WE WILL ROCK YOU (ÚLTIMA SESSÃO)

The Show Must Go On“. Com esta música do Queen (1991), o espetáculo “We Will Rock You” encerrou em grande estilo sua temporada na noite de 31 de julho no Teatro Santander.

A última sessão foi uma experiência emocionante. Percebia-se a energia no ar. Parecia que o público sabia que vivenciaria algo mais do que uma apresentação normal do espetáculo. Assim que  começaram os primeiros acordes, a plateia e os atores e músicos ficaram ligados na “vibe do rock ‘n’ roll

Eram atores que estendiam mais as notas e potencializavam suas vozes; aplausos de pé por parte da plateia; mãos levantadas acompanhando as canções; funcionários assistindo a apresentação e dançando junto. A música do Queen reverberava por todos os espaços do Teatro Santander e incendiou a todos.

O espetáculo era um sonho da produtora Almali Zraik, da Caradiboi Arte e Esportes, e de Julio Figueiredo Junior, da Atual. Quando foram convidados em 2014 pela WTorre para estrear o Teatro Santander, pensaram logo neste espetáculo. Conseguiram comprar os direitos em 2015 e neste mesmo ano, Almali encontrou os dois integrantes da banda QueenBrian MayRoger Taylor, quando estes fizeram show no Ginásio do Ibirapuera – e recebeu as bençãos deles para o projeto.

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Roger Taylor, Almali Zraik e Brian May

Para Almali, a temporada é o resultado “tanto da companhia, quanto elenco, quanto produção. Nunca vi uma equipe tão linda, tão apaixonada. Um espetáculo que fala do poder do rock, ele realmente é transformador, é absurdo…. ficou todo mundo apaixonado pela energia que a gente troca ai dentro. Queríamos ter podido ficar mais, mas se o tempo é o que foi permitido, agradeço.

Isto pôde ser comprovado também através do Prêmio Bibi Ferreira 2016, que reconhece os talentos do Teatro Musical. “We Will Rock You” recebeu 3 indicações – melhor ator e atriz coadjuvante (Nicholas Maia e Thais Piza) e musical

Thais comentou que “até agora foi a experiência mais incrível da minha vida. Esta peça é uma energia que não dá para explicar. E ser indicada é uma gratidão imensa. Gratidão é a palavra. É minha primeira indicação a um prêmio. Estou muito feliz, muito confortada. Depois de tudo que passei este ano, vou voltar a caminhar e poder respirar mais aliviada.

Pedido de Casamento entre Protagonistas

O espetáculo também foi especial para os atores Lívia Dabarian e Alírio Netto, que interpretaram o casal de protagonistas, “Scaramouche” e “Galileo Fígaro”. Ao término da apresentação do dia dos namorados, Alírio pediu a mão de Lívia na frente dos colegas de musical e da plateia que assistia. (veja o pedido neste link – https://goo.gl/U4kSWL)

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Lívia disse que “a maior emoção foi lógico o pedido de  casamento. Não tem como, é imbatível. Qualquer mulher que trabalha com arte, com teatro, um dia sonha em ser pedida em casamento no palco. E ter o amor da minha vida, o presente que o Queen me deu. Vou levar estes momentos, além dos vividos como “Scaramouche”, pelo resto da minha vida.”

Para Alírio, “foi o melhor show que eu fiz na vida. Parece piegas, mas é verdade. Virei cantor por causa do Freddie Mercury. E este musical foi a maior  conquista da minha vida, porque eu não só conquistei cantar estas músicas escolhidas pelo Brian May, como encontrei a minha esposa. Tiveram momentos bem emblemáticos neste show e cada vez que eu olhava para a estátua do Freddie no palco, eu agradecia a ele por me ter dado a oportunidade de estar aqui. Foi um divisor de águas na minha vida.”

“O Show Deve Continuar”

Rodrigo Miallaret também levará grandes lembranças do espetáculo. A primeira será da possibilidade de ter vivido o personagem “Toca“; pois o ator Felipe de Carolis, escolhido originalmente para o papel, não pôde interpretá-lo por causa de outros compromissos. “Foi um acontecimento ímpar fazer o personagem “Toca”. Cheguei nos 48 minutos do segundo tempo e fui até o final dos pênaltis. Foi inesquecível, indescritível, perfeito. Só isso que tenho a dizer. ‘Let’s Rock!’“, disse Rodrigo.

