O GRANDE SUCESSO (OPINIÃO)

A colaboradora do Opinião de Peso, Rebecca Celso, foi assistir o musical “O Grande Sucesso” e escreveu a Opinião.

“Catarse

Emoção desmedida

MENTIRA MENTIRA

O teatro é uma mentira

Mas ninguém se importa”

(Esmeraldo Reis)

“Quem tenta fracassar e consegue… tem sucesso?

E fazer sucesso com uma coisa que se odeia… é fracassar?

É incrível a capacidade que o riso tem de levantar questões profundas. O Grande Sucesso, agora na última semana de sua temporada paulistana (de sexta a domingo no Teatro Vivo), traz oito personagens humanos, ridículos, limitados – usando, como diria Raul Seixas, somente 10% de suas cabeças animais – questionando o sucesso, a infalibilidade, a arte, o amor e a vida.

Com direção-geral de Diego Fortes e direção musical de Gilson Fukushima, o espetáculo teve colaboração de todos os membros do elenco, tanto no texto (assinado oficialmente pelo diretor) quanto nas composições musicais que ilustram momentos-chave do enredo.

Em cena, os oito atores/músicos interpretam atores/músicos secundários de uma produção (supostamente de “grande sucesso”, pois está em cartaz há 10 anos) tão suntuosa quanto estapafúrdia. Nem mesmo o elenco sabe ao certo qual o clássico adaptado (seria Hamlet? Édipo Rei?), mas a montagem conta (entre outras excentricidades) com um guarda noturno, um homem-bala, um coelho rosa gigante e um homem das cavernas. Na espera entre deixas e entradas, a “vida” dos personagens acontece na coxia. E, entre seus momentos de atrito, filosofia, concentração e fofoca, somos lembrados do verdadeiro Teatro do Absurdo que vivemos todos os dias. Camus ficaria orgulhoso desses bufões, expressando o “sentido do sem sentido” da condição humana.

Para quem pretende apenas ver o galã global Alexandre Nero em ação, o ator desconstrói o mito com grande competência. Infalível e intocável ali é o astro Patrick Emanuel, dono da companhia. Nero é um de nós, figurante e batedor de bumbo do triunfo alheio, que tem problema de saúde, relacionamento fracassado e contas a pagar. Dentro deste texto autocrítico, suas palavras por vezes têm uma acidez sulfúrica.

Igualmente dignas de atenção são as atuações de Fernanda Fuchs, como uma atriz cuja vulnerabilidade beira a catástrofe, e Rafael Camargo, com domínio absoluto do espaço cênico na performance de “Fracasso Abismal”, entre outras cenas brilhantes.

Assim segue a trama da peça, às vezes com uma quarta parede bem erguida, às vezes com todo mundo junto e misturado.

Uma belíssima metalinguagem, do teatro falando do teatro (em determinado momento, o ator que interpreta o guarda sonha que é um ator secundário, numa peça confusa que não termina nunca), da fama divagando sobre a fama, de pessoas comuns comentando pessoas e dramas comuns, da vida discutindo o sentido da vida.”

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Rebecca Celso

O Grande Sucesso
Com Alexandre Nero, Carol Panesi, Edith de Camargo, Fernanda Fuchs, Fabio Cardoso, Eliezer Vander Brock, Marco Bravo e Rafael Camargo
Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo)
Duração 105 minutos
12/08 até 16/10
Sexta – 21h30; Sábado – 21h; Domingo – 18h
$30/$100
Classificação 14 anos

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