DZI CROQUETTES

Depois de uma temporada de sucesso realizada no ano passado no Teatro João Caetano e a casa de show HSBC SP, o grupo Dzi Croquettes retorna a São Paulo para uma série de 13 apresentações no Teatro Augusta, a partir do dia 03 de novembro.

O espetáculo mostra toda a irreverência e transgressão deste grupo, que se uniu no ano de 1970, na cidade do Rio de Janeiro e que fez sucesso no país e no exterior. Em comemoração aos 45 anos do Dzi Croquettes,  quadros clássicos e novas criações serão apresentadas ao público paulistano.

O grupo (sem o ator Lucas Cândido) esteve presente no programa Altas Horas (rede Globo), onde mostrou um trecho do espetáculo. Após, Serginho Groisman conversou com os atores Bruno Gissoni e com Ciro Barcelos.

Veja a entrevista que fizemos com o ator e integrante original do grupo, Ciro Barcelos, realizada no dia 01 de maio de 2015, no Teatro João Caetano (SP).

Eles ficam em cartaz até 15 de dezembro, com possibilidade de retornar em janeiro. Mas como estão sem patrocinadores, precisa que o público vá prestigiá-los para poderem estender a temporada. Não percam!

 

Dzi Croquettes
Com Ciro Barcelos, Bruno Gissoni, Leandro Mello, Rodolfo Goulart, Filipe Ribeiro, Rafael Leal, Paulo Victor Gandra, Julio Aracack, Rogério Nóbrega
Teatro Augusta (Rua Augusta, 943 – Consolação, São Paulo)
Duração 90 minutos
03/11 a 15/12
Quarta e Quinta – 21h
$80
Concepção, Texto e Direção Geral: Ciro Barcelos
Assistente de Direção: Radha Barcelos
Direção Musical: Demetrio Gil
Trilha Sonora: Demetrio Gil e Flaviola
Coreografia: Ciro Barcelos e Lennie Dale
Ensaiador de Coreografia: Rodolfo Goulart
Figurinos e Adereços: Claudio Tovar
Cenografia: Pedro Valério
Coreógrafos convidados: Eliane Carvalho (Flamenco) e Neuza Abbes (Tango)
Estamparia das asas das “Borboletas”, calcinhas do “Cancan” e sapatos da Carmem Miranda: Victor Dzenk
Figurino do Yê Mele: Ciro Barcelos

PSICOTRÓPICO

O espetáculo Psicotrópico pega emprestado da ciência o termo “psicotrópico” (dado às substâncias que agem no sistema nervoso central, com efeitos alucinógenos ou estimulantes que modificam nossa percepção de mundo) e conta, por meio de diferentes narrativas, a história de uma impossível volta para casa. Depois da temporada de sucesso no SESC Ipiranga, a reestreia acontece no dia 19 de novembro na SP Escola de Teatro.

Um imigrante que precisa retornar. Um artista perdido na floresta. Uma mulher que deve estar morta até o final da peça. A voz de uma criança que faz perguntas difíceis. Um ator, um atraso, uma viagem.

A palavra, uma vez separada nos dois termos (psyché e trópico), pode assumir novos significados diversamente sugestivos. Psyché, como alma e respiro, palavra antiga que dificilmente pode encontrar sua definitiva tradução moderna; e Trópico, etimologicamente “relativo a uma volta”, aqui pensada não somente como área geográfica e climática, mas também como lugar político, social e cultural.

Com concepção do Núcleo Artístico Società Anonima e dramaturgia, direção e atuação de Camozzi, Psicotrópico é estruturado em cinco narrativas ficcionais apresentadas numa rede de fragmentos organizados de maneira aparentemente aleatória, compondo uma partitura narrativa livremente inspirada ao sistema dodecafônico de Arnold Schönberg.

Os fragmentos ficcionais são atravessados por uma linha dramatúrgica alusiva ao ‘nostos’ (palavra que em grego designava o motivo literário relativo a ‘volta pra casa’) – que por sua vez remete a experiências biográficas do próprio ator, nascido em Veneza: a volta ao lar original, na Europa, para acompanhar o falecimento da mãe, e posteriormente, o retorno para a casa atual, nos Trópicos.

