RÓZÀ

De temperamento caloroso e apaixonado, a polonesa naturalizada alemã Rosa Luxemburgo (1871-1919) – uma das principais mulheres revolucionárias do século XX e defensora intransigente da democracia – é a centelha projetada pelo espetáculo Rózà para tratar das Rosas de todos os tempos. Com direção de Martha Kiss Perrone e Joana Levi, a peça foi atravessada pelo movimento secundarista e reestreou dia 21 de setembro, quarta-feira, na escola EMEF Professora Maria Alice Borges Ghion. Após todas as sessões, foram promovidos debates entre os artistas, estudantes, professores e público interessado em geral. A temporada aberta ao público acontecerá na Praça das Artes, a partir de 27 de outubro.

Com idealização, direção e dramaturgia de Martha Kiss Perrone, co-direção de Joana Levi e colaboração dramatúrgica de Roberto Taddei, o espetáculo traz no elenco Lowri Evans, atriz e performer inglesa, Joana Levi e a própria Martha Kiss Perrone. Renato Bolelli assina a instalação coreográfica. Após estreia no Festival de Curitiba, temporada na Casa do Povo e Circuito Paulista de Teatro, o espetáculo Rózà ganhou grande reconhecimento de crítica e público e recebeu indicação do Prêmio Shell para Melhor Iluminação e ficou entre os melhores espetáculos do ano pela Folha de S. Paulo e Estadão. Neste ano, o espetáculo foi contemplado pelo Prêmio Zé Renato de Circulação, com o projeto de apresentar a peça em escolas públicas de São Paulo.

Flertando com a linguagem da música e das artes visuais, Rózà é um espetáculo multimídia, construído a partir das cartas de Rosa Luxemburgo, em sua maioria, nas prisões alemãs do começo do século 20. Boa parte das cartas e discursos de Rosa Luxemburgo que estão no espetáculo são inéditas no teatro. Durante o processo de criação, parte da equipe viajou para Berlim por 15 dias para pesquisa, realizando entrevistas e pequenas cenas, que foram filmadas e são projetadas no espetáculo.

As cartas são interpretadas por três atrizes diferentes e trazidas ao público por meio da palavra, do vídeo e da música na busca de uma relação sutil e particular entre o momento histórico e o contemporâneo. O público de Rózà é convidado a entrar em um espaço-instalação, que se torna a prisão onde essas mulheres vivem e compartilham suas trajetórias. Nessa nova temporada, foram incluídas imagens das ocupações e manifestações dos secundaristas nas projeções do espetáculo.

Tocados pelo movimento estudantil organizado pelos secundaristas em 2015, o Coletivo Rozà se deixou ser ocupado pelos jovens da rede pública do estado. “Emerge, no Brasil, uma nova geração lutando pelos seus diretos. Em um país onde seria um consenso (de todas as sensibilidades políticas) que um dos maiores nós para mais dignidade e justiça é a educação pública de qualidade, os que têm se mobilizado para uma verdadeira e profunda transformação deste setor-chave são atores inesperados como os próprios secundaristas”, conta a atriz e diretora Martha Kiss Perrone.

Para Martha, “Rózà é uma peça sobre a paixão de Rosa Luxemburgo, conhecida como ‘a vermelha’, mas também sobre a mulher de hoje e do agora que, como ela mesma diz, não tem medo e quer tudo. Assim, também se relaciona com a primavera feminista, com as mulheres que hoje constroem sua luta. Partimos da seguinte pergunta: como a figura da Rosa nos atravessa? Resgatar a figura dessa mulher para nossos corpos. Curiosamente, quando fomos para Berlim, em junho de 2013, para filmar cenas para a peça, a Rosa nos apareceu no Brasil durante as manifestações de junho. Em 2015, estávamos aqui quando Rosa se fez presente nas ocupações das escolas estaduais”.

