“. Assim como James Joyce, Gustave Flaubert, Marcel Proust, Samuel Beckett, entre outros, a autora em uma maneira impressionista de relatar as experiências vividas pelas personagens, carrega de subjetividade os seus discursos. “Ao mergulhar no interior de suas personagens, ao revelar cada detalhe, cada impressão, Virginia, abre um vasto território de jogo para a interpretação dramática. O mergulho vertical feito pela escritora é o mergulho que o intérprete tem de fazer para buscar em si as palavras escritas por ela“, aponta Miziara.

Completarão o projeto, criado pelo artista e pesquisador, os espetáculos “Momentos de Vida”, baseado no livro homônimo e autobiográfico, e “Virginia”, criação inédita, com previsão de estreias para 2017 e 2018 respectivamente.

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© Joao Caldas Fº

Sinopse baseada no livro “As Ondas”

Este romance-poema escrito em 1931 descreve através do nascer do sol até seu poente, as diversas fases das vidas de seis amigos: Jinny, Rhoda, Susan, Louis, Bernard e Neville. Os personagens manifestam seus pensamentos, anseios e vontades através de solilóquios, quase nunca existe um diálogo direto, tudo passa por dentro deles, ganha camadas, adquire relevos antes de ganhar o mundo; e cada um destes mundos é vasto, amplo, infinito. Além dos seis personagens existe um sétimo, mudo, apenas um espectro que acompanha os outros: Percival, o herói silencioso que morre no auge da sua vida. Percival é quem leva esta obra até o cerne angustiado da vida da escritora.

Encenação

Com projeções e recursos visuais tão intensos quanto o universo das palavras de Virginia Woolf e inspirados na poética de Olafur Eliasson, o cenário conspira para dilatar relações de espaço/tempo, real/imaginário e levar o espectador a uma reflexão sobre a Morte. Na sua vida, Virginia deparou-se várias vezes com a morte e cada uma delas foi decisiva para a profundidade de sua escrita e de sua visão de mundo. A morte de sua mãe, por exemplo, foi responsável pela sua primeira crise grave de depressão e sua primeira tentativa de suicídio.

As Ondas” é uma homenagem a seu irmão, Thoby Stephen que morreu de febre tifoide com apenas 26 anos, uma das perdas mais significativas na vida de Virginia. A “autópsia” do espetáculoaparece aí. Segundo Miziara, na encenação o corpo de estudo é o romance e cada incisão, o olhar de cada personagem sobre a morte, seja ela metafórica ou real.”A peça é um corpo aberto, uma anatomia poética mapeada, que busca a expressão mais fiel da dimensão íntima destas personagens em suas experiências com a morte“, completa.

Espetáculo “coletivamente” solo

Segundo Miziara, “As Ondas ou Uma Autópsia” é um espetáculo solo, pois emergiu, enquanto forma, em um monólogo, mas coletivo, porque foi criado pela fricção de vários pontos de vista, contando com a presença constante nos ensaios de alguns artistas colaboradores ou “provocadores”:o ator e diretor André Guerreiro Lopes, a atriz e pesquisadora Carolina Fabri, o dramaturgo Cássio Pires, o ator e diretor Elias Andreato, o multiartista, estilista e figurinista Fause Haten, a atriz e diretora Malú Bazan, a atriz e pesquisadora Patrícia Leonardelli e a bailarina, pesquisadora e escritora Sônia Machado de Azevedo.

As Ondas ou uma Autópsia
Com Gabrel Miziara
Viga Espaço Cênico – Sala Viga (Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 60 minutos
03/06 até 07/08
Sexta – 21h30; Sábado – 21h; Domingo – 19h
$20
Classificação 16 anos
 
Concepção e Interpretação: Gabriel Miziara
Dramaturgia: Gabriel Miziara
Supervisão de Dramaturgia: Cássio Pires
Supervisão de Direção: Carol Fabri; Malú Bazan
Provocadores: André Guerreiro; Carol Fabri; Elias Andreato; Malú Bazan; Patrícia Leonardelli; Sônia Machado de Azevedo
Cenografia: Gabriel Miziara
Figurino: Fause Haten
Iluminação: Aline Santini
Trilha Sonora: Rafael Zenorini e Gustavo Vellutini
Direção Vocal Interpretativa: Lucia Gayotto
Vídeo: Beto de Faria
Direção de Produção: André Canto
Produção: Canto Produções
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
 

 

A HORA E VEZ

Do conto A Hora e Vez de Augusto Matraga, de João Guimarães Rosa, o espetáculo A Hora e Vez faz temporada no Teatro do Núcleo Experimental. Com atuação de Rui Ricardo Diaz e direção de Antonio Januzelli. 

A Cia do Sopro também se prepara para lançar novo trabalho, Como Todos os Atos Humanos no segundo semestre. 

‘A Hora e Vez’ estreou em 2014 no SESC Ipiranga, no projeto Teatro Mínimo. Entre os destaques teatrais do ano, integrou a “Mostra 2014 em cena”. Em seguida o trabalho foi contemplado com o “Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo” em sua 1ª edição.

Sinopse

Depois de cair na emboscada liderada por Major Consilva, Nhô Augusto é dado como morto. Socorrido por um casal de pretos consegue sobreviver. Quando se recupera, vai viver longe do Murici e decide dedicar sua vida ao trabalho, à penitência e à oração. Depois de anos de reclusão, no povoado do Tombador, decide partir. O destino o leva ao Arraial do Rala-Côco, onde o reencontro com o amigo e poderoso cangaceiro, Seu Joãozinho Bem-Bem, será decisivo para o desfecho de sua história, de sua Hora e Vez.

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Laboratório Dramático do Ator

O espetáculo foi criado dentro do Laboratório Dramático do Ator, de Antonio Januzelli. O Laboratório surge da inquietação de Januzelli diante da figura do homem/ator. A pesquisa tem como eixo central os estudos sobre o intérprete e os caminhos que o levam a um trabalho de interiorização e construção cênica.

Durante os estudos não há a preocupação com o tempo de processo, mas sim com a busca pela potência cênica de um criador que possa  integrar à sua arte a relação direta com o vir e o devir que dá sentido e continuidade à sua própria existência.

Entre os trabalhos criados a partir do Laboratório Dramático do Ator, destaque para o espetáculo O Porco, de Raymond Cousse, com indicação de Henrique Schafer ao prêmio Shell de melhor ator em 2005.

A Hora e Vez
Com Rui Ricardo Diaz
Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 60 minutos
04/06 até 28/08
Sábado – 21h; Domingo – 19h
$ 40
Classificação 16 anos
 
A partir do conto “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, de João Guimarães Rosa
Adaptação e atuação: Rui Ricardo Diaz
Direção e Figurino: Antonio Januzelli
Assistência: Fani Feldman
Iluminação: Osvaldo Gazotti
Pesquisa de Vocábulo Regional: Joaquim Dias da Silva
Estudo de Teatro Físico: Luis Louis
Arte Gráfica: Ideografia Soluções Gráficas
Acervo de figurino: Roupa de Santo
Produção: QUINCAS
Idealização: Cia. do Sopro  
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio