COLETIVO ORIENTE-SE

No dia 12 de maio de 2015, a companhia teatral paulistana “Os Fofos Encenam” faria uma apresentação de sua peça “A Mulher do Trem“, no teatro do Itaú Cultural. A apresentação fazia parte do projeto “Terça Tem Teatro“, onde às terças feiras são apresentadas peças gratuitamente.

O texto é uma comédia francesa, escrita no século XIX, foi apresentada pela primeira vez no país em 1920, e é encenada desde 2003 pela companhia, inclusive tendo recebido vários prêmios.

Tem no seu quadro de personagens, um casal de empregados negros. Mas ao invés de serem interpretados por atores negros, eram interpretados por atores brancos que usavam o recurso de “blackface” (pintar o rosto de atores brancos de preto, técnica que surgiu na primeira metade do século XIX nos Estados Unidos).

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Só que houve uma onda de protestos nas redes sociais, reclamando da utilização deste recurso, dizendo que era algo racista. Ao invés da apresentação, houve um debate entre integrantes da companhia Os Fofos Encenam, pessoas do movimento negro ligados ao teatro e de pessoas que se mobilizaram na rede para protestar, e o público presente.

Passado mais de um ano, a questão volta a tona, agora com a utilização do “yellowface“.

Sim, atores profissionais brasileiros de ascendência oriental resolveram se unir e criaram o Coletivo ORIENTE-SE para lutarem por seus direitos de ocupar seus espaços nas artes cênicas (teatro, cinema e televisão) e também como resposta a nova novela da rede Globo, “Sol Nascente“,  que é uma história sobre a imigração japonesa, onde os protagonistas não são orientais – o ator Luís Melo, que viverá o patriarca da família da novela, é descendente de índia com italiano.

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A influência da cultura oriental é forte na vida do brasileiro, seja através da culinária, da música, da filosofia, do entretenimento, da arquitetura, entre outras, desde que em 1908, o navio Kasato Maru aportou no Porto de Santos, com o primeiro grupo de imigrantes japoneses.

A iniciativa de criar o Coletivo Oriente-se teve início em abril deste ano, com um encontro para debater quais as ações seriam pertinentes para a mudança desse panorama nas artes cênicas brasileira.

Desde então, o grupo se encontra semanalmente em São Paulo, em conexão com os atores do Rio de Janeiro e grupo de discussão nas redes sociais com os atores de outros estados. Esta união gerou identificação e força, resultando no lançamento oficial do COLETIVO ORIENTE-SE no próximo 1º de setembro com o início de uma série de vídeos com elenco oriental em papeis não caricaturados, interagindo com todas as etnias e, principalmente, inseridos no cotidiano como qualquer outro cidadão brasileiro.

Semanalmente, o grupo publicará em sua página do Facebook (facebook.com/ColetivoOrienteSe) um vídeo ficcional inédito de comédia ou drama, e sempre com a presença do oriental. O grupo acredita que a diversidade, tanto étnica, quanto social ou de gênero, só enriquecerá a convivência pacífica entre as pessoas e a própria cultura brasileira.

É triste para nós, saber que as pessoas nos veem como estrangeiros, sendo que nascemos, crescemos, produzimos e contribuímos para o crescimento do país como qualquer outro cidadão brasileiro”, comenta Marcos Miura, um dos atores e redatores do coletivo. Para a atriz Cristina Sano, uma das fundadoras do coletivo, “é necessário aumentar a representatividade das várias etnias brasileiras, especialmente a oriental, em produções de televisão, cinema e teatro.

Para o ator e um dos fundadores, Rogério Nagai, “é necessário ter espaço em igualdade para com todas as etnias sem preconceito ou discriminação.”. Como há a causa em difundir a imagem real e positiva do oriental no país, a forma que o grupo encontrou foi escrever, produzir e atuar em histórias e personagens que mostrem o oriental em contextos reais. “Para mudar este cenário negativo como somos retratados na mídia em geral, os vídeos do Coletivo Oriente-se terão a função também de influenciar positivamente a atual e futuras gerações sobre a importância da diversidade.”, diz a atriz e uma das representantes de SP, Ligia Yamaguti.


Redes Sociais e contato do Coletivo Oriente-se:
 E-mail: coletivoorientese@gmail.com
 Facebook: www.facebook.com/ColetivoOrienteSe
 YouTube: www.youtube.com/ColetivoOrientese
 Instagram: www.instagram.com/coletivoorientese
 Twitter: www.twitter.com/_orientese

 

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