O entrelaço das diferentes narrativas, biográficas e ficcionais, se desenvolve de maneira linear e sequencial, induzindo assim, no propósito dos criadores, uma espécie de desnorteamento no espectador para deixá-lo livre para compor suas próprias ressignificações.

O espetáculo é resultado de reflexões sobre a mobilidade contemporânea, as migrações e a memória.

O episodio biográfico central da narrativa é a espera do protagonista no aeroporto para chegar a sua cidade natal. A espera corresponde ao atraso que não permitirá ao narrador acompanhar a morte da mãe.

A tentativa de anulação da espera, se torna, dentro do espetáculo, o motivo recorrente que quebra e interrompe a narrativa abrindo ao publico possibilidades de ressignificações, solicitando no espectador reflexões sobre a perda e as diversas condições do “estar no tempo moderno”.

Na sociedade contemporânea, a espera pertence à representação quantitativa do tempo, à sua valoração de eficiência, à orientação baseada na programação do tempo futuro. O sujeito que aguarda/espera é deslocado de seu tempo; o lugar que habita é um ‘não-lugar’. A tensão permanente nas nossas cidades é a de anular o tempo de espera. Esperar é um problema da modernidade, do movimento perpétuo e rápido, das mercadorias e das pessoas, mas também das ideias, das palavras e das memórias.

O migrante é a figura social que habita esse ‘não-lugar’ contemporâneo. O ‘Ser migrante’ pode ser interpretado como condição universal do habitante do tempo presente. Respeitando as diversas e específicas experiências e realidades, todos somos desenraizados, e não somente porque viemos, muitos de nós, de outras cidades, estados, continentes, mas, principalmente, devido às grandes transformações às quais fomos condicionados, com uma velocidade tal que perdemos o senso de estar no tempo.

Nossa memória, por sua vez, é breve, relegada às máquinas; nosso futuro próximo tão curto, porque condicionado pelo lema da crise permanente, seja essa econômica, política, ética, climática – o que dificulta uma projeção distante de nossas expectativas e torna nosso presente fragilmente manipulável, como os valores de autonomia e independência perseguidos por todo o século XX que hoje declinaram massivamente, motivados por outros estímulos culturais, medidos por cotas de conquista e sucesso do indivíduo em detrimento da coletividade.

Através da combinação simbólica dos diversos elementos – esculturas, cenografia, desenho de luz, videoprojeções e sonoridades – que se manifestam em cena de maneira independente o espetáculo teatral potencializa ao público a possibilidade de uma fruição estética ‘aberta’ e não auto conclusiva.

Psicotrópico
Com Alvise Camozzi
SP Escola de Teatro
Duração 60 minutos
19/11 até 11/12
Sábado – 21h; Domingo – 20h; Segunda – 21h
$20
Classificação 14 anos
 
Concepção: Núcleo Artístico Società Anonima
Dramaturgia, direção e atuação: Alvise Camozzi
Pesquisa e cenografia: William Zarella Jr.
Desenho de luz: Guilherme Bonfanti
Figurino: Marina Reis
Pesquisa sonora: Daniel Maia e Gustavo Arantes
Concepção de vídeos e mapping: Grissel Piguellem
DJ set ao vivo: Gustavo Arantes a.k.a Dj Goonie
Assistente de luz e operador: Aldrey Hibbeln
Direção de produção: Rachel Brumana
Produção: Substância Produções Artísticas
Foto: Gabriel Godoy
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

 

FIM DE PARTIDA

Depois de uma temporada de sucesso no Sesc Pinheiros, FIM DE PARTIDA, espetáculo com texto de Samuel Beckett, dirigido por Eric Lenate – indicado ao Prêmio APCA de Teatro 2016 como melhor ator pela montagem –, reestreia na SP Escola de Teatro, no próximo dia 19 de novembro, sábado, às 21h30.

Em FIM DE PARTIDA, os personagens Hamm, Clov, Nagg e Nell estão presos em um abrigo, supostamente, à beira-mar e a plateia compartilha do desconforto ao qual os personagens estão submetidos. Propriamente encarcerados e enlatados, eles travam diálogos poéticos, impactantes e, por vezes, abismais sobre a condição humana, a solidão e o sem sentido da existência. Hamm é um artista fracassado. Encontra-se cego e paralítico. Clov é seu serviçal e possui uma doença que não o permite sentar. Nagg e Nell são os pais de Hamm e também têm mutilações. Vítimas de um apocalipse emocional, os quatro dividem o abrigo. Espiam o mundo, ou melhor, o que restou dele, pela luneta de Clov.

