KASSANDRA

Recheada de referências que vão desde os clássicos gregos até elementos do imaginário da cultura pop, KASSANDRA, a montagem da catarinense La Vaca Companhia de Artes Cênicas estreia em São Paulo no dia 11 de novembro (pré-estreia para convidados no dia 10 de novembro), sexta-feira, às 20 horas, na boite L’Amour. Com direção de Renato Turnes para o texto do franco-uruguaio Sergio Blanco, o espetáculo traz a atriz Milena Moraes na pele de uma performer transgênera.

O dramaturgo Sergio Blanco escreveu KASSANDRA como um monólogo que parte do personagem mítico da princesa de Troia, mas apresenta ao público de hoje uma versão atualizada. O texto foi escrito propositadamente em um inglês precário para ser encenado exclusivamente dessa maneira, no que seria a representação de um idioma de sobrevivência, que permite que Kassandra seja entendida em qualquer lugar do mundo. Para a montagem, o autor propõe duas condições: que o texto seja encenado no idioma em que foi escrito, ou seja, o inglês rudimentar próprio dos imigrantes, e que as apresentações aconteçam sempre em espaços não convencionais.

A montagem brasileira optou por estabelecimentos de diversão adulta (casas de shows eróticos, casas de swing, etc) e no caso da capital paulista será realizada na Kilt Shows. “Kassandra é apresentada como performer de uma boate, na qual a heroína troiana ressurge nos dias de hoje para recontar a sua história e desmitificar seu próprio mito. O espetáculo é escrito em um inglês tosco, de imigrante, em referência às várias meninas que vão à Europa na esperança de melhores condições de vida”, conta o diretor Renato Turnes.

Experiência teatral única

Na visão de Renato Turnes, KASSANDRA apresenta-se como uma artista da boate e recebe seus clientes para contar sua história. Além de profissional do sexo, ela é uma performer que apresenta seus números como uma espécie de guerreira fetichista e sensual. Os aspectos trágicos, eróticos e cômicos do texto são reforçados usando elementos cenográficos presentes na própria casa noturna, trabalhando com o conceito de site-specific, quando a obra dialoga diretamente com o espaço no qual está inserida. A direção se apropria da ambiência da casa, na forma de seus equipamentos de luz e som, e explora a arquitetura específica de cada estabelecimento, para construir a narrativa visual do espetáculo.

O público pode beber e circular pela casa, representando ele próprio o papel de um cliente. A ideia é que o público seja tomado pela experiência de visitar a tradicional casa noturna, explorando a curiosidade que o próprio lugar provoca, e que viva uma experiência teatral única, sensual, perigosa, divertida e impactante”, explica o diretor.

Para a atriz Milena Moraes, KASSANDRA é uma mulher forte e fascinante que encarou com resiliência, mas sem resignação, o seu destino trágico. “As escolhas da encenação refletem diretamente na atuação. A apropriação do espaço e a tensão que se estabelece na relação entre performer e público estão diretamente ligadas. O público assume o papel de cliente da casa e o espaço da cena não é claramente limitado, o que dá vazão ao flerte, à cumplicidade e à empatia, que se alternam a cada transição vertiginosa e que demanda lapidação constante”, conta ela.

Figurinos da Rua Augusta

As referências ao universo do erotismo estão inseridas em diversos aspectos da montagem, da arte gráfica aos elementos cenográficos e figurinos. Os figurinos foram pesquisados e adquiridos em lojas específicas da Rua Augusta, em São Paulo, compondo um visual poderoso e sexy, ao estilo das travestis performers reais.

A maquiagem e os cabelos desenvolvidos por Robson Vieira procuram realçar a androginia presente na construção da personagem. A trilha sonora desenvolvida com exclusividade por Ledgroove remete a sonoridades gregas antigas envoltas pela modernidade do estilo do DJ, compondo uma atmosfera sonora eletrônica de forte impacto, ao misturar ancestralidade e contemporaneidade, enquanto dialoga de forma coerente com o espaço da noite na boate.

O mito de Kassandra

Segundo a mitologia grega Kassandra é uma das princesas de Troia – filha de Príamo e Hécuba – e um dos personagens citados nos escritos que relatam o sangrento episódio da célebre Guerra de Troia. A princesa era uma jovem tão bela que o deus Apolo por ela se apaixonou. O deus lhe ofereceu o dom de prever o futuro em troca de um filho dos dois.

Kassandra aceitou o presente, mas logo se arrependeu e se recusou a cumprir a promessa. Inconformado, Apolo lançou uma maldição: ninguém jamais acreditaria em suas predições. A partir de então, a jovem seria atormentada por visões da futura queda de sua cidade, sem que nenhum dos troianos lhe desse ouvidos. Tida por louca, foi encerrada em uma torre. De lá somente sairia com Troia consumida pelas chamas, destruída pelos soldados gregos.

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Kassandra
Com Milena Moraes
Coco Bongo (Rua Augusta, 598 – República, São Paulo)
Duração 60 minutos
11/11 até 03/12 (não haverá espetáculos dia 20/11)
Quinta, Sexta, Sábado e Domingo – 20h
$50
Classificação 18 anos
Dramaturgia – Sergio Blanco.
Direção – Renato Turnes.
Assistente de Direção – Vicente Concilio.
Trilha Sonora Original – Ledgroove.
Figurino –Renato Turnes.
Maquiagem – Robson Vieira.
Máscara – Roberto Gorgati.
Desenho de Luz – Renato Turnes.
Pesquisador –Esteban Campanela.
Produção – Renan Salvetti.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

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