A relação entre a peça e o movimento secundarista começou no final de 2015, quando as atrizes montaram a “Oficina para corpos revolucionários” para os estudantes durante uma ocupação. Neste ano, Martha Kiss passou a filmar as ocupações e manifestações. Essas cenas agora são projetadas na própria peça Rózà, que está em circulação pelas escolas. Secundaristas e ex-secundaristas estão trabalhando com o coletivo no projeto, filmando a circulação e participando da montagem do cenário, nas quadras das escolas, transformando esse espaço já conhecido dos estudantes e tornando-o temporariamente um teatro, uma instalação. Além disso, depois do espetáculo, são realizados debates dos quais alguns secundaristas do movimento participarão como provocadores.

Martha continua: “uma característica marcante dessas ocupações, que se inspiraram no movimento secundarista do Chile, é a horizontalidade, a ausência de liderança, a presença forte de mulheres, de negros, e do movimento LGBT. Seus discursos não estão à frente de suas ações: são jovens extremamente articulados, que mantêm suas falas bem atadas ao real da prática. A experiência das ocupações, como eles dizem, é de uma ‘escola dos sonhos’ onde todos participam coletivamente de sua construção.

Martha comenta que “cada momento de revolta, em todo canto do mundo, sem dúvida, nos traz o espectro de Rosa, o seu fogo revolucionário. Esse espectro está pairando sobre tantas manifestações, diante de tantos ativistas presos como ela. Em seu último artigo, horas antes de ser assassinada, Rosa nos deu uma pista quando diz: ‘Eu fui, eu sou, eu serei’”.

O dispositivo do gravar, do filmar e do ser filmado é muito familiar para a geração dos estudantes. Pensando nisso, foi criado um grupo com três secundaristas que irão filmar a circulação para um curta sobre Rózà nas escolas. “A ideia é que esse filme seja feito com a participação dos olhares e visões deles também. Um filme que nasce de dentro da luta, e não a partir de um olhar externo, jornalístico.

Rózà
Com Lowri Evans, Joana Levi, Martha Kiss Perrone
Praça das Artes (Av. São João, 281 – Centro, São Paulo)
Duração 70 minutos
27/10 até 19/11
Quinta, Sexta e Sábado – 20h
Entrada gratuita (retirar com uma hora de antecedência)
Classificação 12 anos
 
CONCEPÇÃO: Martha Kiss Perrone.
DIREÇÃO Martha Kiss Perrone, Joana Levi.
DRAMATURGIA Martha Kiss Perrone, Roberto Taddei.
CRIAÇÃO. VÍDEO E FOTOS Marília Scharlach.
VÍDEOS SECUNDARISTAS Martha Kiss Perrone.
DIREÇÃO MUSICAL Edson Secco.
INSTALAÇÃO CENOGRÁFICA Renato Bolelli Rebouças.
ASSISTENTE DE DIREÇÃO Olívia Niculitcheff.
COMPOSIÇÃO Edson Secco, Ligiana Costa.
ILUMINAÇÃO Beto de Faria, Joana Levi e Martha Kiss Perrone.
FIGURINO Daniela Porto.
PREPARAÇÃO VOCAL Ligiana Costa.
ASSISTENTE DE ARTE Camila Vieira, Dora Coelho.
BATERIA E OPERAÇÃO DE SOM: Charles Tixier.
OPERAÇÃO DE VIDEO-PROJEÇÃO: Olívia Niculitcheff.
OPERAÇÃO DE ILUMINAÇÃO: Mauricio Mascarenhas.
CENOTÉCNICO Jeff Leme.
EDIÇÃO DE VÍDEO SECUNDARISTAS Daniel Varotto.
COLABORAÇÃO COREOGRÁFICA Rodolfo Amorim.
PRODUÇÃO: Simone Lopes de Lira.
REGISTRO EM VIDEO Pedro Fernandes, Murilo Salazar..
CO-PRODUÇÃO Busca Vida.
ARTE CARTAZ Carlos Perrone e Samy Makino.
ARTE GRÁFICA LIVRETO E SITE Karen Ka.
EDIÇÃO LIVRETO Leda Cartum

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