Função dupla

Essa é a primeira vez que Lenate dirige uma montagem em que está no elenco. Sem subir ao palco para interpretar desde 2013, um dos discípulos de Antunes Filho diz que sua fonte de inspiração é Chaplin. “Ele sempre atuou e se dirigiu e me espelho nele para levar ao palco algo com qualidade. Tenho uma vantagem em FIM DE PARTIDA: quando entrei no projeto, a peça já estava de pé. Só tive que me inserir na engrenagem e fazer com que ela continuasse rodando. Para isso, antes de entrar na sala de ensaio, mergulhei no texto profundamente com o meu assistente de direção”, explica.

O texto, aliás, é um dos principais pontos focais do trabalho do diretor Eric Lenate. “Desde a minha época do CPT, nunca tive medo de nenhum autor e sou um apaixonado por literatura e dramaturgia no geral. Fiz algumas experimentações cênicas ao longo da carreira, mas já há algum tempo vi que o meu estilo está centrado no trabalho do autor, com foco na valorização do texto em cena”, conta Lenate.

Beckett, segundo Lenate, é um dos autores que serviram de base para a sua formação. E, apesar da idade do texto, FIM DE PARTIDA ainda é muito atual. “A peça fala sobre conflitos humanos e, enquanto a gente tiver problemas éticos, de valores e comportamentais apresentados nesse texto, Beckett será atual. Ele constrói seu texto com uma arquitetura linguística tão fantástica, que essa estrutura não envelhece jamais”.

Da mente de Hamm para o palco

Há uma linha de interpretação da peça que acredita que tudo (cenário, os outros personagens) são projeções da mente de Hamm. O que o público vê, na verdade, são os estertores de sua consciência lutando contra a falência generalizada do corpo. “Esse é um caminho possível, embora nenhuma interpretação definitiva se consolide em se tratando de Beckett. Se pensarmos em Malone Morre temos também lampejos de uma mente que mantém uma sobrevida execrável num corpo agonizante. Só que numa narrativa é possível manter-se confinado  nos limites da consciência e do discurso do narrador – no ‘manicômio do crânio’, expressão que aparece em Mal Visto Mal Dito, de 1981.  Mesmo que nada aconteça  em termos de ação dramática em FIM DE PARTIDA, o teatro tem exigências cênicas e dramáticas que não permitiriam, mesmo a mais ousada radicalidade, não mostrar nenhum confronto entre personagens no palco. Seguindo essa linha, uso as rubricas de Beckett para orientar minha direção e também sobre as pequenas atividades que acontecem em cena, enquanto as figuras enunciam o texto”, diz o diretor.

O cenário e figurino, também assinados por Lenate e Rosângela Ribeiro, respectivamente, reforçam o texto. Roupas, elementos cênicos, tudo é preto. Os únicos pontos de claridade são as peles dos atores. No palco, Lenate usa latões de vários tamanhos que ajudam a criar um ambiente abandonado mostrado na peça.

Um dos destaques da montagem e que mereceu elogios da crítica foi a trilha musical, criada e executada ao vivo, no palco, por L. P. Daniel que, com seu piano, assume o papel de uma espécie de quinta voz na peça. Segundo o próprio criador, a trilha se encaixa num procedimento musical denominado indeterminação musical, movimento que surgiu no começo da segunda metade do século XX e foi adotado por músicos norte-americanos e europeus, como Morton Feldmann, John Cage e György Ligeti. “Para cada movimento da trilha, existe um caminho central a se seguir, fixo, porém, com uma gama de possibilidades relacionadas harmonica e melodicamente. Durante a execução, como que em um “improviso”, opções são feitas dentre estas possibilidades. Fazendo com que, cada vez que a trilha é tocada, apesar de parecer igual, tenha algumas diferenças”, explica ele.