Douglas Tholedo entrou no musical, com a temporada já acontecendo. “Não tenho palavras para descrever. Já peguei o processo no meio, tive pouco tempo para me adaptar. Tive 3 ensaios e já entrei na peça, e foi arrepiante. A energia do grupo é muito boa, muito intensa e o resultado aparecia no palco e para plateia todos os dias. Dávamos o máximo, 110% todo o dia. É uma peça cansativa de fazer pela energia que a gente gasta, mas é muito prazerosa porque devolve em emoção. Você volta para casa com o coração cheio de esperança e de alegria.”

Voltando ao começo, citando a canção “The Show Must Go On“, podemos fazer uma comparação com o sentimento que os produtores, a equipe técnica e os atores vivem a cada término de temporada, enquanto esperam pela próxima produção.

O show deve continuar (“The show must go on)
O show deve continuar, sim, sim (The show must go on, yeah, yeah)
Por dentro meu coração está se partindo (Inside my heart is breaking)
Minha maquiagem pode estar escorrendo (My make up may be flaking)
Mas meu sorriso (But my smile)
Ainda permanece (Still stays on)

O show deve continuar, sim (The show must go on, yeah)
O show deve continuar (The show must go on)
Eu irei enfrentar tudo com um grande sorriso (I’ll face it with a grin)
Eu nunca irei desistir (I’m never giving in)
Continue com o show (On with the show“)

 

Vídeos Extras:

We Will Rock You – link

Bohemian Rhapsody – link

We are the Champions – link

AS SIAMESAS – TALVEZ EU DESMAIE NO FRONT

Imersos num tempo que insiste em cisões e onde coexistir com o diferente está provocando convulsões, não diálogo, é possível dar luz a uma possibilidade de convivermos num mesmo organismo? Assim, As Siamesas – Talvez eu Desmaie no Front coloca em discussão as relações humanas e nos leva a discutir a diferença, o outro, a alteridade. A peça, que tem direção de Carolina Bianchi, Fernanda Camargo e Felipe Rocha e elenco formado por Carla Zanini e Caroline Duarte, que está em cartaz no Centro Compartilhado de Criação.

O espetáculo se passa em um país em guerra. As irmãs estão nos fundos da casa de um “coyote” (agenciadores que ajudam a ultrapassar as pessoas nas fronteiras). As duas irmãs gêmeas siamesas – Soraia e Carmem – sofrem a separação enquanto o país explode em conflitos, a partir dai elas lutam para conseguir se reencontrar.

Direção compartilhada e independente

Assim como duas irmãs siamesas podem ser duas cabeças dividindo uma mesma coluna vertebral e negociando vontades, a peça também é uma história dirigida por várias cabeças diferentes que negociam um mesmo espetáculo. “Queríamos entender, não só no conteúdo mas também na forma, como é possível a coexistência de ideias e linguagens. Como dialogar com o outro ao invés de suprimi-lo? Como existir com o outro?”, explicam Carla Zanini e Caroline Duarte, idealizadoras do projeto.

A montagem se divide em três partes – Ode ao Amor, digirido por Fernanda Camargo; Ode ao Ódio, dirigido por Carolina Bianchi; e Prólogo e Intermezzos por Felipe Rocha. Essas direções aconteceram sem que um soubesse quais os caminhos que os outros diretores tinham escolhido até as últimas semanas de ensaio onde os diretores se reuniram para fechar o espetáculo.

A ideia de serem três direções que não se encontram, ou seja, cada diretor produz sua parte da peça sem influencia dos outros dois, surge da própria forma das irmãs siamesas. O desafio de existir num mesmo organismo com partes distintas formalmente estrutura o espetáculo.  Cada um dos três diretores se interessa pelas irmãs siamesas por um motivo, propõem procedimentos diferentes, provocações outras. Nós atrizes, passamos por três maneiras de se fazer teatro, e essas três maneiras vivas vão dialogar, conviver, vão existir num mesmo espetáculo” continuam as atrizes.

