EPÍSTOLA.40, CARTA (DES)ARMADA AOS ATIRADORES

Com cinco anos de criação cênica, o Núcleo Macabéa lança mão de histórias orais de vida de moradoras da Favela do Boqueirão, comunidade da zona sul de São Paulo, para narrar poeticamente os despejos de muitas localidades periféricas das grandes metrópoles brasileiras.

No dia 04 de novembro, estreia o espetáculo Epístola.40, carta (des)armada aos atiradores, a nova obra teatral deste grupo que tem como uma de suas principais características a imersão em comunidades periféricas, formadas por migrantes. Estabelecendo desde 2011 uma relação estrita com os moradores da Favela do Boqueirão, que passaram por uma grande remoção e tiveram suas vidas modificadas, o grupo buscou um resgate de memórias para compor seu novo espetáculo, que agora é apresentado na sede da Cia. Pessoal do Faroeste. Com texto de Rudinei Borges e encenação de Edgar Castro, a peça narra os andamentos excludentes do despejo de uma família de retirantes nordestinos (Nazara, Judas, Macabéa, Misael e Auarã) que arranjou morada numa favela na cidade de São Paulo.

Esta montagem teatral nasce do encontro com as memórias de despejo de moradoras da Favela do Boqueirão. Essas mulheres, vindas de outros estados, que encontraram nesta comunidade uma moradia, mesmo em condições precárias. Mas parte significativa da favela foi duramente despejada, pois os barracos foram construídos às margens de um córrego, um esgoto poluído. Depois do despejo a situação piorou, uma vez que não tinham mais onde morar. O auxílio-aluguel é um valor insuficiente para que a dignidade de moradia seja garantida. Muitos moradores foram viver até na rua. Dessas situações de extrema exclusão e de nenhum diálogo do Estado com a população, nasce a miséria mais profunda do Brasil”, comenta o dramaturgo Rudinei Borges, recentemente indicado ao Prêmio Shell pela autoria de Dezuó, breviário das águas, outro espetáculo do Núcleo Macabéa.

Já o encenador Edgar Castro, comenta: “Epístola.40, carta (des)armada aos atiradores é a metáfora mais adequada de um país que se vê repetidamente despejado da vida.  É a fábula de uma família de retirantes que vaga em constante processo de expulsão, e que mal conseguindo fixar moradia numa favela, enfrenta mais uma vez o murro da exclusão”. Em seu segundo trabalho com o Núcleo Macabéa (o primeiro como encenador), Edgar pensa a nova montagem como tentativa de equacionar o que chega de uma realidade em franco desmoronamento, de um campo social que trata os pobres a chutes e bordoadas, território que se ergue sobre a negação ao direito mais elementar de viver com alguma dignidade.

Além das histórias orais de vida de moradoras do Boqueirão colhidas pelos atores, a peça foi composta com a leitura atenta do romance de Clarice Lispector, A hora da estrela (1977), e do Primeiro Livro de Macabeus. A obra faz parte das ações do projeto Tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas – Teatro e História Oral de Vida. Residência artística do Núcleo Macabéa na favela Boqueirão contemplado pela 27° Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Mais informações na fanpage do grupo: www.facebook.com/nucleomacabeaoficial

Epístola.40: carta (des)armada aos atiradores
Com Alexandre Ganico, Andrea Aparecida Cavinato, Daniela Evelise, Dionízio Cosme do Apodi e Heitor Vallim
Cia. Pessoal do Faroeste (R. do Triunfo, 301 – República, São Paulo)
Duração 90 minutos
04/11 até 12/12
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h; Segunda – 20h
Entrada gratuita (ingressos distribuídos uma hora antes)
Classificação livre
 
Dramaturgia e Coordenação – Rudinei Borges
Encenação – Edgar Castro
Cenografia e Figurino – Telumi Hellen
Iluminação – Felipe Boquimpani
Sonoplastia – Dani Nega
Produção – Fernando Gimenes
Programação Visual – Renan Marcondes
Fotografia e Vídeo – Cacá Bernardes e Bruna Lessa (Bruta Flor Filmes)
Assistência de Direção e Preparação Corporal – Raoni Garcia
Assistência de Figurino – Claudia Melo
Oficina de História Oral – Marcela Boni
Oficina de Jogos Grupais – Rani Guerra
Oficina de Cultura Popular – Cleydson Catarina
Oficina de Teatro e Imaginário – Andrea Cavinato
Assessoria de Imprensa – Luciana Gandelini
Palestra Clarice Lispector – Gilberto Martins
Revisão de Texto – Airton Uchoa Neto
Parceria – Cia. Pessoal do Faroeste
Realização – Núcleo Macabéa, Prefeitura de São Paulo, Programa de Fomento ao Teatro, Cooperativa Paulista de Teatro

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