ÍNTIMO (OPINIÃO)

ÍNTIMO é um espetáculo que convida à reflexão do que guardamos em nós. O que deixamos pra trás? O que nunca é revelado? O que nos marca? O que nos mata? Quais as consequências das nossas escolhas?

Recebi o pedido de um amigo (Willian Mello) para fazer a divulgação da peça, que está atuando. Íntimo. E veio estas três linhas. Algo sucinto e com um título que permite uma gama variada de assuntos e possibilidades de montagem.

Pela minha agenda, infelizmente só consegui assisti-lo na penúltima sexta feira da temporada. Infelizmente, sim. Porque as três linhas não correspondem ao que você assiste durante os 100 minutos de duração do espetáculo.

A peça acontece na sede do coletivo BeTrue. Não tenha dúvidas. O endereço é o certo – rua Maria Antônia, 203, Consolação. O térreo da construção parece que está abandonado, com vários cartazes colados nas janelas (alguns deles são do próprio espetáculo). Mas o número 203 (que está meio apagado), é o do andar superior. Vizinho é um  estacionamento e depois vem o bar Fraternidade, número 211.

Faltando cerca de meia hora para o início, uma funcionária do coletivo desce e começa a vender os ingressos (como são poucos lugares e só faltam mais três sessões, recomendado fazer reserva – procure um dos atores pelo facebook ou instagram e manda uma mensagem direta). Um pouco antes do começo, você sobe as escadas e entra no local da apresentação.

Parece que você fez uma viagem no espaço. Sai do barulho da rua Maria Antônia, cheia de bares, comércios e vida acadêmica e entra num lugar com ar hospitaleiro e acolhedor. As paredes são todas de tijolos. Um pé direito alto. Janelas. Uma música instrumental relaxante tocando nas caixas de som. Parece que daqui a pouco virá o cheirinho do café recém coado.

A sala tem um formato retangular. O cenário é distribuído em cinco nichos. Os atores estão em seus camarins sobre palets, também localizados na sala. A plateia fica distribuída em duas arquibancadas, colocadas em lados opostos, ou se preferir, em dois palets almofadados no centro do ambiente.

Começa o espetáculo.

A peça é feita por quatro atores jovens. São quatro histórias independentes que serão contadas e interpretadas por eles – as vezes por todos, as vezes só por três. Antes de começar, um ator por vez fala de quem será a história contada e quem a interpretará.

Um a um, quatro personagens terão suas vidas e intimidades desnudadas na frente da plateia. Abrem o seu ser, desenterram seus segredos e contam suas histórias:de amor, de relacionamento, de amor proibido, de fracassos pessoais/profissionais, de abusos,…

Só que chega uma hora, em que nossos segredos têm que voltar para as suas caixinhas e guardados dentro de armários, como uma forma de auto-proteção.

Íntimo é uma peça que lhe fará sorrir, que fará pensar, e que até lhe fará chorar. Vai tocar em cada um de um jeito específico. Depende se você se permitir e também abrir a caixinha da sua intimidade, para ser tocado pela história.

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Íntimo
Com Danielle Di Donato, Felipe Calixto, Gabriela Pimenta e Willian Mello
R. Maria Antônia, 203 – Consolação, São Paulo
Duração 100 minutos
21/10 até 26/11
Sexta – 21h; Sábado – 20h
$30
Classificação 14 anos
Direção e concepção: Ana Paula Dias
Assistente de produção: Giovanna Borges
Figurino: Victória Moliterno
Direção Musical: Yolanda De Paulo

CENTRO DE PESQUISA DA MÁSCARA

O “Centro de Pesquisa da Máscara” que promove oficinas de criação de máscaras teatrais, montagens e cursos voltados para artes cênicas. Está em cartaz aaté o dia 26/11 com o espetáculo “Alvorada“.
SINOPSE:
Um homem recebe uma carta, seria uma correspondência comum, se esta não fosse uma declaração de amor. Assim inicia ALVORADA, espetáculo do Centro de Pesquisa da Máscara, que com narrativa não linear e o uso de máscaras expressivas conta a história de um casal, seus encontros e desencontros ao longo da vida
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Alvorada
Com Aline Grisa, Fernando Martins e Felipe de Galisteo
Centro de Pesquisa da Máscara (Rua Bamboré, 518, Ipiranga – São Paulo)
até 26/11
Sábado – 21h
$20
 
Direção: Luciana Viacava
Operação de Som: Cel Oliveira
Luz: Marcos Nascimento
Trilha Sonora Original: Marcelo Pellegrini
Fotografia: Silvia Machado

TIC TIC TATI

O premiado espetáculo Tic Tic Tati, com a cantora Fortuna e direção geral de Roberto Lage,  ganha novamente os palcos paulistanos. O musical infantil estreia nova temporada, desta no Teatro Porto Seguro, no dia 19 de novembro, com sessões aos sábados e domingos, às 15h, até 11 de dezembro.