O projeto surgiu a partir de uma notícia encontrada na internet sobre a história verídica das irmãs Hilton, duas irmãs siamesas que fizeram sucesso nos anos 30 mas morreram como caixas de supermercado, uma morreu primeiro e três dias depois a outra. Além dessa matriz factual – a história verídica das irmãs Hilton – a montagem se realiza a partir do ambiente no qual elas estão colocadas: Molvânia (a partir do livro Molvânia, um país intocado pela odontologia moderna, de Santo Cilauro, Tom Gleisner e Rob Sitch). Essa é a espinha dorsal que guiou a criação do espetáculo para os três diretores.

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A história verídica das Irmãs Hilton

As meninas nasceram em 1908 unidas por seus quadris e nádegas; elas compartilhavam a circulação sanguínea e eram fundidas na pelve, mas não compartilhavam órgãos importantes. De acordo com a autobiografia das irmãs, Mary Hilton – mãe adotiva das irmãs -, junto com o marido e a filha, mantinham as gêmeas sobre estrito controle com abusos físicos. Eles treinaram as meninas para o canto e dança.

Na época, foi considerada uma possível separação, mas decidiram por unanimidade contra a intervenção, pois acreditavam que a cirurgia certamente levaria à morte de pelo menos uma das gêmeas. As irmãs terminaram a vida trabalhando em um supermercado. Em 1969 elas foram encontradas mortas em sua casa. Segundo a perícia médica, elas morreram vítimas da Gripe de Hong Kong. Daisy faleceu primeiro, e Violet depois de dois ou quatro dias.

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Molvânia, um país intocado pela odontologia moderna – de Santo Cilauro, Tom Gleisner e Rob Sitch.

Este livro faz parte de uma coleção inédita no Brasil de guias ficcionais. Nele há simulação de lugares, de opiniões de nativos, dicas de viagens, dados sobre moeda, medida, peso, língua nativa, hino nacional e até mesmo tradições culturais. Os autores brincam de certa maneira com o gênero sério de um guia turístico que na sua essência tem um contrato factual com a realidade.

Os curiosos costumes molvãos nos são estranhos mas na verdade refletem nossas próprias tradições. Por exemplo, nele podemos aprender sobre a complexa cordialidade dos molvãos, com seus gritos histéricos e atitudes agressivas.

Trabalhar um terço de um espetáculo é uma experiência assustadora e mágica. Sabemos que três núcleos estão refletindo sobre momentos diferentes de um mesmo tema. Fazer parte da construção de um discurso que só se finaliza como ideia conjunta no momento da apresentação abre possibilidades para nossas construções e, com certeza, gera leituras múltiplas para as linguagens que estamos construindo” disse a diretora Fernanda Camargo.

Sou apaixonado pela diferença.  Acredito muito na diferença. Saber que os outros trechos tem pontos de vista diversos me encanta. Além disso, são quatro mulheres incríveis nesse processo, as quais sempre admirei e tenho maior orgulho de trabalhar com essas pessoas. Então existe uma confiança enorme no cuidado, no carinho que está sendo depositado em cada parte. Para mim é muito instigante dirigir apenas uma parte. Isso obriga a obra final a abarcar pontos de vista múltiplos” continuou o diretor Felipe Rocha

Dirigir apenas uma parte de um trabalho é alucinante e  faz todo o sentido no contexto do que as criadoras propõem como coluna do projeto. Esse mistério que atravessa os diretores quanto ao que já foi produzido ou será produzido me parece deixar tudo mais impetuoso e arriscado, é uma linda ponte com a própria narrativa, arriscada e impetuosa como a Carla e a Caroline. É delas a possibilidade de viverem linguagens diferentes, em uma mesma situação. Se atirando com força nos universos desses diretores” finaliza a diretora Carolina Bianchi.