Fim de Partida-118.jpg

Fim de Partida
Com Rubens Caribé, Ricardo Grasson, Miriam Rinaldi, Eric Lenate e L. P. Daniel.
SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
Duração 60 minutos
19/11 até 19/12
Sábado – 21h30; Domingo – 19h; Segunda – 21h30
$30
Classificação 14 anos
 
Autor – Samuel Beckett.
Tradução – Fabio de Souza Andrade.
Direção, Cenografia e Adereços – Eric Lenate.
Figurino e Adereços – Rosângela Ribeiro.
Iluminação e Adereços – Aline Santini.
Videografia – Laerte Késsimos e Eric Lenate.
Trilha Sonora, Sonoplastia e Engenharia de Som – L. P. Daniel.
Assistência de Direção – L. P. Daniel.
Projeto Gráfico – Laerte Késsimos.
Fotos e Registro Documental – Leekyung Kim.
Direção de Produção – Ricardo Grasson.
Produção Executiva – Eric Lenate.
Assistência de Produção – Ana Araripe.
Produção – Gelatina Cultural.
Idealização e Realização – Sociedade Líquida.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

ESTUDO PARA MISSA PARA CLARICE – UM ESPETÁCULO SOBRE O HOMEM E SEU DEUS

Há mais de 20 anos, Eduardo Wotzik começou a receber trechos de textos de Clarice Lispector enviado por duas amigas e atrizes com o intuito de montar um espetáculo. Conforme foi se aprofundando na obra da autora, Eduardo percebeu que vinha escolhendo textos que falavam sobre Deus. Foi assim que surgiu o embrião de Estudo Para Missa Para Clarice – Um Espetáculo Sobre o Homem e Seu Deus, que estreia no CCBB-SP em 17 de novembro, quinta-feira, às 20 horas.

Em formato de missa, a montagem une o espaço físico do teatro e todo o seu poder de encantamento ao poder da palavra. Em cena, além do próprio Eduardo Wotzik, estão as atrizes Cristina Rudolph e Natally do Ó, que o ajudam a conduzir o público pelo ritual do espetáculo

Estudo Para Missa Para Clarice traz um arauto e duas beatas claricianas que organizam, professam e processam as palavras de Clarice e recebem os espectadores. Assim como acontece nos templos religiosos, seguindo um missal (que também terá uma versão em braile), o público senta, levanta, reza e canta, como num ritual.

Não é a primeira vez que Eduardo dirige a si mesmo em cena. Ele, que iniciou sua carreira no Grupo Tapa (onde atuou como ator, diretor e produtor, enquanto o grupo estava sediado no Rio de Janeiro), diz que, apesar de se definir como um diretor de teatro, gosta de variar de função para afastar o tédio. “Sou um homem do teatro e adoro todas as possibilidades que ele me oferece. Sinto necessidade de visitar novas regiões cênicas de vez em quando. Gosto de mudar de lado, de visão e abrir janelas para fugir do tédio artístico”, afirma o diretor.

Sagrada Clarice

Eduardo diz que, mais do que uma ode a Clarice Lispector, Estudo Para Missa Para Clarice surgiu como uma necessidade dele dizer ao mundo que a“salvação é pelo risco”. “É preciso dizer não à estupidificação e sobreviver à miséria intelectual e espiritual a que estão nos submetendo. Temas sérios são tratados de maneira superficial e o espaço artístico tem sido usado como um mero passatempo ou entretenimento, em um verdadeiro desperdício de tempo, dinheiro e HD. Clarice Lispector usava uma expressão: “Use-se”. Complemento com o não desperdice-se”, provoca o diretor.

Ele também explica que o formato adotado na encenação foi o caminho que encontrou para que a obra chegasse ao público com maior eficácia. “A arte é o melhor remédio para o ser humano: ela nos ajuda a suportar a vida, a consciência da finitude e as doenças. Arte e religião são dois sistemas muito bem bolados pela humanidade. E, enquanto existirmos, lá estarão eles. Estudo Para Missa Para Clarice une esses dois sistemas num mesmo espetáculo e, as temporadas passadas, nos mostraram uma bela comunhão entre a poesia de Clarice, a cena, a música de Gorécki e o público”.