Tic Tic Tati presta homenagem a Tatiana Belinky (1919-2013), uma das mais importantes escritoras infanto juvenis contemporâneas, com mais de 250 livros publicados e inúmeros trabalhos em televisão, teatro e jornais. Vale ressaltar que a autora participou ativamente de todas as etapas do projeto, estando presente na plateia na estreia e na gravação do DVD do espetáculo em suas raras aparições em público. O CD foi indicado ao 24º Prêmio da Música Brasileira de 2013, nas categorias Álbum InfantilProjeto Visual.

Neste trabalho, em que Fortuna reforça sua proposta de unir música e literatura de qualidade, alguns poemas de Tatiana Belinky viraram músicas de Hélio Ziskind, que no show são interpretadas por Fortuna, acompanhada por cantores-bailarinosquatro músicos, além do coro cênico composto por senhoras do Projeto da Terceira Idade do SESC Consolação.

No palco, Fortuna tem a companhia de Denise Yamaoka, Luana Bichiqui, Elcio Bonazzi, Fernando Alberti, Matheus Severo e Judah Raposo, que interpretam diversos personagens. “Assim como usei um coro infantil em ‘Na Casa da Ruth’, decidi incluir neste show um coro de vovós, que são do ‘Projeto Terceira Idade’ do SESC Consolação. Elas participam, em coro, em três músicas, com figurinos e adereços e o resultado é muito lindo“, diz Fortuna.

Projeto – Quando Fortuna apresentou o projeto para Tatiana Belinky, a escritora consentiu de maneira entusiasmada. A partir de então, a cantora começou a trabalhar com Hélio Ziskind, conhecido como um dos maiores compositores para crianças e parceiro de Fortuna em Na Casa da Ruth. Ziskind conta que a maior parte dos textos precisou de adaptações – sempre com total aprovação da escritora, que acompanhou de perto a criação de cada uma das músicas.

O repertório do CD Tic Tic Tati possui 14 canções, sendo dez composições de Hélio Ziskind sobre textos de Tatiana Belinky, duas composições de Ziskind em parceria com Tarsila Amorim (“Limeriques do Bípede Apaixonado” e “Meu Gatinho”) e duas dividindo autoria com Fortuna e Gabriel Levy (“Coro das Bruxas” e “Cantiga Famélica”).

O álbum também traz duas canções populares e com livre trânsito entre crianças e adultos: “Lindo Balão Azul”, de Guilherme Arantes e “O Vira”, de João Ricardo e Luhli, sucesso dos Secos & Molhados. Completam o disco duas canções inéditas de Ziskind: “Na Roda da Fortuna”, alusão direta ao lindo trabalho da cantora Fortuna junto ao público infantil, e ainda “Tic Tati”, um verdadeiro retrato musical de Tatiana Belinky.

A direção musical e os arranjos, tanto do CD quanto do show Tic Tic Tati, são de Gabriel Levy. O músico também está à frente do quarteto instrumental que atua no espetáculo: Gabriel Levy, Roberto Angerosa, Mário Aphonso III e Jardel Caetano ou Cesar Assolant.

 

Tic Tic Tati
Com Fortuna, Denise Yamaoka, Luana Bichiqui, Elcio Bonazzi, Fernando Alberti, Matheus Severo e Judah Raposo.
Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 60 minutos
19/11 até 12
Sábado e Domingo – 15h
$60
Classificação livre
 
