MEGURI – MAR EXUBERANTE, TERRA TRANQUILA

Depois de apresentações da Cia de Dança Deborah Colker e do Ballet de Santiago, a Temporada de Dança do Teatro Alfa 2016 – reconhecida por apresentar as tendências da dança contemporânea e trazer companhias criadoras de obras instigantes e significativas – apresenta a renomada companhia de dança Sankai Juku. O grupo apresenta duas sessões de sua mais recente criação, a peça Meguri – Mar Exuberante, Terra Tranquila, dias 23 e 24 de julho, sábado, às 20h, e domingo, às 18h. A companhia vem ao Brasil para apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo após turnê pela Europa, onde já se apresentaram em Singapura, Itália, Finlândia e França.

Coreografia para 8 bailarinos, Meguri é a criação mais recente de Ushio Amagatsu (1949), diretor artístico, coreógrafo e bailarino japonês que pertence à segunda geração de dançarinos de butô, gênero fundado em meados da década de 50, no Japão pós-Segunda Guerra, por Tatsumi Hijikata e Kazuo Ono, como um movimento de contracultura e revolta dos japoneses contra a ocupação americana. No ankoku-butoh – dança das trevas – os dançarinos experimentam com os limites do corpo numa subversão da ideia da dança, quase sem música.

Na peça, os dançarinos estão em cena completamente pintados de branco para apagar suas personalidades e também para refletir melhor a luz delicada da cena. Os figurinos não enfatizam o masculino ou o feminino, mas sim figuras andróginas.

O espetáculo é dividido em sete sequências: Um clamor à distância, Transformação do fundo do mar, Duas superfícies, Premonição – Quietude – Tremores, Floresta de Fósseis, Entrelaçamentos e Retorno. A arte no fundo do palco foi criada à imagem de fósseis de criaturas marinhas do período paleozoico conhecidos como lírios-do-mar (crinoides), e o chão recebe uma fina camada de areia que, ao fim da apresentação, registra as pegadas dos dançarinos.

Segundo Amagatsu, o cenário de Meguri é a representação de um ambiente que muda e envolve os dançarinos. Dessa forma, os intérpretes dialogam com as mudanças que acontecem neste local. “A vida na terra, incluindo a dos seres humanos, sobrevive sem cessar. No entanto, é difícil reconhecer isso na rotina. Eu espero que os espectadores sintam que nossas vidas na Terra estão entre uma linha fina que separa o presente de um passado inimaginável”, conta Amagatsu.

O estilo do coreógrafo, que no começo não foi aceito como butô pelos críticos tradicionais, reflete a experiência global de Amagatsu. Durante as turnês mundiais da companhia, o coreógrafo observou o que chama deuniversalidade entre todas as culturas: de forma mais abstrata, a expressão original das emoções; no aspecto físico, o diálogo com a gravidade que todas as pessoas estabelecem durante a vida, quando aprendem a sentar, se levantar e andar.

Eu não tento explicar algo nem contar uma história no espetáculo. Ficarei grato se as plateias sentirem cada cena – que chamamos de tableau – como um poema. Há quem diga que nossa dança é em câmera lenta, mas não é. Ela é o resultado de um diálogo cuidadoso com a gravidade– não uma repulsão, e sim uma conformidade com ela. A dança ocidental é, em sua maioria, criada pela tensão: levantar uma perna, controlar uma forma. Em contraste, nós pensamos no estado de relaxamento como a base de nossa dança”, explica Ushio Amagatsu.

A palavra meguri (pronuncia-se meguru) é usada para tudo o que se move ou circula seguindo uma ordem ou um sistema pré-descrito, como a passagem do tempo, o ciclo das quatro estações e as transições que já ocorreram na Terra. Na forma de verbo, refere-se a tudo o que gira.

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Meguri
Com Ushio Amagatsu, Semimaru, Sho Takeuch, Akihito Ichihara, Ichiro Hasegawa, Dai Matsuoka, Norihito Ishii e Shunsuke Momoki.
Teatro Alfa
Duração 80 minutos
23 e 24/07
Sábado – 20h e Domingo – 18h
$50/$180
Classificação livre
 
Coreografia, conceito e direção: Ushio Amagatsu.
Trilha sonora: Takashi Kako, Yas-KaZ, Yoichiro Yoshikawa.
Direção de palco: Kazuhiko Nakahara.
Iluminação: Satoru Suzuki.
Produção técnica: Keizuke Watanabe.
Som: Akira Aikawa.

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