BENDITO SEJA SEU MALDITO NOME (OPINIÃO)

Personagens clássicos de Plínio Marcos, o autor maldito, saem das páginas dos seus livros e ocupam a Casa Amarela, na peça “Bendito Seja Seu Maldito Nome“. A montagem é do Grupo Palco Meu de Teatro, com texto e direção de Jean Dandrah

Em uma antiga mansão paulistana da década de 20, circulam pelos seus cômodos Neide Sueli, Vado e Veludo (“Navalha na Carne“), Giro, Dilma e Leninha (“O Abajour Lilás“), Tirica e Bereco (“Barrela“), Linda (“A Mancha Roxa“) e Paco e Tonho (“Dois Perdidos numa Noite Suja“).

O local está abandonado e foi ocupado por malandros, assaltantes e prostitutas. Eles usam o lugar durante a noite para dormir; já elas, durante o dia.

Não sabem conversar. Acreditam na lei do quem grita mais, manda. Suas vozes ecoam pelos outros cômodos; acordando os “fantasmas” dos antigos moradores.

Mas não há problema, afinal na Casa Amarela, só está a escória da sociedade, aqueles personagens que são “invisíveis“; os que passamos por eles, mas fingimos que não existem. Afinal, não queremos ver a verdadeira realidade que nos circunda e aumenta a cada dia.

Todos “convivem” no mesmo espaço, mas a tensão está a mil. Basta um olhar torto ou uma palavra dita no momento errado, para que o barril de pólvora exploda. E isso está acontecendo com uma certa frequência.

Infelizmente, para os personagens de Plínio Marcos (e no texto de Jean Dandrah), o Futuro nunca chegou; ou se chegou, não perceberam. O que interessa é o presente. Não é viver, mas sim sobreviver!

A experiência´(A Casa Amarela e Plínio Marcos)

Assistir a montagem da peça “Bendito Seja Seu Maldito Nome” na Casa Amarela é algo único. Afinal você nunca imaginaria ver os personagens de Plínio Marcos – marginais e prostitutas – circulando por uma mansão centenária.

Mas a própria casa é mais um personagem desta história. Esta residência, de mais de 40 cômodos, localizada na esquina das ruas Consolação e Visconde de Ouro Preto (centro de São Paulo) foi também o lugar escolhido para receber no dia 20 de fevereiro de 2014, o movimento Ateliê Compartilhado, um grupo formado a partir de diversos coletivos da cidade .

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(crédito foto – Plínio Aguiar/R7)

A casa estava abandonada, então estes coletivos – que precisavam de um lugar para ser suas sedes e também espaço para ensaios – resolveu ocupar o lugar. Lá são desenvolvidas exposições, oficinas e ensaios teatrais e musicais. Os próprios artistas são os responsáveis pela manutenção e limpeza do local. Os recursos são conseguidos através de doações dos próprios artistas, frequentadores e vizinhos do imóvel.

Você entra na casa, e aguarda o início do espetáculo em um salão. Nisso, as “prostitutas” já começam a circular atrás dos clientes, para garantir a féria do dia. Somos então chamados para entrarmos no interior da residência/albergue. Paredes grafitadas, portas fechadas, espaços sem luz.

Somos recebidos numa ante-sala e sentamos nos degraus de uma escada. Alguns personagens dormem no piso frio. “Toca-se o terceiro sinal” e começa a visão realista – e pessimista – de Plínio Marcos e Jean Dandrah. Diálogos afiados e cortantes. Pisadas ecoando pelo chão. Rangidos. Uma corrente de ar que passa entre os espectadores (é real ou é um efeito do teatro?). A montagem o atinge de todos os lados e em todos os sentidos.

Tem-se que citar que o resultado impactante da peça deve-se ao trabalho dos atores, diretor e técnicos do Grupo Palco Meu de Teatro, um grupo que nasceu há dois anos, pela necessidade de empreender idéias, paixões e agregar artistas, sejam eles atores, cantores, músicos e bailarinos.

São um grupo independente, que conta com apoiadores, parceiros e artistas para que os projetos sigam seu caminho. Já estão no seu terceiro trabalho consecutivo. O primeiro foi a comédia “Eu Quero É Pecar” (2014 – 2015), e depois “60 Minutos Assim, Assim…” (2015)

Conheça mais sobre o Grupo Palco Meu de Teatro através do site oficial ,do facebook e do instagram.

Você só tem mais hoje e o próximo final de  semana (termina no dia 14/08). Eles têm a promessa de retornar em Setembro. Mas vá agora. Isso se tiver estômago para encarar a  dura e crua realidade do país. Mais do que recomendado.

Viva Plínio Marcos!

Não faço teatro para o povo, mas o faço em favor do povo. Faço teatro para incomodar os que estão sossegados. Só para isso faço teatro.” (Plínio Marcos)

Bendito Seja Seu Maldito Nome
Com Ana Flavia Simões, Analice Pierre, Diógenes Gonçalves, Jefferson Mascarenhas, Júlia Carone, Kadu Castro, Klauer Sampaio, Lu Monteiro, Marcus Lunardi, Milene Haddad, Rudney Souza, Thaynara Azevedo e Tom Dias
Stand-ins Miriã Silva, Kleber Lopez, Catharina Portugal, Laís Ledah, Monyke Procópio, Ivo Gandra, Nando Cunha, Dan de Almeida, Henrique Leite, Maysa Mascarenhas, Lucas Braguiroli, João Paulo Jacob
Casa Amarela (Rua da Consolação, 1075 – Consolação, São Paulo)
Duração 120 minutos
03/09 a 06/11
Sábado e Domingo – 20h45
$50
(se trouxer um agasalho em bom estado ou 1kg de alimento, tem desconto de 30%)
Classificação 18 anos
Texto e Adaptação livre: Jean Dandrah
Direção Geral: Jean Dandrah
Produção Executiva: Manoel Zanini
Relações Públicas: Milene Haddad
Arte: Felipe Sesoko – Sesoko Art Studio
Cenografia: Sam Valdarez e Kadu Castron
Figurino: Criação Coletiva 70
Luz e Som: Alexandre Zulu

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