A DOR

Os solos PULSO, da atriz Elisa Volpatto inspirado em Sylvia Plath e A DOR, da atriz Rita Grillo, a partir da obra La Douleur, de Marguerite Duras, prorrogam temporada. Os dois espetáculos do coletivo Vulcão [criação e pesquisa cênica], tem direção de Vanessa Bruno e integram o Projeto Escritoras na Boca de Cena, do Sesc Consolação.PULSO fica em cartaz até 11 de julho (segundas-feiras às 20 horas) e A DOR até 12 de julho (terças-feiras às 20 horas).

Mantendo a poética particular de cada autora, os solos exploram, para além do feminino, as vicissitudes de todo e qualquer ser humano a partir, ora de fragmentos biográficos das escritoras, ora das potências que suas obras desdobram. Para a diretora Vanessa Bruno a intenção é colocar em cena a profundidade das vidas e das obras de duas importantes mulheres, tendo como eixo fundamental das encenações o trabalho das atrizes. “Me interessa o testemunho das atrizes através das palavras de Plath e Duras”, explica ela.

As duas montagens integram o projeto Escritoras na Boca de Cena, do Sesc Consolação, que destaca a presença da literatura feminina no palco, reunindo espetáculos de artes cênicas baseados na obra e na vida de grandes escritoras nacionais e internacionais.

Marguerite Duras

a_dor_com_rita_grillo3_cortada_fotos_mauricio_pisani_copia_606x455Durante a segunda guerra mundial a escritora francesa Marguerite Duras se envolveu na luta de resistência, junto com seu marido, Robert Antelme e seu círculo de relações. Em 1944 Robert foi preso e enviado para um campo de concentração. A partir daí Duras empreendeu uma série de ações com o propósito de obter informações sobre o paradeiro de seu marido. Todo esse período foi relatado em diários, que mais tarde foram compilados em um livro, La Douleur, composto por textos de momentos diferentes desta espera.

O solo A DOR, da atriz Rita Grillo, se concentra no último momento, aquele no qual a escritora espera a volta de Robert, após a chegada dos aliados. É o momento em que a verdade sobre os campos de concentração começa a aparecer, e não é possível saber se ele conseguiu sobreviver ao horror. Durante um mês ela espera, nas estações em que os comboios de deportados chegavam, em sua casa, ao lado do telefone, por notícias de Robert.

A atriz Rita Grillo e a diretora Vanessa Bruno, que se conhecem desde 2000 quando participaram de núcleos de trabalho do ator no teatro Ágora – na época dirigidos por Roberto Lage e Celso Frateschi -, ambicionavam há alguns anos desenvolver um trabalho em conjunto. Foi apenas em 2015, quando Vanessa concluía seu mestrado sobre o trabalho do ator na transposição de Clarice Lispector para o palco, que Rita propôs que trabalhassem juntas. Rita Grillo pesquisa Marguerite Duras há muitos anos, e o monólogo é um projeto antigo, que o reencontro com Vanessa tornou possível. Passando a integrar o Vulcão [criação e pesquisa cênica], elas puderam, com a colaboração da preparadora corporal Lívia Vilela, dar início ao solo.

Flashes de memórias

Quando lemos o romance, acompanhamos a busca de Marguerite Duras por Robert em momentos distintos. As narrativas não são lineares, nem cronológicas, na organização do livro. Cada capítulo trata de um momento. Assim também pretende A DOR, o espetáculo, fragmentado em flashes de memória, de devaneio”, explica a atriz Rita Grillo.

Na encenação de Vanessa Bruno para A DOR, a diretora escolheu concentrar a espera no apartamento de Marguerite, com opções para além do realismo. Como o texto foi escrito na forma de diários, Vanessa vê o espaço cênico como um lugar da memória. “A mulher que espera se recorda de um mesmo fato de formas diferentes criando múltiplos sentidos”, conta a diretora.

O cenário de Anne Cerutti e a luz de Aline Santini ajudam a criar esse espaço de uma memória fragmentada. Já a trilha sonora de Edson Secco também participa da construção de um estado febril e confuso, de uma espera que vai e vem entre a esperança e a desolação.

Sobre Vulcão [criação e pesquisa cênica]

Surgido da união de artistas autônomos com desejo comum de concretizar suas pesquisas artísticas e criações autorais, Vulcão [criação e pesquisa cênica] desenvolve projetos de investigação teatral que explorem a condição humana. O trabalho realizado permeia um viés sensível e potente esteticamente, criando o teatro como uma experiência de alteridade deflagrada a partir das fragilidades humanas.

Em seus dois primeiros trabalhos –PULSO e A DORpropõem interagir com grandes mulheres do século XX, em busca de diálogos possíveis entre o agora e parte da história das aspirações femininas. Esse diálogo, neste projeto, se faz entre o Teatro e a Literatura, campos por natureza do sensível na exploração do humano. O coletivo, que é formado pelos artistas Vanessa Bruno, Lívia Vilela, Elisa Volpatto, Rita Grillo e Paulo Salvetti, deseja aproximar diferentes linguagens, unir dança ao teatro, literatura e vídeo e vê como motor catalizador – principal e determinante – o trabalho do intérprete.

A Dor
Com Rita Grillo
SESC Consolação – Sala Beta (R. Dr. Vila Nova, 245 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 50 minutos
31/05 até 12/07
Terça – 20h
$20 / $6 (credencial plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes)
Classificação 14 anos
 
Um espetáculo do Vulcão [criação e pesquisa cênica].
Proposição, Tradução e Interpretação – Rita Grillo.
Direção – Vanessa Bruno.
Preparação Corporal e Assistência de direção – Livia Vilela.
Figurino e Cenário – Anne Cerutti.
Trilha Sonora – Edson Secco.
Iluminação – Aline Santini.
Fotos – Maurício Pisani.
Produção Executiva – Anna Zêpa.
Produção Geral – Paulo Salvetti.
Realização – Sesc São Paulo.
Apoio – Casa das Caldeiras.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

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