O TESTE DE TURING

Será que a tecnologia irá evoluir tanto a ponto de não mais reconhecermos a diferença entre um ser humano e um computador? Investigar isso e outros aspectos da inteligência artificial é um dos objetivos de O Teste de Turing, segundo espetáculo da programação da Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos do Centro Cultural São Paulo, que estreia no dia 15 de julho, sexta-feira, às 21 horas. Com direção de Eric Lenate e um elenco formado por Maria Manoella, Rodrigo Fregnan, Jorge Emil e Felipe Ramos, o texto é assinado por Paulo Santoro.
Paulo escreveu O TESTE DE TURING em 2004, mas só agora o texto ganha os palcos. “Para mim, esse é o maior mérito do edital da Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos do Centro Cultural São Paulo: dar voz  e iniciativa aos autores. É mais comum, recebermos propostas de produtores e produzirmos algo em cima disso. Se tivéssemos mais prêmios como esse, poderíamos ter mais autonomia para dizer aquilo que queremos e da maneira que queremos”, explica.
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A mente humana como objeto de estudo
Apesar de O TESTE DE TURING falar sobre inteligência artificial, o objeto de estudo de Paulo Santoro foi o funcionamento da mente humana. “Essa é uma obra de ficção científica que se passa em um futuro indeterminado. Eu utilizo o conceito de inteligência artificial como espelho para revelar as limitações da própria consciência humana. Minha ideia é que o público reflita como o desenvolvimento da inteligência artificial pode, em um certo futuro, significar um desafio ao modo como o homem se vê e às suas crenças mais profundas”, afirma Santoro.
A história se passa em uma empresa de tecnologia que afirma ter construído uma máquina capaz de simular por completo a consciência e o comportamento dos seres humanos. Para comprovar essa proeza, a empresa precisa fazer com que seu equipamento seja aprovado no famoso teste de Turing – que testa a capacidade de uma máquina exibir comportamento inteligente equivalente a um ser humano, ou indistinguível deste. Três diferentes profissionais (um linguista, um programador e um matemático) são chamados para pôr esse teste em prática. O que eles não sabem é que, como se fossem eles as verdadeiras máquinas, todas as suas atitudes já foram previstas bem antes.
Eric Lenate, que conhece Paulo Santoro desde a época do CPT, onde ambos se formaram sob a batuta de Antunes Filho, diz que o ponto que mais lhe atraiu no projeto foi a possibilidade de falar sobre a questão da tecnologia e vigilância. “Essa foi uma das questões que mais me chamaram atenção. Há tempos venho pensando que somos constantemente vigiados e observados. Isso já foi tratado por George Orwell há algum tempo, mas sempre me interessei pela questão do poder relacionado a isso. Quem diz para essas pessoas que elas podem nos observar e o que de nossa rotina pode ser observado? Quem dá a esses observadores o poder e autorização para tal? Paulo traz um pouco dessa reflexão e esse texto acaba mostrando que esse tipo de questionamento pode ser levantado imediatamente”, reflete o diretor.
Além do tema, Lenate explica também que a maneira como Paulo construiu o texto o deixou atraído pelo projeto. “Ele esgota os temas com os quais trabalha de tal maneira que isso acaba se refletindo nos personagens, que aparentam uma exaustão mental em cena. Isso dá muita riqueza e singularidade a sua dramaturgia”, diz.
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Futurista
O tom futurista também será proposto nos elementos do cenário. Lenate aposta num ambiente que leva o público para um laboratório. Cores claras dão uma ideia de assepsia. Um piso em formato quadrado, na cor branca, circunscrevendo a área de ação e um único objeto no palco, que funcionará como um computador com o qual um dos personagens conversa. A iluminação, assinada por Aline Santini (indicada no último Prêmio Shell), complementa o caráter asséptico da cena, bem como contribui para criar nuances, com cores e filtros, que contribuirão para o clima de suspense da encenação.
Um elemento muito forte presente na dramaturgia é a informação de que todos em cena, especialmente os entrevistadores, estão sendo observados por câmeras espalhadas por toda parte e suas imagens sendo gravadas. Para reforçar essa vigilância, Lenate fará forte uso de projeções. “A ideia é emprestar ao público a perspectiva do olhar da pessoa que observa os entrevistadores”, detalha. Os figurinos devem acompanhar a mesma linha de composição da cenografia: peças sóbrias e assépticas, que denotam seriedade e requinte.
O Teste de Turing
Com Jorge Emil, Rodrigo Fregnan, Felipe Ramos e Maria Manoella.
Participação em vozes – Hélio Cícero, Martina Gallarza e Fernando Gimenes.
Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo)
Duração 70 minutos
15/07 até 07/08
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 20h
$10
Classificação 14 anos
 
Dramaturgia – Paulo Santoro.
Direção, cenografia e adereços – Eric Lenate.
Figurinos e adereços – Rosângela Ribeiro.
Iluminação e adereços – Aline Santini.
Videografia – Laerte Késsimos e Eric Lenate.
Trilha sonora, sonoplastia e engenharia de som – L.P. Daniel.
Assistência de direção – Felipe Ramos.
Assistência de Cenografia e direção de palco – Saulo Santos.
Projeto Gráfico – Laerte Késsimos.
Fotos de cena e registro documental – Leekyung Kim.
Direção de produção – Ricardo Grasson e Fernando Fado.
Produção executiva – Eric Lenate. 
Assistência de Produção – Ricardo Corrêa.
Assistentes Administrativos – Olivia Maciel e Felipe Costa.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta.
Produção – Gelatina Cultural.
Idealização – Sociedade Líquida.
Realização – Centro Cultural São Paulo.

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