Sinto-me como se realmente estivesse vivendo como um sacerdote e entrando no mundo do sagrado. O público vem conversar após o espetáculo e se diz transformado, realmente tocado. Clarice tem um poder muito mágico de EMOCIONAR as pessoas com as suas palavras. Já fiz diversas coisas no teatro, mas esse trabalho tem sido muito diferente, principalmente no que se refere à essa comunhão DIRETA com o público”, afirma Eduardo Wotzik.

missa-41

Estudo para Missa para Clarice – um Espetáculo sobre o Homem e seu Deus
Com Cristina Rudolph, Natally Do Ó e Eduardo Wotzik
Centro Cultural Banco do Brasil SP (Rua Álvares Penteado, 112, Centro – São Paulo)
Duração 80 minutos
17/11 até 16/12
Quarta, Quinta e Sexta – 20h
$20
Classificação 14 anos
 
Direção, concepção, edição e texto final – Eduardo Wotzik.
Direção de Arte – Analu Prestes.
Iluminação – Fernanda Mantovani e Tiago Mantovani.
Música – Henryk Gorécki.
Dramaturgo – Vittorio Provenza.
Diretores Assistentes – Carla Ribas, Daniel Belmonte, Alexandre Varella.
Direção de Produção – Michele Fontaine e Jessica Leite.
Assessoria de Imprensa – Adriana Balsanelli

 

EPÍSTOLA.40, CARTA (DES)ARMADA AOS ATIRADORES

Com cinco anos de criação cênica, o Núcleo Macabéa lança mão de histórias orais de vida de moradoras da Favela do Boqueirão, comunidade da zona sul de São Paulo, para narrar poeticamente os despejos de muitas localidades periféricas das grandes metrópoles brasileiras.

No dia 04 de novembro, estreia o espetáculo Epístola.40, carta (des)armada aos atiradores, a nova obra teatral deste grupo que tem como uma de suas principais características a imersão em comunidades periféricas, formadas por migrantes. Estabelecendo desde 2011 uma relação estrita com os moradores da Favela do Boqueirão, que passaram por uma grande remoção e tiveram suas vidas modificadas, o grupo buscou um resgate de memórias para compor seu novo espetáculo, que agora é apresentado na sede da Cia. Pessoal do Faroeste. Com texto de Rudinei Borges e encenação de Edgar Castro, a peça narra os andamentos excludentes do despejo de uma família de retirantes nordestinos (Nazara, Judas, Macabéa, Misael e Auarã) que arranjou morada numa favela na cidade de São Paulo.

Esta montagem teatral nasce do encontro com as memórias de despejo de moradoras da Favela do Boqueirão. Essas mulheres, vindas de outros estados, que encontraram nesta comunidade uma moradia, mesmo em condições precárias. Mas parte significativa da favela foi duramente despejada, pois os barracos foram construídos às margens de um córrego, um esgoto poluído. Depois do despejo a situação piorou, uma vez que não tinham mais onde morar. O auxílio-aluguel é um valor insuficiente para que a dignidade de moradia seja garantida. Muitos moradores foram viver até na rua. Dessas situações de extrema exclusão e de nenhum diálogo do Estado com a população, nasce a miséria mais profunda do Brasil”, comenta o dramaturgo Rudinei Borges, recentemente indicado ao Prêmio Shell pela autoria de Dezuó, breviário das águas, outro espetáculo do Núcleo Macabéa.

Já o encenador Edgar Castro, comenta: “Epístola.40, carta (des)armada aos atiradores é a metáfora mais adequada de um país que se vê repetidamente despejado da vida.  É a fábula de uma família de retirantes que vaga em constante processo de expulsão, e que mal conseguindo fixar moradia numa favela, enfrenta mais uma vez o murro da exclusão”. Em seu segundo trabalho com o Núcleo Macabéa (o primeiro como encenador), Edgar pensa a nova montagem como tentativa de equacionar o que chega de uma realidade em franco desmoronamento, de um campo social que trata os pobres a chutes e bordoadas, território que se ergue sobre a negação ao direito mais elementar de viver com alguma dignidade.

