MENINA BRUNO

Como deve ser estranho – e angustiante – estar preso em um corpo que você não se reconhece. Olhar-se no espelho e não identificar quem é aquela pessoa – “estou no corpo errado“. Isto não tem a ver com a atração sexual, mas sim com seu gênero. É uma menina que está em corpo de menino e vice-versa. É o que acontece com as pessoas transgêneras, ou mais comumente chamadas, de “trans“.

O termo surgiu em meados dos anos 80, e repito, vai muito mais além do sexo (corpo, e órgãos sexuais). O gênero envolve o comportamento e o social. Há relatos de que crianças de 3, 4 anos se identificam como transgêneros e vivem com o sexo que se identificam. Para uma qualidade de vida (afinal, sofrerão olhares inquisidores, bullying e preconceito por parte da sociedade que não os entendem), o apoio dos pais e a busca por médicos especializados nesse tipo de assunto é essencial.

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A peça do dramaturgo e autor alagoano Rhommel Bezerra (Grupo Itinerante de Teatro)- “Menina Bruno” – conta a história de uma destas pessoas. Escrita de uma maneira sóbria, com toques de humor, e delicadeza, narra a vida de Bruno, uma menina presa em um corpo masculino. Passa por sua infância; os tempos de colégio; o primeiro contato com o sexo; a não compreensão por parte dos pais e da sociedade onde mora (se bem que, na montagem, nem os pais estão em corpos certos).

Vem a expulsão de casa. O abandono. A exploração sexual. A fuga da cidade onde nasceu e a descoberta do desconhecido em uma outra cidade – se bem que por ser uma cidade nova, quem sabe, Bruno não poderá ser quem ela realmente é – uma menina?

Toda a história é contada por Bruno e também por um amigo, Romeu, que é a primeira pessoa que a vê como ela é, e por quem , surge algo a mais que a amizade.

“Meninas Bruno”

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Rhommel Bezerra

O texto foi criado em uma tarde, quando Rhommel começou a pôr no papel memórias das tias e da avó. Ainda não sabia direito qual seria o resultado, “só tinha mesmo a ideia de falar sobre quem queremos ser, sobre as dificuldades que temos em nos afirmarmos em todos os âmbitos“.

A peça não é biográfica – “só as personagens pai e mãe é que têm ligação comigo” -, mas muitos amigos “Meninas Bruno” conviveram ao longo da infância e da adolescência com o autor, que por isso quis retrata-los, prestar uma homenagem, dar a voz para suas histórias.

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Menina Bruno
Com Rhommel Bezerra, Dico Paz, Fernando Dantas, Rogério Nóbrega e Iluska Gaião
TOP Teatro (Rua Rui Barbosa, 201 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
05/09 a 24/10
Segunda – 21h
$10
Classificação 14 anos
Dramaturgia, Direção e Produção de Rhommel Bezerra
Foto e Design: Fernando Dantas
Cenário: Rhommel Bezerra
Figurinos: Antonio Miranda
Som e Luz: Carolina Jorge
Trilha Sonora
Direção: Rhommel Bezerra
Vozes: Fernando Dantas e Rhommel Bezerra
Composições e Violão: Fernando Dantas

COLETIVO ORIENTE-SE

No dia 12 de maio de 2015, a companhia teatral paulistana “Os Fofos Encenam” faria uma apresentação de sua peça “A Mulher do Trem“, no teatro do Itaú Cultural. A apresentação fazia parte do projeto “Terça Tem Teatro“, onde às terças feiras são apresentadas peças gratuitamente.

O texto é uma comédia francesa, escrita no século XIX, foi apresentada pela primeira vez no país em 1920, e é encenada desde 2003 pela companhia, inclusive tendo recebido vários prêmios.

Tem no seu quadro de personagens, um casal de empregados negros. Mas ao invés de serem interpretados por atores negros, eram interpretados por atores brancos que usavam o recurso de “blackface” (pintar o rosto de atores brancos de preto, técnica que surgiu na primeira metade do século XIX nos Estados Unidos).

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Só que houve uma onda de protestos nas redes sociais, reclamando da utilização deste recurso, dizendo que era algo racista. Ao invés da apresentação, houve um debate entre integrantes da companhia Os Fofos Encenam, pessoas do movimento negro ligados ao teatro e de pessoas que se mobilizaram na rede para protestar, e o público presente.

Passado mais de um ano, a questão volta a tona, agora com a utilização do “yellowface“.

Sim, atores profissionais brasileiros de ascendência oriental resolveram se unir e criaram o Coletivo ORIENTE-SE para lutarem por seus direitos de ocupar seus espaços nas artes cênicas (teatro, cinema e televisão) e também como resposta a nova novela da rede Globo, “Sol Nascente“,  que é uma história sobre a imigração japonesa, onde os protagonistas não são orientais – o ator Luís Melo, que viverá o patriarca da família da novela, é descendente de índia com italiano.

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A influência da cultura oriental é forte na vida do brasileiro, seja através da culinária, da música, da filosofia, do entretenimento, da arquitetura, entre outras, desde que em 1908, o navio Kasato Maru aportou no Porto de Santos, com o primeiro grupo de imigrantes japoneses.

A iniciativa de criar o Coletivo Oriente-se teve início em abril deste ano, com um encontro para debater quais as ações seriam pertinentes para a mudança desse panorama nas artes cênicas brasileira.

Desde então, o grupo se encontra semanalmente em São Paulo, em conexão com os atores do Rio de Janeiro e grupo de discussão nas redes sociais com os atores de outros estados. Esta união gerou identificação e força, resultando no lançamento oficial do COLETIVO ORIENTE-SE no próximo 1º de setembro com o início de uma série de vídeos com elenco oriental em papeis não caricaturados, interagindo com todas as etnias e, principalmente, inseridos no cotidiano como qualquer outro cidadão brasileiro.

Semanalmente, o grupo publicará em sua página do Facebook (facebook.com/ColetivoOrienteSe) um vídeo ficcional inédito de comédia ou drama, e sempre com a presença do oriental. O grupo acredita que a diversidade, tanto étnica, quanto social ou de gênero, só enriquecerá a convivência pacífica entre as pessoas e a própria cultura brasileira.

É triste para nós, saber que as pessoas nos veem como estrangeiros, sendo que nascemos, crescemos, produzimos e contribuímos para o crescimento do país como qualquer outro cidadão brasileiro”, comenta Marcos Miura, um dos atores e redatores do coletivo. Para a atriz Cristina Sano, uma das fundadoras do coletivo, “é necessário aumentar a representatividade das várias etnias brasileiras, especialmente a oriental, em produções de televisão, cinema e teatro.

Para o ator e um dos fundadores, Rogério Nagai, “é necessário ter espaço em igualdade para com todas as etnias sem preconceito ou discriminação.”. Como há a causa em difundir a imagem real e positiva do oriental no país, a forma que o grupo encontrou foi escrever, produzir e atuar em histórias e personagens que mostrem o oriental em contextos reais. “Para mudar este cenário negativo como somos retratados na mídia em geral, os vídeos do Coletivo Oriente-se terão a função também de influenciar positivamente a atual e futuras gerações sobre a importância da diversidade.”, diz a atriz e uma das representantes de SP, Ligia Yamaguti.


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