ATO A QUATRO

Em 25 cenas curtas, Ato a Quatro, montagem do texto britânico Fourplay, de Jane Bodie, narra com muito humor o jogo amoroso entre quatro pessoas. O público se identifica imediatamente com as personagens e com as situações. Aos poucos, entretanto, vêm à tona temas atuais como a solidão, o medo, o desejo insaciável e descartável, a obsessão pelo Eu, o voyeurismo e o ressentimento.

As personagens parecem não se comunicar. Muitas vezes falam, mas não se olham. Aproximam-se, mas não se tocam. Uma comédia dramática sobre a solidão do homem, em sua incapacidade de ser livre num ambiente global nunca tão próximo e tão conectado.

Com direção de Bruno Perillo, espetáculo volta ao cartaz dia 4 de agosto para curta temporada no Teatro Eva Herz. No elenco estão os atores Nicole Cordery, Luciano Gatti, Carolina Mânica e Edu Guimarães.

Ato a Quatro estreou em fevereiro de 2015 no SESC Pinheiros e teve sua segunda temporada no Viga Espaço Cênico no mesmo ano. Espetáculo teve duas indicações ao Prêmio Aplauso Brasil (melhor atriz para Nicole Cordery e melhor figurino para Chris Aizner).

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Sinopse

O espetáculo conta a história de Alice, uma ex-atriz que agora trabalha como cuidadora e está às voltas com o lento desgaste de sua relação com Tom. Ele é ator e está ensaiando uma peça em que faz o papel do amante de Natasha, uma atriz atraente e determinada, que coloca a sua carreira acima de tudo.

Ao longo dos ensaios, Tom começa a levar o seu papel como amante de Natasha muito a sério. A quarta personagem da história é Jack, um jovem enfermeiro que fica obcecado por Alice e passa a observá-la e segui-la, todos os dias, do trabalho até sua casa, no intuito de conhecer sua vida nos mínimos detalhes.

Por dentro desses temas, a autora Jane Bodie costura a sua linha dramatúrgica, brincando com eles, dando-lhes outros significados, até expô-los ao vazio e abrir espaço para novas possibilidades.

Dramaturgia

No texto, a autora Jane Bodie utiliza-se de alguns elementos característicos na estrutura da dramaturgia britânica contemporânea como a fragmentação da estrutura, as cenas curtas e alternantes e a sintaxe metalinguística.

O título original da obra, além de estabelecer um estado inicial para as personagens, faz, também, uma provocação à direção e aos atores: Fourplay. Um convite ao jogo metalinguístico – o teatro dentro do teatro, dentro de um mundo que já é representação de si próprio, no qual não se sabe mais onde começa e onde termina um evento real”, enfatiza Perillo.

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Encenação

A montagem é constituída de 25 cenas curtas, passadas em locais diferentes, exigindo um ritmo preciso entre as trocas de cenas, para descaracterizar o realismo, imprimir velocidade quando necessário e para que as pausas e os silêncios possam fazer sentido. Os quatro atores/jogadores já estarão em cena durante a entrada do público, e em cena permanecerão até o final.

No palco, a cenografia assinada por Chris Aizner e Nilton Aizner traz uma cama redimensionada, que será compartilhada pelas quatro personagens em diferentes ambientes: quarto de Tom e Alice, quarto de Natasha, quarto e casa de Jack, local de trabalho de Alice e Jack. Além da cama, o palco é ocupado por quatro cadeiras, uma pequena mesa e um espelho. A cenografia é completada por uma série de projeções de imagens inseridas em paredes ao fundo ou na lateral, no piso, nos figurinos e nos corpos dos atores.

A ideia é fazer com que os elementos como luz, vídeo, fotografias, corpos dos atores, cenário, adereços e figurinos criem, juntos, quadros que consigam exprimir as tensões e temperaturas ideais para cada narrativa, cada ação e, em especial, reforçar o caráter não realista da montagem”, detalha o diretor. Já a trilha sonora foi escrita pelo cantor e compositor Dan Nakagawa, especialmente para a encenação. O universo referencial e criativo para as composições é o da música contemporânea.

A luz na montagem tem um papel vital e simbólico, além de servir como elemento diferenciador para climas e ambientes. As fontes de luz foram criadas com formatos distintos: refletores, lâmpadas penduradas, pequenas fontes de led, lanternas, celulares, abajur e globo de luz, com muitos acionamentos e manipulações feitos pelos próprios atores, no palco.

As cores e os tecidos criados por Chris Aizner foram pensados para compor os quadros e as texturas pretendidas pela encenação. Desta maneira, os atores vestem figurinos incompletos que os fazem coexistir com os personagens, ao mesmo tempo em que o espectador tem uma sensação de dúvida diante do que vê.

Ato a Quatro
Com Nicole Cordery, Luciano Gatti, Carolina Mânica e Edu Guimarães
Teatro Eva Herz – Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 75 minutos
04/08 até 08/09
Quarta e Quinta – 21h
$50
Classificação livre
 
Texto: Jane Bodie
Direção e tradução: Bruno Perillo
Assistente de direção: Janaína Suaudeau
Cenografia: Chris Aizner e Nilton Aizner
Figurino: Chris Aizner
Luz: Igor Sane e Flavio Barollo
Instalação audiovisual: Flavio Barollo
Trilha sonora: Dan Nakagawa
Corpo: Marina Caron
Fotografia: Carla Trevizani
Patrocínio: Meimundo
Produção executiva: Janaína Suaudeau
Direção de produção: André Canto
Realização: Canto Produções e Meimundo
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

 

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