Além das histórias orais de vida de moradoras do Boqueirão colhidas pelos atores, a peça foi composta com a leitura atenta do romance de Clarice Lispector, A hora da estrela (1977), e do Primeiro Livro de Macabeus. A obra faz parte das ações do projeto Tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas – Teatro e História Oral de Vida. Residência artística do Núcleo Macabéa na favela Boqueirão contemplado pela 27° Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Mais informações na fanpage do grupo: www.facebook.com/nucleomacabeaoficial

Epístola.40: carta (des)armada aos atiradores
Com Alexandre Ganico, Andrea Aparecida Cavinato, Daniela Evelise, Dionízio Cosme do Apodi e Heitor Vallim
Cia. Pessoal do Faroeste (R. do Triunfo, 301 – República, São Paulo)
Duração 90 minutos
04/11 até 12/12
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h; Segunda – 20h
Entrada gratuita (ingressos distribuídos uma hora antes)
Classificação livre
 
Dramaturgia e Coordenação – Rudinei Borges
Encenação – Edgar Castro
Cenografia e Figurino – Telumi Hellen
Iluminação – Felipe Boquimpani
Sonoplastia – Dani Nega
Produção – Fernando Gimenes
Programação Visual – Renan Marcondes
Fotografia e Vídeo – Cacá Bernardes e Bruna Lessa (Bruta Flor Filmes)
Assistência de Direção e Preparação Corporal – Raoni Garcia
Assistência de Figurino – Claudia Melo
Oficina de História Oral – Marcela Boni
Oficina de Jogos Grupais – Rani Guerra
Oficina de Cultura Popular – Cleydson Catarina
Oficina de Teatro e Imaginário – Andrea Cavinato
Assessoria de Imprensa – Luciana Gandelini
Palestra Clarice Lispector – Gilberto Martins
Revisão de Texto – Airton Uchoa Neto
Parceria – Cia. Pessoal do Faroeste
Realização – Núcleo Macabéa, Prefeitura de São Paulo, Programa de Fomento ao Teatro, Cooperativa Paulista de Teatro

PROFETAS DA SELVA

Uma longa e contínua jornada espacial, inspirada na busca por ‘yvy marã ey, a Terra Sem Mal da qual nos fala o profetismo Tupi-Guarani, conduz os espectadores para dentro de uma atmosfera ritualística na qual guerreiros e poderosos profetas dançam em comunhão com os deuses.

O aspecto profético da religião das etnias Tupi-Guarani em torno dos mitos que tratam de ‘Yvy Marã ey’ (morada dos deuses e dos ancestrais, onde não há morte, não há trabalho, não há doença – e eventualmente não há sociedade), onde deuses e homens seriam iguais e cujo acesso se daria através de jejuns e de danças, expressa o fundamento de alguns motivos que podem ter levado grandes grupos indígenas a deslocarem-se, desde o século XV, em amplas e constantes migrações desde o litoral paulista rumo aos territórios do Peru, dirigidos por karaís, seus grandes xamãs ou profetas.

E no dia 26 de novembro, a companhia Dual Cena Contemporânea, fará um ciclo de imersão em mitologia e cultura indígena, integrando as atividades do Laboratório da Cena Funarte SP. As inscrições são pelo e-mail cia.dual@hotmail.com

14999983_1433966576614321_8775084611518131777_o

Profetas da Selva
Com Junior Gonçalves, Kleber Cândido, Ivan Bernardelli, Urubatan Miranda e Wellington Campos
Funarte São Paulo (Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 50 minutos
25 a 27/11
Sexta e Sábado – 19h; Domingo – 18h
$10
 
Direção geral e cênica: Ivan Bernardelli
Projeto de luz e iluminação: Osvaldo Gazotti
Tatuagens: Mauro Nakata – Tattoos do Mauro
Cenografia: Mauro Martorelli
Coordenação da pesquisa e intercâmbio nas aldeias indígenas: Roger Muniz
Orientação da pesquisa musical: Edson Tosta Matarezio
Oficina de pintura corporal indígena: Xumaya Xya (Indígena Funil-Ô)
Design gráfico e digital: Ivan Bernardelli
Registro em vídeo: Alícia Peres
Direção de produção e Produção executiva: Radar Cultural – Solange Borelli
Agradecimentos: Aldeia Guyrapa-Ju, Aldeia Krukutu, Mônica Augusto, Hélio Feitosa, Thiago Soares; A Próxima Companhia, Galeria Olido, Complexo Cultural da Funarte São Paulo, ABC Dança e Companhia de Danças de Diadema, Cleiton Pereira e Contadores de Mentira, Escola Livre de Teatro; aos parceiros e a todos aqueles que tornaram possível a realização deste sonho.