Direção geral: Roberto Lage.
Coro Cênico do SESC Consolação – Projeto Terceira Idade: Anna Maria N. Coelho, Gláucia Millen, Maria Joana Barbosa, Maria Margarida da Silva, Maria de Lourdes Sales, Marliza Karasawa,  Rosa Hiwako Nakamura Vieira e Vera Taroda Hasegawa.
Arranjos e direção musical: Gabriel Levy.
Músicos: Gabriel Levy (Teclado e acordeom), Roberto Angerosa (Bateria e percussão), Mário Aphonso III (Sax e flauta), Cesar Assolant (Violão de nylon, violão de aço e cavaco).
Preparadora vocal: Gabriella Rossi.
Coreografia: Juliana Garavatti.
Figurinos: Luciano Ferrari.
Assistente de figurino: Elen Zamith.
Costureiras: Laís Ferrari Gonçalves Leite e Maria de Lourdes Oliveira.
Alfaiates: Pedro dos Santos e Adeli Machado Ribeiro Gomes.
Adereços: Sidnei Caria e Tetê Ribeiro.
Iluminação: Wagner Freire.
Operador de luz: Alessandra Marques .
Operador de canhão: Marcelo Richard.
Operadores de som:Humberto Rodrigues e Guilherme Ramos.
Direção do Coro Cênico: Anna Galli.
Camareiras: Eliane Dias e Tatiana Gonçalves .
Contrarregras: Paulo Travassos e Zan Martins.
Fotografia: João Caldas.
Ilustração: Suppa.
Projeto gráfico: Paula de Paoli.
Assistente de direção: Paulo H. Jordão.
Produção executiva: Nadya Milano .
Direção de produção: Lilian Sarkis.

CASA APODRECIDA

Casa Apodrecida é uma versão teatral livremente inspirada no romance realista “O Primo Basílio”, escrito por Eça de Queirós e publicado em 1878. A peça estreia em 19 de novembro, sábado, às 19h e permanecerá em cartaz, em curta temporada, até 13 de dezembro, no teatro da Oficina Cultural Oswald de Andrade.

Com direção de Leonardo Bertholini, que estreia nos palcos paulistanos nessa função, (mineiro, preparador corporal, ator e fundador e integrante do Grupo Tronco, desde 2007) a montagem tem o movimento como pilar dramatúrgico.

Bertholini desenhou junto com os atores Bianca Fernandes, Camille Bonnenfant, Marco Biglia, Nathália Côrrea e Vandré Silveira a desconstrução de uma realidade projetada por seus personagens apoiada na ação, nas imagens e nos sons. “A experimentação estética dos diversos meios cênicos fez com que optássemos pela ausência da palavra, do texto dito”, diz o diretor.  Os atores também participaram de um laboratório de movimento com abailarina e diretora Kênia Dias.

O obsceno, a crise, o acidente, a provocação, a instabilidade, o extraordinário, a memória, a morte, a burguesia, o embelezamento da violência, temas presentes na história do adultério escrito por Eça de Queirós, inspirado em Madame Bovary, de Gustave Flaubert´, são amplificados pela ação corporal dos atores, pela trilha sonora de Ricardo Garcia (Estúdio Fita Crepe – SP) e pela hibridação de linguagens que conduzem o espectador a acompanhar a transcriação do romance.

Sinopse:

Livremente inspirado em “O Primo Basílio” de Eça de Queirós. CASA APODRECIDA apresenta em sua trama de relações as mazelas do encanto contemporâneo pelos bens materiais, no qual um núcleo familiar está inserido, sustentado fragilmente por bases falsas e igualmente podres.

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Casa Apodrecida
Com Bianca Fernandes, Camille Bonnenfant, Marco Biglia, Nathália Côrrea, Vandré Silveira
Teatro da Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 70 minutos
19/11 até 13/12
Sábado – 19h; Segunda e Terça – 20h
Entrada gratuita (retirar ingressos com 30 minutos de antecedência)
Classificação 18 anos
 
Direção: Leonardo Bertholini
Laboratório de som e movimento: Ricardo Garcia e Kênia Dias
Trilha sonora: Ricardo Garcia
Assistência de Direção: Camila Spinella Vaz e Rodrigo Fidélis
Preparação vocal: Renata Ferrari
Direção de movimento e Cenário: Leonardo Bertholini
Iluminação: Marina Arthuzzi
Figurino: Paolo Mandati
Assessoria de Imprensa: Ofício das Letras
Realização: Grupo Tronco

NATAL MÁGICO

A mega produção Natal Mágico, de Billy Bond, está repleta de novidades para agradar a toda a família. Papai Noel encontra super-heróis e gnomos – além das personagens das histórias de Alice no País das Maravilhas e Rainha das Neves. Acrobatas e atletas na cama elástica são outros elementos inéditos.

O diretor concebeu, ainda, uma cena com a trilha sonora da canção Imagine, de John Lennon, cantada em cinco idiomas – inglês, italiano, espanhol, francês e japonês. O quadro em homenagem à cena clássica de Cantando na Chuva é outro destaque desta versão 2016 do musical e lança mão de tecnologia sofisticada capaz de criar chuva de verdade e drenar a água do palco em seguida.