 

As Siamesas – Talvez eu Desmaie no Front
Com Caroline Duarte e Carla Zanini
CCC – Centro Compartilhado de Criação (Rua James Holland, 57 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 80 minutos
28/07 até 14/08
(não haverá sessão dia 07/08 – sesssão estra dia 08/08)
Quinta, Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 20h
$20
Classificação 14 anos
 
Direção: Carolina Bianchi, Fernanda Camargo; Felipe Rocha.
Dramaturgia:Caroline Duarte, Carla Zanini. Carolina Bianchi, Fernanda Camargo e Felipe Rocha.  
Iluminador: Rafael Souza Lopes.
Direção de arte: Angela Ribeiro.
Edição de vídeo: Fernanda Zotocivi, Bruno Lopes;
Sonoplasta: André Teles
Fotos – Caio Oviedo
Assessor de Imprensa: Renan Ferreira.
Produção: Renato Cruz

PLAYGROUND

A história de amor de dois casais destituídos de nomes e gêneros, e também a história do fim deste amor é o ponto de partida de “Playground”. Com ingressos gratuitos, a peça tem texto de Ricardo Inhan, direção de Pedro Stempniewski, e traz para o palco as atrizes Monique Maritan e Stella Garcia, além do músico Bruno Avoglia e da iluminadora Junia Magi.

Arriscando na obviedade do título a encenação propõe a vasculhar e (re)criar espaços em que tanto atores quanto plateia possam partilhar da área destinada a infantilidades. Em PLAYGROUND, o quarteto de dois casais heterossexuais sugerido pelo texto é subvertido: duas atrizes + uma iluminadora + um músico. Técnicos, atores e público dividem o mesmo espaço para contar a quase fábula e assim evidenciar a brincadeira teatral. Na montagem, um carro em movimento e um atropelamento. Após a batida, tempos e espaços são revividos e bifurcados, começo, meio e fim destas relações: piqueniques, encontros num lançamento de livro, discussões sobre all stars furados, falta de dinheiro, vasos quebrados, um cachorro morto, uma pá e o desejo de um futuro próspero.

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ARQUIVO 18/07/2016 CADERNO2 Cenas de ‘Playground’ do grupo Poleiro do Bando Foto: Cacá Bernardes

Plateia em cima do palco

O espaço cenográfico é formado por um gramado artificial, daqueles destinados aos playgrounds que decoram e protegem do impacto em caso de acidentes e puffs coloridos, que servem como elementos cênicos e assentos para o público. Abusando das cores primárias, a paleta de cores se complementa nos figurinos, nos pequenos objetos cenográficos e na iluminação que somando à ação das atrizes mapeiam onde as cenas se desenrolam e se limitam. A plateia, alojada em cima do palco, forma quadrantes, que por vezes lembram um jogo de tabuleiro.

Segundo o diretor Pedro Stempniewski, o público ‘acomodado’ entre as transições cênicas é intermédio e obstáculo ao isolamento dramático. “Cabe a plateia juntar as histórias e refazer a dramaturgia, passível de unidade ou não, ou seja, um playground de linguagens”, brinca ele.

Ocupação Poleiro do Bando

O grupo paulista Poleiro do Bando realiza de 1º de julho a 7 de agosto no Teatro Alfredo Mesquita a Ocupação Poleiro do Bando. Além da estreia de PLAYGROUND, o coletivo apresenta a montagem infantil Família Formigueiro Casa Condomínio (sábados e domingos às 16 horas – até 7 de agosto). A peça Tão Pesado Quanto o Céu [peça HQ] abriu a mostra de repertório. Todos os espetáculos têm ingressos gratuitos, que devem ser retirados na bilheteria do teatro uma hora antes de cada apresentação.

Playground
Com Monique Maritan e Stella Garcia.
Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Duração 60 minutos
22/07 até 07/08
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
Entrada gratuita (Ingressos distribuídos uma hora antes de cada apresentação.
Classificação 16 anos
 
Texto – Ricardo Inhan.
Direção e Cenografia – Pedro Stempniewski.
Direção e Execução Musical – Bruno Avoglia.
Concepção de Luz e Operação – Junia Magi. 
Figurino – Stella Garcia e Playground.
Provocação Cênica – Mariana Vaz.
Projeto Gráfico – Leonardo Carvalho.
Fotos – Camila Trafimovas e Ricardo Inhan.
Produção – Ariane Cuminale e Poleiro do Bando.
Assistente de Produção e Cenário – Marcelo Roya.  
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta