CARTOGRAFIA DO AFETO – MANIFESTO LEONILSON (OPINIÃO)

Logo que recebemos o release de divulgação de “Cartografia do Afeto – Manifesto Leonilson“, ficamos interessados pela possibilidade de participar de outro espetáculo performativo, onde os atores interagem com a cidade e vice-versa.

leonilson_00Confesso que não sabíamos quem era Leonilson, mas a descrição feita pela assessoria nos chamou a atenção – “propondo uma sensibilização do olhar e uma interação com a cidade e com as pessoas ao redor“.

Demorou um pouco para fazermos a reserva, mas até que há duas semanas fomos participar da “primeira parte” da peça.  Isto porque são dois atores/personagens que  atuam independentemente um do outro, apesar de interagirem em certos momentos (e uma dica, vale a pena seguir os dois).

No dia agendado, você começa a receber mensagens no celular, em um grupo de whatsapp criado pelos organizadores. É o início da interação entre os participantes que devem (ou não) responder o que está sendo perguntado. Interessante esta proposta, pois afinal nos tempos atuais, utiliza-se bastante o celular e as mídias sociais para interagir.

O ponto de encontro é uma praça. Você chega, fica olhando no celular para ver se tem mais alguma mensagem. Vê as fotos que os outros mandam. E até a chegada das pessoas da produção (que serão os condutores do grupo), fica olhando e tentando adivinhar quem veio para participar, como são as pessoas que passam,…

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Quando os condutores chegam, eles passam as informações básicas e começa a divisão dos participantes em dois grupos. Como já dito, cada grupo vai seguir um dos atores. Feita a separação, cada grupo começa sua ida até o ponto de encontro. No trajeto, é pedido que não conversamos, nem olhemos no celular durante todo o período do espetáculo. (é quando se percebe a dependência que temos deste aparelhinho).

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Sidney Santiago Kuanza e Ricardo Henrique

Chegamos no apartamento de um dos atores/personagens. Eles só se referem a si próprios na terceira pessoa (é estranho no começo), mas pelo que entendemos, tudo o que for falado pode ser tanto deles pessoas físicas ou deles personagens.

Neste momento inicia-se a performance. Você entra no apartamento e começa a interação do “afeto“. Há o receber, a conversa, o conhecer quem é a pessoa que está contigo naquela experiência, saber quem é “ele” (ator/personagem). É nos servido chá e café (símbolos de hospitalidade em muitas culturas).

Até que chega o momento em que precisamos sair para encontrar uma outra pessoa (que seria o outro ator). Neste momento começa a “cartografia da cidade”, pois os lugares por onde passaremos dependerá das decisões dos participantes, estimulados pelos atores/personagens. Ou seja, cada apresentação é única e exclusiva, já que cada “plateia participativa” é diferente a cada dia.

Neste caminhar – somos andarilhos –  há alguns momentos onde recebemos “sugestões” dos atores/personagens. Passamos por uma praça, entramos em um parque ou igreja, sentamos em jardins para observarmos e refletirmos sobre a paisagem que vemos (e o que mudaríamos nela).

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Confesso que estas experiências em teatros performances nos atrai. Pois sair de uma caixa fechada (onde também sonhamos através do que está apresentado) e poder interagir com a cidade e seus moradores, que modificam-se a todo instante, é algo que estamos precisando, principalmente em um mundo onde a interação acontece durante o dia através da tela de um computador ou celular.

Até que chega o momento da despedida. Veio a lembrança a música “Encontros e Despedidas” (Milton Nascimento e Fernando Brandt). Na nossa vida, tem gente que chega, tem gente que vai, gente que fica pouco, gente que fica muito, gente que veio só olhar e outros a sorrir e chegar…. mas como andarilhos, “coisa que gosto é poder partir sem ter planos“… E vamos – cada um dos participantes – seguir nossos rumos, sem olhar para trás (colocamos o final do espetáculo desse jeito para não estragar a surpresa).

A experiência mexeu conosco (a sensação vai melhorando – e se transformando – com o passar dos dias). Foi quando decidimos que teríamos que voltar para fazer o outro ator/personagem – o que aconteceu na semana seguinte.

Pedimos licença para reproduzir a história que publicamos na nossa página pessoal. Nela, eu conto a sensação que senti ao terminar a experiência. Foi escrita enquanto esperava para participar no mesmo dia de uma outra peça.

A MAÇÃ (a história é verídica!)

13620950_817933761670635_4019537261694513787_nAcabei de participar de uma peça performance, onde andávamos pela cidade. Fomos parar perto do Bixiga. Estava com pressa em acabar, pois tinha um outro compromisso após.
Foi quando o artista nos entregou uma maçã que representava o nosso coração. Era umas 19:11 e tínhamos que nos encontrar no Teatro Sérgio Cardoso às 19:25. (O teatro ficava um quarteirão de distância de onde estava).
E tínhamos que entregar nossa maçã -coração para alguém nesses 14 minutos.
Fui com uma outra participante numa rua transversal a procura de alguém.
Foi quando nos deparamos com um salão de cabeleireiro feminino. A porta de vidro estava fechada. Batemos e explicamos por cima que queríamos dar nossa maçã. Tinha 5 senhoras lá dentro.
Elas nos deixaram entrar. Lá dentro explicamos a situação e se poderíamos entregar “nosso coração”. Elas permitiram.
Escolhi a minha pessoa, uma senhora que estava atrás do balcão, na parte mais distante de onde estava.
Apresentei-me. Perguntei seu nome. Ariadne. Expliquei que a maçã representava o sentimento bom que eu tinha pelas pessoas, de que eu acreditava nelas… (saiu tudo sem pensar). Entreguei “meu coração”.
Ela pegou. Olhou pra maçã e para mim e chorou. Disse que era tudo que precisava ouvir naquela hora. Eu falei: “então vou lhe dar também um abraço”. Passei pelo balcão e a abracei.
Conversamos todos um pouco mais. Despedimo-nos de todas com abraços e fomos nos encontrar com nosso grupo, para acabar a peça.
Ganhei meu dia! Uma maçã que representava o meu carinho, que transformou a vida do outro!

Ah! A peça é Cartografia do Afeto. É gratuita. E vai até o dia 16/07. Eles tem facebook ou no Opinião de Peso você encontra o serviço. Com certeza, a peça performance também transformaráa sua vida! É só ir de “maçã” aberto.

Quer saber mais sobre Leonilson, acesse o link sobre o seu projeto.

Cartografia Do Afeto – Manifesto Leonilson
Com Ricardo Henrique e Sidney Santiago
03/06 até 16/07
Quinta – 17h; Sexta e Sábado – 15h
Duração do evento: 3 horas, sendo 2 horas em deslocamento a pé pela cidade.
Reservas de convites*:
Telefone (11) 972378831
Terça-feira: das 10 às 11 horas (caso ainda não tenha se completado o grupo de 20 pessoas) Quarta-feira: das 14 às 15 horas.
Direção/Encenação: Roberto Rezende.
Atores e concepção do projeto: Ricardo Henrique e Sidney Santiago.
Assistência de encenação: James Turpin.
Direção de arte: Mayara Mascarenhas.
Direção sonora: Luiz Gayotto.
Produção: Paulo Salvetti.
Assistente de Produção: Renan Salvetti.
Assistentes de operação: Guto Tataren.
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes.
Registro fotográfico e audiovisual: Alice Jardim.
Provocação: Flávio Rabelo e James Turpin.
Designer Gráfico: Rodrigo Kenan.
Pesquisa de linguagem e procedimentos: Cambar Coletivo.
Palestrantes: Flávio Rabelo e Ricardo Resende.

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