Com truques realizados por equipamento de última geração, Billy Bond traz para o Brasil, pelo terceiro ano consecutivo, o conceito dos tradicionais espetáculos de Natal realizados em Nova York e Londres, principalmente. Além do elenco afinado, composto por 35 atores, o Natal Mágico impressiona também por unir grandiosidade com o cuidado em cada detalhe: são 180 figurinos e cinco cenários. Um destaque é a estrutura de grandes proporções da Trampoline Wall composta por uma parede de 7 metros e uma cama elástica. O espetáculo estreia no próximo dia 12 de novembro, no Teatro Bradesco.

Natal Mágico
Teatro Bradesco – Bourbon Shopping (R. Palestra Itália, 500 – Vila Pompeia, São Paulo)
Sessões extras 20 a 23/12
Terça e Quinta – 20h
Quarta e Sexta – 16
$50/$150
Classificação livre

O BOTE DA LOBA

O Teatro Garagem em 2016 celebra seus 12 anos de existência com a estreia do inédito texto ‘O Bote da Loba’, de Plínio Marcos, considerado um dos maiores dramaturgos brasileiros, e integra o projeto “Ocupação Plínio Marcos no Teatro Garagem”, idealizado e produzido por Anette Naiman em parceria com  filho do autor, Ricardo Barros.

A montagem retoma a sala intimista inaugural do Teatro Garagem, em 2004, chamada ‘Caixa Preta’, e dá continuidade ao projeto em homenagem ao dramaturgo, que conta também com o espetáculo atualmente em cartaz: ‘Navalha na Carne’, ambos com direção de Marcos Loureiro e com a participação da atriz e idealizadora do projeto Anette Naiman, no papel da antológica prostituta Neusa Sueli.

‘O Bote da Loba’ foi escrito em 1997, dois anos antes de sua morte, ainda inédito, o texto aborda o universo feminino sob a ótica de duas mulheres que se encontram para uma sessão de tarô. Veriska (Anette Naiman), a maga vidente, através dos seus poderes místicos, tentará ajudar a cliente Laura (Luciana Caruso), mulher casada e reprimida, a libertar-se de suas angústias e de seu sofrimento.

Texto inédito do grande dramaturgo, nunca antes montado no teatro, “O Bote da Loba” traz à tona temas e questões atuais de extrema relevância para nossa sociedade. A obra gira em torno, principalmente, da questão do prazer feminino, reprimido por tantos milênios e considerado como “tabu” até os dias de hoje. Aborda o encontro entre o prazer feminino, proibido historicamente com a perpetuação de uma cultura misógina, machista e patriarcal, e o conhecimento do corpo feminino, onde há uma protagonização de tal busca por duas mulheres. De acordo com o autor, seus textos poderiam ser utilizados como referência para a percepção temporal do desenvolvimento da sociedade brasileira. A peça “O Bote da Loba” é o último texto do dramaturgo escrito quando estava com a saúde bastante frágil.

Plínio Marcos passou a se interessar por leituras esotéricas e de tarô e, então, incursiona sua dramaturgia para uma vertente mística, de cunho idealista filosófico, de autoconhecimento do ser humano – religiosidade subversiva, fase que foi denominada como “mística”. Além disso, Plínio fazia atendimentos de leituras de tarô. A procura era, geralmente, por mulheres casadas insatisfeitas com o casamento.

Plínio foi um homem de seu tempo, retratou aquilo que vivenciava cotidianamente, observando e registrando a visão da sociedade de sua época. Seus textos tornaram-se clássicos da dramaturgia brasileira, são documentos históricos, pois retratam valores, costumes e pensamentos de uma sociedade em uma determinada época. Neles, podemos ver o que realmente progrediu e caminhou no sentido da modernização de um pensamento social e consequentemente”, diz a atriz Anette Naiman.

As atrizes Anette Naiman e Luciana Caruso se conheceram em 2015, e trabalharam juntas na montagem de ‘Vendidas’, texto de Leo Lama, filho do autor Plínio Marcos.

Marcos Loureiro dirige também ‘Navalha na Carne’, primeiro espetáculo de Plínio Marcos em parceria com Anette Naiman, no Teatro Garagem, no ano de 2014, homenageando os 15 da morte do autor.  O Bote da Loba é a continuidade da proposta em torno da obra do dramaturgo.

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O Bote da Loba
Com Anette Naiman e Luciana Caruso.
Teatro Garagem (Rua Silveira Rodrigues, 331a – Vila Romana, São Paulo)
Duração 50 minutos
18/11 até 17/12
Sexta e Sábado – 21h
$40
Classificação 16 anos
 
Texto – Plínio Marcos.
Direção – Marcos Loureiro.